31 de janeiro de 2009

Lógica e liberdade

Acabei de publicar dois pequenos artigos de divulgação bibliográfica de Matheus Silva, sobre John Rawls e Isaiah Berlin; e o artigo "Lógica e Sistemas Lógicos", de Ricardo Sousa Silvestre. Boas leituras!

William K. Clifford

Aprestamo-nos a rir do hábito do australiano que continua a amarrar o machado ao cabo, embora o serralheiro de Birmingham lhe tenha feito propositadamente um buraco para aí inserir o cabo. Os do seu povo amarram assim os machados há gerações: quem é ele para se opor à sua sabedoria? Desceu tanto que não consegue fazer aquilo que alguns deles tiveram de fazer no passado distante — pôr em causa um uso estabelecido e inventar ou aprender algo melhor. No entanto aqui, no amanhecer do conhecimento, onde a ciência e a arte são uma só, encontramos apenas a mesma regra simples que se aplica às mais elevadas e às mais profundas ramificações daquela Árvore cósmica; aos seus mais imponentes ramos floridos bem como às mais profundas das suas raízes escondidas; a regra, nomeadamente, de que quem faz um uso apropriado daquilo que foi acumulado e que nos transmitiram é quem age da mesma maneira que os criadores agiram, quando o acumularam; os que o usam para levantar mais questões, para examinar, para investigar; que procuram com honestidade e seriedade descobrir qual a maneira correcta de ver as coisas e de lidar com elas.

26 de janeiro de 2009

Filosofia pública


O Café Filosófico é o projecto de Tomás Carneiro, um dos nomes que se dedica à divulgação pública da filosofia. Tomás Carneiro tem dado cursos de pensamento crítico e esteve presente no último encontro nacional de professores de filosofia, promovido pela SPF. O café Filosófico é mais um dos seus projectos que consiste em colocar as pessoas a argumentar directamente problemas tradicionais da filosofia, em sessões públicas e animadas em espaços públicos. O blog é o espaço onde se dá conta dos resultados para os que não podem estar presentes. Vale a pena espreitar.

a ideologia na escola

A fonte é o manual de Português, do mesmo lote referido na antepenúltima posta.
Aqui temos um excelente exemplo da psicofoda em acção: O pretexto é o mito fundador da nacionalidade. Seria de esperar que um texto escolar veiculasse factos e informação de uma maneira imparcial, mas vejamos. Temos o caos ortográfico, digno de uma Maluca Casteleira, em que palavras como "rei" e "condado" tanto aparecem em caixa alta como em caixa baixa, aleatoriamente. Três pontos de exclamação (sic) a ritmar um elogio da força bruta, com uma psicologia interessante: um homem que levanta uma espada que nem dois homens podem levantar. Um elogio da "valentia e ambição" da "extraordinária" saga afonsarenquina (mas esta informação não devia ser imparcial? Científica? E a "valentia" de passar populações à espada, não a criticamos nos criminosos de guerra sérvios e outros? Por que razão é assim tão "mística" só porque foram barbaridades ocorridas há 800 anos?). Seria de esperar que uma visão científica e imparcial da história ibérica desse às crianças uma informação menos estereotipada e generalizadora do que aquela que se transmite em expressões como "os mouros". Etiqueta redutora e demonizadora, tendo em conta que falamos dos agentes culturais mais importantes para a Ibéria medieval. Fica a criancinha a pensar que “os mouros” eram uma horda homogénea, talvez regida por um único soberano, o mesmo desde a sua entrada na península até à sua saída. Como se os árabes ibéricos não fossem tão “nativos” como os outros.

