16 de agosto de 2010

Filosofia no NYT

O New York Times inaugurou um blog de filosofia, chamado The Stone. Destaque para o impressionante artigo de Tim Williamson sobre a imaginação. No meu artigo "Pensamento Selvagem" argumento que um valor que pelo menos alguma ficção tem é o alargamento cognitivo que possibilita. Faltou-me dizer que isso se faz por via da imaginação.

8 comentários:

  1. Desidério,
    Sobre "um valor que pelo menos alguma ficção tem é o alargamento cognitivo que possibilita", não há uma confusão entre a questão estética (acerca do valor da arte) e a questão epistêmica (acerca do conhecimento advindo da arte)? Uma coisa é o valor da arte e outra, seu potencial para algo. Alguém poderia concluir que a ficção somente é valiosa quando oferece algum tipo de conhecimento, e no entanto, isso parece não funcionar. É isso?

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  2. Defender que alguma arte tem um valor cognitivo não é defender 1) que esse é o único valor que tem nem 2) que toda a arte o tem.

    Mas não sei se entendi bem o que querias dizer.

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  3. Obrigado pela resposta. Talvez não tenha expressado bem o que eu queria dizer. Quando se fala sobre o "valor cognitivo da arte" ou sobre o "valor cognitivo da ficção" parece ser obrigatório ou necessário que a arte ofereça algum ganho cognitivo para ter valor. Aqui estaria a confusão entre o valor da arte e a possibilidade da arte oferecer conhecimento. Entretanto, como foi colocado, se 1) esse não é o único valor que a arte possa vir a ter e 2) nem que toda a arte o tenha, não seria mais correto falar sobre um "potencial cognitivo da arte", ou "caráter cognitivo da ficção" ao invés de "valor"?

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  4. Talvez um artigo do Desidério ainda mais próximo a este seja o que escreveu sobre a Especulação .

    Té,

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  5. Não entendo, José. Parece-me um mero jogo de palavras. Perguntar se a arte tem valor é perguntar exactamente o que a faz ter valor, dado que é óbvio que tem valor. Tem valor porque as pessoas valorizam a arte. Mas valorizam-na porquê? Porque dá prazer? Porque alarga o conhecimento? Porquê, exactamente?

    A arte pode ter diferentes valores. Se tiver valor cognitivo interessante, terá de ser por via das suas propriedades estéticas e não por via de outras coisas; isto porque uma representação pictórica de Dom Pedro I, por exemplo, tem o valor cognitivo óbvio de nos mostrar qual era a aparência dele, mas esse valor cognitivo não resulta das propriedades estéticas do quadro.

    Quando pensamos em narrativas ficcionais, estas parecem constituir, por via das suas propriedades estéticas, um exercício de imaginação muito profundo. Se a imaginação tiver valor cognitivo, como defende Williamson, então a ficção narrativa pode herdar esse valor cognitivo.

    Mas talvez eu não tenha entendido bem o que querias dizer.

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  6. Vale também a pena ler este artigo de Desidério: Imaginação .

    Té,

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  7. Senhor Professor

    Creio que o espaço de filosofia no NYT se intitula "The Stone"; o conjunto de secções em que está inserido é qeu se chama "The Opiniator" (http://opinionator.blogs.nytimes.com/category/the-stone/)

    José Afonso

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  8. Muito obrigado, Manuel! Tem toda a razão, o erro foi meu e já o corrigi.

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