15 de Novembro de 2009

Perguntas sem resposta



Para quê fazer perguntas que à partida parece que não têm resposta? Valerá a pena fazer tal coisa? Kolak e Martin respondem que sim no Epílogo do livro Sabedoria Sem Respostas. O que pensa o leitor? Concorda com os argumentos dos autores?

4 comentários:

  1. O simples facto de questionar permite-nos aprender, mesmo que seja simplesmente com a formulação da própria questão e com a busca pela resposta, mesmo que infrutífera.
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  2. Há uma pergunta - por exemplo - para a qual não há mesmo resposta: quando é que a cultura vai ser uma prioridade para o governo?
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  3. Essa pergunta tem resposta. Os governos respondem às ansiedades das populações. Quando as populações tiverem a mesma vontade de cultura que têm de novelas, shoppings e futebol, a cultura será uma prioridade do governo.
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  4. - Se a razão não for o único instrumento na procura de resposta a perguntas impossíveis;
    - Se não se puder defender a razão como única forma de resposta a perguntas impossíveis, por causa da circularidade na sua defesa, isto é, não se poder defender a razão apelando à própria razão;

    Então vale sempre a pena fazer perguntas que à partida parecem não ter resposta.

    Mas saindo dos pressupostos anteriores, não concordo com os argumentos dos autores por parecerem argumentos tipo “zen”: “Se uma pergunta é irrespondível o irrespondível depende apenas dos pressupostos da pessoa que tenta responder”. Tudo bem, se aceitarmos as respostas zen também como respostas válidas.

    A metáfora que eles usam, a passagem para a outra margem, faz-me lembrar a solução ardilosa do português na anedota. Quando ninguém conseguiu num concurso internacional vencer a prova da passagem para a outra margem do rio, eis que à última hora o português tem a solução. Pediu que colocassem uma égua branca do outro lado do rio. E assim, montado no seu cavalo preto, ele conseguiu saltar para o outro lado do rio. A estupefacção dos outros e o contentamento do português durou pouco. O júri, que era internacional, desclassificou-o porque era contra o regulamento o salto à vara.

    Conclusão: há sempre respostas contra-intuitivas para todas as perguntas aparentemente impossíveis. Fora de certos contextos há perguntas que são como espantalhos de palha, ou são completamente inócuas, ou são mera manipulação do pensamento.
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