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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2009

Einstein contra Feynman

Pouco surpreendentemente, defendo no artigo "Precisa a Ciência da Filosofia?" a resposta afirmativa de Einstein, contra Feynman. E o que pensa o leitor?

Duas maneiras de ser frívolo

Há a frivolidade das maiorias. Consiste em adorar o futebol, centros comerciais, carros caros e telenovelas. Reduz a política a chicanas infantis. Elege como valor supremo comprar coisas com valor social, seja isso o que for — de telemóveis muito caros a televisões de plasma.

E há a frivolidade dos pseudo-intelectuais. Consiste em estar sempre a ver mais longe do que os outros. Ser sempre mais esperto que os demais. Tratar tudo o que não está nos seus parcos horizontes intelectuais com a mesma frivolidade dos comentários da telenovela.

Em ambos os casos, é o incómodo de pensar que se manifesta. A incompreensão pelo prazer da descoberta das coisas. A arrogância de já ter decidido todas as questões profundas há anos, com dois dedos de leitura fácil. A inexistência do prazer de reflectir, descobrir, dialogar com outros que reflectem e gostam de descobrir.

Das duas, prefiro a primeira. É menos pretensiosa.

Bebés inteligentes

Faustino Vaz apresenta os primeiros passos da discussão da pergunta "Será moralmente permissível tornar os bebés mais inteligentes?" E o leitor, o que pensa?

Inovação na arte

Acabo de publicar a recensão de Rui Daniel Cunha à original história da arte, da autoria de Florian Heine, intitulada The First Time. E aproveito para perguntar: Será a inovação um valor central na arte? Porquê? O que pensa o leitor?

Ética e direitos humanos

Neste artigo, procuro mostrar por que razão não se pode ao mesmo tempo defender que a ética é relativa e que os direitos humanos são universais, mostrando também que há razões para pensar que por vezes se adopta o relativismo ético porque se fazem algumas confusões. O que pensa o leitor?

Um esclarecimento sobre a publicidade

Vários leitores estranham o género de publicidade que por vezes surge na Crítica — em alguns casos, é nítido que os produtos ou serviços publicitados não são o género de coisas que a Crítica poderia sancionar ou ainda menos recomendar. A razão é que não me é possível controlar os anúncios publicitários que surgem na Crítica; isso é feito automaticamente pelo Google. Há um certo controlo parcial, mas é quase a mesma coisa do que nenhum controlo.

Matar na guerra é moralmente errado?

Matar um indivíduo parece na maior parte das circunstâncias um acto moralmente errado. Mas e se tal acontecer numa situação de guerra? O leitor está numa guerra. O inimigo vai matá-lo. O leitor, para se defender, dá-lhe um tiro e mata-o. Tal parece ser moralmente aceitável. Jeff McMahan põe esta ideia em causa no seu mais recente livro, Killing in War, e podemos ouvi-lo num podcast sobre o problema.

Expressão e Significado na Música

«Parece inevitável, à luz deste desenvolvimento [da filosofia (analítica) da música] que acabe por surgir um livro que seja uma sinopse da bibliografia recente. Isso aconteceu já, mais cedo do que tarde. Trata-se da obra Musical Meaning and Expression, de Stephen Davies. O livro de Davies é extraordinariamente exaustivo. Calculo que a bibliografia de obras citadas exceda os 450 itens; e se há alguém que conhece um título ainda que remotamente ligado à filosofia da música que Davies não conheça, essa pessoa tem mesmo de andar a navegar por águas inexploradas.» Peter Kivy, retirado da recensão de Musical Meaning and Expression (Mind, New Series, Vol. 104, No. 416 (Oct., 1995), pp. 896-900) via JSTOR.

Como estudar filosofia?

Acabo de publicar "Estudar Filosofia: Uma Abordagem", que contém algumas indicações para estudantes de filosofia. A ideia é apresentar uma abordagem do estudo da filosofia que seja esclarecedora, sabendo-se evidentemente que haverá muitas outras. O que pensa o leitor?

Pode a informação colocar a liberdade em risco?

Vivemos na era da informação. A informação, dizem, é vital. A sua livre e ampla circulação é um dos pilares da liberdade – sem informação não há liberdade.

