3 de janeiro de 2010

O marxista capitalista

Você é marxista? Então chegou a hora de assumir que o seu maior aliado é o capitalista. Isto porque se é marxista, está preocupado com os mais pobres: quer, do fundo do seu coração, retirar os pobres da pobreza, dar-lhes uma vida condigna, com uma casa bonita, água potável, electricidade, acesso ao ensino, automóvel, férias pagas, acesso à assistência médica de qualidade. Numa palavra, você quer dar riqueza aos mais carenciados.

Marx via nos capitalistas um inimigo dos mais carenciados porque vivia numa época em que a quase totalidade dos produtos produzidos pelos capitalistas eram bens de primeira necessidade. Isso dava aos capitalistas um certo desinteresse pelas condições económicas dos mais carenciados, porque olhava para eles apenas como trabalhadores, e não como potenciais clientes.

Mas tudo isso mudou. Hoje em dia a maior parte dos capitalistas ganham dinheiro vendendo bens e serviços supérfluos, que só compra quem já tem as suas necessidades básicas garantidas e tem além disso tempo livre para as usufruir. Por isso, o capitalista já não olha para os mais carenciados apenas como trabalhadores que urge explorar, mantendo na pobreza porque são força barata de produção. Olha agora para eles como clientes. Na verdade, como clientes sem os quais a economia na qual se baseia a sua riqueza não pode subsistir. O capitalista quer que o máximo número possível de pessoas possa comprar telemóveis caros, calças de marca, automóveis e televisões de plasma. E para isso tem de ajudar a desenvolver a economia, para dar a essas pessoas meios para alimentar o seu negócio.

É por isso que se você é marxista, o seu maior aliado é o capitalista. O capitalista pragmático, sem ideologias idealistas sobre o futuro brilhante da humanidade em que toda a gente discute Bach ao pequeno-almoço e lê Tolstoi ao deitar — o capitalista que tudo o que quer é vender produtos e serviços, os produtos e serviços que as pessoas efectivamente querem.

Portanto, do que está à espera? Manifeste-se já em defesa do capitalista! Vá para as ruas! Faça esclarecimentos públicos! Incentive o consumo! Faça cartazes!

31 comentários:

  1. Desidério Murcho, percebe-se que o que lhe falta não são leituras, nem conhecimento sobre o que escreve. O que realmente se faz ausente em seus escritos é a capacidade do "pensar bem", rimos muito de vossa sombra acadêmica na Universidade em que estudo, tememos, no entanto, que seus alunos saiam tal qual o "mestre", uma figura insossa,estrita e extremamente "MURCHA". Não por esse post, mas pelo conjunto da obra, parabéns por conseguir ser tão débil filosoficamente.

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  2. Não há uma enorme diferença entre riqueza e condições mínimas (não necessariamente uniformes, em termos da forma como se concretizam)que permitam viver de forma digna? Que energia e que recursos intelectuais estamos a gastar para fazer face ao que me parece ser o esgotamento de um modelo que, a não ser que se encontrem novos mercados além-terra (e simultaneamente se resolvam os problemas de poluição associados à produção, distribuição e consumo)só pode estagnar ou regredir, lançando no desemprego e na pobreza cada vez mais pessoas?

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  3. Eis um problema que só pessoas ricas e sem sensibilidade social podem pensar: onde ir procurar mercados? Ui, que problema. Vá a África, ou venha cá ao Brasil. Saia do conforto do seu círculo de conhecimentos, que são todas pessoas ricas. E aí você vê imensos mercados potenciais: os milhões de pessoas que mal têm dinheiro para comprar sapatos. É por isso que o capitalista é o melhor aliado dessas pessoas: porque olha para elas e as vê, tal como são: pessoas como nós, que almejam a poder comprar televisões e automóveis e roupas caras. Ao passo que o ideólogo marxista do costume olha para elas e vê apenas um argumento para continuar a repetir a receita marxista empacotada e falida. Portanto, o capitalista quer criar riqueza para que estas pessoas possam ser suas clientes, ao passo que o intelectual marxista chama nomes feios às pessoas por elas preferirem o que preferem e não preferirem o que o intelectual gostaria que elas preferissem.

