7 de outubro de 2010

Convite cordial


Escrever boas recensões é um excelente exercício para a nossa aprendizagem e um óptimo veículo para divulgar bons livros. O ritmo de boas publicações de filosofia, em Portugal e no Brasil, tem sido felizmente intenso, mas na Crítica pouco mais tem sido feito do que divulgar esses livros numa breve nota, quando seria muito melhor poder publicar também recensões desses mesmos livros. Estou assim a convidar todos os leitores a escrever recensões sobre os livros que temos divulgado neste blog, assim como outros livros de filosofia que considerem importantes.

Uma boa recensão descreve com rigor o conteúdo de cada um dos capítulos do livro, detendo-se ou não mais minuciosamente num deles ou num grupo deles. Além disso, uma recensão pode também incluir uma discussão pormenorizada de algumas das ideias do livro, mas não está obrigada a fazê-lo.

Eis dois bons modelos de recensões recentes: If P, Then Q e Philosophy of Law.

Repito então o convite a todos os leitores para que submetam recensões, não apenas de livros de filosofia, apesar de essa ser a nossa principal área, mas também de divulgação científica, que na Crítica sempre teve um lugar de destaque, ao contrário da imprensa tradicional.

6 comentários:

  1. A publicação de recensões já é prática comum não só nos principais periódicos internacionais de filosofia como também nas melhores revistas de divulgação.

    Elas aumentam a circulação de idéias, divulgam os livros e muitas vezes contribuem para a literatura da área: algumas das principais críticas à teoria de autores como Sanford, por exemplo, são apresentadas em recensões e não em artigos.

    É um sinal de atraso intelectual considerar recensões como menos importantes ou rigorosas. Recensões, assim como a divulgação de filosofia de um modo geral, são essenciais para desenvolver a já tão atrasada filosofia nos países de língua portuguesa.

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  2. Um pensamento curioso é a ideia de que se pode formar excelentes filósofos, investigadores de perfil internacional, sem bons livros introdutórios e sem ensino de excelência. E o mais interessante é que os primeiros são tanto mais importantes quanto menor for a frequência do segundo.

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  3. O raciocínio é que só devemos publicar em inglês, pois isso é que é atividade acadêmica séria. Divulgar, fazer recensões, traduções, manuais, etc, são atividades inferiores, menos importantes, menos rigorosas, fáceis demais, etc. É claro que isso é uma armadilha que atrasa o desenvolvimento da filosofia no país e mina a qualidade dos cursos de graduação: os alunos de graduação têm maiores dificuldades de aprendizado dada a quase inexistência de materias em língua portuguesa, os alunos que saem na frente não são necessariamente aqueles que têm mais talento, mas aqueles que já vem ensinados de casa, o número de bons doutores nas áreas de especialidade é irrisório, etc. Prova dessa última consequência foram as seleções para doutores na área de lógica e filosofia da ciência na UFRN: já é a terceira vez que abrem inscrições, pois não apareceram candidatos nos concursos anteriores. Eu não vejo isso com surpresa, afinal a maioria dos acadêmicos no Brasil só se preocupa em entupir o currículo de publicações com revistas de Qualis alto e em orientar alunos no doutorado, como se a graduação fosse menos importante. O que não lhes ocorre é que sem uma graduação forte a pós-graduação será irrisória.

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  4. Mateus, as pessoas que desdenham a tradução e a divulgação com perda de tempo depois, tipicamente, nunca produzem uma só gota de trabalho original. Passam a vida a repetir o que os outros dizem, quantas vezes sem publicar coisa alguma durante anos, ariscos à discussão crítica sem peias nem cerimónias, ocupados a fazer demarcações imaginárias entre uns e outros, mas contribuindo tanto para o avanço da área como aqueles professores arcaicos que só davam o sermão do santo antónio aos peixes e uma versão catequética do platão... e isto independentemente de se tratar de tradição "continental" ou "analítica".
    Pessoalmente, estou-me nas tintas para o que essa malta tenha a pensar sobre a "seriedade".

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  5. E mesmo que contribuam de maneira original para a filosofia isso não serve de desculpa para não contribuir com o desenvolvimento da filosofia no país: de que adianta publicar em periódicos importantes se a maioria de seus alunos sequer sabe formalizar adequadamente um argumento?

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  6. Pois, sucede é que nem nos tais periódicos importantes se publica, e depois passa-se o tempo a desvalorizar tudo o que seja menos do que publicar nesses sítios. Mas quem realmente publica nesses sítios e contribui para o avanço da área depois não tem esta atitude palerma de dândi para com a divulgação.

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