Avançar para o conteúdo principal

Método de estudo

Ouço falar frequentemente que a melhor maneira de estudar a partir de livros é sublinhá-los. Recordo um colega do curso de licenciatura que tinha os livros completamente coloridos, já que os sublinhava por completo com marcadores florescentes. Cheguei a recomendar que se fizesse uma exposição com os livros dele. Em tempos eu próprio sublinhei muitos livros meus de estudo, usando para o efeito, um lápis de carpinteiro azul de um lado e vermelho do outro. Acreditava que assim orientava e organizava melhor o meu estudo. Muito provavelmente por defeito metodológico, a verdade é que nunca mais regressava às partes sublinhadas. Mas os sublinhados eram um método de estudo universalizado. Serviam, entre outras coisas, para recordar em pouco tempo as partes mais importantes de uma obra. Mas é curioso que esta prática estivesse instituída entre os estudantes mas, por exemplo, raramente um estudante estudava uma obra pelo índice remissivo que, além de ser muito mais fácil que sublinhar os livros evita de os estragar. Claro que podemos sempre dizer que não nos importamos de estragar os nossos livros mas o problema é quando temos de os usar nas bibliotecas. E, se pensarmos que as bibliotecas deviam ser os grandes centros académicos por excelência, a ideia de ir para lá sublinhar livros é idiota. A verdade é que muitos estudantes sublinhavam os livros das bibliotecas, um hábito verdadeiramente irritante. 

Comentários

  1. Na biblioteca de onde estudo há muitos livros rabiscados. Além de danificar mesmo os livros, e de ser uma profunda falta de respeito com um bem público que deve ser usufruido por muitos, é uma prática ineficiente.
    Não sublinho os meus, acho que livro é para usar sim, mas para respeitar também oras. É muito mais eficiente escrever ou digitar as partes que se considera importante. E é bom porqua assim se estuda mais, de novo, e com mais atenção.

    ResponderEliminar
  2. Sublinho todos os livros que leio. Também defino com caneta fosforecente as linhas de composição das reproduções de Caravaggio que tenho e edito um filtro vermelho nas melhores cenas dos filmes de Eisenstein.
    Piadas à parte, os únicos livros que merecem ser sublinhados são aqueles em que as partes pertinentes são poucas. E livros deste tipo não tenho muito tempo para ler.

    ResponderEliminar
  3. Não sublinho livros que leio, a não ser em casos muito particulares, como marcar em livros de poesia os poemas favoritos.

    Quanto a livros de estudo, tive essa prática durante muito pouco tempo, durante o ensino secundário em disciplinas como história, mas deixei de o fazer precisamente por uma razão referida no texto: "a verdade é que nunca mais regressava às partes sublinhadas". Por isso deixei de o fazer, com a vantagem que de facto os livros ficam com um aspecto muito mais limpo.

    ResponderEliminar
  4. Para mim sublinhar ou ir anotando as partes importantes em um caderno me ajuda a manter a concentração na leitura. Eu realmente nunca volto para ler exclusivamente o que eu sublinhei ou anotei.

    ResponderEliminar
  5. Sublinhar, escrever e colorir com marca texto passagens que o leitor considera importante é uma técnica muito útil no momento da leitura. Não acredito que sublinhar o texto e fazer anotações diminui o respeito pela obra e pelo livro físico em si. Desde que o livro seja seu, considero isso até um ato de respeito maior do que deixá-lo intocado na estante. Eu particularmente gosto de marcar meus livros, mesmo os romances, e uso materiais e técnicas diversas, que vario regularmente. Em geral uso lápis. Não costumo sublinhar termos ou locuções porque são enfáticas e bonitas, mas porque são fundamentais para o sentido do texto segundo minha leitura. Passei a extrair mais dos meus textos desde comecei a ler assim. Quem me convenceu foi Umberto Eco em "Como se faz uma tese".

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

O filósofo preferido dos filósofos

É curioso ouvir o podcast que, para marcar o lançamento do segundo livro de Philosophy Bites, da responsabilidade de David Edmonds e Nigel Warburton, eles disponibilizaram sobre o filósofo favorito de muitos dos filósofos e filósofas que entrevistaram. 
São quase 70 filósofos e filósofas das mais variadas áreas e tendências filosóficas que se pronunciam sobre o seu filósofo favorito, justificando brevemente a sua escolha. É certo que a maior parte dos filósofos são de língua inglesa, mas também os há, embora poucos, de língua francesa. Mesmo entre os filósofos de língua inglesa, muitos não são filósofos analíticos. Confesso que não conheço muitos deles, mas há outros que talvez sejam conhecidos dos leitores, como Ronald Dworkin (que referiu Kant), David Chalmers (Carnap), Kit Fine (Aristóteles), Michael Sandel (Hegel), Peter Singer (Henry Sidgwick), Michael Dummett (Frege), Tim Crane (Descartes), Susan Wolf (Aristóteles), Stephen Neale (Russell), Noël Carroll (Aristóteles), Brian Lei…

O que é uma análise?

Há duas maneiras de entender uma análise, o que pode parecer surpreendente. Deparei-me recentemente com este aspecto ao trabalhar na segunda edição do Dicionário Escolar de Filosofia.

Podemos entender uma análise de um dado conceito como uma apresentação de outros conceitos mais básicos que captem inteiramente o primeiro. O exemplo típico é algo como a análise do conceito de virgem como pessoa que nunca teve relações sexuais. Esta é a concepção fraca de análise. Na concepção forte, o que resulta da análise, para ser realmente uma boa análise, terá de ser uma frase analítica. Realmente, “Uma pessoa virgem é uma pessoa que nunca teve relações sexuais” é uma frase analítica. As tentativas de análise filosófica são tipicamente vistas como tentativas de análise no sentido forte: se fosse realmente verdade que o conhecimento é crença verdadeira justificada, essa afirmação seria analiticamente verdadeira.

Isto colide com a ideia de que não só a filosofia, mas também as ciências como a física o…