26 de maio de 2010

Mete a filosofia onde quiseres

Metafilosofia? O que é isso? É o que responde Luiz Helvécio Marques Segundo, em poucas palavras. Aqui.

12 comentários:

  1. Concordo com a visão de que a filosofia deve ser efectuada como uma actividade contemplativa. Mas estamos demasiado ligados às relações sociais e pressões implícitas e subconscientes inerentes que deixamos de o fazer - aí, argumentamos.

    A metafilosofia tem a importância que lhe atribuirmos.

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  2. Não existem muitos problemas filosóficos, se é que existem. Apenas questões, não problemas. A maior das quais é - o que é tudo isto [de que tenho consciência]? A dificuldade é responder a isso, mas os anteriores ajudam a pensar.

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  3. Está de parabéns, Luiz! O texto está claro, direto e uma delícia de ler.

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  4. Concordo com a visão de que a filosofia não deve ser efectuada como uma actividade contemplativa. Mas estamos demasiado ligados às relações sociais e pressões implícitas e subconscientes inerentes que deixamos de o fazer - aí, contemplamos porque dá estilo.

    A metafilosofia não tem a importância que lhe atribuirmos.

    Não existem muitas questões filosóficas, se é que existem. Apenas problemas, não questões. O maior dos quais é - o que é tudo isto [de que tenho consciência]? A dificuldade é responder a isso, mas os anteriores ajudam a respirar.

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  5. Errado, Desidério. Talvez argumentemos porque parece sofisticadamente inteligente? É óbvio que grandes filósofos, para referir um dos maiores de sempre - Platão - foram contemplativos. Sem contemplação, toda a argumentação é vácua - cérebros como caixas-chinesas.

    A metafilosofia tem de facto a importância que lhe atribuirmos - isto é, objectivamente, nenhuma.

    De facto existe apenas uma questão filosófica original (ou, melhor, originária), que é a referida e que surge quando "um homem se põe a pensar", quando penetra, contemplando, pela primeira vez, o mistério de tudo isto [de que tem consciência].

    A dificuldade é de facto responder a isso, mas os anteriores ajudam a que o seu pensamento (próprio) de facto respire, para que "não parta de onde Adão partiu".

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  6. Fm-Ra,
    Argumentamos porque é da natureza da filosofia argumentar. Ou será que consegues provar-me que não existem universais de modo contemplativo?
    Não se esqueça que a filosofia é também uma atividade social, feita por agentes cognitivos falíveis, onde a discussão de idéias (que por definição é argumentativa) é crucial para a avaliação de nossos pontos de vistas. Não somos oniscientes, e se fossemos não haveria filosofia. Mas se assim for, seria impossível eliminar a argumentação da filosofia feita por nós, meros mortais.
    Mas, vou conceder-te, por um minuto, que a filosofia deve ser feita de maneira contemplativa. Imagine agora que todas os filósofos só contemplam. Apesar de contemplar, ainda são falíveis, pelo que é de se esperar que nem todos cheguem ao mesmo resultado depois de contemplar o problem do universais. E agora, como resolver um impasse entre contemplações incompatíveis? Qaul delas alcançou a verdade? Quem contemplou de maneira certa? Eh, parece que temos de argumentar!

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  7. Depende de como se encara a filosofia, Luiz. Para algumas pessoas a filosofia é uma espécie de religião. A filosofia não é então vista como uma actividade primariamente cognitiva, mas antes primariamente contemplativa e existencial. Muitas pessoas encaram as artes precisamente da mesma maneira: como uma espécie de massagens emocionais e existenciais. Outras, encaram as artes de outra maneira. O que me parece inevitável é o seguinte: se queremos encarar a nossa maneira de ver a filosofia como digna de discussão metafilosófica, não há outra coisa a fazer a não ser argumentar, se formos epistemicamente probos. Mas, claro, a probidade epistémica não é um valor para quem não encara a filosofia como uma actividade primariamente cognitiva. De modo que qualquer discussão com quem tem uma concepção para-religiosa da filosofia é desavisada.