Acontece que o mundo informativo actual é como uma caixa de amplificação, em que o que quer que lá entre sai alavancado e distorcido. A informação está aí, acessível a todos e à distância de um click; só não tem acesso quem não quer ter. No entanto, é praticamente impossível para o comum dos mortais formar uma opinião informada relativamente ao aquecimento global, ao fim do petróleo, à gripe A e respectiva vacina, à crise internacional e a muitos, muitos outros temas.

É brutal o volume de opiniões, comentários, artigos e ruído. Mais, é brutal o número de opiniões, comentários artigos e ruído produzido por quem saiba pouco ou nada sobre o assunto. Não só não conseguimos formar uma opinião informada como não sabemos se as opiniões a que temos acesso são informadas ou não.
Pontualmente poderemos dedicarmo-nos a aprofundar um determin…

Epistemologia da argumentação

Não basta a validade para que um argumento seja bom; não basta sequer que o argumento seja válido e que tenha premissas verdadeiras. É também preciso que tenha premissas mais plausíveis do que a conclusão. Explicar esta ideia é o tema do capítulo "Epistemologia da Argumentação" do meu livro Pensar Outra Vez. O que pensa o leitor?

Dia mundial da filosofia

Hoje é o dia mundial da filosofia. Não vos parece que um dia só é pouco? Além disso, acho que também devia haver uma hora mundial da filosofia. O que vos parece?
Bom, seja como for, a minha modesta contribuição para assinalar este dia está aqui. É um pequeno texto em que tento imitar toscamente os filósofos, na esperança de fazer jus ao enorme respeito que eles nos merecem.

Uma alternativa ao capitalismo

Acabo de publicar o artigo "Capitalismo" do livro O Significado das Coisas, de A. C. Grayling (Gradiva, 2003). Concebe o leitor uma alternativa ao capitalismo que seja melhor do que o capitalismo e que não pressuponha que as pessoas todas adoram coisas como matemática e artes e filosofia e história, em vez de frivolidades? Está aberta a discussão.

Nominalismo na PUC-RIO

Estarei na X Semana dos Alunos da Pós-Graduação em Filosofia da PUC-Rio, que ocorrerá no auditório do Decanato do CTCH, 12.º andar do prédio Leme, no campus da PUC-Rio, entre os dias 23 e 27 de novembro. Eis a programação completa:

Telegrapho de parabéns e nova secção

O Telegrapho está de parabéns pelos quatro anos, mas sobretudo pela lucidez de não embarcar em ideias feitas que parecem bonitas mas são uma desgraça anunciada.

E por falar em ideias feitas, vou inaugurar neste post uma nova secção: ideias feitas. Em cada um destes posts apresenta-se uma ideia feita: ideias muito comuns, que andam por aí no ar, geralmente muito tolas, e que muitas vezes pretendem transmitir sofisticação mas só conseguem mostrar preguiça em pensar e uma genuína capacidade para macaquear sem pensar o que se ouviu. Ao fim de algum tempo será informativo ver a lista destas ideias feitas.

Eis a primeira ideia feita, que surgiu numa conversa com o leitor que se identifica como Miguel:
As pessoas preferem sapatos e o Prince à física, história, filosofia, matemática, etc., porque umas pessoas muito mal-intencionadas, os capitalistas, querem vender dessas coisas em vez das outras.
Refutação:
Isto é ver a relação de causalidade de pés para o ar. Quem vende é que atende ao que as…

Pragmática

Haverá alguma diferença relevante no modo correcto de interpretar o que é dito pelo Rui em cada uma das seguintes situações?
SITUAÇÃO 1
Ana - Tens dois filhos? Rui - Sim, tenho. Olha, está mesmo ali um deles. Ana - Qual deles, o mais velho ou o mais novo? Rui - Bom, por acaso é o do meio.
SITUAÇÃO 2
Ana - Tens uma moeda de dois euros? Rui - Sim, tenho. Tenho agora uma na mão. Ana - Podes emprestar-me, caso não precises dela? Rui - Oh, não vou precisar de certeza, pois tenho mais duas no bolso.

Ontologia

Acabo de publicar um informativo artigo sobre ontologia, de Alasdair MacIntyre e Keith Campbell. Espero que seja útil para estudantes,  professores e outras pessoas que não sabem bem o que é tal coisa.