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  4. Teu argumento é uma afirmação empirica: "Por isso, o capitalista já não olha para os mais carenciados apenas como trabalhadores que urge explorar, mantendo na pobreza porque são força barata de produção. Olha agora para eles como clientes".

    Portanto, é justo que seja rebatido por evidências também empíricas: Cosan e mais 11 empregadores entram para a "lista suja" (de trabalho escravo).

    Enquanto for possível explorar uns para vender a outros, as duas visões (enxergar os carentes como mão-de-obra barata ou como clientes) não se contradizem. Explora-se (brutalmente, em certas partes do Brasil) uns e vende-se a outros. Só haveria contradição se as empresas pensasem em uníssono, o que só ocorre, ao que me parece, em economias planejadas.

    O papel salvador, ao menos na circunstância relatada pelo Repórter Brasil, está não no capitalista, mas no Estado de Direito (Ministério do Trabalho e Emprego) que regula as relações de produção.

    No entanto, cabe lembrar que um Estado hipertrofiado (ex: China) pode cumprir a mesma função do capitalista explorador.

    As coisas definitivamente não são tão simples quanto os marxistas descrevem, porém também não o são como nesse hipotético paraíso liberal. As economias capitalistas foram as mais bem-sucedidas em fornecer vidas dignas à população, mas somente com Estados reguladores competentes.

    Cordialmente,
    Cristiano Figueira

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  5. Desidério Murcho:

    Enquanto filósofo anglofilo esperava mais de si que este post básico. E concordo com o Cristiano Figueira.

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  6. Dizer que ser marxista é lutar pela integração na sociedade (de consumo) capitalista é de um primarismo analítico inaceitável e que não esperava encontrar aqui. Lamento.

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  7. Certamente o capitalista é um aliado das populações mais pobres, mas somente com a existência de um Governo que funcione sempre pensando em interesses públicos, caso contrario se tornará um carrasco da classe dos oprimidos e necessitados, como o Sol e a chuva que por um lado aquece e rega as flores das casas do Lago Norte e por outro apodrece e entope os esgotos da população da Estrutural em Brasília

    Lembrando que acompanhado do capitalismo vem a livre concorrência e a publicidade: a primeira faz criar batalhas entre eles próprios, uma corrida egoísta, pois é conceito fundamental do capitalismo gerar lucros (investir pensando em interesses privados), então fica claro que é os interesses privados que prevalecem até mesmo quando existe uma falsa cooperação entre eles. O segundo (publicidade) é a maquina de induzir e manipular mentes, procura estabelecer e dizer o que "verdadeiramente" a pessoa quer, sendo que realmente não necessariamente venha a ser aquilo o que ela precisa e deseja, por isso não é seguro deixar sempre a escolha para a autonomia de cada um (pois o meu desejo pode estar por muitas vezes corrompido). Acredito que muitos desejariam que existisse um mercado fornecendo partes do corpo humano para se adquirir. Imagina só: a cada braço quebrado ou qualquer tipo de deficiência era só comprar outro novinho, e por ai vai. As pessoas estão submetidas a todo o tipo de propaganda que acaba por pensar que aquilo que outros dizem que ela quer, se torne o que ela realmente deseja, uma forma que os capitalistas acharam de enganar o cliente a pensar estar ele satisfazendo seu desejo, sendo que não passa de uma forma enganadora de apenas pensar em seus próprios interesses. A questão é complicada, pois cada vez que a classe baixa consegue comprar coisas de classe média e a classe média compra da alta, surge uma inversão que acaba por surgir novos bens disponíveis para cada classe, você percebe que a industria automobilística passou a ter como cliente alguns até da classe baixa, porem existe carros que nem muitos da classe média alta consegue comprar, a não ser o ricos. E é nesse jogo que o capitalista vive, diz produzir um produto que todos podem adquirir, sendo que esse produto já é descartado pelos clientes mais ricos por ser inferior, logo não demorando muito para os mais pobres também vim a descartar querendo os que os ricos possuem por ser por muitas vezes melhores. O capitalista anda sempre a sorrir, lembrando que a Hiena rir antes de matar.

