9 de dezembro de 2009

Por que não acredito no aquecimento global


Quando a ciência fica politizada, deixo de crer na ciência em causa. É o que acontece com o debate sobre o aquecimento global. Há tanta mentira associada ao debate que nenhum cidadão ponderado e informado pode saber de que lado está a verdade: se realmente há ou não aquecimento global, se este é antropogénico e, caso o seja, se há algo que realmente se possa fazer para resolver o problema que não seja pior do que aprender a viver com ele. A politização da ciência tem como resultado a retirada da confiança que qualquer cidadão ponderado dá aos cientistas que dizem saber coisas que o cidadão não pode saber por si mesmo.

Quando desconfio que há manipulação política da ciência, paro de acreditar na ciência em causa; quando há comissões pretensamente científicas mas de nomeação política ou associadas às Nações Unidas, paro de confiar nos seus relatórios, porque sei que são muito políticos e pouco científicos. É isso precisamente que ocorre com o aquecimento global. De modo que quanto mais estridentes são os gritos histéricos dos ecologistas, quantos mais manifestações violentas fazem nas ruas, quantos mais golpes publicitários fazem, associando tudo isto à ciência, mais eu desconfio que a ciência está a ser prostituída e eu estou a ser enganado pelos cientistas. E por isso suspendo o juízo.

23 comentários:

  1. Belo e incisivo post.

    O passo seguinte à suspensão do juízo não seria investigar quais "interesses" estão por trás do alarmismo acerca do aquecimento global?

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  2. Discordo.

    Não precisamos nem mesmo deferir às opiniões de cientistas para podermos entendermos como a emissão de gases-estufa causadas pelos humanos afeta ou pode afetar o aquecimento global para mais.

    Aprendemos na escola básica todo o processo estufa que naturalmente ocorre na Terra. A idéia é a de que para reter calor do Sol a Terra possui uma camada de gases específicos que impede uma perda excessiva ou total desse calor, que é fundamental para a sobrevivência.

    Ora, se artificialmente nós, humanos, produzimos uma quantidade incrivelmente grande desses gases estufa, o que intuitivamente ocorrerá é uma camada mais espessa e condensada da camada. Isso acontecendo, acontecerá uma retenção ainda maior do calor solar. Aumento excessivo da temperatura e suas consequências. Desertificação, diminuição acelerada das calotas polares, mudanças climáticas, aumento do nível o mar, etc...

    Pelo menos aqui em minha cidade já sinto alguns desses efeitos, pois nunca o calor foi tão grande nestas paragens.

    É claro que existem exageros e abusos da ciência por causas políticas e ambientalistas. Muitos acreditam que suas posições, sejam ideológicas ou políticas, ganham mais credibilidade quando anunciadas por um grupo de cientistas, o que é claramente falso.

    É preciso prudência crítica e científica.

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  3. Isto é o por que acredito no aquecimento global.

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  4. Idem, concordo em absoluto. Tambem ja suspendi o juizo em relaçao ao assunto, e que as pessoas notem o que é a suspensão de um juizo não confundindo em "ir contra".

    cumprimentos

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  5. Se não acreditarmos na ciência, havemos de acreditar em quê?

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  6. António, no texto não se defende que não devemos acreditar nos cientistas, diz apenas que ao perceber manipulação política deve-se ter maior atenção ou suspender o juizo.

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  7. O problema com a questão do aquecimento é que todos nós, no nosso dia-a-dia, fazemos coisas. E o facto de haver ou não aquecimento (antropogénico e devido ao carbono) tem, ou deveria ter, implicação na forma como fazemos essas coisas. Assim, a questão é o que devemos fazer no nosso dia-a-dia: actuamos como se houvesse aquecimento ou como se não houvesse?

    Basicamente, suspender o juizo é uma escolha, uma decisão, e tem efeitos práticos. Neste caso, não decidir é uma decisão.

    Era esta a "dor de alma" que eu abordei num post anterior (não sei por links aqui, mas o título era "pode a informação colocar a liberdade em risco?"). Este problema sente-se no aquecimento global mas também em muitas outras áreas, como o fim do petróleo e a vacina da gripe A.

    Devemos nós, mesmo a nível individual, gastar dinheiro a reduzir a pegada de carbono? Ou gastamos, ou não gastamos, e suspender o juizo aproxima-nos tanto da resposta certa como atirar a moeda ao ar...

