9 de março de 2010

Uma Pequena História do Mundo

Ernst Gombrich é conhecido sobretudo como historiador da arte. Mas é um historiador da arte que revela um tipo de preocupações fora do comum entre os historiadores. O seu livro Arte e Ilusão aventura-se mesmo por domínios da psicologia e da filosofia da arte, onde consegue revelar uma solidez inesperada. A filosofia da arte de Goodman, por exemplo, foi notoriamente influenciada por Arte e Ilusão
Fiquei com bastante curiosidade quando, no Verão passado, me deparei numa livraria com um pequeno livro de bolso das Edições Tinta da China intitulado Uma Pequena História do Mundo, de Gombrich, destinado a jovens adolescentes. Decidi comprar. Bastou-me começar a ler o primeiro dos 40 curtos capítulos do livro para já não conseguir parar. 

Gombrich escreve de uma forma tão clara e acessível sobre a história do mundo (sim, começa antes  mesmo de haver pessoas) que faz lembrar Sagan acerca da ciência. Nesta história não nos deparamos com uma sucessão de factos e datas apresentados de forma dogmática. Pelo contrário, além de poupar o leitor a esse exercício, Gombrich explica como se chegou a saber o que refere e, em muitos casos, antecipa as dúvidas que o jovem leitor naturalmente poderia colocar, dando-lhe mesmo razão. E está lá tudo o que foi realmente importante, descrito de uma forma iluminante e informativa. 

Um dos melhores livros que li ultimamente, apesar de não ter sido escrito para adultos. Um livro fascinante.   

3 comentários:

  1. Também tenho esse livrinho. Aqui há uns anos dava na TV um noticiário para crianças, salvo erro com o nome de Caderno Diário. Habituei-me a ver as notícias pelo Caderno Diário. Desde alguns anos a esta parte habituei-me também a pesquisar bem os livros de ciência, história, filosofia, etc. escritos para crianças e adolescentes. Aprende-se muito com eles quando são bem escritos e com precisão nos conteúdos. Isto faz-me pensar muitas vezes o assassinato que fazemos ao ensino quando pensamos que os jovens são cognitivamente incapazes de aprender conteúdos rigorosos.

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  2. Foi o livro que mais vendi, quando trabalhei na feira do livro de Lisboa de 2006. Saía como pipocas à entrada do cinema. Muito bom. O "História da Arte" dele, que saiu mais ou menos na mesma altura com o Público também é uma leitura muito agradável.

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  3. Vitor,
    Já agora dizes uma coisa interessante e que muito me tem feito pensar sobre o nosso mercado dos livros. Dizes que foi o livro que mais vendeste. Com efeito fui ver a minha edição - que é a única creio - e é de somente 2000 exemplares. A editora tem de pagar o copyright + a tradução + distribuição e todo o processo de venda. Na melhor das hipóteses vai vender 1000 exemplares. Ora, isto dá que pensar.

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