16 de dezembro de 2009

Os melhores de 2009





Findo mais um ano, vamos aos Óscares. Quando procedi à recolha dos livros deste ano fiquei agradado com a oferta. Traduziram-se importantes obras como a de Nozick, Bell ou Thomas Kuhn e há ainda uma oferta muito boa de livros introdutórios ou até de filosofia romanceada, como o caso do livro de Mark Rowlands. Fomos ainda prendados durante 2009 com um guia da filosofia, uma espécie de guia turístico para quem quer fazer o roteiro da filosofia. Muitas obras foram reeditadas, principalmente o fundo de catálogo das Edições 70. Pena que não tenhamos ainda o trabalho de rever as traduções, acrescentando notas que ajudem o leitor a orientar-se melhor na filosofia. Ainda assim considero este ano muito rico em termos de edições comerciais de filosofia. Num ano em que a crise económica parece instalar-se definitivamente não nos podemos queixar. O lote reflecte as minhas leituras e preferências pessoais, pelo que é natural que fiquem de fora outras obras que o leitor considere relevantes e que eu não considerei. Segue a lista sem ordem de relevância.

Robert Nozick, Anarquia, Estado e Utopia, Ed. 70, trad. Vitor Guerreiro

É um clássico da filosofia política contemporânea e também a resposta às teses de John Rawls.


Thomas Kuhn, A estrutura das revoluções científicas, Guerra & Paz, trad. Carlos Marques

Uma obra controversa pela defesa que propõe, a ideia da subjectividade implícita na construção da ciência. Uma obra obrigatória de que ainda não dispúnhamos de tradução.


Clive Bell, Arte, Texto & Graphia, trad. Rita Gomes Mendes

Um clássico da filosofia da arte. Após a tradução em 2008 da obra , Estética, de George Dickie, (2008, Bizâncio, trad. Vitor Guerreiro), surge esta tradução como um passo muito bem dado nas obras de que dispomos na nossa língua.


David S. Oderberg, Teoria Moral, Uma abordagem não consequencialista, Principia, trad. Mª José Figueiredo



David S. Oderberg, Ética aplicada, Uma abordagem não consequencialista, trad. Mª José Figueiredo

Duas obras de uma vez só de um dos filósofos contemporâneos que mais ataca algumas das teses centrais de Peter Singer e do utilitarismo.


James Rachels, problemas da filosofia, Gradiva, Trad. Pedro Galvão

A par com as introduções à filosofia de que dispomos em língua portuguesa, principalmente as de Nagel e Warburton, este livro de Rachels é o ideal antes de ler o Pense de Simon Blackburn, da mesma colecção. Este livro é considerado por muitos como a melhor introdução à filosofia feita. Confesso que não é essa a minha opinião, mas está certamente ao lado dos melhores.


 Desidério Murcho (org. e trad.), Viver para quê? Ensaios sobre o sentido da vida, Dinalivro

Uma colectânea de textos centrais sobre o problema filosófico do sentido da vida. Uma organização de textos muito bem conseguida.


Aires Almeida (org.), DEF – Dicionário Escolar de Filosofia, Plátano

Uma segunda edição deste dicionário muito mais conseguida e extensa que a primeira. Eu elevo já este dicionário como um dicionário universitário de filosofia, já que tanto pode servir aos estudantes e professores do secundário como aos do ensino superior.


Roger Scruton, Beleza, Guerra & Paz, trad. Carlos Marques

Roger Scruton tem a vantagem de ser, na minha opinião, um belíssimo escritor o que faz com que este livro de filosofia possa ser degustado por quem aprecia um bom livro e uma boa escrita.


Stephen Law, Filosofia, Civilização, trad. Mª José Barbosa

Não aprecio de todo a tradução para a edição portuguesa, mas saúdo esta publicação. É um livro ilustrado, cheio de imagens e impresso como um roteiro. Está muito bem conseguido. É especial para estudantes do secundário ou simples curiosos.


Mark Rowlands, O filósofo e o lobo, Lua de Papel, trad. Rosário Nunes

Para quem quer saber das vivências entre um filósofo, aprendendo um pouco de filosofia, mas ao mesmo tempo lendo um romance, aqui está a fórmula ideal.