Por que raios a criança tem de "tomar o partido" de uma facção? Não somos nós o resultado histórico contingente de TODAS as partes que por cá andaram? Por que razão tem o Afonsinho de ser "meu" rei? Não estamos numa república? Então e os reis "mouros" e a diversidade de reinos, todos reduzidos a uma etiqueta generalista? Então e as realizações culturais da Ibéria não estarão antes na matemática, na arquitectura, nas humanidades, no esplendor do contributo árabe ibérico? Como raios explicamos às criancinhas que é bom ter orgasmos mentais a contemplar a força bruta nos nossos “heróis” fundadores, mas que depois já é muito mau se esses heróis boçais forem mais contemporâneos, em guerras mais modernas? Como lhes explicamos que qualquer boçal que tivesse feito ao Afonsinho o mesmo que ele fez ao rei de Leão seria um “herói” para quem dele escrevesse com extravasamentos poéticos de ideologia, muito provavelmente até inintencionais, para foder o juízo às criancinhas?




A questão não é querer dar às crianças uma ideologia contrária, "melhor" do que esta. O que está mal no pensamento de gramofone não é o conteúdo da mensagem, e sim o facto de vir de um gramofone. É irrelevante se a mensagem é nacionalista ou antinacionalista. Acontece que as mensagens nacionalistas, a empurrar para a religião, e coisas semelhantes, são estatisticamente mais comuns. A questão é que bastaria que os autores de manuais tivessem a consciência suficiente para dar a informação às crianças de um modo imparcial, objectivo, distanciado, não tomando partido por ideologias e sobretudo não funcionando da mesma maneira como funciona um órgão de imprensa de um partido político. Já basta a lavagem constante para tentar reconstruir o "deus, pátria, canhão" através da paranóia futebolística. (Alguém viu aquela maravilhosa foto do primeiro com a camisola 13 na mão? Vejam os jornais desportivos: são curiosíssimos. São o grande bastião do reaccionarismo cultural. Repare-se, com olhos de ver, no tipo de linguagem aí usado.)

23 de janeiro de 2009

o respeito por símbolos e o lugar das pessoas

Um dos homens que mais fez pela etnomusicologia portuguesa, corso de nascimento, nunca adquiriu a nacionalidade portuguesa, apesar da sua participação activa na vida cultural e social do país, por considerar insultuosa a exigência de que fizesse um ditado... E não é que não escrevesse muito melhor em português do que o funcionário público que o iria avaliar. É infinitamente mais interessante que os jovens saibam quem foi e o que fez Michel Giacometti, do que saber a letra do hino nacional e outras vacuidades do género.

Para uma mentalidade que tanto respeito exige aos símbolos, manifesta-o pouco pelos indivíduos, que são as únicas coisas que faz algum sentido respeitar. E respeitá-las não é fingir que se considera verdadeiro tudo aquilo em que acreditam. Respeitá-las é não as menorizar, não as tratar como instrumentos ao serviço de algo que não seja a sua própria existência como indivíduos. O estado é como um saca-rolhas, e os saca-rolhas não podem ter dignidade porque, essencialmente, só vale a pena tê-los na medida em que dão jeito para sacar rolhas. Só existem porque há coisas como pessoas que os inventaram para dar resposta à necessidade de abrir garrafas de vinho, para tornar mais agradável a sua existência... Como indivíduos, pessoas, cuja vida e alegria é um fim em si e não instrumento. É que se houver uma maneira melhor de abrir as garrafas... que se lixe o saca-rolhas. O que acontece com o "respeito pelos símbolos" é o absurdo de tratar as pessoas como se fossem saca-rolhas e o saca-rolhas como se fosse gente. Pois fique o saca-rolhas sabendo que o vinhal é das pessoas, ora essa!

filosofia e aptidões

ESTE ARTIGO, no Times Higher Education, sobre a crescente empregabilidade dos filósofos no mundo civilizado.

22 de janeiro de 2009

OUP faz saldos

Os editores académicos britânicos têm o hábito de fazer saldos uma vez por ano de alguns dos seus títulos. O saldo deste ano da Oxford University Press está aqui.

19 de janeiro de 2009

lavar o cérebro às criancinhas

A fonte é o manual do 4º ano, de «estudo do meio», da editora Areal. Talvez seja preciso ampliar para ver a secção a vermelho: Os símbolos nacionais de um povo - bandeira e hino nacional - devem ser tratados com o máximo respeito por todos.