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  8. Obrigado pelos comentários. Concordo que é necessário que o estado de direito funcione. Na verdade é até necessário mais do que isso. Ainda ontem li este artigo, de que não gostei assim muito, mas aponta nessa direcção:

    http://www.esquire.com/features/best-and-brightest-2009/world-poverty-map-1209

    A ironia do meu post é que em certas condições o capitalista tem realmente interesse em contribuir para uma sociedade em que mais pessoas têm mais dinheiro, pois o capitalista precisa de vender produtos e serviços e não o pode fazer se as pessoas forem brutalmente pobres. Mas daqui não se segue que em todas as condições os capitalistas irão pensar desse modo. Portanto, não se segue que o capitalismo selvagem seja a solução. Na verdade, o capitalismo selvagem existe não na Europa ou nos EUA, mas em alguns dos países mais pobres do mundo. E é por isso que são pobres.

    Quanto ao caso da China e de Singapura, acaba de ser publicado um livro que estou a ler e que vos aconselho: Freedom for Sale: How We Made Money and Lost Our Liberty, de John Kampfner. Nele se fala dos vários países em que o capitalismo convive muito bem com a ausência de democracia e de liberdade. Penso que escreverei um artigo de opinião sobre isso, dentro de algum tempo. Na verdade, coloquei o vídeo do Zizek porque ele parece estar a entrever o que realmente está a ocorrer na China — a refutação da ideia tola norte-americana de que uma economia de mercado acarreta democracia e liberdade; isto é falso. O que vale a pena pensar é no significado de isto ser falso e no que isso significa para os nossos ideais políticos.

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  9. Os consumidores não são os pobres de África ou da Europa (também os há, cada vez mais!) mas aqueles que têm poder de compra. Ora, o capitalista está interessado em que todos o tenham porque está interessado no lucro (não se trata de um juízo de valor)o que leva, por outro lado, a diminuir os custos de produção. Com a automatização e o uso generalizado das novas tecnologias, tal diminuição acarreta(tem acontecido, como sabe) a diminuição dos postos de trabalho e, nalguns casos, um menor respeito pelo ambiente (que deve constituir também uma preocupação social). Ora, não é de hoje que o capitalista olha os "carenciados" como clientes (lembre-se de Ford), mas como torná-los consumidores se não possuem meios de subsistência nem ele está disposto a assegurá-los? Subsídios do Estado (dir-se-á), quando é possível, mas, durante quanto tempo é sustentável?
    O surgimento progressivo de novos mercados (parece-me a mim, que não sou especialista nem talvez suficientemente inteligente para opinar nestas matérias) longe de ser uma preocupação de gente rica, afigura-se como a única solução teórica para o problema da sobrevivência de um modelo que depende do crescimento do consumo,o qual, por sua vez, supõe o crescimento do número de consumidores (a criação de novas necessidades, quiçá supérfluas, não me parece suficiente para sustentar o sistema).
    Só me preocupa a sobrevivência do modelo (e, também, regulado pelo Estado) na rigorosa medida da sua necessidade, entenda-se. Porém, é necessário começarmos a procurar alternativas.

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  11. Joana, mais consumo não implica mais consumidores. No dia em que todas as pessoas do planeta pudessem consumir como os europeus consomem, o crescimento económico seria possível à mesma porque as pessoas consomem mais coisas a cada ano que passa. Os europeus de hoje consomem muitíssimo mais do que consumiam as pessoas há 50 anos, da mesma classe económica. É esse consumo que dá emprego às pessoas e lhes dá dinheiro, porque esse consumo sustenta a venda de produtos e serviços que por sua vez dão emprego às pessoas.

