28 de abril de 2010

Ciência e contradição pragmática

Uma tendência recente de alguns intelectuais públicos é uma certa histeria pró-ciência, geralmente associada a uma igual histeria anti-religião. Esta atitude foi rapidamente copiada por alguns defensores nacionais da ciência. E está profundamente errada.

O erro chama-se “contradição pragmática”. É o que acontece quando uma pessoa grita: “Não estou a gritar!”. É o que acontece quando o facto de se fazer algo contradiz o que se está a afirmar. No caso dos patriotas da ciência, para usar a expressão de Carlin Romano, a contradição resulta de o discurso montado contra a religião e em prol da ciência exibir todos os vícios de forma e conteúdo que eles mesmos dizem ver na religião e na superstição. Neste artigo, Carlin Romano explica o que há de errado com esta postura.

3 comentários:

  1. "Zombaria e ridicularização repousam numa falsa opinião e indicam uma imperfeição naquele que zomba e riculariza.
    [...]
    Elas indicam imperfeição naquele que zomba porque ou o que sofre zombaria é ridículo ou não é. Se não é, a zombaria mostra que ele tem má natureza, zombando de quem não merece ser zombado. Se é ridículo, então a zombaria mostra que ele reconhece naquele que sofre zombaria uma imperfeição, que ele deve melhorar com boas razões, não com zombaria." (B. Espinosa, Breve Tratado, II, xi)

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  2. A derrisão e o humor, convenhamos, nem sempre é a forma mais racional e dialógica de expender crenças e argumentos, mas não podemos subestimar o seu despretensioso valor crítico. Convenhamos, também, que a iliteracia científica de um certo obscurantismo/irracionalismo se prestam desgraçadamente à caricatura e ao risível (por exemplo, o de alguns literalistas bíblicos do “Bible Belt”, o das bizantinices da "Ciência Voodoo", ou o de alguns protagonistas do “Caso Sokal”, descritos com mestria no livro Higher Superstition: The Academic Left and Its Quarrels With Science , do biólogo Paul R. Gross e do matemático Norman Levitt), já que qualquer outro tipo de interacção intelectual está liminarmente votada ao fracasso, dado o dogmatismo contumaz das suas crenças e a sua inexpugnabilidade teórica e conceptual (também é disto que fala Popper, quando reflecte sobre a falsificabilidade como critério de demarcação entre ciência e não ciência).

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  3. A obra "Quebrando o encanto" de Daniel Dennett é um ataque respeitoso e sofisticado à religião, muito mais respeitoso e sofisticado do que os textos de Richard Dawkins sobre o assunto.
    Interessante a prova por casos que Alexandre encontrou na obra de Espinosa.

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