9 de março de 2010

Kenny na Gradiva

A Gradiva acaba de anunciar a publicação em Abril, Junho, Setembro e Novembro dos quatro volumes da Nova História da Filosofia Ocidental, de Sir Anthony Kenny. Originalmente publicada na Oxford University Press, e com edição brasileira pela Loyola, trata-se da mais importante história da filosofia publicada nos últimos vinte anos pelo menos. Actualizada, rigorosa, de leitura agradável, é uma obra obrigatória para professores, estudantes e qualquer pessoa interessada na história da filosofia. E é bonita só de folhear graças à riqueza das ilustrações.

Uma das importantes inovações desta obra é que cada volume está dividido em duas partes. Na primeira, apresenta-se uma narrativa cronológica das ideias dos principais filósofos da época respectiva, integrando-os no seu contexto histórico, social, político e económico. Na segunda, Kenny aprofunda os problemas, teorias e argumentos discutidos na época, tema por tema: com capítulos dedicados à ética, Deus, ciência, metafísica, linguagem, etc.

Não se espere encontrar nesta obra o género de lugares-comuns infelizmente endémicos nas zonas mais carentes da cultura académica e popular: as tolices da caverna de Platão ou da água de Tales ou a suposta viagem transcontinental do “mito à razão” e outras caricaturas ridículas que transformam a filosofia em telenovela. Aqui, encontramos história filosófica da filosofia e não conversa de café disfarçada de erudição.

Sir Anthony Kenny (n. 1931) é um dos mais respeitados filósofos e historiadores da filosofia. Professor de Filosofia no Balliol College de Oxford, foi seu Presidente durante doze anos. Presidiu igualmente à Academia Britânica. Actualmente, é Presidente da Fundação Rhodes de Oxford. É autor, entre outras obras, de Action, Emotions and the Will (1963), Descartes (1968), The Five Ways (1969), Wittgenstein (1973), Will, Freedom and Power (1975), The Aristotelian Ethics (1978), Freewill and Responsibility (1978), Aristotle's Theory of the Will (1979), Aquinas (1980), Thomas More (1983), The Legacy of Wittgenstein (1984), The Logic of Deterrence (1985), The Metaphysics of Mind (1989), Aristotle on Perfect Life (1992), What is Faith? (1992), Aquinas on Mind (1993) e Frege (1995). Dele está publicada em Portugal uma excelente história da filosofia mais condensada, ideal para o ensino secundário: História Concisa da Filosofia Ocidental (Temas & Debates).

5 comentários:

  1. Depois que a Gradiva terminar a publicação dos quatro volumes, gostaria que vocês comparassem as duas versões (a portuguesa e a brasileira) e julgassem qual é a melhor. Outra hipótese seria apenas relacionar resumidamente os prós e contras de cada uma. Essas informações poderão ser úteis na hora de decidir qual versão comprar.

    Abraço,

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  2. É triste ver renomada filósofa brasileira a esposar essa "suposta viagem transcontinental do 'mito à razão' e outras caricaturas ridículas que transformam a filosofia em telenovela" em seu livro secundarista "Convite à Filosofia". Impressionante é ver que mesmo em ambiente acadêmico, a obra é muito bem acolhida por certos setores.

    Por sorte, pode-se contar em língua portuguesa com publicações como esta indicada no texto acima.

    Pergunto: que ressalvas existem quanto à edição brasileira da Loyola?

    Por fim, tenho gostado muito do material aqui publicado e aprendido bastante com a Crítica na Rede. Parabéns pelo ótimo trabalho.

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  3. Não conheço a edição brasileira; a tradução deve ser boa, teve pelo menos uma revisão científica de peso. Mas não a li, pelo que nada posso dizer. Só tenho a dar parabéns à Loyola, ao tradutor e ao revisor por a disponibilizarem no Brasil. Espero é que mais professores e alunos a estudem, para acabar com as caricaturas do costume. (A única coisa que reparei na edição brasileira, se não estou em erro, é que eliminou as imagens da edição original.)

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  4. Professor, muito obrigado pela atenção. Já há um certo tempo o senhor angaria minhas simpatia e admiração, a taxas crescentes a medida que vou lendo seus textos e tomando conhecimento de seu trabalho. Em língua portuguesa, não conheço nada semelhante a sua iniciativa. Intelectualmente, eu me sinto confortado e abrigado em suas publicações na rede.

    Um grande abraço.

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