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  12. Eu iria até mais longe do que o próprio Desidério. Na verdade, quase todos os dados (Clark, Madisson, Landes) apontam para uma melhoria sustentada dos níveis de vida onde quer que o capitalismo tenha ganho raízes.

    Só discordo da crítica à "ideia tola norte-americana de que uma economia de mercado acarreta democracia e liberdade". Há uma correlação impressionante entre liberdade económica e liberdade política. Singapura é a excepção mais óbvia. Quanto à China, é notável a evolução desde a década de 80.

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  13. As correlações podem ser enganadoras. Singapura não é a única “excepção.” O livro que indiquei é só sobre essas “excepções.” Mas falarei disto noutro artigo de opinião.

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  14. Parece-me que há por aqui alguma confusão sobre o que "ser marxista" significa. Se "ser marxista" é ser fiel ao pensamento de Karl Marx, nada do que aqui é dito é ajustado. Karl Marx não via nos capitalistas um "inimigo" no sentido em que estes não promoviam a riqueza dos pobres. Esta é uma espécie de preconceito associada a uma certa visibilidade social de comunistas que vestem roupa burguesa, segundo creio. Pelo contrário, Marx questionava radicalmente o modo de produção capitalista (incluindo meios de produção e relações de produção), designadamente a propriedade privada dos meios de produção. Por outro lado, devia ser bem conhecida a sua crítica à alienação do trabalhador no seu trabalho e ao fetichismo da mercadoria, incompatível com a ideia, aqui exposta algo tacitamente, de que os marxistas apenas lamentam não poderem consumir mais. Eu, que não sou marxista, fico espantado com semelhantes análises.

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  15. A questão maior é o egoismo que imopera no mundo. Sempre há alguém que vai querer mais do que o outro. Para tal se utiliza das suas "armas" e é exatamente elas que Marx coloca em seus textos. Ora o capitalista vai querer que o trabalhador, trabalhe mais horas por dia, aliás essa é a tônica do sistema - ganha mais quem trabalha mais. Porém, no caso dos assalariados quanto mais trabalha mais faz o patrão ficar rico (é a a mais-valia citada por Marx). Então é impossível o capitalista ser "amigo" dos marxistas, pois Marx desnuda a descaramento do capitalista em explorar o trabalhador. Em relação aos comunistas, existe muito mito e enganos. Os comunistas se declaram ou marxista-leninistas, marxistas-stanilistas, ou ainda maoistas, bastante complicado juntar todo mundo num único saco. Quanto ao jargão "capitalista-selvagem" ou "capitalismo-selvagem", não existe outra forma de capitalismo que a selvagem - olhemos a crise econômica atual para perceber que o desnível criado por este nefasto sistema pede seu próprio fim. O ecossistema do planeta não aguenta mais tanto desvairio para se obter lucro (ou mais-valia, como queiram). Não precisamos ouvir Bach ou ler Ttolstoi para perceber a falência do capitalismo, ou para ser comunista, convêm ter consciência e olhar para o próximo. O próprio Fidel Castro quando, com mais 11 companheiros, feziram a Revolução não tinham conhecimento das obras de Karl Marx, porém não queriam mais a tirania de um governo atrelado a "the american way of life". Portanto o maior aliado do Marxista é o povo, que morre de fome a cada esquina, do trabalhador (a) que é espoliada com um salário de miséria, o capitalista não é aliado, ele RI da miséria, RI do povo, é um egoista.

