25 de julho de 2010

Se P, então o quê?

Acabo de publicar a recensão de Matheus Silva do livro If P, then Q: Conditionals and the Foundations of Reasoning, de David H. Sanford.

9 comentários:

  1. Mais uma excelente recensão do Matheus Silva, ele está de parabéns.

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  2. Matheus, eu estava acompanhando a tua discussão com o Lauro Edison (naquele post sobre a tua refutação do Kripke), e a discussão que se estabeleceu foi interessante. Pensei sobre o assunto e elaborei um argumento que acabo de postar no meu blog: http://gregorygaboardi.blogspot.com/
    Ficaria grato se você pudesse lê-lo.

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  3. Oi Gregory!

    eu só entrei na caixa de comentários agora. Eu não vou poder ler o texto hoje ou amanhã, pois tenho umas coisas pra resolver, mas assim que acabar com as tarefas aqui eu leio sim, com todo prazer! Só dei uma olhada e parece filosofia pura.

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  4. Obrigado, Matheus. É sempre muito útil e informativo ler as tuas excelentes recensões. Só agora consegui ler esta e há um parágrafo que me suscita duas dúvidas. Dizes:

    «Sanford também desfaz a confusão comum que é pensar que um argumento é inválido simplesmente por ser um exemplo de uma forma argumentativa inválida. Isto é um erro, pois : podemos facilmente formalizar um argumento válido, como um caso de modus ponens, utilizando apenas o cálculo proposicional e obtendo a forma argumentativa P, Q ⊢ R, ignorando a condicional presente em P. Neste caso, um argumento válido é um exemplo de uma forma argumentativa inválida.»

    Bom, o exemplo apresentado é algo surpreendente, pois parece ser algo batoteiro: consiste em optar por uma formalização do argumento claramente insatisfatória. Ora, adequadamente formalizado o argumento, obteríamos uma forma lógica claramente válida.

    Não digo isto com o intuito de mostrar que todos os argumentos válidos são exemplos de formas argumentativas válidas. Claro que há argumentos válidos que exemplificam formas argumentativas inválidas. Mas o exemplo dado é que me parece pouco esclarecedor. Um exemplo mais adequado seria: «O José é casado; logo, não é solteiro», cuja forma lógica é «P, logo, não Q».

    Ora, no caso de a minha objecção colher, descartando como inadequados exemplos como o que apresentas, então a tua afirmação de que «QUALQUER argumento válido pode ser um exemplo de uma forma argumentativa inválida» seria falsa. A afirmação verdadeira seria antes «HÁ argumentos válidos que exemplificam formas argumentativas inválidas». O que achas?

    Um segundo aspecto, no mesmo parágrafo. Escreves:

    «Assim, apesar de todos os exemplos de uma forma argumentativa válida serem argumentos válidos, mas nem todos os exemplos de uma forma argumentativa inválida são argumentos inválidos.»

    Creio que esta conjunção é falsa. Não por causa da segunda conjunta (que, agora sim, me parece verdadeira, dado que se trata aqui de uma particular e não de uma universal, como tinhas acima), mas porque a primeira conjunta é falsa: não é verdade que todos os exemplos de uma forma argumentativa válida sejam argumentos válidos. Qualquer petição de princípio ou falácia do falso dilema tem forma argumentativa válida, apesar de serem inválidos.

    Concordas?

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  5. Deixa-me responder ao que dizes no fim, Aires. Ao contrário do que afirmas, uma petição de princípio é um argumento válido. E até pode ser sólida. Só nunca é cogente.

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  6. Pois, Desidério, tens toda a razão. Obrigado pela correcção. Nem a petição de princípio nem o falso dilema são inválidos, claro. São falácias, mas são válidos. Fui inadvertidamente enganado pela velha história de que uma falácia é um argumento inválido que parece válido.

    Assim, não me ocorrem outros contra-exemplos ao que o Matheus afirma. Resta a primeira parte do meu comentário ao Matheus.

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  7. Oi Aires

    Obrigado pelos elogios!

    Quanto a tua objeção: formalizar um argumento válido com uma forma inválida pode ser insatisfatório, mas não é impossível. E se for possível, e a forma argumentativa neste caso for inválida, qualquer argumento válido pode ter uma forma inválida. Usando a lógica clássica podemos fazer isso – se temos ou não esse hábito maluco é uma outra história. O que parece gerar perplexidade neste e nos casos de argumentos trivialmente válidos que você mencionou, é que determinamos o que consideramos logicamente aceitável também por razões pragmáticas, mas as intuições nesse caso podem ser discordantes. A resposta do Desidério, por exemplo, é interessante, mas há outras: podemos insistir que uma petição de princípio é sim inválida se pensarmos que é tarefa do sistema formal evitar que esse gênero de argumento passe no teste da validade. Lógicos da relevância, por exemplo, não aceitam que argumentos com premissas contraditórias sejam trivialmente válidos, mas ruins – antes disso, são argumentos inválidos e ruins. Para eles, a noção de validade trivial é um embuste criado pelos lógicos clássicos que não faz justiça às nossas intuições de validade. Os mais conservadores, por outro lado, vão dizer que isso não gera problema algum, etc, etc. Esse mesmo conflito de intuições acontece muito quando o tema é a condicional material: a condicional material é aceitável, apesar dos seus aspectos contra-intuitivos, ou é um embuste?

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  8. Este é o novo link da recensão: http://criticanarede.com/ifpthenq.html

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