2 de janeiro de 2010

Zizek sobre a política contemporânea



Fiquei bem impressionado com o Slavoj Zizek (é preciso ver as três partes para se compreender bem). Sendo atacado por defender o comunismo estalinista, defende-se atacando o estalinismo. Isto pode parecer conversa fiada da parte dele, e em parte é, mas esconde outra coisa. O que ele quer dizer é que a democracia contemporânea, com o seu sistema económico, não é uma saída viável para quem, como os comunistas, sonhavam com um futuro brilhante, em que toda a gente participaria dos destinos da sociedade, de igual para igual. Ele tornou-se pessimista, por perceber que as pessoas não estão interessadas na vida pública, mas apenas na vida privada. Só que ele vê isso como um problema, sem compreender que isso é um problema para ele apenas, mas não para as pessoas em geral. A maior parte das pessoas não está interessada na vida pública. E qual é o problema disso? Quanto mais depressa nos adaptarmos a essa ideia, melhor. Pelo menos, deixaremos de falar no enfado da cidadania, da democracia participada, etc. O que as massas realmente querem é dinheiro para comprar duas casas, três automóveis, televisões de plasma e telemóveis caros. E têm todo o direito a isso. A democracia de mercado deu pela primeira vez na história da humanidade a possibilidade de a generalidade dos seres humanos fazerem o que realmente querem. E o que realmente querem não inclui o (para elas) enfado da vida pública.

32 comentários:

  1. O individualismo das sociedades pós-modernas não é, na verdade, um individualismo (no sentido epistemológico do termo), mas sim uma forma de alienação humana que é consequência directa da sociedade de consumo. O "homus consumeris" (de que fala, por exemplo, Lipovetsky)é um ser acrítico, escravo do prazer imediato e material, que renegou o pensamento e a participação pública na sua dimensão ética. Recusar essa dimensão social e pública do homem é negar-lhe a condição humana, a capacidade de agir e de influenciar o mundo. O ponto de partida para totalitarismos e oligarquias dominantes de massas, com as consequentes perdas de liberdades individuais.

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  2. Quando as pessoas não são o que as teorias dizem que deviam ser, então chama-se nomes feios às pessoas; é isso? Qual é o problema de as pessoas preferirem a vida privada, comprando coisas de que gostam e divertindo-se a fazer o que querem? Por que razão haveriam as pessoas de ser todas como os intelectuais gostariam que elas fossem?

    Que outro modelo de sociedade há? Um modelo em que as pessoas em vez de comprarem Madona compram Beethoven? Ou um modelo em que toda a gente é Beethoven? O que gostei do Zizek é que ele tem a coragem de dizer que não gosta da sociedade “capitalista” mas não é capaz sequer de conceber uma alternativa. O marxismo foi um sonho, que bateu de frente no facto singelo de a natureza humana não ser o que Marx pensava que era.

    Pergunta singela: se as pessoas não fossem o que são, como explicar que temos a sociedade que temos? Há uma conspiração dos capitalistas, que fazem as pessoas escolhas o que não querem? Isto é absurdo, porque um capitalista ganha dinheiro seja com o que for — Beethoven ou Madona, tanto faz. E nas livrarias você tanto encontra Orwell como tolices, mas a generalidade das pessoas prefere tolices — onde está aqui a conspiração?

    Não há conspiração alguma. Não há senão este facto: a liberdade é o soro da verdade. Deixe-se as pessoas escolher o que realmente preferem, e elas preferem telenovelas, futebol e cerveja, e não literatura, astronomia e filosofia.

    De modo que o totalitarismo não está associado ao consumismo, mas sim a quem chama nomes à livre expressão da natureza das pessoas, tendo por isso de as controlar cuidadosamente, para elas fazerem e pensarem o que eles querem que elas façam e pensem.

    Uma das coisas de que gostei no Zizek foi precisamente o facto de não fazer este tipo de discurso marxista muito batido, segundo o qual os capitalistas alienam as pessoas e é por isso que elas preferem Madona a Bach. Eu convido os intelectuais marxistas a sair dos seus confortos burgueses e a conviver de perto com as pessoas de que falam, para verem se estão a ser manipuladas por capitalistas ou se estão pura e simplesmente a exprimir as suas legítimas preferências.

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    1. Mas o mesmo coloca que estas pessoas "felizes" não estão tão felizes assim no mundo do consumo, existe um processo pós-traumático que necessita de mudança, urgente!

