4 de agosto de 2010

Randolph Mayes

Um espantalho espanta corvos porque a maioria dos corvos é estúpida o bastante para pensar que ele é um homem de verdade. Similarmente, um homem de palha lógico é uma interpretação imprecisa do que alguém tenha dito. Mas, assim como o espantalho, é similar o bastante à coisa verdadeira para que as pessoas ignorantes, desinformadas e desatentas não percebam. Assim, do mesmo modo que um dos mais espertos dos corvos pode ganhar a admiração de seus colegas ao apanhar com o bico os olhos de um espantalho, alguém que lida com interpretações de homens de palha pode parecer estar refutando o raciocínio de alguém, quando ele está na verdade apenas distorcendo-o. (Violations of the Principle of Charity: The Straw Man Fallacy)

6 comentários:

  1. Não conheço na íntegra o texto de onde este excerto foi retirado, mas parece-me que a descrição que apresenta da falácia do "boneco de palha" é bastante incompleta.

    O problema de um argumento que cometa a falácia do "boneco de palha" não está somente em atacar uma versão fraca do argumento contrário mas também (e esta ligeira nuance é muito importante) em fazer parecer o nosso próprio argumento mais forte do que realmente é,
    à custa de fazer parecer o argumento do oponente mais fraco do que realmente é.

    Ou seja, um argumento deste tipo aponta as fraquezas de outro argumento e usa essas fraquezas como razões para defender a sua conclusão. É aqui que reside a falácia do "boneco de palha."

    Não conheço o livro de onde esta citação foi retirada, mas conheço o "Principle of Charity" (costumo traduzir por "Princípio da Interpretação Caritativa"). A falácia de que fala o Mayes viola esse Princípio que nos diz que devemos procurar conhecer e tentar refutar as posições mais forte contra o nosso argumento, e não as mais fracas.

    Se repararmos bem, quer o "boneco de palha" quer o "falso dilema" violam esse Princípio da Interpretação Caritativa, no entanto fazem-no por vias diferentes. O "truque" utilizado pela falácia do "boneco de palha" é bastante parecido com o utilizado num "falso dilema", no sentido em que ambas apontam as conclusões inaceitáveis (ou absurdas) de um argumento oponente para daí inferir a conclusão diferente de um argumento que se defende. Por outras palavras, o que ambas as falácias têm em comum é que nos distraem dos pontos fracos do argumento que se defende fazendo-nos olhar para outro argumento que se pretende mais fraco.

    Já a diferença entre uma e outra está em que num "boneco de palha" existem argumentos mais fortes que o apresentado, enquanto num "falso dilema" existem conclusões alternativas às apresentadas.

    cumprimentos,

    Tomás Magalhães Carneiro

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  2. Oi Tomás

    só agora vi seu comentário. Você vai encontrar o texto fonte da citação nesse link: http://www.csus.edu/indiv/m/mayesgr/phl4/Because/StrawMan.htm

    Repare que o propósito da seção "Nota Bene" é conter citações que são esclarecedoras, provocativas ou representativas de pontos de vista influentes na filosofia. Reclamar da falta de rigor de um excerto ou citação é um tanto despropositado. Esta citação do Mayes, em particular, me chamou a atenção por representar por meio de uma analogia muito vivida o tipo de má fé e golpes baixos que as vezes ocorrem nas discussões filosóficas. É uma citação interessante, não um texto introdutório sobre a falácia do boneco de palha.

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  3. Olá Matheus,

    fiquei esclarecido. Devo ter por aí mais um ou dois comentários "despropositados" a citações da secção "nota bene" :)

    Mas repara, se um dos objectivos dessa secção é "provocar" não me parece pertinente criticar quem foi "provocado" pela falta de rigor da citação, ou por outro motivo qualquer.
    Devolvo-te, por isso, a "acusação" de despropositado ;)

    abraço,

    Tomás

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  4. Olá novamente Matheus.

    Obrigado pelo link para o texto completo.
    Depois de ler o texto de onde foi retirada a citação, estou mais avalisado para criticar a mesma.
    De facto o Mayes não dá uma explicação completa da "falácia do boneco de palha" que, como escrevi atrás não consiste "somente em atacar uma versão fraca do argumento contrário mas também (e esta ligeira nuance é muito importante) em fazer parecer o nosso próprio argumento mais forte do que realmente é,
    à custa de fazer parecer o argumento do oponente mais fraco do que realmente é."

    Espero ter contribuido para tornar mais rigorosa a explicação dada pelo Randolph Mayes.

    abraço,

    Tomás

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  5. Oi Tomás

    contribuiu sim, obrigado!

    Como eu disse antes, não estava particularmente interessado nos pormenores de lógica informal em causa, mas sim na analogia vívida que ele apresenta das pessoas que descaracterizam as posições que criticam.

    Um abraço

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