Tom Morris, E se Aristóteles fosse administrador da General Motors, D. Quixote, trad. Isabel Veríssimo

Não é um livro completamente de filosofia, mas uma aliança entre os ensinamentos dos filósofos clássicos e o mundo das empresas. Li-o com sentido de curiosidade. Mesmo não sendo dos meus livros preferidos, é uma edição de considerar.
Este livro é a minha aldrabice da lista, já que se trata de uma edição de Dezembro de 2008. Creio não o ter referido na lista do ano passado e, por essa razão, não deixo passar este ano sem o incluir. O texto é algo denso e talvez mais interessante para estudantes do ensino superior.

23 comentários:

  1. Tás feito comigo pá! Então metes aí o Kuhn e o meu Darwin não? Ainda por cima é o único texto que aí anda com a versão original, de 1859, em vez de a 6a edição.

    Tou a brincar, abraço!

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  2. Olá Vitor,
    Não coloquei a tua tradução na lista por duas razões:
    1º não é um livro de filosofia
    2º não o comprei ainda :-)
    Abraços

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  3. Vítor, o índice geral no fim dos livros do Nozick e do Darwin é que não dá mesmo jeito. E não é assim que está no original. Imagino que tenham sido as editoras a insistir nisso, mas não deixa de ser um disparate.

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  4. Qual é a lógica de colocar o índice de um livro no final? É muito estranho. A primeira coisa que uma pessoa quer ver quando abre o livro é o índice, precisamente para ter uma ideia geral da estrutura do livro e dos seus diversos temas. Bizarra, esta ideia de pôr o índice no final.

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  5. De facto, é uma parvoíce. Mas a única questão de formato que me colocaram foi quanto a usar "Origem das Espécies" na capa em vez de "Sobre a Origem das Espécies", que é o título correcto. Como na página de rosto iam manter o "Sobre" não me fez comichão. Mas lembro-me de ter opinado numa ocasião, não para estes livros, sobre a parvoíce dos índices no final.

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  6. Em resposta ao Rolando:

    Se pegarmos num bom textbook de filosofia da biologia, o que lá se discute é Darwin. Nesse aspecto, o Kuhn é muito mais uma curiosidade histórica do que o Darwin, apesar de mais recente.

    Além disso há outro aspecto: este livro do Darwin debate-se com questões fundacionais, como lhes chamou o Desidério, ou seja, com o tipo de questões onde é mais difícil separar claramente a ciência da filosofia, porque grande parte do trabalho do cientista consiste em avaliar teorias rivais e muita discussão que é conceptual. O artigo recente sobre a ideia de "evolução" é exemplo disso.

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  7. Vitor,
    Acontece que ainda assim, o livro do Darwin não é um livro de filosofia. Também a bília toca em questões fundacionais e ainda assim não é um livro de filosofia. A descoberta do genoma humano é uma questão fundacional e com efeito não é uma questão da filosofia, mesmo que seja uma questão muito influente em filosofia.

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  8. Eis a resposta do editor do R. Nozick, Pedro Bernardo. Edições 70.:

    "Caros

    Antes de mais, em nome de Edições 70, obrigado pela distinção. Mas este comentário versa as vossas opiniões sobre a colocação do índice geral das obras. A lógica de o colocar no final do livro é tão lícita como a de o incluir no início e no caso de obras portuguesas tem que ver com o modelo (europeu) continental latino: assim o fazem os espanhóis, os franceses, os italianos (mas não os alemães). O modelo anglo-saxónico coloca o índice geral no princípio do livro. No caso de Edições 70, como o catálogo se organiza essencialmente por colecções, convém respeitar a estrutura (mancha gráfica, tipo de letra, forma de abertura de capítulos, etc). Ainda assim, temos obras com o índice geral no início. Creio que um leitor habituado não estranha, pois sabe automaticamente que o que procura está no fim. Mas a explicação é esta: é o modelo europeu continental (e a tradição ainda é o que era...).
    Cumprimentos a todos e votos de Boas Festas

    Pedro Bernardo"

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  9. Rolando,

    Posso estar errado mas creio que a bíblia não coloca questões funcadionais. Desde logo, não coloca a questão da existência de Deus porque aí ela não aparece como questão, mas como dado adquirido. A bíblia é tão fundacional como a Odisseia e a Ilíada. Quem vai colocar questões fundacionais que envovem textos como a bíblia são os filósofos da religião e os teólogos, suponho.

    Na verdade, há mais filosofia no livro do Darwin do que em 80% das coisas que aparecem nas estantes de filosofia nas livrarias.

