Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2009

Podem as razões subjacentes a uma acção ser as causas (eficientes) dessa acção?

Esta é a proposta da Sociedade Portuguesa de Filosofia para o Prémio de Ensaio Filosófico de 2009, o qual conta também com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Desta vez o problema escolhido é, como se vê, da área da filosofia da acção.
As candidaturas já estão abertas (terminam a 31 de Dezembro) e o montante do prémio é de 3500 Euros. O ensaio vencedor será também publicado na Revista Portuguesa de Filosofia. O regulamento do concurso pode ser consultado aqui.

Palavras e evolução

Acabo de saber que a Casa das Letras publicou no Brasil A Grande História da Evolução, de Richard Dawkins, que é a tradução portuguesa de Laura Teixeira Motta do original The Ancestor's Tale. Outra casa, a Casa da Palavra, acaba de publicar o Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa, org. por Marcelo Moutinho e Jorge Reis-Sá, que contém um texto meu: "Verdade".

O que é e não é a ética

Eis duas coisas que a ética não é: não é um conjunto mais ou menos arbitrário de proibições nem é uma espécie de postura pessoal perante as coisas. Eis duas coisas que a ética é: um conjunto de indicações reflectidas sobre o que é uma vida boa e um cuidado com os outros agentes morais. Isso está bem patente no interessante curso de ética que Sally Haslanger (MIT) disponibiliza aqui.

Aprender filosofia com os filmes

São cada vez mais os livros sobre filosofia e cinema, seja sobre filosofia do cinema, que é uma subdisciplina da filosofia da arte, ou de livros que recorrem aos filmes para introduzir e discutir alguns dos principais problemas filosóficos. E ensinar filosofia através dos filmes parece ser uma tendência cada vez mais irresistível. Daí que as novidades editoriais na matéria sejam cada vez mais frequentes.
A última novidade é o livro Introducing Philosophy Through Film: Key Texts, Discussion and Film Selection, organizado por Richard Fumerton e Diane Jeske. Este livro é uma introdução à filosofia através do cinema e tem uma coisa muito diferente de outros que conheço sobre o mesmo assunto: a discussão é centrada não apenas nos filmes, pois faz-se acompanhar dos textos dos filósofos em que os problemas em causa são discutidos. A inclusão dos textos clássicos parece-me ser um ponto a favor deste livro. Isso permite, inclusivamente, disciplinar a discussão, ao contrário do que acontece com …

O paradoxo da pedra

Usa-se por vezes o chamado paradoxo da pedra como argumento contra a existência do deus teísta.

O suposto paradoxo da pedra formula-se assim: o deus teísta, omnipotente, poderá criar uma pedra tão pesada que ninguém consiga levantar? Se pode, então não é omnipotente porque depois não poderá levantá-la. Se não pode, então também não é omnipotante porque não a pode criar. Logo, em qualquer caso, não é omnipotente: ou seja, não existe o tal deus omnipotente dos teístas.

Este argumento não funciona, pelo menos sem mais ajustes e detalhes. Para ver porquê, leia este delicioso diálogo do Alexandre.

Eutanásia: As Questões Morais

A propósito do problema discutido no texto da Ekaterina, vale a pena referir um livro injustamente esquecido e que está há alguns anos traduzido para português. Trata-se de Eutanásia: As Questões Morais, um livro muito bem organizado pelos professores de filosofia Robert Baird e Stuart Rosenbaum, da Universidade de Baylor, Waco (Texas), que reúne dezanove ensaios de filósofos (incluindo dois de James Rachels) e médicos, tanto contra como a favor da eutanásia.
O livro foi editado em 1997 pela Bertrand e praticamente não se encontra nas livrarias. Mas ainda existe na editora, pelo que pode ser encomendado. Foi o que fiz há tempos. Levou três dias a chegar e custou apenas 5 Euros.

Será a clonagem de seres humanos moralmente aceitável?

Mais um pequeno ensaio filosófico de outro aluno do 11º ano, Alexei Buruian, desta vez sobre a clonagem humana.