Não admira, com um provincianismo deste calibre, que os mandatários da UE se sintam ofendidos com uma obra de arte que não faz senão mostrar a percepção que o mundo tem desta "salada cultural". Mas por que raios tenho de tratar com o máximo respeito os símbolos da nacionalidade?

liberdade e insulto

O artista checo David Cerny tem sido alvo de uma "polémica" bem ao estilo da degenerescência patológica que anda a converter as pessoas em máquinas politicamente correctas. A instalação da autoria de Cerny num edifício do conselho europeu em Bruxelas, - intitulada Entropa - onde ridiculariza esterótipos e preconceitos nacionais, ofendeu muitos dignitários e, a julgar pelas caixas de comentários dos blogues, quase toda a gente que não pára um segundo para pensar naquilo que pensa. As reacções são tão estereotipadas como os estereótipos insultados pelo artista, e tão uniformes como as reacções ao papa há um mês atrás: remova-se a obra porque é de "mau gosto" e terrivelmente "insultuosa". Não podemos tolerar que nos insultem desta maneira.
Os mandatários do estado búlgaro sentiram-se particularmente agredidos com a representação da Bulgária através de uma sanita turca. Portugal é uma tábua com um bife em forma de uma ex-colónia. Pessoalmente, achei bastante divertido. Só pode ficar ofendido com isto quem pensa em si mesmo, primeiramente, não com indivíduo mas como um rótulo que anuncia um esterótipo. Por isso se ofendendo com a dessacração do estereótipo. Tais pessoas merecem ser insultadas.
Como muito bem afirmou Slavenka Draculic no Guardian, a propósito da reacção búlgara:
Esta insubtil exigência de censura sugere que se os burocratas culturais búlgaros tivessem seleccionado um artista para representar o país, muito seguramente não o teriam feito com uma sanita. Ao emitir esta objecção oficial 20 anos após a queda do comunismo na Bulgária, os burocratas do ministério da cultura - muito à semelhança do embaixador romeno no La Stampa - mostram não ter ainda ouvido dizer que a arte deve ser um acto de liberdade, não uma ferramenta de propaganda, independentemente de como uma obra de arte particular possa ser insípida ou ofensiva. Tais objecções não têm qualquer sentido excepto para lembrar aos búlgaros e ao resto do mundo que o sistema político pode mudar da noite para o dia, mas o velho modo de pensar continua vivo e de boa saúde.


18 de janeiro de 2009

O sofrimento dos animais anumanos

Matheus Silva apresenta aqui três filmes sobre o sofrimento dos animais nonumanos.

Julian Baggini


A filosofia preocupa-se com as questões que ficam por responder depois de se ter reunido todos os factos.

The Pig that Wants to be Eaten and 99 other thought experiments.

15 de janeiro de 2009

A melhor entre as melhores introduções à filosofia


Se há coisa de que, de há uns anos para cá, o leitor português de filosofia não se pode queixar é de falta de bons livros introdutórios a esta disciplina.

Assim de repente lembro-me do excelente Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton; do livrinho único de Thomas Nagel, Que Quer Dizer Tudo Isto?; do interessante livro de Kolak & Martin, Sabedoria Sem Respostas; e do algo sofisticado, mas bastante compensador, Pense! de Simon Blackburn.

Mas há ainda outros livros que podem servir como excelentes introduções à filosofia, como é o caso do brilhante Como se Faz Um Filósofo, de Colin McGinn e até de Que Diria Sócrates?, organizado por Alexander George.

Mas ainda não está ao dispor do leitor de língua portuguesa a melhor introdução à filosofia que me recordo de ter lido alguma vez. Trata-se de Problems From Philosophy, de James Rachels. Mesmo quem aprendeu muito com os livros anteriores vai dar como muito bem empregue o tempo (que não é muito, dada a reduzida dimensão do livro) que leva a lê-lo, senão mesmo a relê-lo.