Perguntas sem resposta

Para quê fazer perguntas que à partida parece que não têm resposta? Valerá a pena fazer tal coisa? Kolak e Martin respondem que sim no Epílogo do livro Sabedoria Sem Respostas. O que pensa o leitor? Concorda com os argumentos dos autores?

Belle de Jour é Brooke Magnanti

O blog anónimo Belle de Jour, Diário de uma Prostituta Londrina fez um tal sucesso que deu origem a livros  de sucesso e até a uma série de televisão. Mas a identidade do autor ou autora era desconhecida do grande público, até hoje. Numa entrevista ao Times, a autora revelou a sua identidade. É doutorada em medicina de investigação (não faz medicina clínica), e tudo o que ela relatou com os seus clientes é verdade.

Este caso social levanta um problema ético: é a prostituição eticamente permissível, ou não? Quais são os argumentos a favor da permissibilidade ética da prostituição? Quais são os argumentos contra?

O que pensa o leitor?

Rosas sobre Nozick

Por ocasião da edição portuguesa de Anarquia, Estado e Utopia, acabei de publicar aqui a informativa e concisa introdução de João Cardoso Rosas.

Casamento entre homossexuais?

A vontade de impedir a legalização do casamento entre homossexuais e da adopção por parte de homossexuais deriva, em grande medida, de uma tendência lamentável para tentar impor aos outros o estilo de vida que consideramos melhor — uma tendência infelizmente entranhada na sociedade portuguesa.
Tendo a concordar com esta afirmação que Pedro Madeira faz no artigo "Homossexuais: Casamento e Adopção", e com os seus argumentos. E o leitor?

Anarquia, Estado e Utopia

A defesa filosófica clássica do estado minimalista, de Robert Nozick, foi já publicada nas Edições 70, em tradução de Vítor Guerreiro e com introdução de João Rosas (Universidade do Minho). Uma das mais importantes obras de filosofia política pode agora ser estudada em língua portuguesa de Portugal. Havia uma edição brasileira desta obra, há muito esgotada.

Carl Sagan em DVD

Há algumas semanas encontrei esta edição em DVD dos 13 deliciosos episódios da série Cosmos, apresentada em 1980 por Carl Sagan, quando eu tinha apenas 3 de idade, embora me lembre do suficiente para saber que o prazer proporcionado por estes documentários ia compensar inestimavelmente cada euro investido no objecto. Estamos habituados a documentários com muitos  efeitos, muito barulho, mas razoavelmente pobres em informação, repetitivos. Quem não viu na altura ou não é suficientemente velho para se lembrar vai então ter uma grande surpresa se, como eu, ceder à tentação de comprar os DVD.
Algo que desde logo impressiona é o modo como Sagan trata as ideias da pseudociência: nunca apelando ao silenciamento mas discutindo pacientemente, com contra-exemplos claros. O manancial de conhecimento, o âmbito dos assuntos, o modo de exposição, mostram-nos claramente que não são precisos quaisquer ademanes tecnológicos ruidosos e dispendiosos para fazer programas de verdadeira qualidade.
Não sei se…

A reeificação da hegemonia pós capitalista

Hoje recebi na minha caixa de correio a indicação de um site que constrói frases académicas pós modernas. Basta escolher os tópicos e pode-se obter resultados como este:

"The epistemology of process functions as the conceptual frame for the politics of power/knowledge."


ou

"The logic of praxis functions as the conceptual frame for the ideology of exchange value."


ou ainda:


"The reification of post-capitalist hegemony asks to be read as the construction of linguistic transparency."


Se analisarmos bem, estas frases não são estranhas em livros de pensadores pós modernos. Os seus livros estão cheios de passagens destas. Agora basta aceder ao site para termos disponíveis a qualquer momento frases pós modernaças prontas a usar nos momentos académicos mais convenientes. Pode-se até escrever pequenos textos com estas frases. O site fica AQUI.

O mito dos argumentos coerentes

Pensa-se por vezes que a coerência é uma característica interessante e laudatória de um argumento.

Acontece que isto é falso. A coerência não é uma característica interessante e laudatória de um argumento. Um argumento coerente pode ser péssimo, tanto por inválido quanto por ser circular ou por ter qualquer outro defeito elementar.

O caso mais evidente é este:

Aristóteles era grego.
Logo, Platão era grego.

