23 de março de 2010

John Locke

A razão tem de ser o nosso juiz e guia último em tudo.

8 comentários:

  1. Uma pergunta: Todo Filósofo é Ateu?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não, por exemplo o Francis Bacon, ele era teísta.

      Eliminar
  2. Caro Hugo,
    De modo algum. S Tomás de Aquino ou S Agostinho foram filósofos e crentes. O mesmo acontece com filósofos contemporâneos, como Richard Swinburne, por exemplo.

    ResponderEliminar
  3. que tem o ateísmo a ver com a ideia de a razão ser o guia último em tudo? Só os ateus é que podem ser racionais? Um argumento a favor da existência de Deus é automaticamente irracional? Mesmo a decisão de suspender o juízo ou a decisão de acreditar numa proposição sem ter indícios (que tanto podem ser empíricos como a priori, p. ex., alguns filósofos afirmam que os três argumentos clássicos acerca da existência de Deus constituem, conjuntamente, indício a favor de pensar que Deus existe) fortes a favor dessa proposição é uma decisão racional, no sentido lato de que resulta da ponderação e avaliação de propostas rivais, de alternativas, de consequências, etc. No sentido estrito, essa decisão pode ou não ser racional consoante tende a levar o indivíduo a aceitar crenças falsas. Também neste sentido estrito dizemos que aceitar proposições sem ter indícios fortes de qualquer tipo a favor delas é irracional.

    Dito isto, que relação tão especial assim há entre isto e o ateísmo?

    Respondendo à pergunta: não, há muitos filósofos que não são ateus, mas isso continua a ser lateral à afirmação de Locke. Mas vamos aproveitar isto para uma pequena experiência mental, supunhamos:

    A: que todos os filósofos eram ateus?
    - o que se segue daqui, que é ilegítimo (ou "leviano" para quem é académico) defender o teísmo (a ideia de que Deus existe?) Não. Tal coisa não se seguiria. Mas decidir não acreditar no teísmo só porque, hipoteticamente, todos os filósofos eram ateus, continuava a ser uma decisão racional, na medida em que há aí um argumento implícito. Apenas seria uma decisão parva.

    B: Nenhum filósofo era ateu.
    - O que se segue daqui, que é ilegítimo ("leviano" para quem é académico) defender o ateísmo? Não, isso não se segue, pelas razões atrás referidas. E quem decidisse não ser ateu só porque muitos filósofos (e já agora, taxistas, passeadores de cães e cozinheiros italianos) defendem o teísmo, estaria a tomar uma decisão racional (porque baseada em inferências, etc) só que parva, porque em última análise não há boas razões a favor dessa decisão.

    Depois de tudo isto... que tem o ateísmo em particular a ver com a racionalidade, que qualquer outra questão não tenha?

    ResponderEliminar
  4. Isto é uma excelente oportunidade para falar numa diferença importante entre a filosofia e a ciência: enquanto na ciência é indício a favor da verdade da cosmologia x (embora não seja garantia absoluta) o facto de a maioria ou totalidade dos cientistas (hipoteticamente) defenderem a cosmologia x, já na filosofia, o facto (hipotético) de a maioria ou todos os filósofos defenderem uma certa teoria metafísica, epistemológica, estética, política, etc. NÃO É INDÍCIO a favor de que essa teoria é verdadeira. Isto tem a ver com a natureza da própria investigação filosófica e com a natureza das questões filosóficas. A este propósito, o texto do Desidério, publicado aqui há algum tempo na Crítica é bastante informativo: http://criticanarede.com/html/cienciaefilosofia.html

    ResponderEliminar
  5. John Locke era cristão! Só que há várias maneiras diferentes de ser cristão, como tudo na vida. Pode-se ser cristão com inteligência, como Locke, ou à toa, entre muitas outras extraordinárias variantes. E o mesmo se pode dizer do ateísmo.

    ResponderEliminar
  6. Aqui encontra-se o clássico de Locke intitulado "A Razoabilidade do Cristianismo" (em inglês).

    ResponderEliminar
  7. Com base no filósofo John Locke, fiz a minha Monografia como parte dos requisitos finais, para obtençâo do título de graduado em filosofia, pela UERN (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte).
    O tema da minha Monografia é: ''O Conhecimento da Existência de Deus em Locke''.
    Tomei por base para fundamentar o tema, mais precisamente o livro IV, capítulo 10, da obra Ensaio acerca do Entendimento Humano, de Locke.

    Pastor Walfredo Soares de Lima, da Assembléia de Deus em Itaú-RN.

    ResponderEliminar