25 de novembro de 2010

Os animais tem direitos morais?

Autores incluídos: Peter Singer, Tom Regan, Carl Cohen, Jan Narveson, J. Baird Callicott, James Rachels, Jeff McMahan.
Edição para breve.


38 comentários:

  1. Até que nível desceremos? Têm as amebas direitos? Em que medida podemos saber que outros têm dores?

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  2. não, nenhum animal sente dor. aliás, nenhum outro ser humano sente dor além de mim. aliás, sou o único humano ao cimo da Terra. os outros são uns farsantes, de quem nem sequer posso estar certo que não são andróides inventados por um génio maligno só para me atormentar com dilemas filosóficos acerca de terem ou não consciência e sentirem dores.

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  3. Vitor Guerreiro, já que vc é o único ser humano que sente dor, bastaria que vc morresse, que não ia mais ter sofrimento no mundo! Há!

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  4. Rodrigo Cid, como podemos saber se vc é uma pessoa e não um bot-atazanador-de-filosófos?

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  5. Excelente notícia!

    Parabéns ao Pedro por mais uma edição de filosofia que aponta para lá daqueles que já estão interessados nela.

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  6. Como podemos saber que Rodrigo Cid não é uma ameba?
    Estava só brincando ;D
    Aguardo com muito interesse essa edição.

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  7. Rodrigo, o problema de como podemos saber se outros seres têm dores é um problema que os epistemólogos têm de resolver, não os filósofos morais. Se não pressupusermos muitas coisas, seria impossível discutir muitos problemas da filosofia, o que é um absurdo. Se você se incomoda com o pressuposto de que os animais têm dores, é só pensar o problema condicionalmente.

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  8. Rodrigo Cid,
    que bom que te encontrei! É bom saber que existem mais solipsistas no mundo!!!!

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  9. Olha, o ponto principal na defesa dos direitos dos animais é o fato de eles terem dor. O meu ponto é apenas dizer que se temos razões para pensar que uma vaca tem dor, também temos razões para pensar que uma aranha tem dor. E que se temos razões para pensar que uma aranha tem dor, temos também razões para pensar que um mosquito tem dor. E se temos razões para pensar que um mosquito tem dor, temos também razões para pensar que uma ameba tem dor.

    Pareceu para vocês tão claro que eu estivesse defendendo que apenas eu tenho dores e que não sei sobre o resto. Não é isso. Meu ponto é indicar que quaisquer que sejam os critérios que tomarmos para falar sobre dor em outras especies (ou até outros indivíduos), eles são igualmente aplicáveis a muitíssimas outras especies que não gostaríamos de tomar como portadores de direitos morais.

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  10. Pedro, eu penso condicionalmente. Se os animais tiverem dores, eles serão portadores de direitos morais. Posso até aceitar isso. O meu ponto é que não devemos parar nos mamíferos; devemos descer a ladeira e aceitar todo indivíduo que passe no critério para ter dores como portador de direito moral.
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    Nosso ponto também pode ser: e se amebas tiverem dores? Serão elas também portadores de direitos morais?

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  11. Bárbara, vc estabelece um critério para a correta aplicação desse termo e faz com que esse critério faça com que a aplicação do termo seja inconsistente com a aplicação de "pessoa" ao mesmo objeto, e depois me analisa levando em conta esse critério. Só não sei como isso vem a ser relevante nessa discussão.

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. Vitor, o ponto fundamento, diferentemente do que disse na primeira postagem, não é sobre se sabemos ou não que outros tem dores, mas sobre qual a correta aplicação do predicado "tem dores".

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  14. A condicional "se temos razões para pensar que uma vaca tem dor, também temos razões para pensar que uma aranha tem dor" é falsa. Para sentir dor um organismo tem de ter um sistema nervoso razoavelmente desenvolvido. Logo, as razões que temos para pensar que uma vaca sente dor são precisamente as que nos levam a pensar que uma ameba não sente dor. Este é o género de ideia que qualquer livro introdutório da área esclarece nas primeiras páginas. Recomendo o Ética Prática, de Peter Singer.

