22 de abril de 2010

Sentido na vida

A Princeton University Press acaba de anunciar um novo livro de Susan Wolf sobre o sentido da vida. Trata-se de apenas dois ensaios sobre o tema, seguidos de comentários críticos de John Koethe, Robert M. Adams, Nomy Arpaly & Jonathan Haidt, precedidos por uma introdução de Stephen Macedo, que pode ser lida aqui. Na Crítica podemos ler de Susan Wolf os artigos "Os Sentidos das Vidas" e "O Sentido da Vida"; e no livro Viver para Quê? encontra-se o seu ensaio clássico, "Felicidade e Sentido: Dois Aspectos da Vida Boa".

2 comentários:

  1. Acabo de ler os 2 textos de Susam Wolf (SW). Sempre achei o O Sentido da Vida um tema bastante estéril, sobre o qual nada que não fosse trivial ou mesmo bobo pudesse ser dito. Já hoje discordo. Sobre os 2 textos de SW, tenho que o 1o. (O Sentido da Vida) apresenta bem o problema e menciona como ele é hj abordado, ainda que não aprofunde a questão (até pelo tamanho do ensaio). Mas acredito que no 2o. (Os Sentidos da Vida), ela - e quem fizer esse tipo de abordagem - comete um erro inescapável, a meu ver. Explico. No 1o. texto ela adota o que me parece ser uma meta-abordagem (o que seria O Sentido da Vida?), mas no 2o. ela adota uma abordagem aplicada (Qual é o Sentido da Vida?).
    O grande problema em abordar o sentido da vida desde um ponto de vista normativo ou aplicado está em que, em última (e talvez única) instância, somente o sujeito pode responder se a sua vida tem sentido. Se assim não for, estamos abrindo a possibilidade de que a vida do escravo tenha sentido. Ainda que isso não seja impossível, não há como honestamente assumir que, sendo um escravo, vc diria que sua vida tem (ou é plena) de sentido. O grande problema do argumento da 'obra positiva' é que, ainda que essa obra posse ser considerada como algo de valor, o sujeito que se propõe a isso deve estar convicto de que a sua percepção (ou mesmo sensação, termo que me parece mais adequado) de sentido está intimamente ligada ou mesmo que confunde-se com o valor da obra. Se houver uma ruptura entre essas duas percepções, surge a figura do escravo, pois por mais valor tenha algo que estja a fazer, aquilo não me gera uma sensação de valor. Nesse caso, estou fazendo por obrigação, e essa a típica condição do escravo. Analogamente, ainda que a vida do paspalho ou do rico fútil (e aqui ninguém melhor do que Paris Hilton) possam não ter valor objetivo (friso 'objetivo' aqui), eles podem perceber a si mesmos como vivendo uma vida plena de sentido.
    Acredito que o problema está justamente na identificação íntima, expressa na seguinte pergunta: sua vida tem sentido? Eu considero essa pergunta irrespondível. Ele tem o mesmo tipo de problema que a pergunta: como vc pensa? Não há como responder , pois para isso eu precisaria sair fora de mim mesmo e posicionar-me num patamar ultra-racional. Mas não há como expandir esse limite dessa forma, pois eu estaria usando o meu próprio pensamento para explicá-lo. O mesmo ocorre sobre a vida, ou sobre a minha vida. Eu não tenho como sair de mim mesmo para identificar se minha vida tem sentido, pois eu estarei fazendo isso tomando minha própria vida como referência. Não como erguer-se puxando-se pelos cabelos.

    []s,

    Roberto

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  2. Os novos links dos artigos:
    - http://criticanarede.com/sentidosdasvidas.html
    - http://criticanarede.com/met_sentidodavida.html

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