Este argumento é coerente, no sentido em que não se contradiz, mas é tolo porque a conclusão não se segue da premissa. E o mesmo ocorre com a maior parte das falácias, como a falácia da afirmação da consequente:

Se Aristóteles nasceu em Atenas, era grego.
Aristóteles era grego.
Logo, nasceu em Atenas.

Este argumento é inválido — as premissas não sustentam a conclusão — mas é perfeitamente coerente.

Portanto, a coerência não é uma característica interessante e laudatória de um argumento. Ao invés, é uma característica que os maus argumentos, na sua maior parte, têm.

Filósofos a Propósito de Música

Este volume da Oxford University Press, organizado por Kathleen Stock, reúne textos de diversos filósofos contemporâneos da música sobre os vários problemas da disciplina: ontologia musical, teorias da expressão musical, teorias do significado musical. Alguns livros dos autores que participam nesta obra já foram publicitados na Crítica, como é o caso de Julian Dodd, que tem também obra publicada no campo da epistemologia. Trata-se de uma boa panorâmica da filosofia da música contemporânea, sinal inequívoco de que neste domínio há muito mais para ler e reflectir além dos jogos de palavras que meramente adornam aquilo que já se pretendia afirmar mesmo sem argumentos a favor disso.


Para abrir o apetite dos leitores, deixo o índice da obra, retirado do site da OUP.


Preface
Acknowledgements
List of musical examples
Kathleen Stock: Introduction

Section 1: Musical Ontology

1: Julian Dodd: Sounds, instruments and works of music
2: Michael Morris: Doing Justice to Musical Works
3: Stephen Davies: Versi…

A voz do dono

O leitor Pedro Saragoça tem muitas acusações a fazer-me a mim, à Crítica e aos restantes colaboradores deste blog. Este é um espaço criado só para ele explicar o que pensa que está errado comigo, com a Crítica e com os restantes colaboradores deste blog. Está aberta a discussão, e nenhum comentário será apagado. Aproveite!

Peter Kivy

A magnum opus de Schopenhauer era, essencialmente, uma teoria de tudo, à maneira solene da antiga especulação filosófica que já não é considerada produtiva ou respeitável. Mas o facto de as suas pretensões cósmicas não serem hoje levadas muito a sério não significa que Schopenhauer não tivesse coisas esclarecedoras a dizer sobre muitos dos tópicos particulares em que reflectiu. Em particular, a sua abordagem da música, e do lugar desta nas belas artes, foi recebida com simpatia por muitos filósofos e teóricos da música com inclinação filosófica. À parte os seus embaraçosos alicerces metafísicos, a filosofia da música de Schopenhauer faz bastante sentido: pelo menos, coloca a teoria da expressividade musical numa direcção nova e frutuosa.

Dois modos de silenciar

Há tantas maneiras de tentar silenciar ideias que não nos agradam que seria pouco prudente tentar fazer uma lista de todas elas. Mas vale a pena falar de duas delas.

Ambas pertencem à falácia da mudança de assunto e ocorrem quando alguém ouve ou lê uma ideia qualquer de que não gosta, e que não quer sequer ver discutida. Não se trata de pensar que a ideia é errada e de aproveitar a ocasião para esclarecer as pessoas e apresentar ideias opostas; trata-se de não querer que tais ocasiões surjam. Um observador cínico poderá pensar que a pessoa no fundo desconfia que não há realmente boas razões para pensar o que ela pensa, mas desagrada-lhe mudar de ideias como a qualquer pessoa sensata desagrada mudar de casa por causa de todos os transtornos que isso provoca. Mas não interessa realmente saber que motivações psicológicas tal pessoa terá. O que conta é que o resultado é o silenciamento, se nos deixarmos ir na conversa.

E como se faz o silenciamento? De pelo menos duas maneiras principais…

Crato e as borboletas quânticas

É sempre informativo ler a crónica de Nuno Crato, desta vez sobre borboletas quânticas. A parte final, contudo, não compreendi -- talvez algum leitor possa explicar-me melhor. Não compreendi a diferença entre caos e aleatoriedade -- sempre pensei que era a mesma coisa. Qual é a diferença e por que razão os fenómenos quânticos são aleatórios mas não caóticos (como se pensava até agora)?