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  15. Será mesmo que a condicional é falsa, Desidério? Precisa um ser para ter dor ter um sistema nervoso razoavelmente desenvolvido? Por que devemos aceitar isso? Usar o sistema nervoso para pensar que uma ameba não tem dor é remover a priori a possibilidade de um dia chegarmos a descobrir que a ameba tem dor. Além disso, o que nos leva a pensar que as vacas têm dores não é o fato de elas terem cérebro, mas o comportamento delas quando reagindo a estímulos que causariam dor. Nesse sentido, não vejo diferença de comportamento entre uma vaca e uma ameba no que diz respeito às reações a incursões supostamente doloridas.

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  16. Este comentário foi removido pelo autor.

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  17. Minha justificativa pela asserção de que o nosso critério não é ter um sistema nervoso razoavelmente desenvolvido, e sim o comportamento, é que uma pessoa com todos os seus órgãos que esteja com defeitos nos seus órgãos não sentirá dor e não se comportará como se sentisse, e para ela diremos que não sente dor -- mesmo tendo o aparelho nervoso relevante. Se vc quiser dizer que ela não tem o aparelho funcionando adequadamente, daí eu lhe daria uma caso imaginário para lhe mostrar que a atribuição de dor não está conectada com ter um certo sistema nervoso: imagine um vampiro que não tem mais cérebro e existe apenas por mágica. Se esse vampiro reagisse como nós à dor, diríamos que tem dor independente de se tem cérebro. Se vc acha o exemplo bizarro, pode trocar o vampiro por um alienígena.

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  18. Não sei se qualquer livro introdutório de ética nos fala sobre o problema de como sabemos (ou de quais são os critérios para asserirmos legitimamente) que outros tem dores.

    O assunto não é fácil como parece. E não acredito que ele possa ser eliminado por um fisicalismo neurocêntrico (no que diz respeito à necessidade de um sistema nervoso para a existência de dor) ainda injustificado. Além disso, é possível que as amebas tenham um sistema análogo ao nosso sistema nervoso.

    Estamos diante de um problema sério para qualquer teórico que defenda que os direitos morais advém da capacidade de sentir dor.

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  19. Como não sabemos a resposta para se amebas têm ou não dores (ou sobre se podemos ou não atribuir dor legitimamente a amebas), ainda cabe a pergunta: se amebas tivessem dores, elas seriam portadoras de direitos morais?

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  20. Anteriormente eu tinha dito: Meu ponto é indicar que quaisquer que sejam os critérios que tomarmos para falar sobre dor em outras especies (ou até outros indivíduos), eles são igualmente aplicáveis a muitíssimas outras especies que não gostaríamos de tomar como portadores de direitos morais.
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    Mas agora eu diria: Meu ponto é indicar que dado o critério que tomarmos para falar sobre dor em outras especies (ou até outros indivíduos), eles são igualmente aplicáveis a muitíssimas outras especies que não gostaríamos de tomar como portadores de direitos morais.

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  21. Quem nos diz se uma ameba sente dor ou não são os biólogos. Não é possível saber, pelos métodos da filosofia, se as amebas sentem dor. O que há a discutir em filosofia é apenas uma condicional:

    Se um dado animal não humano sentir dor, será imoral fazê-lo sofrer gratuitamente?

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  22. É falso que se um dos critérios para ser digno de preocupação moral for a dor, então teremos de incluir espécies biológicas que não gostaríamos de incluir. Mas quem nos diz que isso é falso é a biologia. Os peixes ou os moluscos, por exemplo, não é claro que sintam dor; mas quem esclarece o caso são os biólogos e não os filósofos. Já as vacas e porcos sentem dor. E as amebas não. Como em quase tudo, há casos claros de um lado e do outro, e depois alguns casos de fronteira. Nenhum dos três casos põe em causa a ideia ética central de que provocar dor gratuitamente é imoral.

