5 de janeiro de 2010

Russell sobre a religião



Não estou interessado no costumeiro debate de taberna que ocorre nos blogs sobre a existência de Deus, porque não há probidade intelectual nem de um nem do outro lado, em geral -- o debate é encarado como se fosse um jogo de futebol, para ver quem mete mais golos. Por isso não usem este excerto para trazer esse falso debate para este blog. Mas é interessante ver Russell a explicar por que razão é ateu.

5 comentários:

  1. Não me parece que o problema dos principais argumentos a favor da existência de deus seja o não serem logicamente válidos. Parece-me que o problema é assentarem em pressupostos problemáticos, que são tanto ou mais obscuros do que a conclusão a que se pretende chegar. Por exemplo, no caso do argumento do desígnio, pressupõe-se que a analogia entre o universo e um artefacto, como um relógio, se verifica. No argumento cosmológico faz-se pressuposições acerca de séries causais, cuja verdade não é clara.
    No argumento das experiências místicas, o problema não é a validade lógica do argumento que infere a existência de deus como justificação para a existência de experiências místicas, mas o da relevância epistémica dessas experiências.

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  2. Bom, mas isso é o problema de quase todos os argumentos filosóficos, Vítor. A validade é barata e é fácil apresentar argumentos válidos. O problema é sempre a cogência. Os argumentos filosóficos têm tendência a falhar na cogência, têm tendência a ser epistemicamente circulares.

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  3. Claro. Precisely my point. Fiz este comentário porque o Russell começa por afirmar que examinou os principais argumentos a favor a existência de Deus e estes não lhe pareciam logicamente válidos. Está nos primeiros segundos do vídeo.

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  4. Exacto. Russell teria razão, é claro, se todos os argumentos a favor da existência de deuses fossem fossem realmente inválidos porque quando um argumento é inválido é irrelevante -- não nos dá qualquer razão para aceitar a conclusão, pois podemos aceitar as premissas e rejeitar a conclusão.

    É curioso como se diz por vezes que não há progresso em filosofia. Sabe-se hoje muito mais sobre os argumentos a favor da existência de Deus do que se sabia nos anos 50 do séc. XX.

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  5. Novo link para o vídeo: http://youtu.be/HQJ3sqkdCRE

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