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  16. Desidério, mais consumo, se não implica, exige mais consumidores porque os que existem, mesmo consumindo mais, não são suficientes para garantir o crescimento. Daí a aposta das empresas na exportação e internacionalização, a necessidade de conquistar novos, e amplos, mercados (acompanhada ou não do hipotético desejo de acudir aos carenciados). Sem isso as empresas estagnam ou “regridem”. Claro que podem (e estão a fazê-lo) apostar na diversificação dos produtos, criar novos ou recriar antigos, mas, de novo, antevê-se um efeito de saturação, ao qual se junta a consciência dos efeitos ambientais desse comportamento, que, por si, começa a refrear alguns consumidores . A nossa suposta voracidade pelo consumo também não é de natureza determinista (surgem, aliás, diversas reacções contra o consumismo desenfreado) e não podemos obrigar as pessoas a consumirem para “salvar o sistema”. Relativamente à suas última afirmações (“É esse consumo que dá emprego às pessoas e lhes dá dinheiro, porque esse consumo sustenta a venda de produtos e serviços que por sua vez dão emprego às pessoas.”), naturalmente, já o tinha compreendido e por isso estou preocupada.

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  17. Toni Godoy,

    "Quanto ao jargão "capitalista-selvagem" ou "capitalismo-selvagem", não existe outra forma de capitalismo que a selvagem - olhemos a crise econômica atual para perceber que o desnível criado por este nefasto sistema pede seu próprio fim."

    Se o Toni não gosta do capitalismo, sugiro-lhe que emigre para a Coreia. Lá poderá apreciar o requinte de uma vida verdadeiramente comunitária (embora seja provavelmente a única coisa que vá conseguir apreciar).

    Pelo meio, sugiro-lhe que deite fora o computador que usa para comentar neste blogue, abandonando as últimas amarras que ainda mantém com o mundo capitalista. Olhe, se quiser até mo pode enviar. Eu não tenho problemas desse teor.

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  18. Marx tinha previsto o que Joana Freitas afirma sobre a necessidade de internacionalização dos capitalismos nacionais, em busca de novos mercados à medida que os seus mercados domésticos se saturavam. É bom lembrar. Podemos dizer que aquilo a que chamamos "globalização" económica é um processo de "nomadização dos capitais", como o nomeia Pierre Nöel-Giraud; isto é, um processo em que os capitalismos nacionais se internacionalizam, colocando os diferentes Estados em concorrência entre si pela captação de investimento capitalista e, assim, fazendo deslocar as políticas económicas do lado da oferta para o lado da procura. Este é apenas um dos aspectos pelos quais uma análise absolutamente simplista como aquela aqui veiculada e apenas pensada em função do consumo (ou de uma sua representação absolutamente simplista) não colhe: apenas como exemplo, a concorrência entre Estados pela captação de investimentos tende a fazer diminuir os níveis de riqueza material de populações de muitos Países, à medida que eleva os níveis das de outros. Não há necessariamente soma positiva. Era interessante também que as reflexões aqui avançadas se pronunciassem sobre o estatuto do trabalho e sobre a existência de camadas crescentes de "supérfluos" ou "supranumerários" que, com a maquinização e automação do trabalho, deixam de ser necessários à produção económica capitalista. Digo "era interessante" apenas para significar a diferença que pode ir entre análises apressadas e análises sustentadas: será possível discutir a relação entre capital e trabalho como uma relação entre capital e consumo???

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  19. Um erro no meu comentário anterior: as políticas económicas (a partir dos anos 80) deslocam-se do lado da procura para o lado da oferta e não o contrário, como escrevi por lapso. Já agora, muitos nomeiam este processo como a ascensão no neoliberalismo, termo que me parece demasiado carregado de conotações ideológicas.

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  20. Ao numeroprimo!

    Eu imaginei que este "blogue" fosse para discussões de alto nível, mas com a sua resposta devo pensar o contrário. É uma pena. Gostei do bloge e das informações nele contida. Be, quanto a emigração preferirias ir para Cuba, porém como sou Brasileiro fico em meu País na luta de cad dia por um salári indigno da minha profissão e batalhando politicamenmte (sou filiado ao PC do B) para que meu País seja mais justo. Não fico entrando ou discutindo falácias em blogue algum. Foi realmente uma perda de tempo aqui estar. No mais não é por ter um computador ou "viajar na WWW" que deixo de ser comunista ou me tornar capitalista. A roupa definitivamente não faz o Homem, mas suas atitudes... FUI!!!!!