Será a clonagem humana moralmente aceitável?

Há duas possíveis aplicações para a clonagem humana: a clonagem terapêutica, que não vou abordar neste ensaio, e a clonagem reprodutiva. Este tipo de clonagem visa a criação de indivíduos geneticamente iguais a um organismo já existente, através do processo de transferência nuclear. Este processo consiste em introduzir um núcleo dador num ovócito anucleado, implantar a nova célula obtida num útero e esperar pelo desenvolvimento do feto.

Importa chegar a um consenso acerca da moralidade da clonagem. Enquanto não o fizermos, poderemos estar injustificadamente a privar as pessoas de gozarem de um novo meio de reprodução.

Irei defender que, dado o deficiente estado de aperfeiçoamento da técnica da clonagem, não é moralmente aceitável recorrer à clonagem reprodutiva humana.

São diversos os argumentos contra a clonagem: o argumento da…

II ENPF da UFOP

O Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFOP parte de uma iniciativa dos alunos da graduação do curso de Filosofia e conta com o apoio do Instituto de Filosofia e Artes (IFAC), do Departamento de Filosofia (DEFIL) e da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Possui o objetivo promover o encontro de pesquisadores e estudantes em um ambiente propício para a discussão e divulgação de trabalhos relacionados à área de filosofia. Além disso, o encontro visa promover uma interação maior entre professores e alunos de diferentes universidades do país.

A segunda edição do evento será realizada no período de 09 a 13 de Novembrode 2009, no prédio do IFAC e contará com a participação de professores convidados e da própria universidade em atividades como palestras, mini-cursos e debates temáticos, além das seções de comunicações apresentadas por graduandos e pós-graduandos de diferentes universidades. Mais informação...

Avaliação em Filosofia: avaliar o quê e como?

Este é o título da acção de formação que irei dar já a partir do próximo sábado em Vila Nova de Santo André (Sines). A acção é de 25 horas presenciais (50 no total), termina no dia 2 de Julho e é promovida pelo Centro de Formação da Associação de Escolas do Alentejo Litoral. Irei utilizar muitos exemplos práticos, sobretudo do programa de Filosofia do 10º ano, e espero que haja boa discussão. Se algum dos colegas leitores estiver interessado em discutir o assunto comigo e estiver por perto, parece que ainda se pode inscrever.

O Pequeno Livro do Filósofo

Trata-se de um projecto antigo: um pequeno conjunto de máximas descontraídas, mas que ao mesmo tempo se querem profícuas, para quem quer fazer filosofia. É um livrinho, vendido em PDF, que pode ser lido antes de pagar e que pode não ser sequer pago. Está aqui.

Zen e a arte de manutenção da filosofia

Acabo de publicar o capítulo "Zen e a Arte de Manutenção da Filosofia", retirado do meu livro Pensar Outra Vez.

Deste livro estão igualmente disponíveis os capítulos "Sísifo e o Sentido da Vida" e "Filosofia, Lógica e Democracia".

Será a eutanásia moralmente aceitável?

Eis um pequeno ensaio filosófico sobre a eutanásia, de Ekaterina Kucheruk, minha aluna do 11º ano. Aqui fica para discussão, com a devida autorização da autora.
Será a eutanásia moralmente aceitável?

A fim de poder responder à questão anterior é necessário fazer a distinção entre os vários tipos de eutanásia, sendo que existe eutanásia voluntária, involuntária e não voluntária, podendo estas ser, por sua vez, activas e passivas.