Diferentemente do livro do Warburton, neste não encontramos uma apresentação nem uma discussão um tanto escolares dos problemas da filosofia; diferentemente do livrinho de Nagel, este contextualiza a discussão contemporânea dos problemas da filosofia com informação empírica relevante e com exemplos imbatíveis; diferentemente do livro de Kolak & Martin, este livro é filosoficamente mais suculento e provocador; diferentemente do livro de Blackburn, este consegue ser bastante mais acessível, mesmo ao leitor sem qualquer formação filosófica. E, ainda por cima, o leitor dá consigo a assistir a uma verdadeira discussão filosófica desde a primeira linha.

O livro começa aliás com Rachels, ele próprio, a convidar-nos a avaliar os argumentos usados por Sócrates para recusar fugir da prisão e aceitar a pena que o levou a beber a cicuta. Rachels conclui que Sócrates argumentou falaciosamente e que não tinha razão. Como se vê, o livro começa logo ao ataque, mostrando que não há lugar para o repeitinho em filosofia. E não conseguimos ficar decepcionados à medida que se vai avançado para outros problemas da filosofia, seja da ética, da filosofia da mente (será que as máquinas podem pensar?), da epistemologia, da metafísica (o problema do livre-arbítrio e o problema do sentido da vida), etc.

É por isso que não descansarei enquanto não vir este livro publicado entre nós. Acho que já esteve mais longe e talvez não seja preciso esperar muito.

14 de janeiro de 2009

por que nunca devíamos ter abandonado o latim (1)

Considere-se a expressão inglesa "an eventual merging with a higher reality".
O verbo "to merge" vem directamente do latim "mergere", que significa "mergulhar". Palavras ingleses que partilham a mesma fonte são "submerge", "immerge", emerge", "emergency", etc.
Em português, temos todas estas últimas, a partir da mesma fonte: "submergir", "imergir", "emergir", "emergência", etc.
Contudo, ao traduzir o termo "to merge", "merging", etc., vemo-nos obrigados a usar "amalgamar" ou "fundir", "amálgama", "fusão", ou outras variantes. Mas acontece que em inglês também temos "fusion" e "amalgam".
A solução lógica para isto era termos também o verbo "mergir" e traduzir a expressão inicial por: "uma eventual mersão com uma realidade superior". Pois o mesmo acontece em português com outras palavras que descendem directamente de formas latinas. De resto, não faz sentido haver formas com o verbo latino prefixadas mas não a forma imprefixada, que supostamente é o que dá sentido às primeiras.

12 de janeiro de 2009

Filósofos às dúzias

Eis um bom livro para quem quer conhecer melhor o que se faz em filosofia hoje, e quem são os seus protagonistas. O volume 12 Modern Philosophers, org. por Belshaw e Kemp (Wiley-Blackwell, 264 pp.), de que acabo de receber notícia, reúne artigos sobre Quine, Rawls, Davidson, Williams, Rorty, Fodor, Nagel, Kripke, Nozick, Parfit, McDowell e Singer. Não sei se os artigos são bons, mas alguns deles são escritos por filósofos reconhecidos, como Bird, Lacey, Bermudéz, Lepore, Baldwin e A. W. Moore. 

11 de janeiro de 2009

a balda tuga

Há séculos que traduzimos "Great-Britain" por "Grã-Bretanha". (Pelo menos desde que há Reino Unido em vez de nações separadas nas ilhas britânicas.)

Em inglês temos duas palavras: "Britain" e "Britanny", respectivamente: "ilhas britânicas" e "Bretanha francesa". Basta consultar qualquer dicionário de inglês-inglês.

Em português, "Bretanha" traduz o francês "Bretagne". Uma região do Norte de França.

Em latim, "Britannia" e "Britanniae" referem as ilhas britânicas e a "grande Britânia", a maior das ilhas britânicas.

Em inglês, é possível escrever com sentido "from Britanny to Britain", mas a tradução portuguesa diria: "da Bretanha à Grã-Bretanha".