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  21. Quem está interessado em melhores condições de vida deve pensar no seguinte: em que países os trabalhadores têm melhores condições de vida? E a resposta é: os países que há muito tempo adoptaram uma economia de mercado. Outra pergunta: mas então por que razão países que têm uma economia de mercado, como o Brasil, não conseguem dar aos trabalhadores o mesmo nível de vida que a Finlândia, por exemplo? Resposta: porque nesses países não há regras claras que premeiem a criação de riqueza e a eficiência profissional, imperando pelo contrário a corrupção e os esquemas alternativos.

    E vale a pena também pensar no que seria o mundo sem as economias de mercado. E não é preciso ir muito longe. As economias soviética, cubana, da Coreia do Norte e chinesa são ou eram até há pouco tempo economias comunistas. Por que razão nunca nestas economias os trabalhadores viveram tão bem como em países que têm economias de mercado eficientes?

    E pense-se também noutra coisa: por que razão é nos países onde impera o capitalismo selvagem, mas não uma economia de mercado eficiente, que há mais trabalhadores comunistas? Resposta: porque têm esperança que a economia comunista lhes dê melhores condições de vida; mal descobrem que o que lhes dá melhores condições de vida é a economia de mercado, abandonam o comunismo.

    A minha conclusão é a seguinte. Quem estiver genuinamente interessado em melhorar a vida dos trabalhadores deve pelo menos pensar cuidadosamente se a economia comunista será a melhor via, em vez de aceitar cegamente um discurso filosófico que, como tudo o que seres humanos fazem, pode estar errado.

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  22. Toni,

    A situação que apontei não é tão ridícula como aponta. Se o Toni se queixa do seu salário miserável, do capitalismo e do patronato, por que razão não se muda para um lugar onde não teria de aturar nada disso?

    Note que é isso que milhões de milhões de pessoas fazem todos os anos. Veja a quantidade de emigrantes que os EUA, Inglaterra e Suíça acolhem, por exemplo.

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  23. Desidério,

    O que é que entende exactamente por "capitalismo selvagem"? Pela definição que dá, e pelos exemplos que aponta, a ideia com fico é que está a pensar nalguns regimes africanos onde mal se conseguem encontrar direitos de propriedade.

    Mas isso não é capitalismo - nem selvagem nem coisa nenhuma. Se há alguma condição essencial ao capitalismo, é exactamente a clara delimitação dos direitos de propriedade privada. Só pode haver mercado se a posse não for incerta ao ponto de inviabilizar a troca de mercadorias, a especialização do trabalho e a segmentação de funções.

    Em relação ao Brasil, permita-me avançar outra teoria para explicar o porquê de não conseguir dar as mesmas condições que a Finlândia dá aos seus trabalhadores: não dá as mesmas condições porque a economia de mercado é uma realidade no Brasil muito mais recente do que na Finlândia, onde já tem alguns séculos.

    Para atingir a Finlândia, o Brasil terá de manter uma economia de mercado durante um período muito mais longo, de forma a acumular o capital que a Finlândia acumulou e formar a força de trabalho como a Finlândia formou.

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  24. Caro onumeroprimo, estou totalmente de acordo com a restrição que faz. É importante conservar o rigor conceptual nesta análise. Aliás, para ser rigoroso, mesmo "economia de mercado" e "capitalismo" estão longe de ser sinónimos. Sabêmo-lo, pelo menos, desde Fernand Braudel.