Vou falar apenas da eutanásia voluntária activa. Na eutanásia voluntária é o sujeito sobre o qual recai a acção que decide morrer, pedindo que o ajudem realizar o seu desejo. A eutanásia voluntária activa distingue-se da passiva pelo facto de na activa haver uma componente de acção directa por parte dum agente, cujo efeito inevitável é a morte do doente que a solicita, enquanto na eutanásia passiva a morte não é uma consequência directa de uma qualquer acção, mas de uma omissão, como acontece quando o médico deixa de administrar os tratamentos necessários à prese…

Educação para a cidadania

Muitos dos nossos políticos, pedagogos e cientistas da educação enchem a barriga com a ideia de educação para a cidadania. Parece até que descobriram a pólvora. Mas que a educação serve para formar cidadãos é uma ideia tão velha quanto a própria ideia de educação. Os gregos chamavam-lhe paideia. Que ideia é essa? Bom, é a ideia de que formar cidadãos é ensinar-lhes a falar, a escrever, a contar, a argumentar, a avaliar, a pensar por si. Estas são as ferramentas necessárias para uma cidadania plena e esclarecida. Em suma, formar cidadãos plenos é ensinar-lhes bem Português, Matemática, Biologia, História, Filosofia, etc. Quem aprende bem estas coisas está em boas condições para se tornar um cidadão esclarecido. O resto é quase só ruído ideológico.

Onde pára a filosofia?

Tenho ao meu lado um livro das edições Sebenta com testes de filosofia do 10º ano e respectivas resoluções. Na capa do livro diz-se que é "fundamental para ter boas notas" em filosofia. Abri o livro ao acaso na página 79, onde encontrei o teste nº 23. Ei-lo:

1ª Questão

Diga o que entende por poluição. Dê exemplos.

2ª Questão

Dê exemplos de actos que contribuem para a preservação do ambiente.

3ª Questão

Que organizações ecologistas é que conhece?

4ª Questão

Relacione a crise ecológica com o consumismo.

5ª Questão

"Princípio 1
Os seres humanos estão no centro das preocupações com o desenvolvimento sustentável e têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a Natureza".
Conferência das Nações Unidas sobre o ambiente e desenvolvimento

Comente o texto, referindo a articulação necessária entre desenvolvimento e defesa do ambiente.
Onde pára a filosofia? Alguém me consegue dizer? E depois admiram-se que haja quem ache dispensável a disciplina de filosofia no secundário. P…

Weston no Brasil

A Arte de Argumentarfoi o título dado em Portugal à minha tradução de A Rulebook for Arguments, de Anthony Weston. É um livrinho muitíssimo útil para estudantes de filosofia ou de qualquer outra área que envolva a redacção de ensaios argumentativos, ao invés de meramente expositivos.

A boa notícia é que este livro foi agora traduzido no Brasil por Alexandre Rosas Feitosa, com o título A Construção do Argumentoe publicado pela WMF Martins Fontes. (Em espanhol o título dado é talvez o melhor de todos: As Chaves da Argumentação). A má notícia é que a julgar pela sinopse do livro, que usa a incompreensível expressão "livro-texto" para traduzir o banal textbook, que quer apenas dizer manual ou livro didáctico, não há bons augúrios de que esta seja uma tradução sensata. Mas sempre é melhor que nada, e eu aconselho-o vivamente a todos os estudantes. O preço é também convidativo.

PS: Muito obrigado ao leitor José Oliveira por ter detectado algumas gralhas.

Sorte moral

A sorte ou a fortuna ou os acasos da vida levantam uma importante questão ética: é a vida boa o que se obtém quando se domina ou limita ou elimina tais acasos, ou é a vida humana indissociável da fortuna, sendo algo como uma contradição nos termos pensar que é possível uma vida boa plenamente humana num paraíso?

Este é o tema principal da reflexão histórico-filosófica de Martha Nussbaum, no livro A Fragilidade da Bondade, aqui apresentado por Lucca Otoni.

História, filosofia e currículo

Ao contrário do que sugere o artigo "Filosofia e História no Currículo de Filosofia", de Dídimo Matos, a preponderância da história num currículo não se detecta pensando apenas nas quatro ou cinco disciplinas históricas tradicionais — Filosofia Grega, Medieval, Moderna, Contemporânea — mas antes no facto de em disciplinas como Ética ou Filosofia Política ou Metafísica haver uma tendência dos professores de língua portuguesa para fazer uma abordagem exclusivamente histórica — começam com Parménides ou Platão, geralmente saltam para os modernos, ignorando os medievais, e assim continuam cronologicamente. Uma graduação de filosofia poderia ser equilibrada tendo quatro ou cinco cadeiras históricas desde que as cadeiras temáticas fossem realmente temáticas e adequadamente concebidas.

