30 de abril de 2009

Uma excelente novidade


Escrevi aqui em Janeiro passado que não descansaria enquanto não visse esta excelente introdução à filosofia publicada em Portugal. E terminava afirmando que talvez não fosse preciso esperar muito por isso.

Não foi. Estará disponível nas livrarias já no próximo mês de Maio. O tradutor é Pedro Galvão e será editado na colecção Filosofia Aberta, da Gradiva, o que me dá uma grande satisfação.

29 de abril de 2009

W. v. O. Quine

Uma conotação adicional que muitas vezes investe a palavra “facto”, tanto na filosofia como no uso corrente, é a de objectividade nua juntamente com alguma acessibilidade à observação. No uso filosófico esta conotação é por vezes adoptada e alargada de um modo tal que os factos acabam por ser postulados como algo que corresponde a todas as verdades “sintéticas”, sendo apenas recusados às “analíticas”. Assim intromete-se aqui a mesma dicotomia analítico-sintético que considerámos tão dúbia; e intromete-se de um modo absoluto maximamente implausível, ao que parece independentemente de toda a escolha de linguagem. O tom desarmante de lugar-comum da palavra “facto” acaba até por dar à dicotomia um ar espúrio de inteligibilidade: as frases analíticas (ou proposições) são as verdadeiras que não têm conteúdo factual.

Paul Ziff

O comportamentalismo filosófico não é uma teoria metafísica: é a negação de uma teoria metafísica. Consequentemente, nada assere.

28 de abril de 2009

Estudar, para variar

Um dos aspectos notórios na Internet, especialmente nos blogs, é a atitude de aversão ao estudo, aos livros e a tudo o que seja mais sistemático e profundo do que atoardas supostamente engraçadas. Felizmente, no caso da filosofia, há cada vez mais pessoas a usar a Internet para qualquer coisa de mais sólido. O último desses casos é o interessante blog Estudar Filosofia, de Jaime Quintas, que relata a experiência de um português que resolveu inscrever-se no programa de estudo à distância da Universidade de Londres.

27 de abril de 2009

Immanuel Kant

Em todos os tempos se falou do ser absolutamente necessário [Deus], mas envidaram-se mais esforços para provar a sua existência do que para compreender como se poderá e até mesmo se se poderá pensar uma coisa desta espécie.

Filosofia da literatura

Acabo de receber a introdução The Philosophy of Literature, de Peter Lamarque (Blackwell, 2009) e a antologia Philosophy of Literature: Contemporary and Classic Readings, org. Eileen John e Dominic McIver Lopes (Blackwell, 2004). Um pequeno excerto do primeiro pode ser lido na Crítica. Dois bons pontos de partida para quem se interessa pela filosofia da literatura.

26 de abril de 2009

Prémio Nobel da Filosofia


Ok, eu sei que não há prémio Nobel da Filosofia. Mas o que muitos não sabem é que a Academia Real Sueca das Ciências também é responsável pela atribuição do mais valioso e prestigiado prémio de filosofia do mundo. Trata-se do apetecível Prémio Schock de Lógica e Filosofia, no valor de cerca de 50 mil Euros, que é atribuído apenas de dois em dois anos, desde 1993. O nome do prémio deve-se a Rolf Schock, nascido em França, filho de alemães e professor de Filosofia nas universidades suecas de Estocolmo e de Upsala. O seu testamento estabelecia a criação deste prémio, a verba necessária para tal e quem seria responsável pela atribuição.

O último filósofo a ganhar este prémio foi o americano de origem sérvia Thomas Nagel, em 2008. Outros filósofos que ganharam o prémio em anos anteriores foram Saul Kripke (2001), John Rawls (1999) e Willard V. Quine (1993). Quem será o próximo? Eu aposto no Zizek!

24 de abril de 2009

Curso de Especialização em Filosofia na UFOP

Até 10 de Junho de 2009 estão abertas as inscrições para o XV Curso de Especialização em Filosofia da UFOP. As inscrições pode ser feitas pelo correio. Consulte o edital e ficha de inscrição aqui.

Verdade relativa?