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  25. O cidadão “anônimo” tem razão, o capitalista fez o milagre da duplicação dos pobres: explora uns como trabalhadores mal remunerados, e outros vendendo-lhe o que eles querem e não precisam e continuando a negar-lhe o que lhe falta, o tal “futuro brilhante, em que toda a gente participaria dos destinos da sociedade, de igual para igual”, que tanto desejam no sonho marxista.
    Mas afinal o que os trabalhadores querem mesmo é o que o capitalista tem para vender? As casas com piscina, os carros topo de gama, os LCD? (Atenção: os plasmas já eram.) É!
    Querem ler Tolstoi ao pequeno-almoço, discutir soluções políticas para os problemas ensombram a vida pública à tardinha e assistir a um concerto de Bach ao serão? Não.
    Ou melhor, não todos. Só para aí 1%. O que significa que o marxismo errou apenas na previsão quantitativa.
    Já alguém tinha aconselhado: “Deixem a política para os políticos.” E nós continuamos a obedecer à voz do pastor.
    Mas ó “anônimo”, você cheira a ad hominem por todos os lados, cara! Não sejas assim que perdes a razão, pá! Sim, porque o “si mancó” já perdeste! ( não sei como isto se escreve, nem antes nem depois do acordo ortográfico).

    Saudações de mais um

    Anónimo

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  26. Caro Anónimo II, Se cheiro a "ad hominem", deve com certeza tratar-se de fenómeno alucinatório. Atribui-me sem dúvida intenções e propensões que desconheço. Se coisa houve que resolvi por aqui fazer, foi introduzir alguns obstáculos à realização mais apressada de análises sobre um autor com a envergadura de Marx. Note bem: não sou marxista. Bem pelo contrário, defendo uma sociedade aberta (Cfr. Karl Popper). Não obstante, não me agrada o primarismo analítico e parece-me que o conhecimento da obra de Marx que por aqui foi sendo exposto não é sempre dos melhores. No seu caso, direi que ainda é um pouco menos bom. Argumentar sobre a obra de Marx talvez implique conhecê-la e não dizer meia dúzia de banalidades sobre coisa nenhuma. Gostaria de saber o que tem a leitura de Tolstoi que ver com uma discussão económica, filosófica ou política do Capital. Quando situar a argumentação no devido lugar, vai perceber quem está a fazer argumentação "ad hominem". Até lá, eu vou continuar a ler, que é mais produtivo. Respondo-lhe apenas com intuito pedagógico.

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  27. Já agora (sou o Anónimo I), não queria deixar de felicitar o autor do post, na medida em que o mesmo foi capaz de suscitar o debate. Independentemente das posições que nele possam ser assumidas, já constitui, em si, algo de muito positivo.

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  28. muito bom isso me ensinou uma coisa nova para fazer p a escola e a vida muibueno

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  29. Quem disse que o capitalismo necessita constantemente de novos mercados para existir? O livre mercado cresce se houver demanda e diminui quando ela diminuir, ele se auto-regula. Deixado livre das interferências governamentais, que causam crises desde o início do capitalismo, o mercado tende a crescer e incluir cada vez mais pessoas. Os recursos não são extintos, pois de acordo com as leis do mercado, se tornam mais caros quando mais raros, levando os empreendedores a buscar outras alternativas.

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  30. "O cidadão “anônimo” tem razão, o capitalista fez o milagre da duplicação dos pobres"

    A frase acima é incrivelmente falsa e mentirosa.
    Os fatos provam:
    1- Qual a proporção de pobres/população existente antes do aparecimento do capitalismo e como ela está agora?
    2- Como era a vida de um pobre antes da revolução industrial e como é a vida de um pobre hoje?

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  31. Nossa. Não sabia que a mesma pessoa que escreve tantas coisas interessantes de filosofia poderia escrever um texto desses. Por sinal, a caracterização do capitalismo como um sistema de mercado não capta sua principal natureza: ser um sistema de dominação. Um sistema que é o avesso da democracia no ambiente de trabalho. Uns mandam (patrões) e outros obedecem (trabalhadores); uns pensam (patrões) e outros executam (trabalhadores). É uma hierarquia tão rígida que se aproxima muito mais de um sistema autoritário do que democrático. Aceitar o capitalismo é aceitar a submissão; aceitar que deva haver na sociedade pessoas que tomam as decisões independentemente do que pensam aqueles que as executam.

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