Pensava que eu era o único palerma que procura como oxigénio o silêncio e, sobretudo, os sons bonitos da natureza. Afinal, não. Há outros como eu, e que até fazem disso profissão. É o caso de Gordon Hempton.
Desidério, realmente o som da natureza é precioso. Nada como um final de tarde, e a companhia dos passarinhos das árvores com os seus adoráveis barulhos, e os cri-cris ao fundo. Só ficaria melhor se puder apreciar esses sons deitado numa rede com uma xícara de chá.Diria até que refresca a "alma"...
O leitor Tiago Mesquita Carvalho deu-me entretanto a conhecer o que se faz em Portugal quanto aos sons tradicionais. Oiça-se aqui:
http://www.aldeias-sonoras.org/
Devo dizer que o que me apoquenta é a tendência humana para o feio sonoro, bastante mais marcante ainda do que o feio visual. Nas cidades vive-se rodeado de sons feios e de construções feias, apartado da natureza e em desarmonia com ela. Mergulhar numa aldeia ou cidade pequena ou numa zona selvagem é um deleite não apenas visual mas também auditivo. E sem esse contacto profundo com a natureza a vida boa é quase uma miragem.
Bem, Também me agradam os sons naturais, mas provavelmente por ter nascido e crescido no meio do cheiro a erva e bosta de boi, não dispenso uma boa dose de ruído industrial. E também há imensos músicos e artistas que trabalham a partir do ruído. O caso mais desafiante talvez seja o do japonês Merzbow.
Feliz/te eu tenho a oportunidade de trabalhar alguns dias por mês num lugar mto afastado da cidade, rústico, com lago, cheiro de mato, e sons q parecem conversar conosco sem pronunciar palavra alguma. Assim , procuro aproveitar. E na falta disso tudo ao vivo tem tb cds com sons da natureza q são mto bons.
Desidério: Achei muito interessante a informação que dás neste post, mas ocorreu-me ao lê-la a seguinte questão: Não seria também igualmente interessante, atendendo ao número de leitores deste blog, reflectir sobre as catástrofes da natureza, nomeadamente a ocorrida no Haiti? Dado que se pode pensar filosoficamente acerca de assuntos relevantes da actualidade (como tu fazes com frequência), não fará sentido – até por um imperativo ético – considerar este assunto? Como leitora habitual deste blog, surpreende-me não ter lido aqui nenhuma reflexão a este respeito. Cumprimentos.
Este terremoto no Haiti me fez lembrar do Terremoto de Lisboa, em 1755; as consequencias imediatas foram muito semelhantes. A catástrofe causou muita repercussão. Se não me engano, não só impulsionou o desenvolvimento da sismologia, como muitas discussões filosóficas sugiram; inclusive sobre a responsabilidade das divindades nas catástrofes. Inclusive, me parece que o Marquês de Pombal tenha agido de uma forma exemplar após o terremoto - uma lição de administração e gerenciamento que não tenho certeza se foi tomada como base pela força de reestruturação, lá no Haiti.
Desidério: As minhas condições actuais de trabalho, como professora do ensino secundário, não me permitem ter o tempo e a disponibilidade necessária para escrever artigos (sobre esse ou outros temas) com a qualidade desejável. Lamento que assim seja. Agradeço a tua proposta. Cumprimentos.
Para quem gosta de sons mais urbanos sugiro o cd Sonorus Urbis de Paulo Motta. Há sons radiofônicos, de tráfego urbano, de igreja, e até naturais. Fica a dica.
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