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  3. Uma interrupção da ligação à internet fez-me perder o pequeno comentário que tinha escrito. Desculpem-me por uma versão ainda mais curta, isto é, resumida à proposta final do abortado texto.
    Parece-me indispensável que o rigor da démarche analítica proceda ao seu trabalho de decomposição; duas questões, desde já, poderão fazer objecto de uma primeira distinção: a da mais do que legítima expectativa e até do desejo – respondendo a necessidades cognitivas e emocionais segundo a medida de cada um – da expressão do ponto de vista dos 'intelectuais marxistas ' sobre a relação – reificável, naturalizável, essencializável ou não – entre capitalistas, manipulação e consumismo, e a da afirmação – que, na ausência de aprofundanento e fundamentação, abre as portas da falácia – da possibilidade ou da garantia de uma 'natureza' das pessoas. Em que sentido não-negligente se poderia falar de uma 'natureza' humana?
    Joaquim Luís Coimbra

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  4. Olá Desidério

    O que diz remete-nos para a distinção entre facto e valor. O que diz é um facto. As pessoas querem de facto essas coisas. Mas será que devem? Portanto, se alguns disserem que o que devia ser feito era isto e aquilo (e isso podem ser bons valores) não lhes devemos dar razão? Se nos restringirmos aos factos onde é que metemos os valores? Podemos então defender conceitos como ‘bom’ e ‘correcto’ como realidades efectivas na mudança de coisas mesmo que não sejam factos? Podemos encorajar os outros a tomar determinadas atitudes em vez de outras (duas casas, três automóveis, televisões de plasma e telemóveis caros)? Estaremos assim a defender um determinado tipo de imperativo?

    Se seguirmos um certo tipo de realismo moral, os valores fazem parte do mundo, de igual modo como faz parte a natureza das coisas (as pessoas serem como são). Então, os valores passam a ser factos naturais que devem ser identificados para depois encorajar os 80% de capitalistas a não serem como são mas a serem como devem ser, isto é, como os outros 20% de capitalistas (sem ganância, sem extorsão, sem servidão).

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  5. Caro F. Dias,

    A maioria das pessoas prefere aquelas coisas que os intelectuais consideram tolices fúteis precisamente porque essas são as coisas a que dão valor. Aqui não há, parece-me, espaço para distinguir facto e valor. Esses são os factos porque é assim que as pessoas querem viver, e este é tanto valor quanto me parece podermos encontrar nesta vida.

    Se houver, no entanto, alguma teoria que consiga convencer as pessoas que há por aí uns valores escondidos que elas estão a ignorar, força, mas não parece simples mostrar às pessoas que, no que diz respeito à generalidade das suas ocupações e gostos, devem querer coisas diferentes daquelas que de facto querem.

    Na minha opinião a servidão aqui parece-me ser a de muitos críticos a este estado de coisas. Muitos deles são apenas servos de teorias bonitas que para nada servem a não ser repetirem-se nas bocas de prosélitos dos iluminados. O povo, no entanto, faz aquilo que lhe apraz, para desgosto dos que gostariam que fizessem o que eles gostam.

    É muito fácil ter ideias sobre como as coisas deviam ser, díficl é mostrar por que não devem ser como de facto são.

    Ricardo Miguel

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  6. Podem as pessoas estar todas enganadas quando preferem maioritariamente Michael Jackson a Bach? Sim.

    Mas a questão é: têm esse direito, ou não?

    E a minha resposta é que o têm. E que os intelectuais que se dizem amigos dessas pessoas e preocupados com elas na verdade têm uma mentalidade totalitarista, pois querem controlar os seus gostos, querem fazê-las preferir Bach a Michael Jackson contra a vontade delas, por considerem que eles, intelectuais, é que têm razão. Eles são a elite que conduzirá as massas. E o que acontece quando as massas não se interessam de modo algum por esse discurso dos intelectuais? Inventa-se a teoria da conspiração, para acrescentar insulto à ofensa, dizendo-se agora não apenas que as pessoas estão todas enganadas quanto aos seus valores, mas que estão enganadas por causa de uns capitalistas malévolos.

    Dá vontade de responder, em nome das massas:

    “E já pensaste bem, ó intelectual marxista, de onde te vêm as tuas ideias? Serão realmente tuas, ou aprendeste apenas a repetir alguns simplismos económicos e políticos? E preferes tu realmente Bach a um BMW? Vejamos melhor a tua organização financeira, os teus gastos e os teus gostos…”

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  7. As pessoas tem direito à vida privada. Mas é a vida pública (feita por quem a faz) que permite uma melhor ou pior vida privada. Quem se fecha na vida privada esquece os benefícios da participação, seja ela qual for. Vivo isso na 1ª pessoa na associação de pais da escola na minha filha.
    Sobre o debate capitalismo/marxismo (se é que ele ainda existe) já nem falo.

