27 de maio de 2010

Mónica sobre Darwin

Maria Filomena Mónica recorda aqui Charles Darwin.

5 comentários:

  1. O texto é muito interessante, mas não escapa a um pequeno erro, que pode até ser um erro de linguagem: afirmar que somos descendentes dos chimpazés. Ironicamente, muitos criacionistas aproveitam-se desta ideia para refutar a teoria da evolução. Deve, por isso, ser do maior cuidado daqueles que acreditam na teoria da evolução não cair nessa armadilha.
    Claro que este detalhe não obsta à agradável leitura do texto de Filomena Mónica.

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  2. O que vou dizer não é propriamente um argumento, mas uma impressão. Atualmente, o darwinismo já não pode ser considerado simplesmente uma teoria científica ou um paradigma científico, mas uma espécie de ponto arquimediano para explicar uma ampla diversidade de fenômenos. Para muitos, o darwinismo pode explicar desde nossas relações interpessoais até as situações em que contamos piadas. Esta inflação do darwinismo, creio eu, deveria, filosoficamente, ser pensada e vista com suspeita: quando objeto começa a servir para tudo, é porque já perdeu a identidade.

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  3. É com prazer que partilho excertos da deliciosa prosa da primeira edição de “A Origem das Espécies por Meio de Selecção Natural, ou a Preservação das Variedades Favorecidas na Luta pela Vida” na excelente tradução de Vitor Guerreiro.

    «[…] Não nego que se pode levantar muitas objecções de peso contra a teoria da descendência com modificação por meio de selecção natural. Esforcei-me por apresentá-las na sua formulação mais robusta. Nada a princípio pode parecer mais difícil de acreditar que os órgãos e instintos mais complexos tenham sido aperfeiçoados, não por meios superiores, embora análogos, à razão humana, mas pela acumulação de inumeráveis pequenas variações, cada uma boa para o indivíduo que a possui.[…]
    Embora esteja plenamente convencido da verdade das perspectivas apresentadas neste volume sob a forma de um resumo, de modo nenhum espero convencer os naturalistas experientes cujas mentes estão cheias de uma multidão de factos encarados na totalidade, no decorrer de muitos anos, a partir de uma perspectiva directamente oposta à minha. É tão fácil esconder a nossa ignorância sob expressões como “plano de criação”, “unidade de concepção”, etc., e pensar que demos uma explicação quando apenas reafirmamos um facto.[…]
    Mas a principal causa da nossa indisposição natural para admitir que uma espécie deu origem a outra espécie distinta é sermos sempre lentos a admitir qualquer grande mudança da qual não observamos as etapas intermédias.[…]
    Quando as perspectivas adoptadas neste volume sobre a origem das espécies, ou quando perspectivas análogas forem geralmente admitidas, podemos levemente antever que haverá uma considerável revolução na história natural.[…]
    No futuro distante, vejo campos abertos a investigações muito mais importantes. A psicologia fundar-se-á sobre novos alicerces, os da aquisição necessária gradual de cada poder e capacidade mental. Far-se-á luz sobre a origem do homem e a sua história.[…]
    Abrir-se-á um campo de investigação vasto e quase inexplorado, sobre as causas e leis da variação, sobre a correlação de crescimento, sobre os efeitos do uso e do desuso, sobre a acção directa das condições externas, e por aí em diante.[…]»

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  4. A propósito da tradução de Vítor Guerreiro, reparo agora na expressão da última frase de Darwin transcrita no comentário anterior “e por aí em diante”. Deixo aqui a dúvida, bem como ao Vitor Guerreiro, se por acaso passar por aqui, se não ficaria melhor dizer “e por aí adiante”, ou “e por aí a diante”? Daqui “em diante” vai ter em conta a minha objecção? E o que acha o Desidério?

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  5. Este é o novo link do artigo: http://criticanarede.com/darwin.html

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