15 de dezembro de 2009

Representar a mente


Seja o que for o que a mente é, não tem apenas uma função representacional, defende Vítor Pereira aqui. E o que pensa o leitor?

6 comentários:

  1. Gostei muito do blog, dos temas e forma como são apresentados. Parabéns!

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  2. Sou da mesma opinião do Vitor Pereira quando diz : “Dores não são estados mentais intencionais no mesmo sentido em que estados mentais cognitivos como crenças e dúvidas são intencionais: nada há na sensação além de ser sentida.”

    De facto, não podemos ultrapassar a fenomenologia no caso das dores. Elas não representam nada, não são cognições e também não são percepções. Portanto, é errado dizer que nós observamos as nossas dores. Nós não as observamos; pura e simplesmente sentimo-las. A teoria representacional é uma teoria incompleta, ou dito de outra maneira, é uma teoria defeituosa. E é assim porque lida com o conceito de estado mental de forma deficiente. O erro categorial está em misturar estados mentais com a fenomenologia neles envolvida que tem a ver com as ‘experiências’. E ‘experiências’ não têm nada a ver com estados mentais.

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  3. É assim tão claro que as emoções não são estados cognitivos?

    Parece-me que pelo menos na maioria das emoções há sempre uma componente de representação e de crença. A representação de um objecto acerca do qual a emoção é e um conjunto de crenças acerca desse objecto. Por exemplo, um cão e a crença de que o cão é perigoso.

    No caso das emoções "estéticas"... como posso emocionar-me com uma peça de música se não tenho quaisquer crenças acerca da música.

    Quando usamos a expressão "controlar as emoções pela razão", será que isso não quer apenas dizer que passámos de um conjunto de crenças A, acompanhado de uma certa qualidade hedónica (dor, prazer, satisfação, frustração) para um conjunto de crenças B com uma certa qualidade hedónica?

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  4. Muitas vezes utiliza-se o termo ‘estado mental’ com o mesmo sentido de ‘estado cerebral’. Ora, a intencionalidade (crenças, desejos) é de um domínio categorial diferente dos ‘estados cerebrais’.

    A maioria das emoções não podem existir sem passar por ‘estados mentais’, mas estes não têm que ser representações de nada. É óbvio que o medo resultante da percepção de uma cobra tem conteúdo intencional, independentemente daquilo que foi visto se tratar de uma corda. Este aparte é só para não fazermos confusão entre visão e percepção. Nós vimos uma corda mas percepcionámos uma cobra. A emoção relacionada com o medo da cobra não é propriamente o estado do cérebro. Não existe nenhum ‘conteúdo’ no cérebro que nos sirva para dizer que está ali a emoção que foi descrita. Foi a pessoa que passou pela emoção. No cérebro apenas se passaram processos neurais que tiveram de ocorrer para que a pessoa passasse pelas emoções relacionadas com uma percepção que tem importância para a vida da pessoa (conteúdo intencional).

    É à pessoa que perguntamos o que lhe aconteceu e não ao cérebro. E se a pessoa quiser contar-nos o que lhe aconteceu não relata o que se está a passar no seu cérebro mas o que se passou na sua vida (neste caso o medo provocado pela ameaça de uma cobra).

    O erro da teoria representacional da mente e o erro conceptual de ‘estados mentais’ está na aplicação ao cérebro de categorias que só podem inteligivelmente ser aplicados aos seres vivos no seu todo corporal e contextual das suas vidas (às pessoas). Como reagiríamos em termos de compreensão se um neurocientista nos dissesse que via no cérebro do paciente o estado mental de divorciado e também o estado mental de completamente falido?

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  5. Este é o novo link para o artigo: http://criticanarede.com/representacional.html

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