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  8. Insisto:
    Parece-me indispensável que o rigor da démarche analítica proceda ao seu trabalho de decomposição; duas questões, desde já, poderão fazer objecto de uma primeira distinção: a da mais do que legítima expectativa e até do desejo – respondendo a necessidades cognitivas e emocionais segundo a medida de cada um – da expressão do ponto de vista dos 'intelectuais marxistas ' sobre a relação – reificável, naturalizável, essencializável ou não – entre capitalistas, manipulação e consumismo, e a da afirmação – que, na ausência de aprofundanento e fundamentação, abre as portas da falácia – da possibilidade ou da garantia de uma 'natureza' das pessoas. Em que sentido não-negligente se poderia falar de uma 'natureza' humana?
    Joaquim Luís Coimbra

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  9. Tem-se falado aqui de um certo utilitarismo ético, fundado na liberdade suprema das "massas" no que toca às suas escolhas e opções. Mas a questão que me parece ser nuclear é a de se saber até que ponto existem escolhas quando as pessoas gostam afinal (rectius, dizem gostar) do que lhes é oferecido (como numa imensa fast-cultura, pronta a consumir), ao invés de construirem as suas próprias escolhas, com recurso à atitude crítica, à reflexão - afinal, a uma certa inquietude na observação do mundo.
    Sabemos (e temos de partir desta premissa) que nenhum de nós se consegue libertar totalmente das influências externas e das heterodeterminações (mas a dimensão social do homem encerra na sua essência a perda de liberdade de acção e de pensamento). Mas acredito que quem aprecia Mozart e se entendia com Michael Jackson está mais apto - porque mais predisposto - a apreciar o belo, a distinguir o bem do mal e, consequentemente, a conduzir a sua própria vida (pública) com maior potencial de auto-determinação. Tenhamos presente que, na verdade, o capitalismo não é iedeologia - é a ausência dela, em todas as suas dimensões relevantes - económica, política, social. O capitalismo deixa cada um de nós à mercê de si mesmo e, ao mesmo tempo, de todos os outros: esta é a característica mais prodigiosa e, simultaneamente, mais inquietante das sociedades capitalistas.

    Rosário Coimbra

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  10. "... se entedia com Michael Jackson", é o que queria dizer.

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  11. Desidério, parto-me a rir com este Zizek. Ele diz tudo e o seu oposto. Atira com uma ideia e depois, perante as dificuldades que lhe são apontadas, não tem qualquer problema em criticar essa mesma ideia. Chega a ser patético.

    Afinal, por que raio é o Zizek comunista?

    Uma coisa que também salta à vista nesta conversa é que ela pura e simplesmente não seria possível na televisão ou até nos jornais portugueses. Onde já se viu um jornalista ou entrevistador português apontar contradições, levantar objecções e contraexemplos ao que afirma, exigir esclarecimentos, etc.? Aqui ele seria bajulado e o entrevistador estaria embevecido a acenar que sim com a cabeça.

    Li há tempos uma entrevista com o Zizek no Público, feita pelo Pedro Mexia, que até mete dó seguir: um entrevistador completamente a babado e acrítico por ver o Zezek babar-se para cima dele.

    Quanto a resto, adianto que não disponho de qualquer estudo empírico, mas estou farto de ver marxistas com televisão plasma, telemóvel xpto e casa de férias a criticar os coitados que poupam todos os tostões para comprar o telemóvel e o plasma igual ao deles.

    O capitalista que gosta de pobres não chega a ser capitalista; é antes estúpido.

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  12. Cara Rosário Coimbra,

    "Mas a questão que me parece ser nuclear é a de se saber até que ponto existem escolhas quando as pessoas gostam afinal (rectius, dizem gostar) do que lhes é oferecido (como numa imensa fast-cultura, pronta a consumir), ao invés de construirem as suas próprias escolhas, com recurso à atitude crítica, à reflexão - afinal, a uma certa inquietude na observação do mundo."

    Permita-me que discorde da sua opinião. Aquilo que lhes é oferecido, é no fundo, oferecido pois sabe-se à partida que as pessoas o consumirão. Há procura, logo há oferta. Tal como já foi aqui referido, tanto há de cultura como há de frivolidades. Havendo a liberdade de escolha entre as duas, as massas preferem as segundas. E tal como Desidério referiu no post, têm liberdade para tal.

    E deixe que lhe diga, se não fossem essas frivolidades adoradas pelas massas, provavelmente muitas obras culturais nunca poderiam ter sido financiadas e postas à disposição do seu público-alvo minoritário.

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  13. Caro Anónimo(*),

    Eu não distingui, se reparar bem, entre "cultura" e "frivolidades" - até porque, deixe-me que lhe diga, acredito que há momento e oportunidade para ambas (e ainda bem). Do que falo é de escolhas: o Desidério entende que as pessoas têm o direito de escolher, e eu questiono é se, sendo as pessoas titulares inequívocas desses direitos, estarão verdadeiramente a exercê-los ou se, inversamente, são hetero-conduzidas a essas opções.