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  8. Não se conclua do meu comentário anterior que eu tenho uma alternativa melhor à suspensão do juizo, eu próprio suspendi o juizo a este respeito. Quero apenas frizar que não estou seguro que seja a atitude mais correcta ou sensata, mas também não faço ideia de qual seria melhor.

    Por isso perguntava se este fenómeno, em que ficamos privados de informação essencial à nossa postura enquanto indivíduos, não pode colocar a nossa liberdade em risco.

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  9. Se o que está em causa é agir ou não agir contra as alterações climáticas, suspender o juízo significa não agir.

    Se não agirmos e as alterações climáticas se revelarem verdadeiras, o resultado será catastrófico.

    Se agirmos e as alterações climáticas se revelarem falsas o pior que poderá acontecer é uma crise económica mais ou menos benigna.

    Face a esta alternativa, suspender o juízo é fugir ao problema e deixar o planeta e a humanidade à mercê de eventos ainda difíceis de prever, mas que se afiguram desastrosos.

    Aconselho que vejam uma divulgação mais popular mas cientificamente rigorosa do problema das alterações climáticas por um professor do ensino secundário americano:
    http://www.gregcraven.org/

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  10. O último comentário antes do meu post lembra o raciocínio de Pascal em favor da crença em Deus.

    Se Deus existe e eu creio nele, então garanto meu lugar no céu.

    Se Deus não existe e eu creio nele, não perco nada.

    Convido os frequentadores deste site a acessar a página

    http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2742588.xml&template=3898.dwt&edition=13684&section=1014.

    Ela traz uma brevíssima entrevista com Bjørn Lomborg, autor do livro “O Ambientalista Cético” (2001).

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  11. A suspensão do juízo tem a ver com acreditar ou não acreditar que a ciência está a ser prostituída (ou não). Tem a ver com acreditar na presumível ciência que um dado movimento apresenta em defesa do seu ponto de vista.

    Mas suspender o juízo não significa permitir-se moralmente contribuir para a poluição. Repare-se na nuance: contribuir tranquilamente para a poluição decorreria da crença efectiva na falsidade da afirmação, e não da suspensão do juízo. Imaginemos que perante uma forma animal, não é claro se uma dada acção que exerço nela ou que a implica lhe causa ou não sofrimento. Se acreditar que não lhe causo sofrimento, não tenho razão para não fazer essa acção. Se suspender o juízo, a coisa mais sensata a fazer é jogar pelo seguro e simplesmente não fazer essa acção.

    Seja como for, as pessoas que dão voz ao ódio instintivo contra "os mauzões", dispondo-se a dar-lhe corpo nas formas tipicamente cobardes de destruir lojas e coisas (preferencialmente não as suas), deviam pelo menos parar um pouco e pensar em coisas como a industria de carne ser um dos grandes responsáveis por emissão de gases "de estufa"... pelo menos quando a manifestação acaba, e deixam de estar irados com "os maus" para ir comer um belo bife, antes de voltar à refrega.

    Provavelmente estou equivocado e a culpa continua a ser dos "maus", porque é da responsabilidade deles não colocar à disposição dos manifestantes um leque tão tentador de produtos ambientalmente nefastos. Uma vez contaminadas pelo desejo e pelo hábito, os pobres militantes não têm possibilidade de conter-se. Mais uma prova da ignomínia dos capitalistas.

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  12. Bem colocado pelo Vitor essa onda estúpida de manifestações pseudo-ambientalistas.

    Não são apenas uns poucos industrialistas os responsáveis pela poluição crescente do mundo.

    Todos podem ter uma parcela de culpa, daquele que joga uma casca de banana na rua a até aquele que consome desenfreadamente carne animal.

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  13. Mas Vitor, as escolhas não são tão simples como "vou poluir menos".

    O que está em causa é saber se um indivíduo deve pagar mais por algo que sabe ter sido produzido com uma pegada de carbono reduzida ou pegar nesse dinheiro extra e aplicá-lo noutra causa qualquer.

    Portanto a decisão é muito séria e todos nós a tomamos em tudo o que fazemos: devemos ir por um caminho mais caro mas que "aqueça menos" ou por um mais barato, dado que não há aquecimeno, e utilizar o dinheiro em causas mais justas.

    Contrariamente ao que diz o ASilvestre, decidir não "aquecer" não é inóquo. Estamos claramente a abdicar de muitas coisas, entre as quais ajudar quem precisa.

    Decisions, decisions...