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  10. Vitor,
    Colocar questões fundamentais não me parece ser exclusivo dos filósofos. E nisto não concordo contigo. O que os filósofos fazem é pensar as questões ou algumas questões fundamentais. A criação da vida e do universo é uma questão fundamental que é colocada na biblia.
    Mas a verdade é que as questões da filosofia não são mais fundamentais que as da ciência, por exemplo.
    E, vá lá, os teólogos, por muito estreita que seja a sua visão, dão uma resposta e argumentos para uma questão fundamental. Não o fazem é com as ferramentas da filosofia.

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  11. Caros Vítor e Pedro Bernardo,

    Antes de mais, obrigado pelas explicações e parabéns pelo bom trabalho de tradução e pela renovação editorial que têm desenvolvido nos últimos tempos.

    Contudo, a explicação de Pedro Bernardo não me convence, até porque nem todas as tradições são boas e umas são melhores do que outras. A verdade é que a tradição latina que refere já não é o que era. Acabei mesmo agora de vasculhar alguns livros franceses, espanhóis e italianos que tenho por aqui e descobri que são mais os que têm o índice geral no princípio do que no fim.

    Como se vê, até em França, na Itália e em Espanha a tradição já não é o que era. E o mesmo se passa em Portugal. Julgo que não é por acaso. É sobretudo confuso misturar os índices geral e analítico (e, por vezes, também o índice de nomes) no fim do livro. Como era pouco habitual incluir nos livros franceses estes índices, talvez a confusão não fosse assim tanta. Mas parece que as coisas estão a mudar.

    Resta saber se se quer quer continuar a insistir em velhas tradições a que já poucos ligam. Mas compreendo que as colecções têm de manter as mesmas características, a mesma estrutura e os mesmos critérios gráficos.

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  12. Rolando

    Não disse que só os filósofos colocam questões fundamentais. Se fosse esse o caso, não poderia estar a defender o interesse filosófico da Origem. Quando falei da bíblia também inclui os teólogos e não só os filósofos da religião. E aqui discordo novamente quanto às ferramentas. A chamada "teologia natural" sobrepõe-se com a filosofia da religião. Só a teologia revelada não o faz mas mesmo assim, podemos considerar as "verdades reveladas" como premissas cuja verdade supomos ao construir um argumento, e continuar a avaliar esse argumento como fazemos com os outros. Aliás, quando alguém faz mais alguma coisa com o pensamento que não seja repetir o mantra, tem de usar (bem ou mal) as ferramentas da filosofia. Também não é claro que todos os teólogos tenham uma visão estreita das coisas só por serem teólogos e mesmo que a maior parte tenha, isso não é exclusivo dos teólogos. Há filósofos e biólogos com uma mentalidade muito estreita. Por exemplo, os colegas do Darwin, por causa de quem ele deixou a Origem na gaveta durante 20 anos.

    A bíblia não coloca a questão da criação, da origem do universo ou da vida, porque isso não surge sequer na bíblia como questão. Isso é simplesmente declamado em versículos como um facto inquestionável. Colocar questões não é fazer isso, ou então todos os poetas são filósofos.

    Um exemplo de texto onde a criação é colocada como origem é na Suma de Teologia de Tomás, que era simultaneamente filósofo e teólogo. Quais as suas conclusões não é relevante aqui, o que é relevante é que a apresentação é feita em forma de questão e discute-se teorias rivais. E a discussão de teorias rivais e o pôr em causa métodos de investigação, sem que por sua vez tenhamos um método estabelecido para nos dar respostas mais ou menos automaticamente, isso é o que é específico da filosofia e é partilhado por livros como a Origem

    Também na Origem das Espécies temos outro cenário muito diferente. Aí a questão da origem (ou da variação) é mesmo colocada enquanto questão. Darwin discute abundantemente indícios, teorias e argumentos contrários à sua ideia. No meio disso, como se trata de uma obra que estava nos limites da ciência biológica da época, há questões fundacionais que são do maior interesse para a filosofia. O próprio conceito de "evolução" é um deles.

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  13. Vitor,
    Não estou de acordo. Não me parece que um livro possa ser um livro de filosofia somente porque levante questões filosóficas. E, sim, parece-me que a Bíblia, como tantos outros livros levanta questões que são tratadas pelo conhecimento, vá lá, elaborado, entre o qual, a filosofia. A questão da origem do universo está lá, como dezenas de questões morais. Mas isto não faz da Biblia um livro de filosofia.