    Quanto à sua perspectiva economicista da oferta e da procura, creio que nada esclarece, porque a questão coloca-se ainda assim na compreensão da escolha. Por outras palavras, trata-se de saber se o direito à escolha (convocando novamente a ideia do Desidério) é verdadeiramente exercido - ou não. Qual de nós, com honestidade, acredita que a maioria das pessoas não se sente compelida a comprar "apenas" as últimas publicações literárias, musicais, ou cinematográficas propostas (ou impostas) pelas editoras (em perfeita simbiose com as FNAC's)?

    Rosário Coimbra

    (*) Já que prefere assim...

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  14. Prezada Rosário,

    Se entendemos corretamente, seu argumento é o de que pessoas capazes de apreciar obras mais "eruditas" (como Bach, Beethoven, Mozart...) seriam mais aptas a "conduzir a sua própria vida (pública) com maior potencial de auto-determinação".

    Primeiramente, você se precipitou. Ao que parece, no seu post, o problema do belo do bem e do mal já está resolvido: como se tais conceitos fossem triviais e consensuais.

    Em segundo lugar, parece haver uma inconsistência entre as suas idéias. Pressupõe que as pessoas que têm gostos banais são mais ingênuas e propensas a tornarem-se vítimas de regimes totalitários. E, ao mesmo tempo, defende implicitamente que alguém que tenha uma "apreciação estética refinada" governe adequadamente a sociedade e leve os "ignorantes" a apreciarem um determinado padrão estético superior. Critica os regimes totalitários e ao mesmo tempo defende de uma forma impositiva um padrão cultural.

    Não seria isso totalitário da mesma forma? Qual o problema de um presidente gostar de Michael Jackson? Há alguma disfunção cognitiva nisso? Seria um sintoma de sua inépcia para governar? O que seria diferente se todos gostassem de Xenakis, Stockhousen, Ligeti, Penderecki, Schnittke? Haveria alguma mudança substancial? Cremos que não.

    Não era na Alemanha nazista onde as óperas de Wagner eram reverenciadas como símbolos nacionais? E na Itália fascista, onde qualquer barbeiro cantarolava óperas consagradas? Ao que nos parece, não há correlação alguma entre gosto estético e suscetibilidade de ser dominado.

    Filipe Martone
    Gustavo Cortes
    Lucas Grecco
    Lucas Miotto

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  15. Meus Caros Filpe, Gustavo, Lucas e Lucas,

    Creio que tresleram as minhas observações. Por várias razões:

    Não considerei resolvido o problema do belo, ou do bem e do mal. Falei apenas na busca do belo, assim como em distrinça entre o bem e o mal. Num caso como no outro trata-se de caminhos; ou de atitudes perante o mundo - individuais, nuns casos, universais (ou essenciais ao homem) noutros.

    Também não falei, em momento algum, de pessoas "ingénuas", como não falei em gostos banais ou sequer associei escolhas hetero-determinadas e banalidades (nunca usei sequer essa expressão). Vcs escolheram partir de um pré-juízo na interpretação das minhas observações: o de que a compreensão do mundo é estratificada entre seres iluminados e... os outros. E daí partiram para uma suposta imposição cultural dos que possuam uma "apreciação estética refinada" cuja apologia pretendem imputar-me.

    Se lerem atentamente tudo o que disse sobre o tema, a discussão que propus anda muito longe desses - perdoem-me - chavões "chomskianos": trata-se apenas de saber se todos (todos nós, note-se, e não, como referem e pretendem vcs, os mais "ingénuos"), do alto do nosso confortável life-style ocidental que tudo torna acessível, somos verdadeiramente livres nas nossas escolhas ou se, afinal, não andamos adormecidos em propostas alheias construídas em torno do paroxismo das (pseudo)liberdades. Esta pode ser a forma mais perfeita de autoritarismo (ou de totalitarismo): aquela em que a atitude crítica dos indivíduos é aniquilada. Não vos parece?

    Rosário Coimbra

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  16. Chego tarde à discussão, não vi o vídeo do "Russo" mas li com atenção os comentários, que me despertaram variadíssimas dúvidas, que gostava de partilhar com os comentadores e autor.
    1) Quando o Desi fala das "pessoas" está a falar de que pessoas? Nesta dúvida estou a ser muito (neo)clássico: Quantas pessoas? Em que mercados - desculpem, em que regiões ou países? Em que intervalos etários? Em que classes de rendimentos(a-Abaixo da média, b-média, c-acima da média, d-mais que o dobro da média)? Com que nível educacional (básico, médio, superior, pós graduado)?
    2) Quando a Rosa diz que o Capitalismo não tem Ideologia, fico sem saber de que Capitalismo está a falar. Concerteza não é do Capitalismo português, porque esse não existe. Morreu com as nacionalizações do PREC. Agora o capitalismo Internacional tem Ideologia: "Capitalismo é um sistema económico caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção e pela existência de mercados livres." - http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo - apesar de não ser nem a melhor nem a mais completa definição da ideologia capitalista, parece-me configurar muito bem a definição de Ideologia: "Qualquer sistema abrangente de crenças, categoria e maneiras de pensar que possa constituir o fundamento de projectos de acção política e social..." (Simon Blackburn, Dicionário de Filosofia, 1997, Gradiva, Lisboa).
    3) Quando o Anónimo diz que "...Aquilo que lhes é oferecido, é no fundo, oferecido pois sabe-se à partida que as pessoas o consumirão." Gostaria de ter a sua "bola de cristal" ou então de o convidar a ler as notícias mais pequenas das secções de economia (mesmo dos maus jornais), porque aí encontra referência aos milhares de produtos e serviços, que por ano são lançados nos diversos mercados, sem o necessários sucesso - i.e. sem vendas - para continuarem a ser produzidos. Portanto, como é que se sabe à partida?