Por tudo isto é óbvio que o correcto seria "Grã-Britânia" para "Great-Britain"... Mas se o fizermos, o revisor vem e risca a vermelho, as pessoas sorriem perante o "erro" ou o "deslize". No entanto, dizemos "ilhas britânicas", o que está correcto, mas para ser coerente com o uso de "Grã-Bretanha" teria de ser "ilhas bretãs". O nosso uso de "britânicas", directamente do latim (portanto correcto, pois foram os romanos a nomear assim as ilhas), denuncia a incorrecção da outra formulação.

E viva a balda tuga! Nunca se viu isto?

10 de janeiro de 2009

Rachels ao preço da chuva


Os leitores brasileiros estão com sorte: o livro de James Rachels, Os Elementos da Filosofia da Moralestá em promoção junto da editora brasileira (e eu nem sabia que o livro existia no Brasil). O seu preço normal é 61 reais, mas está à venda por apenas 15 reais. 

Este é provavelmente o melhor livro introdutório de ética alguma vez publicado. Não faço ideia se a tradução brasileira é boa. A tradução portuguesa (Elementos de Filosofia Moral) é de qualidade, mas inacessível aos leitores brasileiros por causa do custo dos portes de envio, que no Brasil se chama frete. 

Que Diria Sócrates do André?


Acabo de ler uma esclarecedora crítica do professor André Barata (Universidade da Beira Interior), no Ípsilon do Público, ao último volume da colecção Filosofia Aberta, da Gradiva: O Que Diria Sócrates?org. por Alexander George.

9 de janeiro de 2009

Eudemonia


Acabo de publicar a minha tradução de um interessante artigo de Scott Carson sobre a eudemonia. Espero que seja útil.

8 de janeiro de 2009

Livros para ler em 2009: arte e evolução


Ainda não me chegou, mas estou em pulgas para ler. O autor é o responsável por um dos melhores sítios de toda a net, Arts & Letters Daily, e é um conhecido filósofo da arte. Estou a falar de Denis Dutton, que também tem uma página pessoal que vale muito a pena visitar. No livro The Art Instinct: Beauty, Pleasure and Human Evolution Dutton defende uma perspectiva evolucionista sobre a origem e o significado da arte: a arte é um instinto natural dos seres humanos e um expediente adaptativo.

5 de janeiro de 2009

Livros para ler em 2009


Alvin Plantinga & Michael Tooley, Knowledge of god

Philosophy Now, Magazine of ideas


Chegou-me hoje o mais recente número da revista Philosophy Now, referente a Novembro/ Dezembro de 2008. O destaque de capa vai para a Utopia e como é que os filósofos tem visto a utopia. Destaque também para a 3ª parte da autobiografia de Daniel Dennett e as habituais secções de livros e cartas de leitores.

3 de janeiro de 2009

David O. Brink

O nosso compromisso com a objectividade da ética é profundo. A ética só é objectiva se houver factos ou verdades sobre o que é bom ou mau e correcto ou incorrecto que se verifiquem independentemente das crenças morais ou das atitudes de quem os avalia. Um compromisso com a objectividade faz parte de um compromisso com a normatividade da ética. Os juízos morais exprimem afirmações normativas sobre o que devemos fazer e valorizar. Como tal, pressupõem padrões de comportamento e valorização alegadamente correctos, que podem e devem guiar a conduta e o cuidado, e que podemos não conseguir aceitar ou efectivar na nossa vida. A normatividade, portanto, pressupõe a falibilidade, e a falibilidade implica a objectividade.

1 de janeiro de 2009

Patrick Grim

Se Deus não pode agir incorrectamente, é-lhe impossível enfrentar quaisquer escolhas morais genuínas. Nesse caso, Deus não pode ser louvado por fazer as escolhas correctas, e se Deus não é moralmente louvável dificilmente se pode considerar moralmente perfeito. A perfeição moral necessária parece excluir a possibilidade precisamente daquelas escolhas que a perfeição moral genuína exige.