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  14. Uma mentira conveniente: "Membros da Academia de Hollywood pedem retirada de Oscar de Al Gore". http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5hm04x6QbfWao__zc8pU0wGBY4qsw

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  15. O aquecimento global não é uma questão de crença. Ou é ou não é, independentemente de acreditarmos ou não. Penso que, neste caso, o problema reside no facto de termos ou não termos boas razões para acreditar, acima de tudo, termos ou não termos boas razões para aceitar a autoridade científica (minada pela politica) como razão suficiente. Suspender o juízo parece-me sensato, mas, afirmar que não se acredita no aquecimento global é um juízo nada "suspenso".

    Diana Carvalho

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  16. Este comentário foi removido pelo autor.

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  17. Aziz Ab'Sáber: COP-15 é farsa; Amazônia crescerá com aquecimento.

    Atento aos estudos sobre os impactos das mudanças climáticas globais e às notícias sobre a COP-15, o geógrafo Aziz Ab'Sáber, 85, considerado referência no assunto, retifica a tese de que o planeta está mesmo aquecendo. Mas não acredita que a COP-15 possa impedir esse processo.

    O professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) classifica a conferência como "farsa", pois em um lugar com mais de 1000 pessoas, não pode haver debate ou questionamentos.

    Ponderado, o professor, critica os que ele chama de "terroristas do clima": "não tenho dúvida que as causas (do aquecimento) não são tão perfeitas quanto eles pensam". Experiente, Ab'Saber estuda geografia há 68 anos (ingressou aos 17 no curso de geografia da USP), ele afirma que os "terroristas" não consideram os movimentos periódicos do clima ou as variações climáticas ao longo da história da Terra.

    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4150118-EI6586,00.html

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  18. Eduardo, tudo o que a química elementar que aprendemos na escola nos diz é que certos gases provocam efeito de estufa. Mas isso não te diz se a quantidade desses gases é tal que provoque alterações climáticas graves; aliás, nem sequer sabemos se realmente há alterações climáticas antropogénicas. Além disso, não sabemos também se, caso haja realmente alterações climáticas graves, se 1) é possível fazer alguma coisa para inverter ou pelo menos não agravar a situação, nem se 2) o que é possível fazer para alterar a situação não é pior do que aprender a viver com situação. Por exemplo, uma maneira de diminuir drasticamente a emissão de CO2 é pôr impostos tão elevados nos automóveis, transportes públicos e produção de carne, que o consumo de todas essas coisas irá diminuir brutalmente.

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  19. Oi Desidério.

    Exato. Concordo quando você argumenta que certos gases (sobretudo o CO2) provocam o efeito estufa. Mas discordo quando diz que não pode-se saber se a quantidade desses gases provoque ou não alterações climáticas graves.

    Se uma determinada concentração de gases impede que grande parte dos raios infravermelhos do Sol reflitam da Terra e voltem para o espaço, uma concentração ainda maior vai impedir uma quantidade ainda maior de raios de voltar para o espaço. Pois o conjunto dos gases (Dióxido de Carbono, Metano, Óxidos de Azoto e Ozônio)da camada é uma barreira natural a passagem de raios infravermelhos. E nesse aspecto, isso é um fato ou descoberta científica que foi discutida em outros tempos que não neste polêmico e imparcial ano das discussões ambientais.

    Com uma quantidade ainda maior de raios infravermelhos, a Terra vai ficar mais aquecidada e, consequentemente, a temperatura aumentará.

    Uma outra questão é que nosso planeta também pode, naturalmente, sofrer alterações climáticas. Independentemente das ações humanas. A Terra já sofreu sucessivos resfriamentos e aquecimentos no decorrer de sua existência.

    O sentido em que entendo as alterações climáticas antropogênicas é quando atividades humanas possam artificilamente aumentar a quantidade de emissão dos gases estufa e agravar a retenção dos raios infravermelhos.


    "Além disso, não sabemos também se, caso haja realmente alterações climáticas graves, se 1) é possível fazer alguma coisa para inverter ou pelo menos não agravar a situação, nem se 2) o que é possível fazer para alterar a situação não é pior do que aprender a viver com situação. Por exemplo, uma maneira de diminuir drasticamente a emissão de CO2 é pôr impostos tão elevados nos automóveis, transportes públicos e produção de carne, que o consumo de todas essas coisas irá diminuir brutalmente."