Acaba de ser publicada na NDPR uma recensão de Paul McCallion do livro organizado por Manuel García-Carpintero e Max Kölbel, Relative Truth.

22 de abril de 2009

Descontos e novidades

Já tinha divulgado aqui a excelente iniciativa da editora Idéias & Letras de publicar dois Cambridge Companions, respectivamente dedicados à filosofia medieval, org. de McGrade, e aos pré-socráticos, org. de A. A. Long. Agora esta editora anuncia mais três títulos desta bem-vinda colecção, dedicados a Descartes (org. de Cottingham), Kant (org. de Guyer) e à teoria crítica (org. de Rush). Os preços são razoáveis, oscilando entre os 60 e os 102 reais. Contudo, é possível comprar estas obras com 40% de desconto durante o Dia Mundial do Livro, que é amanhã, dia 23 de Abril.

20 de abril de 2009

Gralha nos Problemas de Russell


Na introdução a Os Problemas da Filosofia, de Bertrand Russell, página XXV, uma gralha infeliz na citação de Kripke tornou o texto ininteligível. Na segunda linha da citação, onde se lê "é um indício muito inclusivo" deve ler-se "é um indício muito inconclusivo".

18 de abril de 2009

Comprar Arte



Muitos colegas brasileiros mostram interesse em comprar no Brasil os manuais A Arte de Pensar. Aqui e aqui é possível comprar os manuais a partir do Brasil, numa livraria portuguesa de confiança. O Arte 10 (para o 10.º ano português, que corresponde à primeira série do ensino médio brasileiro) pode ser adquirido no Brasil, na Livraria Cultura, aqui; infelizmente, não encontrei o Arte 11 (para o 11.º ano) em qualquer livraria brasileira.

16 de abril de 2009

15 de abril de 2009

Os princípios da arte



Acabo de publicar aqui a introdução do livro The Principles of Art, de R. G. Collingwood, originalmente publicado em 1938.

14 de abril de 2009

Surpresa


Acabo de descobrir, graças ao colega e amigo Mário Nogueira, que existe uma tradução brasileira do livro The Myth of Ownership: Taxes and Justice, de Liam Murphy e Thomas Nagel, com o título O Mito da Propriedade (WMF Martins Fontes). Este livro é um ataque às ideias de direita, defendidas nomeadamente por filósofos como Robert Nozick, de que -- para lá do que é estritamente necessário para manter o estado -- os impostos são um roubo. Uma boa recensão do livro pode ser lida em inglês na Disputatio, da autoria de Axel Gosseries. O tema deste livro está tangencialmente relacionado com alguns artigos de opinião que tenho escrito recentemente sobre o problema do financiamento da cultura, como o irritante "Comprar e Vender Ideias".

R. G. Collingwood

A arte é o remédio da comunidade para a pior doença da mente: a corrupção
da consciência.

12 de abril de 2009

Deus: no início era o quê?


Deus: Por Onde Começar? é o título do artigo de João Carlos Silva que acabo de publicar e que será com certeza estimulante para professores e estudantes interessados em filosofia da religião.

e o mais recente de Roger Scruton


Understanding Music: Philosophy and Interpretation

Roger Scruton é o autor de The Aesthetics of Music (Clarendon Press, 1999), Breve História da Filosofia Moderna e contribuiu para a notável série de «breves introduções» da OUP com o volume, Espinosa. Publicou também textos de filosofia política.

256 páginas
Continuum International Publishing Group, Ltd. (10 de Maio de 2009)
ISBN-10: 1847065066
ISBN-13: 978-1847065063

11 de abril de 2009

O mais recente de Peter Kivy


Antithetical Arts: On the Ancient Quarrel Between Literature and Music constitui uma defesa do formalismo musical contra aqueles que colocariam as interpretações literárias no cânone da música absoluta. Na Parte I, expõe-se as origens históricas da interpretação literária da música absoluta e do formalismo musical. Na Parte II, examina-se e critica-se tentativas específicas de colocar interpretações literárias em várias obras do cânone da música absoluta. Finalmente, na Parte III, levanta-se a questão daquilo em que consiste o significado humano da música absoluta, se não reside no seu conteúdo representacional ou narrativo. A resposta é que, até agora, a filosofia não tem qualquer resposta e que esta deve ser considerada uma questão importante para os filósofos da arte nela reflectirem e lhe procurarem responder sem apelar ao conteúdo representacional ou narrativo.

