23 de dezembro de 2009

Aaron Ridley

Num artigo intitulado "Contra a Ontologia Musical", Aaron Ridley afirma que o levantar de questões ontológicas a propósito da música é desinteressante e inútil. Este tipo de questões envolvem determinar que tipo de coisa é uma obra musical e quais as condições de identidade de uma obra musical e as da sua ocorrência em acontecimentos sonoros. Por exemplo, se considerarmos as obras musicais como tipos normativos e as execuções apropriadas das obras como espécimes dessas obras, podemos talvez inferir que uma execução da sinfonia da Partita em Dó menor de Bach com uma nota errada não é uma instanciação ou um espécime dessa obra.
Ridley argumenta que este tipo de questão é desinteressante com base numa observação empírica: quando um conjunto de pessoas numa sala ouve uma execução da Partita em Dó menor com notas erradas, nenhuma delas duvida de que se trate de uma execução da Partita em Dó menor.

Mas isto parece-me tão persuasivo como argumentar que é desinteressante investigar a questão dos universais com base na observação de que as pessoas, quando confrontadas com duas maçãs vermelhas, nunca duvidam de que ambas são vermelhas. Nada nisto parece eliminar o problema metafísico dos universais, a que tentam responder as diversas teorias realistas e nominalistas.

Será que esta objecção ocorreu a Ridley e será que tem uma boa resposta? A ver. O título original do artigo é Against Musical Ontology.

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