    Concordo plenamente com o Aires de Almeida e com a sua reflexão sobre "o desejo de os marxistas terem plasmas e telemóveis último grito"! Aliás foi também isso que conduziu ao fim do comunismo... ou talvez não?!

    Feliz ano de 2010

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  17. Prezada Rosário,

    Creio que não respondeu à nossa objeção:

    1)“Mas acredito que quem aprecia Mozart e se entendia com Michael Jackson está mais apto - porque mais predisposto - a apreciar o belo, a distinguir o bem do mal e, consequentemente, a conduzir a sua própria vida (pública) com maior potencial de auto-determinação.”

    Quando você diz isso, defende a idéia de que gostar de Mozart é um sintoma de a pessoa ser mais predisposta a distinguir o bem do mal. Não diz coisa alguma sobre a busca do belo e da distinção entre bem e mal. Não vemos uma evidência de como um gosto estético afeta o “potencial de auto-determinação”.Além do mais, se tomarmos isso como verdade, como se explica os exemplos que demos no post anterior acerca da população alemã na época no Nazismo?

    2)“Vcs escolheram partir de um pré-juízo na interpretação das minhas observações: o de que a compreensão do mundo é estratificada entre seres iluminados e... os outros.”

    Se observar o que disse em (1), irá ver que você sugere uma compreensão estratificada entre os que, por alguma razão não mencionada, são “iluminados” e os “outros”. Ou a frase “quem aprecia Mozart e se entendia com Michael Jackson está mais apto - porque mais predisposto - a apreciar o belo” quer dizer algo diferente?

    3)“trata-se apenas de saber se todos (todos nós, note-se, e não, como referem e pretendem vcs, os mais "ingénuos"), do alto do nosso confortável life-style ocidental que tudo torna acessível, somos verdadeiramente livres nas nossas escolhas ou se, afinal, não andamos adormecidos em propostas alheias construídas em torno do paroxismo das (pseudo)liberdades.”

    Sim, concordamos que é um questionamento pertinente. Porém ele não foi alvo de nossa objeção. Nosso foco foi o que está dito, principalmente, em (1).

    Por fim, gostaríamos que nos esclarecesse o que quis dizer com “Num caso como no outro trata-se de caminhos; ou de atitudes perante o mundo - individuais, nuns casos, universais (ou essenciais ao homem) noutros.”

    Gratos.

    F.M.
    G.C.
    L.G.
    L.M.

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  18. Rosário, parece que defende a ideia comum, de que discordo, de que as escolhas das pessoas não são realmente livres porque elas foram endrominadas a consumir certas coisas em vez de outras. Mas como é que sabe disso? Alguém lhe disse? Que razões há para pensar que as pessoas são assim tão parvas que não compram o que realmente querem, mas o que os outros querem que elas queiram? Que razões tem para pensar isso? Sente isso em si? Quando vai à FNAC para comprar um livro de Russell sente-se depois compelida a comprar antes da Alexandra Solnado? Acha que isso acontece a alguém?

    Desculpe estar a fazer estas perguntas, mas é que me parece uma hipótese de tal modo implausível que eu gostaria mesmo de saber o que a faz pensar isso. Basta você trabalhar seis meses em qualquer ramo de venda de produtos ou serviços ao público para ver que, como disse aqui o Caria (e ele trabalha nisso e sabe disso) você não consegue sequer prever o que as pessoas vão consumir. Você tem três produtos, promove um deles, e depois é o que você não promoveu que se vendeu mais. Isto acontece sistematicamente. Não é isto um sintoma de que as pessoas não são assim tão parvas que se deixam manipular cegamente para consumir o que não querem?