Penso que há dois factores que fazem os professores de cadeiras temáticas adoptar uma abordagem histórica.

Em primeiro lugar, a concepção de filosofia que têm. Ao passo que uma pessoa com formação anal…

Cozinho, logo existo

Uma boa recensão de Christine Kenneally do livro Catching Fire: How Cooking Made Us Human, de Richard Wrangham.

Quine três vezes

Acabo de publicar o artigo "Ascensão Semântica", de Quine, retirado do seu livro Palavra e Objeto, cuja tradução brasileira deverá sair em breve na Vozes. A tradução é minha e da Sofia Inês Albornoz Stein. Uma recensão de John P. Burgess do livro Quine's Naturalism: Language, Theory, and the Knowing Subject, de Paul A. Gregory está aqui.Quine in Dialogue, org. por Dagfinn Føllesdal e Douglas B. Quine, reúne textos de carácter mais geral de Quine.

Desparadigmatizar

Não há um único dia em que não se apanhe pela frente alguém a pedir novos paradigmas e a exigir o abandono dos velhos. Pelos vistos, há paradigmas sobre tudo e mais alguma coisa: até ouvi recentemente um comentador desportivo falar de um novo paradigma atacante no futebol.

O que é curioso é que muitos dos que falam de paradigmas parecem pensar que estão a dizer algo importante e muito original. Contudo, mais não fazem do que participar numa espécie de bebedeira verbal. Descobriram a palavra mágica: ninguém sabe muito bem o que é isso do paradigma, mas (talvez por isso) serve para tudo. No fundo, é só uma maneira de dizer: eu tenho ideias diferentes. E acabam por ter todos a mesma ideia diferente: é preciso mudar de paradigma.

Se eu fosse um dos novos pensadores paradigmáticos, diria que estamos a viver um novo paradigma: o paradigma dos paradigmas non stop à la carte. E, para ser um paradigmático pensador paradigmático, acrescentaria que precisamos de mudar de paradigma: um paradigma se…

Morte e sentido da vida

Depois de apresentar alguns factos psicológicos sobre a felicidade, James Rachels, no excerto de Problemas da Filosofia que acabo de publicar, "Felicidade, morte e absurdo", defende que a morte é um mal mas que daí não se segue que cancele o sentido da vida.

O que pensa o leitor?

Aristóteles

Falei aqui do muito informativo e claro livro de Christopher Shields, Aristotle (Routledge), que é uma introdução a Aristóteles -- abrangendo a sua filosofia da ciência, metafísica, lógica, teoria do conhecimento, filosofia política, ética e estética.

Para quem não lê inglês a editora Idéias & Letras acaba de publicar mais um volume da sua colecção dos Cambridge Companions to Philosophy: trata-se do excelente volume Aristóteles, org. por Jonhathan Barnes, que está agora à venda com um preço promocional no site do editor.

Problemas da Filosofia

Problemas da Filosofia, de James Rachels, com tradução de Pedro Galvão e edição da Gradiva, está já à venda. A apresentação do livro está aqui, e um excerto do mesmo aqui.

James Rachels, recorde-se, é autor do que me parece a melhor introdução à ética: Elementos de Filosofia Moral, também publicada pela Gradiva, em Portugal, e pela Manole, no Brasil.

Qual é a importância dos livros introdutórios, como este? A minha proposta de resposta está aqui. Um aspecto que não refiro no meu artigo é o impacto social que tem a publicação de livros deste género: são livros que põem os pobres que foram vítimas de um mau ensino a par dos ricos que tiveram a sorte de frequentar os melhores colégios.

A Volta do Idiota

Plínio Apuyelo Mendonza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa criticaram o marxismo latino-americano em Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, e a Crítica publicou aqui uma recensão de Orlando Tambosi. Os mesmos autores voltam agora ao tema, e desta vez é Aluízio Couto que nos apresenta a obra, aqui.