30 de janeiro de 2010

Política contemporânea

Como funciona a democracia contemporânea? O seu fundamento é, supostamente, a ideia de que a discussão directa de ideias permitirá às melhores ideias, aquelas que favorecem um maior número de pessoas, ganhar o voto da maior parte das pessoas. Mas o que se verifica é que isso não acontece: o político desonesto e mentiroso mas que parece mesmo ser honesto e do povo, sem argumentos complicados nem contas e estatísticas difíceis, obtém rapidamente a preferência das populações, mesmo que as prejudique profundamente, beneficiando apenas alguns. A BBC tem aqui uma breve discussão iluminante do tema. O que pensa o leitor?

7 comentários:

  1. O texto do Orwell anteriormente publicado, se viesse a seguir, seria um comentário perfeito.
    As escolas dizem-nos que a matemática é saber fazer contas, a física é saber aplicar as fórmulas, a filosofia é conhecer os grandes textos de cor, e por aí fora.
    Mas o estranho não é isso. O estranho é o facto de isso ainda nos surpreender.
    Quando vivemos numa sociedade hierarquizada, competitiva, que valoriza mais os resultados que os processos,
    Quando É assim porque eu sou teu pai e eu é que mando; e É assim porque eu sou teu professor e eu é que sei...
    Criamos inteligências dormentes, cuja única fonte de iluminação é a TV e depois esperamos (esperamos mesmo?) ser capazes de um pensamento analítico critíco, para o qual nunca fomos verdadeiramente preparados, para poder decidir em consciência, e civicamente, de preferência, o que é melhor para nós e para o país.
    Ninguém está à vontade em zonas de desconforto, embora haja quem saiba preparar-se. Para a maioria de nós, a verdade é que as situações desconfortáveis deixam-nos, ... desconfortáveis. E termos de dar opiniões sobre temas para os quais não nos preparámos (e o facto de reforçarem constantemente a importância das ditas, já agora)coloca-nos outra vez na situação do aluno que não prestou atenção nas aulas e agora tem de ir fazer exame, não é? Lembram-se de como se sentiam?
    Pois bem, estamos nervosos porque não conhecemos bem a situação. Temos medo, porque de todos os lados nos dizem que isto é tão importante e que é a maior crise das úlitmas décadas, e o maior défice dos últimos anos e as maiores catástrofes dos últimos séculos...
    Em quem vamos acreditar e votar? No fulano que, ao contrário da maioria de entre nós, tentou não se deixar abalar, pensou as coisas até arranjar uma solução credível e nos vem apresentar o plano com factos e justificações, ou o tipo que vem com uma daquelas histórias tipo papá em noite de pesadelo, com voz calma e confiante (no mais das vezes, é esta a parte que treina, enquanto o outro se esfalfa em busca de uma solução), a dizer Está tudo bem, vai correr tudo bem! ?
    Será que podemos esperar morangos quando estamos a plantar batatas?
    Ensinando as pessoas a pensar em vez de as massacrarmos com o pensamento dos outros, talvez consigamos que a próxima grande mudança não seja o "vira o disco e toca o mesmo" do costume.

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  2. Começo o comentário com uma pergunta provocadora. Quando entramos num avião votamos entre os passageiros quem deve ser o piloto? Imaginemos que o fazíamos e que o piloto até se juntava e tal como mais dois ou três faziam campanha eleitoral. Se nenhum de nós soubesse quem realmente era o piloto qual seria a hipótese do verdadeiro piloto ganhar a eleição? Significa então que penso que a Democracia não funciona? Não. Significa apenas que se dermos à nossa escolha uma atenção menor a que daríamos na situação inicial que descrevi a solução colectiva que encontramos só pode ter qualidade por mera sorte ... e infelizmente é isso que acontece. Porque se nos déssemos ao trabalho de pensar de investigar o discurso populista, simplista para o espectáculo não passaria disso mesmo ...

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  3. Ou seja: se as pessoas fossem perfeitas, a democracia seria uma maravilha de regime político. Mas, ironicamente, se fossem perfeitas não precisaríamos de democracia. Então, em que ficamos?

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  4. Um pouco à Popper, o melhor sistema será aquele que impede o maior número de disparates dos que detêm o poder. A escolha de bons governantes acaba por ser um acidente de percurso. O melhor sistema será aquele que depende o menos possível da qualidade dos dirigentes, porque estes serão sempre falíveis e não há métodos perfeitos de escolha. Quanto melhor um sistema impedir os dirigentes de implementar uma «grande visão», mais pacífico e estável será. Se este sistema contiver em si a possibilidade de os cidadãos procurarem a sua prosperidade em liberdade, estamos bem. Assim, penso que as democracias actuais acabam por não ser tão imperfeitas assim: funcionam como travões à «qualidade» e às ideias «perfeitas» dos grandes estadistas. Os grandes líderes são causa ou consequência de tempos de guerra ou grandes mudanças. Em tempo de paz e prosperidade, termos «grandes estadistas» pode ser perigoso: vão querer fazer «grandes coisas».

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  5. Concordo contigo. Mesmo assim, repara que hoje em Portugal a grande dificuldade é impedir Sócrates de deixar a sua Grande Obra, o TGV, hipotecando o país sem que a generalidade das pessoas ganhe seja o que for com tal coisa. Mas é uma Ideia em Grande.

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  6. em tudo na vida e feito de conquista envolta de uma libertade de viver em qualquer lugar do mundo .

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