    A mim parece-me que esta ideia resulta do seguinte — não necessariamente no seu caso, Rosário. Imagine-se que eu tenho pouca imaginação para conseguir conceber pessoas muito diferentes de mim. Eu vou à livraria, compro Russell. Outra pessoa ao meu lado, mais ou menos da minha idade e vestida mais ou menos como eu, compra a Alexandra Solnado. Se eu for muito falho de imaginação não consigo imaginar-me a comprar um livro de tão ilustre autora, pelo que invento a fantasia de que aquela pessoa foi manipulada para comprar uma coisa de que na verdade não gosta.

    Estarei a ver mal?

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  19. Rui: precisão e na mouche. Sim, é um dever participar na vida pública, porque sem isso a sociedade não funciona. Mas como sabes, as pessoas fogem disso a sete pés. Não é isso razão para se repensar esta doidice de querer à força que toda a gente participe? Isso parece-me uma razão para criar profissionais para tratar dessas coisas. É como as administrações de condomínios. O melhor a fazer é pagar a uma empresa que faça a administração e pronto. As pessoas não querem reuniões, decisões, chatices. Querem só a sua vida privada. E isso até é bom, precisamente porque significa que assim podem surgir várias empresas de profissionais para tratar dessas coisas públicas de que as pessoas não querem tratar.

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  20. Agora que já vi o vídeo, também estou impressionado e bem. Mas continuo com a dúvida sobre a que "pessoas" se referem (O Jijek e o Desi)?
    Não me parece nada que ele "defenda o estalinismo", se bem que a catadupa de ideias que o assaltam, não lhe tenha permitido definir como é que se assume como comunista não estalinista!
    No entanto, quanto ao diagnóstico que ele faz da contemporaneidade, parece-me absolutamente correcto! Tanto no que se refere aos países da de "democracia liberal" como aos "capitalistas" (que não são bem sinónimos), como relativamente ao "fenómeno chinês" do capitalismo sem democracia!
    Aqui, penso que peca por defeito, uma vez que os problemas são pobremente diagnosticados/caracterizados.
    Deixa de fora os mil milhões de camponeses que ainda vivem na idade média. Deixa de fora os costumes ainda bem fortes (nessas comunidades) de as famílias matarem ou venderem os recém nascidos do sexo feminino.
    Bem como deixa de fora outro "fenómeno" do crescimento económico capitalista que é a ostentação da riqueza, a busca de mais elementos culturais (nem que seja pela distinção que proporcionam) e o consequente aumento da procura pelo ensino e mesmo da criação da "Academia" onde ela não existe.

    Quanto às questões ambientais/ecológicas, parece-me que está absolutamente certo, mais uma vez no diagnóstico, mas incompleto quando diz que "se tem de inventar uma nova forma de governação"! Porque creio que ela já está a ser inventada/criada. Não através de um corte radical como nos habituou a história até meados do Séc. XX, mas através de mudanças incrementais, avanços e recuos políticos/sociais e económicos, de carácter associativo e ético. Parece-me que é esta a nova fórmula de "(r)evolução" que já é possível reconhecer.

    Vejam como ele tenta falar de algumas das coisas que também são diagnosticadas pelo Juan Henriquez aqui: http://www.ted.com/talks/view/id/463


    Quanto ao exemplo do Afeganistão há 40 anos atrás, ou não percebi o exemplo ou então ele falha mesmo o diagnóstico, porque não tem em conta:
    a) Que o estado era secular mas havia um Rei absoluto;
    b) Nessa altura não se reconhecia a ninguém o "direito de interferencia" com motivações éticas ou de imposição do respeito pelos "Direitos Humanos";
    c) A Europa Ocidental ainda não tinha o poder de compra e a "riqueza excessiva" que pudesse aplicar na compra de heroína e de haxixe como veio a ocorrer nas décadas de 70/80 e 90 do Séc. XX.
    d) Só depois do final da guerra do Vietname (1975) é que o mundo (principalmente a URSS) descobriu como se podia financiar a guerra regional com o dinheiro gerado no tráfico de Droga;
    ...