240 páginas
OUP, 26 de Março de 2009
ISBN13: 978-0-19-956280-0
ISBN10: 0-19-956280-6

Peter Kivy é professor de filosofia na Rutgers University, Nova Jérsia. A sua área de especialização é a estética e a filosofia da arte. Dedica uma parte substancial da sua obra à filosofia da música, na qual se destacam os títulos Introduction to a Philosophy of Music, The Fine Art of Repetition e Essays on Musical Understanding.

10 de abril de 2009

Narrativa e filosofia


Acabo de publicar aqui uma introdução de Noël Carroll ao número especial de The Journal of Aesthetics and Art Criticism dedicada aos problemas filosóficos da narrativa. Espero que seja esclarecedora.

9 de abril de 2009

Em terra de cegos quem tem um olho não é rei

No conto “Em Terra de Cegos…” (edição portuguesa da Padrões Culturais Editora, de 2008), H. G. Wells, descreve A Terra dos Cegos: um vale remoto e quase inacessível em que todas as pessoas são cegas há 14 gerações. Não sabem o que é ver (não têm da visão nem conhecimento por contacto nem conhecimento proposicional) e por isso não têm consciência de que lhes falta uma capacidade que outras pessoas possuem; ou seja: não reconhecem ter um problema. São cegas mas não sabem que são cegas. Estão também convencidas que o vale é o mundo inteiro. Quando chega um forasteiro, que lhes fala do mundo exterior e lhes tenta explicar o que é a visão, não o acolhem nada bem e ele descobre que, afinal, em terra de cegos quem tem um olho não é rei.

As semelhanças com a “alegoria da caverna” de Platão são óbvias. Mas – sem querer contar demais e sem roubar ao leitor o prazer da surpresa – também há diferenças. Uma delas é o amor – não à verdade mas sim a uma linda mulher.

E, contrariamente a Platão, que afirma que os prisioneiros descritos na “alegoria da caverna” são semelhantes aos seres humanos, H. G. Wells não sugere interpretações metafísicas e epistemológicas para a sua história. Mas isso não impede os leitores do seu conto de formular algumas perguntas.

Se a situação descrita por Wells ocorresse realmente (com uma comunidade inteira ou com algumas pessoas, mantidas por todas as outras na ignorância acerca da sua cegueira), seria possível essas pessoas detectarem a sua falta de visão?
Será possível que algo equivalente esteja a suceder à espécie humana, ou seja, que nos falte sem nós sabermos uma qualquer capacidade sensorial? Sabe-se que alguns animais têm capacidades sensoriais que nós não temos (como o sonar dos morcegos ou a sensibilidade ao campo magnético da Terra de algumas tartarugas e pássaros), mas as informações por elas fornecidas não parecem ser radicalmente diferentes das informações que recolhemos através dos nossos sentidos (e dos aparelhos científicos que os prolongam). Será possível, contudo, que nos falte uma capacidade sensorial que forneça informações radicalmente diferentes daquelas que temos através dos nossos sentidos (como é o caso da informação visual por comparação com a olfactiva ou a táctil, por exemplo)? Tão diferentes que a realidade seja, afinal, algo bastante diverso daquilo que percepcionamos…
Em suma: e se fossemos uma espécie de cegos que não sabem que são cegos?

O conto de Wells pode levar a colocar questões desse género, mas para encontrar respostas e para discutir as ideias envolvidas é preciso recorrer à filosofia.

Eis um excerto do conto (página 31 da edição referida):

“Nunez procurou descrever o mundo do qual [viera] (…), as montanhas e outras maravilhas da Natureza, àqueles indivíduos que viviam nas trevas da Terra dos Cegos. Contudo, para sua admiração, não compreendiam uma única sílaba. Durante catorze gerações, aquela gente permanecera cega e totalmente isolada do mundo exterior e, gradualmente, as noções de outrora haviam-se perdido com o desenrolar dos anos. A imaginação de outros tempos fora substituída pela que a atmosfera de trevas lhe ditava, auxiliada pela sensibilidade dos ouvidos e das pontas dos dedos. Nunez apercebeu-se de que mais tentativas para lhes fazer compreender a verdade resultariam absolutamente infrutíferas”.