A origem da Origem

Na sequência da pré-publicação da nova edição da Guimarães da Origem das Espécies, publica-se hoje aqui o prefácio inédito escrito propositadamente para esta edição do filósofo da biologia Michael Ruse.

Questões básicas: filosofia na ciberescola

Criei há dois dias um blog de filosofia para os meus alunos, mas quem quiser contribuir para a discussão filosófica, tendo em conta os destinatários principais (em geral, jovens de 15-17 anos), fica desde já convidado.

A Origem das Espécies

O clássico A Origem das Espécies, de Charles Darwin (1809-1882), obra fundadora da biologia actual, será publicada pela Guimarães no próximo dia 13, em nova tradução cuidada de Vítor Guerreiro, com revisão científica do biólogo Paulo Gama Mota e prefácio do filósofo da biologia Michael Ruse. A Crítica disponibiliza hoje em pré-publicação a famosa introdução de Darwin à edição original de 1859.

Aristóteles

A investigação da verdade é num sentido difícil e noutro fácil. Uma indicação disto encontra-se no facto de ninguém conseguir atingir a verdade adequadamente, ao passo que, por outro lado, não falhamos colectivamente, dizendo cada um, pelo contrário, algo verdadeiro sobre a natureza das coisas; e apesar de individualmente contribuirmos pouco ou nada para a verdade, pela união de todos consegue-se uma quantidade considerável.

Papineau

A Publifolha acaba de publicar no Brasil o livro Filosofia, organizado por David Papineau, uma boa introdução à filosofia especialmente indicada para o leitor comum e para o ensino médio. O livro é ilustrado (pelo menos na edição original) e os autores dos diversos capítulos são Tim Crane (Mundo), Jesse Prinz (Mente e Corpo), Adam Morton (Conhecimento), John Cottingham (Fé), Brenda Almond (Ética e Estética), Jonathan Woolf (Sociedade). A tradução é de Eliana Rocha e Maria da Anunciação Rodrigues.

Felicidade e democracia

Para este mês de Novembro as Edições 70 anunciam Uma História da Felicidade, de Darrin M. McMahon e Vida e Morte da Democracia, de John Keane, além do primeiro volume das obras escolhidas de Jürgen Habermas, e de Diário de Luto, de Roland Barthes.

Ensino da lógica em debate

O nosso colega da Crítica, Aires Almeida, vai estar presente no colóquio internacional subordinado ao tema: 
O Lugar da Lógica e da Argumentação nos Programas de Filosofia do  Ensino Secundário. Decorrerá a 4 e 5 de Dezembro na Faculdade de Letras da  Universidade de Coimbra. Descarregar o programa em PDF AQUI.

Sugestões que Adorno nunca aprovaria

As palavras de Stephen Davies, que o Vítor postou, parecem-me bastante acertadas. Talvez Davies acabe até por ser algo caridoso com Adorno.

Penso que a reverência durante algum tempo dispensada a Adorno no meio filosófico se deve menos ao nível e acuidade da sua reflexão filosófica e mais ao facto, pouco comum, de ser um musicólogo encartado que usa abundantemente esse conhecimento técnico para tirar conclusões bastante fortes acerca da natureza e do valor da arte. Adorno parecia falar com uma autoridade na matéria que faltava a muitos outros.

Entretanto, são já muitos os filósofos da arte com uma sólida formação musical, como Peter Kivy, Roger Scruton (que é compositor com obra publicada) e o próprio Davies, ao lado de quem a autoridade de Adorno é menos impressionante. Actualmente, as ideias daqueles são muitíssimo mais bem articuladas e filosoficamente interessantes, mas também mais discutidas do que as de Adorno. E mesmo musicólogos com um grande pendor filosófico como o prestigiado…

O erro de Dawkins

The New Atheists have played into the evangelical/fundamentalist’s hands. Each side fans the flames of victimhood. “An atheist can never be president!” says one side. “A Christian never gets a fair shake in the New York Times!” claims the other. Each side is led by opportunists claiming to speak for a beleaguered minority.

Indeed, Dawkins needs the evangelicals and they need him. As the authors of An Evangelical Manifesto wrote, “striking intolerance shown by the new atheists is a warning sign.” Conversely, how would Dawkins’s followers use their Scarlet A pins to open their conversations if America weren’t full of evangelical/fundamentalists? The fundamentalists in both camps need to claim they are hated. The leaders push their followers to fear each other to maintain their identity—and lecture fees.
Mais aqui...