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  21. Caros Filipe "et al",
    Não queiram diminuir a discussão com extrapolações simplistas. Notem o seguinte: quando falei em apreciar Mozart e em tédio do M. Jackson exprimi apenas uma convicção pessoal, baseada na minha experiência pessoal. Não pretendi transformar um gosto - pessoal - em qualquer regra universal de conduta. Eu pugno exactamente pelo inverso: que todos tenham a possibilidade de fazer verdadeiras e livres escolhas, em vez de a elas serem induzidos. Que quem goste de Michael Jackson o faça porque pôde e quis escolher entre Jackson e Mozart ou entre Madonna e Chopin, e não porque chegou a Jackson ou a Madonna pela via do consumo imediato "prêt-a-porter".
    A associação da eventual maior aptidão a apreciar o belo e a distinguir o bem do mal a quem aprecia Mozart é, por isso, meramente simbólica: quis com isso traduzir apenas a ideia de que o gosto por Mozart implica um maior aprofundamento estético (na medida em que é estatisticamente bastante menos consumido do que Jackson ou Madonna) que eu associo a livre pensamento - e, consequentemente, a livre acção individual.
    Pretender associar este meu exemplo à exaltação de Wagner da Alemanha nazi será não apenas absurdo de descontextualizado como demonstrativo de alguma desatenção vossa na leitura do que escrevi.
    Da mesma forma – já repisando os argumentos - não defendo sociedades divididas entre iluminados e “os outros”. Defendo apenas igualdade de oportunidades. Defendo que todos possam pensar e escolher livremente. No contexto das causas públicas, quanto maior for a aptidão de cada cidadão para livremente (ou racionalmente) escolher ideologias, causas, desígnios e estratégias mais conscientemente escolherão os governantes – ou, mais importante, mais conscientemente os recusarão. A capacidade de regeneração de uma sociedade (e da classe política) mede-se pela atitude crítica dos seus cidadãos (no sentido mais nobre de cidadania) – e eu receio e suspeito que a maioria de nós tende a ser mais seguidista do que criativa; mais hedonista do que inquieta.
    Creio, desta vez, ter sido clara – incluindo na frase cujo esclarecimento pediram (caminhos são, na forma como neles falo, atitudes permanentes de busca e de compreensão do mundo – a velha ideia, no fundo, da permanente aprendizagem existencial; individuais, nuns casos, porque a diversidade da natureza humana é irrecusável, universais, noutros, porque há valores éticos unanimemente aceites – não há?).
    Gostaria bastante mais que, além de me questionarem, também explicassem como pensam sobre estes temas.
    Rosário Coimbra

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  22. Caro Desidério,

    Deixe-me inverter a sua pergunta: como tem você a certeza de que não é "endrominado" a pensar e a agir como age? Com certeza que já se apercebeu da profusão de meios de informação e propaganda que as organizações políticas, económicas, sociais, culturais têm ao seu dispor para "endrominar" os incautos - e também, usando a sua expressão, os "falhos de imaginação". O que proponho é apenas uma hipótese. Mas é uma hipótese - e uma dúvida, digamos, existencial -, que tenho como salutar.

    O consumismo acéfalo de que falo é muito mais abrangente e extenso do que meras vendas, Caro Desidério. É um consumismo facilitista, adormecido, embriagado com que nos oferecem de bandeja. Ensaiado, seguro. Elimina riscos e propicia conforto.

    Por isso propus, num comentário anterior, se esta aniquilação da actividade crítica e da cidadania não será, afinal, a forma mais perfeita de totalitarismo.

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  23. Entrei pela primeira vez no seu blog, li o título - Crítica - e, dando-me conta do conteúdo dos seus pots, só posso perguntar: onde está a crítica?

    Justificações e justificações. Sem crítica. Como vocês há muitos.

    Abraços.

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  24. Olá

    Eu, particularmente, penso que as questões que o Desidério apresenta se mostram polêmicas porque grande parte das pessoas que defendem a visão de mundo socialista, comunista, marxista ou qualquer perspectiva política supostamente de esquerda, o fazem de forma dogmática.
    O pensamento marxista possui uma série de pressupostos teórico-filósoficos que grande parte de seus defensores desconhecem. Esses pressupostos, por sua vez - segundo seus partidários - estão comprometidos com teses incontestáveis ou óbvias demais para serem postas em xeque e, por isso, ninguém em sã consciência deveria pô-las em dúvida. Mas isto é falso. Se a visão marxista fosse óbvia e inconstetável seria trivial e sem importância. Mas a visão marxista não é incontestável nem óbvia. E, por essa razão, as teses marxistas podem ser falsas ou implausíveis, seus argumentos podem ser incorretos, não cogentes.
    Ora, eu penso que o marxismo parte de uma concepção de natureza humana e, semelhante à doutrina cristã, tal natureza é impedida de se realizar em função de algum desvio não apenas de ordem prática e moral, mas de ordem econômico-política. Ora, a realização de boas potencialidades latentes, relacionadas às condições sociais, intelectuais e morais são coisas que desejamos profundamente. Além disso, podemos pensar que uma situação em que uma pessoa é impedida de realizar suas potencialidades é uma situação injusta. Uma vez que devemos ser justos, então tal situação não está em conformidade com um dever ou um valor que acreditamos. . Se julgamos que é injusto, estamos tendo uma postura avaliativa. Mas também podemos ter uma postura corretiva, isto é, uma postura em que não apenas avaliamos, mas fazemos algo para corrigir a situação ou para impedir situações injustas futuras (ação política). Ora, na perspectiva marxista, o sistema capitalista está comprometido com a injustiça e, assim, é um sistema que deve ser abolido ou corrigido. Contudo, o capitalismo determina vantagens a uma classe e esta, por sua vez, detêm o poder econômico e político. Visto que a classe, consciente ou inconscientemente, não está disposta a rejeitar as vantagens que lhes são atribuídas, ela mantém o seu status a partir de uma série de mecanismos de defesa e perpetuação, dentre os quais, a ideologia. E, mantendo o seu status, mantém-se a estrutura econômica e política e, consequentemente, as condições sociais injustas. A ideologia seria um mecanismo que determina preferências e comportamentos e, por conseguinte, as pessoas pensam que desejam x por que escolheram x, mas, conforme a narrativa marxista, não escolhemos x, mas apenas seguimos uma tendência condicionada por certa estrutura sócio-econômica que constrói instituições, crenças e preferências.

