14 de abril de 2010

Cícero

Não saber o que aconteceu antes do nosso próprio nascimento é ser sempre uma criança.

4 comentários:

  1. Talvez as crianças saibam mais do que aquilo que nós julgamos saber que elas sabem. Tanta guerra e mal no mundo provocados pelos adultos não abonam a favor dos mesmos, nem da sabedoria que supostamente possuem.

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  2. Desidério:
    Penso que as palavras de Cícero podem levar-nos a colocar a seguinte questão: conhecer os acontecimentos históricos ou das ideias dos que nos antecederam é ou não uma condição para compreendermos verdadeiramente os factos ou das ideias do presente?

    Julgo que Cícero pretende defender que esta condição é fundamental, pois de outro modo seremos como as crianças que - devido à fase do desenvolvimento cognitivo em que se encontram, onde existem, por exemplo, limitações ao nível da capacidade de abstracção - fazem, muitas vezes, interpretações ingénuas e simplistas e não conseguem compreender a complexidade dos factos ou das ideias envolvidas em determinadas situações.

    Admitindo que é assim, uma vez que muitas pessoas não desejam o saber a que Cícero se refere (porque exige esforço intelectual e não produz prazer imediato), então vivem na infantilidade por uma opção consciente e voluntária.

    Mas será que a ignorância em relação ao que se passou antes de nós pode revelar-se de algum modo positiva? Não creio.

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  4. 1 - Os factos ou se compreendem ou não se compreendem; não se compreendem verdadeiramente nem falsamente.

    2 - Os adultos também fazem muitas vezes interpretações ingénuas e simplistas acerca da cognição das crianças; a compreensão da complexidade dos factos ou das ideias envolvidas em determinadas situações, por parte dos adultos, é limitada pelas suas vivências passadas (e logo pelo menos por esse aspecto mais limitada do que nas crianças, embora nestas naturalmente mais limitada por outros), pelos seus hábitos (intelectuais ou outros), pelo esquema conceptual que construíram ou usam (e.g. hierarquia de valores morais), e pelo sistema de crenças (devido por exemplo à educação que tiveram).

    3 - E não são no entanto essas pessoas que vivem na infantilidade por opção consciente e voluntária que detêm o poder para iniciar guerras (e nem é claro que uma multidão mais educada - o que é a educação? - seja menos conivente na participação em situações injustas, menos conformada, do que uma multidão menos educada - de onde provém o sentido de justiça?)

    4 - É fácil imaginar casos em que a ignorância em relação ao que se passou antes de nós se pode revelar de muitos modos positiva.

    Penso que a questão fundamental é a seguinte: o que quer o autor dizer com "criança"?

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