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  8. Errado, Ra. Talvez contemplemos porque parece sofisticadamente sensível? É óbvio que os grandes filósofos, para referir um dos mais altos de sempre — Platão, quase com dois metros — foram argumentativos. Sem argumentação, toda a contemplação é vácua — cérebros ligados aos intestinos.

    A metafilosofia não tem de facto a importância que lhe atribuirmos — isto é, objectivamente, é o que for independentemente do que pensarmos que é.

    De facto não existe apenas uma questão filosófica original (ou, melhor, originária), que é a referida e que surge quando "um homem se põe a pensar", quando penetra, contemplando, pela primeira vez, o mistério de tudo isto [de que tem consciência]. Isto porque quando um homem -- ou, já agora, uma mulher -- se põe a pensar, pensa várias coisas. E nem todas são filosóficas.

    A dificuldade é ter a posição de que os argumentos não contam e ao mesmo tempo querer defendê-la — porque neste caso o melhor é fazer silêncio. Pois ou essa posição se apresenta dogmaticamente e sem argumentos, e nesse caso não há qualquer diálogo; ou então argumenta-se para a defender, mas nesse caso refutamos a posição precisamente por estarmos a argumentar e não a contemplar.

    Além disso, o que é contemplar? Na concepção religiosa, é estar sintonizado com os deuses, para deles poder receber a iluminação divina. Mas podemos ter uma concepção mais chã, que significa apenas reflectir cuidadosamente. Acontece que reflectir é raciocinar. Podemos fazê-lo bem ou mal. E fazemo-lo mal se não consideramos possibilidades alternativas e a possibilidade de errar e nos iludirmos.

    Em suma, se estamos realmente interessados nas questões que estudamos ao invés de querer apenas dar reconfortantes massagens existenciais, temos de raciocinar com cuidado. E uma das melhores maneiras de o fazer é oferecer a outros seres humanos os nossos raciocínios, para eles nos ajudarem a ver o que poderá estar errado neles.

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  9. Gostei. Penso que é um texto muito interessante depois de termos visto a filosofia descer à rua em camisola de alças com um dístico circular no peito a dizer “cercada por idiotas”, e os que mandam nos académicos profissionais se terem lembrado de perguntar: “para que é que serve a filosofia?”
    Concordo com Desidério: é só quando um homem se põe a pensar que descobre as antinomias nebulosas da razão pura. Que a equação Nada = Nada é uma expressão sem sentido e irracional, mas que a igualdade 1=1 é uma expressão original e originária da verdade. Que o argumento ontológico de Anselmo é racionalmente imbatível mas que se sabe intuitivamente não funcionar.
    Quando a pergunta ainda estava a apanhar alguns filósofos de surpresa já os ortodoxos da ciência tinham dado xeque-mate. Propagaram a ideia de que para além de não haver progressos em filosofia, ainda por cima, em vez de contribuir para a solução dos problemas, colocava em cima dos problemas ainda mais problemas, ou, acrescentava ainda mais perplexidade à perplexidade. O progresso que havia era a dissolução de uma boa parte de filosofia em ciência.
    Acho que nada disto está correcto. A essência da filosofia é dar saltos no escuro sem mediação e sem rede para lado nenhum, dos quais vão emergindo (qual efeito Midas) os nós cegos desfeitos, que a mente vai dando ao longo do tempo. Como a mente humana está sempre a dar novos nós cegos ao longo do tempo, a filosofia tem sempre trabalho para fazer. O progresso da filosofia é ocultado pelo seu próprio sucesso.

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  10. Entre as questões colocadas pelo texto, a que me chama a atenção é da método, pois com o surgimento de mais subdisciplinas como filosofia da biologia fica a dúvida se devemos manter a análise conceitual ou ir a campo como os filósofos experimentais. Penso que se as questões filosóficas forem aquelas que a ciência não pode resolver, então de nada adianta adotar métodos semelhantes.

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  11. O novo link do artigo: http://criticanarede.com/metafilosofia.html

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