23 de maio de 2010

Literaturas e atitudes


Defendo algumas ideias talvez insensatas no artigo de opinião "Literatura, Aventura e Mentira", a propósito da literatura infantil e juvenil. E o que pensa o leitor?

7 comentários:

  1. Olá Desidério,
    Lembro-me que li apenas três livros da série cinco (se não me engano, ilha do tesouro, jóias roubadas e passagens secretas) na mesma idade em que li outros três livros de Júlio Dinis (as pupilas do senhor reitor, morgadinha dos canaviais e família inglesa), por volta dos 11/12 anos, mais coisa menos coisa. Sem dúvida que gostei mais de ter lido Enid Blyton, assim como a seguir o outro Júlio, o Jules Verne.

    Concordo, de um modo geral, com aquilo que o Desidério diz neste texto. A série dos cinco, assim como os livros de Jules Verne, foram importantes não só para a altura em que foram lidos, mas também para os tempos subsequentes, precisamente pelo espírito de aventura e de descoberta. Confesso que não sei se também foi importante ter lido Júlio Dinis, que na vida real era o médico Joaquim Guilherme Gomes Coelho. Só sei que quem me obrigou a ler o Júlio Dinis, foi quem me obrigou depois a ler os Maias, que gostei mais, embora não me tivesse deixado ler o Crime do Padre Amaro. Marguerite Yourcenar, tive o gosto de a ler muito mais tarde. Em todo o caso, não sei bem por que é que a literatura sobre angústias existenciais é ridícula, ou sobre relações sociais seja simiesca. Por exemplo, o Desidério acha que o Mito de Sisifo de Camus ou a Náusea de Sartre são ridículos; ou O Homem Sem Qualidades de Musil, ou a Montanha Mágica de Thomas Mann são simiescos?

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  3. O teu texto é muito interessante, Desidério. Mas do mesmo modo que, como sugeres, não se deve desprezar os livros de «mera» aventura, também julgo que repudiar todos os livros sobre, e.g., relações sociais simiescas não é muito sensato. A meu ver, o humor salva muitos desses livros. Assim de repente, dois dos meus preferidos: *Orgulho e Preconceito*, de Jane Austen, *A Fogueira das Vaidades*, de Tom Wolfe. E *Os Maias*, pá.

    Pedro Galvão

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  4. Obrigado pelos vossos comentários! Fui reler o texto, e verifiquei que não fui tão claro quanto o desejável; só com as vossas críticas me apercebi disso. Eu não penso que literatura que tenha como tema as tolices humanas do costume tenha de ser tola, ou desinteressante. Tolice é tolice, mas arte sobre tolice não tem de ser tolice. Eu mesmo dei dois exemplos: Os Maias é em grande parte sobre a vacuidade de uma certa sociedade privilegiada lisboeta do séc. XIX; As Memórias de Adriano é em grande parte sobre o mundo interior de um homem muitíssimo poderoso.

    O que penso é que tais temas são vistos por muitas pessoas como se tivessem importância superlativa, em detrimento de temas descentrados. Ou seja, parece-me que há um antropocentrismo indefensável em muitos literatos, como se só as realidades humanas (psicológicas ou sociais) fossem genuinamente interessantes. Parece-me que é desse ponto de vista que se ataca a literatura juvenil de aventuras, e isso parece-me insustentável. O que faz da literatura juvenil de aventuras boa ou má literatura é o modo como está escrita, e não o descentramento. O que faz da literatura corrente boa ou má literatura é o modo como está escrita, e não a centragem em temas sociais ou psicológicos.

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  5. Para gostar de livros de aventuras não é preciso zurzir noutros género de livros. Há bons livros de angústias existenciais e bons livros sobre relações sociais. Tal como há maus livros de aventuras. A qualidade não deriva do género.

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  6. O meu artigo não afirma nem implica nem sugere que a qualidade deriva do género. Na verdade, sugere o oposto, opondo-se à tese de que para ser literatura tem de ter por tema a interioridade ou a socialidade.

    O meu artigo não zurze noutros géneros literários; apenas zurze nos intelectuais pretensiosos.

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  7. O novo link do artigo: http://criticanarede.com/literaturaaventura.html

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