    Discordo do seu primeiro ponto. Já disse porque. Quanto ao segundo ponto, penso que não seria pior tomarmos medidas preventivas ao invés de aprendermos a viver com a situação. Com relação ao exemplo, concordo que deveriamos aumentar a tributação aos automóveis particulares e à produção de carne. Mas não para o trasporte público, pois este deve ser incentivado.

    Com relação à produção de carne, penso ser este o aspecto mais crítico da discussão. Porque além do problema ambiental, a produção de carne tem o grave problema moral do sofrimento dos animais. No Brasil, a cadeia produtiva da carne bovina é responsável por mais de 50% da emissão de CO2 no país. Quanto maior o rebanho, maior o desmate, maior a compactação do solo, maior a produção de metano pela digestão dos bovinos, maior a emissão de CO2 pelo transporte de animais, e pior ainda, maior o sofrimento gerado.

    Penso que todas essas minhas crenças possam mudar sob efeito de críticas. Mas, por enquanto, é as que tenho.

    PS.: Não sou nenhum ambientalista imparcial, catastrófico e irracional. Apenas penso que temos uma pequeno compromisso moral para com nosso planeta.

    Grande Abraço.

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  20. Eduardo, sabe-se que mais CO2, em certas condições, provoca efeito de estufa. O que não sabemos é se as quantidades a mais de CO2 que existem agora na atmosfera são suficientes para provocar um aquecimento global. Para começar, nem se sabe se há aquecimento global.
    Depois, admitindo que há aquecimento global e que isso é provocado pela emissão humana de CO2, não se sabe se qualquer diminuição tecnicamente viável de tais emissões irá fazer alguma diferença. Tudo depende das quantidades necessárias de CO2 quer para provocar aquecimento global quer para o parar ou inverter. Ninguém sabe que quantidades são essas exactamente.
    Porquê incentivar o transporte público? Emite menos CO2 do que o privado, mas emite ainda e emite demais. O ideal é promover uma reorganização económica e arquitectónica em que as pessoas possam fazer tudo ou quase tudo a pé ou de bicicleta, sendo o transporte de maiores distâncias uma excepção apenas. Nós inventámos uma maneira de viver em que cada pessoa precisa de fazer quilómetros todos os dias só para comprar batatas, e isto uma maneira tola de viver e que pode ser evitada. Por que razão as pessoas não estão dispostas a fazer isto? Porque pensam que os custos de o fazer são superiores ao ganho de arrefecer o planeta.
    No que respeita à produção de carne, é precisamente o género de coisa que prova a hipocrisia de tantos discursos supostamente ecológicos. Quem tem um discurso ecológico pode dar a sua contribuição de um dia para o outro, parando de consumir carne; se não o faz, é hipócrita.

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  21. oi Desidério

    As razôes pelas quais não se deve acreditar no aquecimeto global não está diretamente relacionado com o que os cientistas dizem, pois estes podem estar atendendo a uma certa comunidade. Neste sentido, os cientistas não possuem a única e definitiva opinião sobre o assunto. O fato é que pode-se acreditar no aquecimento globol a partir de outras fontes ou até mesmo das próprias observações. Mas esta desconfiança e critica é valorosa, pois há uma certa super valorização no que a mídia emite sem mostrar a sua verdadeira intenção.


    Ronaldo Raul
    Até mais....

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  22. Desidério, nós todos admitimos que a manutenção de uma temperatura conveniente aos seres vivos e suficientemente estável deve-se à emissão natural de certos gases. Ou seja, admitimos que a emissão natural de certos gases é a causa do efeito estufa. A fonte de emissão de tais gases é irrelevante para o efeito que causam, contanto que sejam os mesmos gases a serem emitidos, por uma fonte ou por outra. Se somos capazes de identificar os efeitos climáticos resultantes das emissões de certos gases nas quantidades em que estes foram emitidos por fontes naturais, então somos tão bem capazes de prever os efeitos climáticos resultantes das emissões dos mesmos gases, nas quantidades em que foram emitidos pelo complexo industrial humano desde o século XVIII. Se eu não estiver errado, então suspender o juízo sobre o aquecimento global parece derivar de uma dúvida cética mais ampla, com relação à capacidade preditiva da ciência. Seria o caso? Ou, talvez, duvides dos dados relativos às emissões...

    Um abraço!
    Pedro Noguez

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  23. Pra quem fala e acredita em aquecimento global(acredito em aquecimento local) então mostre onde foi parar em medições científicas o buraco da camada de ozônio? Simples assim!

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