Estética analítica

Acabei de ter conhecimento desta excelente crítica de André Barata ao livro Introdução à Estética, de George Dickie.

8 de abril de 2009

Rebecca Goldstein na Gradiva


Acabo de receber a informação da Gradiva, da publicação de Incompletude, de Rebecca Goldstein. Existe uma recensão a esta obra disponível na Crítica e é o momento oportuno para reler essa recensão AQUI.

Uma introdução à metafísica


Em 1969 foi publicada no Brasil uma tradução da primeira edição do livro Metaphysics, de Richard Taylor. Esse livro entretanto sofreu acrescentos e melhoramentos, em inglês, e continua disponível. Em contraste, a edição brasileira nunca foi actualizada e desapareceu entretanto do mercado. Acabei de publicar aqui uma descrição pormenorizada dos problemas e argumentos centrais da edição brasileira dessa obra, da autoria de Rodrigo Reis Lastra Cid.

6 de abril de 2009

Metafísica


A Routledge anuncia para os próximos dias a esperada edição, ainda apenas em capa dura, do apetitoso livro de consulta The Routledge Companion to Metaphysics, org. por Robin Le Poidevin, Peter Simons, Andrew McGonigal e Ross Cameron. O índice é de fazer crescer a água na boca:
General Introduction

Part 1: History of Metaphysics

1. Pre-Socratic Themes: Being, Not-being and Mind
2. Plato: Arguments for Forms
3. Aristotle: Form, Matter and Substance
4. Aristotle: Time and Change
5. Medieval Metaphysics 1: The Problem of Universals
6. Medieval Metaphysics 2: Things, Non-things, God and Time
7. Descartes: The Real Distinction
8. Hobbes: Matter, Cause and Motion
9. Spinoza: Substance, Attribute and Mode
10. Locke: The Primary and Secondary Quality Distinction
11. Leibniz: Mind-body Causation and Pre-established Harmony
12. Berkeley: Arguments for Idealism
13. Hume: Necessary Connections and Distinct Existences
14. Kant: The Possibility of Metaphysics
15. Hegel and Schopenhauer: Reason and Will
16. Anti-Metaphysics I: Nietzsche
17. Bradley: the Supra-relational Absolute
18. Whitehead: Process and Cosmology
19. Heidegger: The Question of Being
20. Anti-Metaphysics II: verificationism and kindred views
21. Metaphysics revivified

Part 2: Ontology: On What Exists

22. To Be
23. Not to Be
24. Razor Arguments
25. Substance
26. Intrinsic and Extrinsic Properties
27. Universals: The Contemporary Debate
28. Particulars
29. Persistence, Composition and Identity
30. Relations
31. Facts, Events and States of Affairs
32. Possible Worlds and Possibilia
33. Mathematical Entities
34. Fictional Objects
35. Vagueness
36. Minor Entities: Surfaces, Holes and Shadows
37. Truth-Makers and Truth-Bearers
38. Values

Part 3: Metaphysics and Science

39. Space, Absolute and Relational
40. The Infinite
41. The Passage of Time
42. The Direction of Time
43. Causation
44. Laws and Dispositions
45. Probability and Determinism
46. Essences and Natural Kinds
47. Metaphysics and Relativity
48. Metaphysics and Quantum Physics
49. Supervenience, Reductionism and Emergence
50. Biometaphysics
51. Social Entities
52. The Mental and the Physical
53. The Self

A Short Glossary of Metaphysics

Reabilitação de Marcial


Acabo de publicar aqui uma recensão de Hugo Pinto Santos do livro Da Quod Amem: Amor e Amargor na Poesia de Marcial, de José Luís Lopes Brandão.

4 de abril de 2009

Ensino de Filosofia e Currículo


Acabo de publicar uma recensão do livro de Ronai Pires Rocha sobre o ensino da filosofia no Brasil, da autoria de Gisele Secco. Aqui.