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  14. Mas eu não estou a dizer que a Origem ou a Bíblia são livros de filosofia. Estou a dizer que a Origem das Especies é mais importante para a filosofia do que muitos livros que são escritos como livros de filosofia e lidos como tal. E que além disso se aproximam mais da filosofia do que muitos dos últimos.

    E um poema que descreve uma cosmogonia em termos politeístas ou teístas não é o mesmo que um livro (de filosofia ou teologia ou física ou o que seja) que coloca questões e discute hipóteses rivais... como por exemplo, o faz Tomás de Aquino. A bíblia não coloca questões, as pessoas é que colocam questões ao ler a bíblia. Mas livros como a Origem das Especies colocam questões, contém questões, lutam com questões. Na medida em que avaliam terias rivais e tratam questões funcadionais, sem que disponham de métodos estabelecidos para as resolver (por isso são fundacionais - põem em causa os métodos), aproximam-se da filosofia (partilham características) e têm um importância maior do que o comum para o filósofo. Claro que isto não significa que sejam filosofia.

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  15. também o Kuhn não era filósofo. Era historiador da ciência. E o livro dele é mais sociologia da ciência do que um livro de filosofia. Só nos parece mais próximo da filosofia do que a Origem porque fazia parte da bibliografia quando estudamos filosofia da ciência. Incluimo-lo porque é importante para a filosofia da ciência - porque contém afirmações sobre questões fundacionais (tal como o do Darwin). E tal como o Darwin é importante para a filosofia da biologia em particular.

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  16. A bíblia coloca a questão da origem da vida e dá-lhe uma resposta. Dá-lhe uma resposta diferente da de Tomás de Aquino, pois não é uma resposta que procura justificar crenças, mas uma resposta baseada em outros pressupostos que não os filosóficos.
    Mas não fiquei com a impressão que inicialmente me quisesses dizer que apenas querias dizer que a Origem das Espécies é um livro relevante para a filosofia. Certamente que o é, assim como o é para todo o conhecimento humano, como a biblia o foi durante séculos e para muita gente ainda é.E se assim é, tenho tantas razões para colocar um livro de Darwin na minha lista como tenho para colocar uma edição de 2009 da biblia.

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  17. Três comentários:

    1) Da lista do Rolando só não tenho os 2 últimos livros e o do Scruton (quer dizer que o Rolando tem bom gosto em escolher livros...;-) );

    2) O livro do Darwin com a tradução do Vítor Guerreiro é muito agradável de ler (digo isto porque em tempos tinha lido outra edição e comprei o do Vítor por curiosidade);

    3) A Bíblia coloca questões, dá respostas a algumas mas deixa outras em aberto; um exemplo de uma questão não resolvida é o problema do sofrimento, tratada no Livro de Job;

    A Bíblia é mais um livro de ética tipo "como devemos viver". É por isso que discussões sobre religião são sempre tumultuosas. Vcs, filósofos, na vossa imensa generosidade de abrir as cabeças humanas e colocar-lhes lá dentro a semente da filosofia não percebem que ao colocar em causa as ideias da Bíblia mexem com o modo como as pessoas vivem a sua vida. É por isso que aquela ideia de se discutir com base na lógica certos argumentos, chegar a conclusões e tirar as devidas consequências (um crente deveria passar a agnóstico, no mínimo, ao não conseguir demonstrar a existência de Deus) não funciona. No meu caso pessoal, passei a agnóstico aos 16 anos, e só 30 anos depois é que voltei ao Cristianismo. Ninguém altera uma concepção do mundo só com uma conversa filosófica. São precisos anos e anos de reflexão e meia dúzia de depressões pelo meio. Não se joga uma vida no lixo sem dor.

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  18. Caro Parente,
    Esta é uma outra questão, mas não percebo qual é o mal de mexer com a vida das pessoas!!!
    Se a filosofia, a ciência, não mexer com a vida das pessoas, mexe com quê?
    abraço

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  19. Há uma grande diferença entre levantar uma questão e discutir hipóteses rivais ou simplesmente transmitir um conteúdo doxástico já definido.