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  25. Há proximidades e afinidades entre psicanálise e a visão marxista. Penso que ambos estão comprometidos com a noção de inconsciente. Na psicanálise há uma estrutura psíquica inconsciente que determina nossos desejos, crenças e comportamentos. Um pintor, por exemplo, pode pensar e crer, conscientemente, que está produzindo uma obra de arte porque tem a intenção de fazer algo belo. Porém, inconscientemente, está "sublimando" um impulso sexual reprimido. Analogamente, na perspectiva marxista, há uma estrutura sócio-econômica que determina nossos desejos, crenças e comportamentos. Um trabalhador pode comprar, com muito custo, um computador para realizar algum tarefa que julga necessária, mas, inconscientemente, ele aderiu a uma trama capitalista. Ora, se o trabalhador trabalha na fábrica de computadores, então o dono do capital se apropriou do verdadeiro valor social do trabalho do trabalhador, o trabalhador se alienou de tal valor, isto é,o entregou, inconscientemente, ao dono do capital. Neste caso, o prejuízo do trabalhador faz parte do lucro do capitalista. Este desequilíbrio, segundo Marx, determina relação de dominação de uma classe sobre outra e, sobretudo, determinada uma situação injusta. Porém, através da ideologia, o trabalhador aceita que as coisas devem ser assim porque existe a crença de que as pessoas devem adquirir bens conforme o seu próprio esforço. Se a pessoa não se esforçou, então não adquiriu bens e, por isso, deverá permanecer em determinada condição social. Com base na ideologia, que funciona inconscientemente, o trabalhador é impedido de tomar consciência e se revoltar contra tal condição.
    Assim como psicanalista deve revelar o funcionamento do inconsciente e suas verdadeiras intenções ocultas, o marxista deve revelar as verdadeiras intenções de determinadas crenças e instituições.
    Considerando tais fatos, não é de se estranhar que, por exemplo, a escola de Frankfurt tenha desenvolvido uma crítica da sociedade que alia marxismo e psicanálise.
    Contudo, grande parte da perspectiva marxista pode ser posta em xeque. Penso que, atualmente, o marxismo deve renunciar ao discurso simplista e dogmático em favor de teses mais sofisticadas tanto do ponto de vista ético-político, como do ponto de vista econômico e filosófico. Filosoficamente, não podemos engoliar meras repetições vazias de conceitos e discursos - tal como faz Zizek, que, tendo a pretensão de ser crítico e filosófico, acaba se mostrando contraditório e dogmático, embora seu discurso seja sedutor para quem "tem fome e sede de justiça".

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  26. Linda discussão. Quando tiver que esclarecer algum ponto de filosofia técnica, não tenho dúvida, o nome certo é Desidério! Em se tratando de política... Ficou tudo esclarecido. O que é sempre bom.

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  27. O tal Habermas falava que as pessoas não discutiam política porque não havia um espaço público para isso, pois o fórum público estaria dominado pelas transações comerciais.
    Pois bem: hoje existem a internet e as redes sociais e as pessoas continuam a não se importar com a política. Com explicar isso? Nem adianta vir com papo de falsa consciência introjetada.

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  28. E também não adianta vir com o papo de que nossos desejos, gostos e consciência sejam moldados por uma ideologia dominante, pois isso gera um paradoxo igual ao do gênio maligno do Descartes. Se existe um gênio do mal que nos engana, então não poderíamos ao menos pensar nele, pois o gênio não permitiria que cogitássemos sua existência. Com a ideologia vale o mesmo. Se há uma ideologia que molda nossa mente, não poderíamos contestá-la (como muitos pensam que fazem), pois nossa mente seria determinada por essa ideologia, a qual não permitiria que nossa mente a contestasse.

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  29. A warner gastou muito mais com marketing sobre o filme do Lanterna Verde do que a Disney gastou com Vingadores. O primeiro foi um fracasso, o segundo a terceira melhor bilheteria da história.

    Super marketing não garante o sucesso de nada

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  30. Concordo que não há problema em as pessoas não terem interesse em participar dos destinos da sociedade (de igual para igual ou não). O problema é estas pessoas acabarem por participar dos destinos da sociedade para satisfazer unicamente os seus interesses.

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