Stephen Davies

Adorno, que escreveu principalmente de 1920 a 1940, considerava a importância da música em termos do seu lugar ideológico no padrão geral da história. Segundo a sua orientação marxista, Adorno esperava encontrar na música indícios do progresso para uma libertação, da qual resultaria uma arte gratificante acessível a todos. Aos ouvidos de Adorno, era a música dodecafónica que representava o progresso lógico, e tornar-se-ia portanto a música do futuro, ao passo que o neoclassicismo de Stravinsky era regressivo e corrupto (Adorno, 1973). Além disso, Adorno objectou a formas populares de música, especialmente o jazz, que considerava música de baixa qualidade explorada pelos poderosos para alienar as classes baixas da música séria que as devia interessar e gratificar (Adorno, 1992).Em retrospectiva, é difícil levar a sério as afirmações de Adorno (Sharpe, 2000). As suas perspectivas sobre o serialismo influenciaram a composição da música alemã na década de 70 do sec. XX, e por isso talvez …

cinema e tempo

Acontece muitas vezes no cinema e na televisão vermos representações de «vácuos temporais», ou seja, supostos períodos de tempo em que não há acontecimentos, em que há «passagem de tempo» embora não ocorra qualquer mudança. Bom, na verdade não é bem assim. No cinema, tais coisas são descritas como «paragens do tempo». O que vemos acontecer é todos os acontecimentos físicos descritos no filme «congelarem» num dado momento t. Esta não é a ideia filosófica de um «vácuo temporal». A «paragem temporal» dos filmes parece aceitar a identidade entre tempo e mudança. Logo, se não há mudança não há tempo e podemos afirmar que o tempo pára. Nestas circunstâncias, não podemos dizer que há um vácuo temporal. A ideia de vácuo temporal implica que há tempo sem mudança, períodos de tempo «vazios» de acontecimentos físicos e mentais.
Contudo, é também normal no cinema, quando há «paragens no tempo» vermos um ou mais personagens que não ficaram congelados moverem-se por entre os objectos e pessoas desse…

Condições normais

No encadeamento do post anterior constato que muito do que se discute no âmbito da percepção acaba por se referir às ditas “condições normais”:

- Se eu estiver no deserto há uns dias sem beber água terei alucinações, e posso ver um oásis onde apenas existe uma duna. “Em condições normais” tal não aconteceria e eu conseguiria ver a duna sem qualquer problema – a percepção do oásis foi causada pela falta de água.

- Se eu estiver completamente alcoolizado ou sob o efeito de drogas posso também ter alucinações, ver algo que não existe e que “em condições normais” eu não veria. Foi o álcool ou a droga que causou a minha percepção.

Podemos outra vez perguntar: mas afinal quem define quais são as condições normais? Porque é que no primeiro caso é a falta de algo que provoca uma percepção a que chamamos alucinação e no segundo caso é algo em excesso que provoca essa mesma (ou outra) alucinação?
Fará sentido dizer que existe um qualquer conjunto de condições que podem ser tomadas como normais?

Ve…

Será a neve branca?

É comum, quando se fala de percepção, mencionarem-se “condições de luz normais”, “numa situação normal”, e outras normalidades que tais.

Será a neve branca? Se estivermos com uns óculos de lentes azuis ela ficará azulada, em condições de céu nublado ou pouca luz talvez pareça cinzenta, à noite nem lhe vemos a cor. Fará sentido dizer que é branca? Alguns dirão que sim, pois em condições de luz normais a neve é branca, e o resto são excepções à regra.

Mas então quem definiu essas condições de normalidade?
Porque se considera normal a luz do Sol e não a luz, mesmo que pouca, da Lua?
Porque se considera normal a luz do céu pouco nublado ou limpo e não a luz de um céu de trovoada?
Porque se assume que existe um conjunto de condições preferenciais para as quais faz sentido dizer que a neve é branca e não se diz antes que a neve é branca nas condições XPTO. Claro que nesta última situação a neve deixa de ser branca, mas passa a ser percepcionada como branca em determinadas condições, como azu…