    Isto nada tem a ver com a bíblia em particular. A bíblia para ter qualidades não precisa de ser um livro de filosofia. E se as tem ou não, isso não está em causa aqui. Qualquer cosmogonia não é um livro que coloque questões de cosmologia. É um tipo de resposta, entre o repertório de respostas humanas, a um questionamento natural que as pessoas fazem. A Origem do Darwin é também uma resposta, mas tem outra forma que não a de uma cosmogonia ou uma epopeia que comunica um conteúdo doxástico já fixo. É discussão e avaliação de teorias rivais, métodos e pressupostos fundamentais. O livro É uma discussão. Difere de um manual escolar de física porque não apresenta as teorias e métodos estabelecidos. Aproxima-se da filosofia neste aspecto metodológico da avaliação de teses rivais e discussão de pressupostos. Mas qualquer disciplina se aproxima da filosofia quando há discussão de pressupostos e questões fundacionais. Porque nesses momentos não podemos recorrer aos métodos do manual para resolver a disputa - são os métodos do manual que estão em causa.

    Não estou a argumentar a favor de incluir o Darwin na lista... isso começou por brincadeira. No momento nem pensei que a lista fose exclusivamente de filosofia.

    Concluindo, o facto de a bíblia ou qualquer outro livro de natureza não filosófica, fornecer respostas para interrogações morais não faz dele um livro que levante questões fundamentais. Se fosse só pelas respostas, o livro de Darwin tão-pouco o faria. Também não é pelas respostas de Tomás de Aquino que considero que a Suma levanta de facto essas questões. O determinante é a abordagem, e não as conclusões. A diferença entre uma coisa e outra é tão simples como a diferença entre cosmologia e cosmogonia.

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  20. Claro que podemos levantar questões acerca de cosmogonias e epopeias que comunicam um conteúdo doxástico fixo. Mas isso é outra coisa.

    A bíblia, ou qualquer outra cosmogonia ou epopeia, podem muito bem figurar numa discussão de questões fundamentais. Mas nesse caso não são as cosmogonias a levantar as questões. É quem nelas pensa que as levanta. Um livro só levanta questões quando o próprio livro É discussão, não cosmogonia nem epopeia. De contrário nem haveria teologia sequer.

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  21. Rolando

    Pode-se mexer com tudo. O mal não está aí. O mal está na abordagem e na forma como se mexe nas pessoas.

    Eu sei que o meu comentário foi um bocadinho ao lado do tópico mas achei interessante colocá-lo a propósito da Bíblia porque já vi queixas noutros blogues por muitos crentes reagirem de forma emotiva quando colocam em causa as suas crenças. Em certos casos há uma dose razoável de fanatismo, noutras as pessoas sentem-se agredidas sem que os interlocutores consigam compreender porquê.

    Abraço

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  22. Olá Parente,
    Não sei se isto responde à sua questão, mas sabe o Parente que é dos poucos crentes racionais e tolerantes que tenho avistado nos blogs que visito? Isto não significa que não existam ateus fanáticos. Aliás, parece que o fanatismo ateu está um pouco na moda, provavelmente fruto dos best sellers como o de Dawkins.Em todo o caso o que mais interessa nas discussões filosóficas são as razões que conduzem a determinada crença. Os fanatismos não possuem qualquer relação com a verdade. Mas também reconheço que é muito fácil e cómodo resvalar para os fanatismos. Por exemplo, eu tenho alguma simpatia pelos livros ateus do Dawkins, Sam Harris e outros que li. Mas a discussão que envolve os fanatismos é uma versão panfletária e publicitária dos problemas relacionados com a existência de deus. Mas é algo natural, apesar de infeliz, que assim seja. Nem todas as pessoas estão disponíveis ou têm disponibilidade para ler e discutir ou sequer pensar sobre os problemas. Repare: eu próprio me confesso :-) para mim é muito mais fácil assumir o ateísmo que discuti-lo. Discuti-lo é uma tarefa intelectual e tal exige tempo, conhecimento e discussão a bom nível. Tenho muita pena que ainda não tenhamos em língua portuguesa uma boa obra sobre filosofia da religião e em especial sobre o problema da existência de deus. Isso devia vir antes dos panfletários livros ateus ou promoções pimba da fé cega.
    É um gosto ler os seus comentários
    Abraço

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  23. Olá Rolando

    Obrigado pela sua resposta ao meu comentário. Desejo-lhe boas festas para si e para a sua família.

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