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  23. Certamente, se a biologia nos diz se algum ser tem dores, ela se baseia em certos critérios. Mas que critérios seriam esses? Se o critério fosse apenas seres com sistemas nervosos como os nossos, por que deveríamos aceitá-los? Somente por que os biólogos assim nos falaram?
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    Além disso, a descoberta de que seres com outros sistemas nervosos parecidos (como as vacas) têm dores não foi adquirida ao descobrirmos que eles têm sistemas nervosos, mas ao descobrirmos que seus sistemas nervosos os faziam reagir a estímulos de dor de modo semelhante a nós.
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    É exatamente esta pergunta que me faço: será imoral fazer sofrer gratuitamente (embora "gratuitamente" precise ser devidamente restrito) um ser não humano? A pergunta sobre a ameba é importante aqui, pois se amebas sentirem dor, talvez queiramos mudar a nossa justificativa para aceitar certos seres não humanos como detentores de direitos morais, enquanto outros não. A não ser que consideremos imoral fazer uma ameba sentir dor.
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    Eu já discordo que quem diz se outros animais sentem dor são os biólogos. Os biólogos do tempo de Descartes, tal como o mesmo, pensavam que cães não sentiam dor e que seu comportamento era apenas reação mecânica interna. Mas, com a análise filosófica sobre critérios de correta aplicação de um predicado (como "ter dor" -- que poderia ser analisado comportamentalmente) já, naquela época poderia nos fazer aceitar que cães têm dores.
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    A biologia não é necessariamente melhor que a filosofia na tentativa de dizer que outros têm dores. Nossos critérios podem ser muito mais precisos.

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  24. Amebas fogem quando espetadas por agulhas de micromanipuladores.

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  25. Nem pelos métodos da filosofia e nem pelos métodos da biologia podemos saber se amebas têm dores. Mas com os métodos da filosofia podemos falar sobre a correta aplicação do predicado "ter dores" a distintos tipos de seres e sobre o critério subjacente a tais aplicações corretas.

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  26. Quando queremos curar uma doença como a varíola, é a biologia e a medicina que nos dizem como o fazer, e não a filosofia. A razão óbvia é que se trata de áreas onde a investigação empírica e científica é a via correcta de estudo do tema. O mesmo acontece com a questão de saber se as vacas sentem dor. Não se trata de saber qual é a aplicação correcta do termo "dor", se é que isso tem algum interesse (pensar que isto tem interesse em si é não entender o que está em causa quando Wittgenstein usa a dor como exemplo), mas antes saber se há razões para pensar que as vacas sentem algo como a dor.

    Não estamos num contexto céptico em que nos podemos perguntar se acaso eu poderei alguma vez saber que as outras pessoas existem, ou que sentem dores ou que não são meras máquinas disfarçadas de seres humanos. Todas essas hipóteses podem ser discutiras e exploradas, mas noutro contexto.

    Neste contexto discute-se apenas condicionalmente: aceitando que alguns animais não humanos sentem dor nos moldes em que a biologia entende o conceito (e que poderá estar errado e precisar de revisão — mas isso é outro tema), e que implica ter certas estruturas biológicas que alguns organismos, como as amebas, não têm, será moralmente irrelevante o seu sofrimento, ou não? O resto é apenas desviar a discussão para outro tema.

    É um pouco como uma pessoa que não sabe lógica, por exemplo, e que em vez de fazer uma derivação desata a discutir quão redutora é a bivalência — sem fazer também ideia alguma que é muitíssimo fácil fazer uma lógica trivalente ou n-valente. Outra analogia é com alguém a quem perguntamos as horas, na rua, e a pessoa responde com uma conversa imensa sobre as perplexidades da metafísica do tempo, só porque quer esconder o facto de que, apesar de ter relógio, não sabe ver as horas.

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  27. Retrato-me e reformulo meu ponto, então. Se vacas sentem dor, certamente descobrimos empiricamente. E nenhuma disciplina melhor que a biologia para descobrir tal coisa. Mas quando nos perguntamos pelos critérios de aplicação de tal tipo de predicado, a biologia não pode ajudar. A busca pelos critérios é relevante filosoficamente, pois nos diz como funciona a aplicação de certos tipos de termos da nossa linguagem. E saber como funcionam certos tipos de termos da nossa linguagem é importante para muitas coisas na filosofia, como para resolver o enigma de Frege (da igualdade), para resolver o problema da referência etc.

    De todo modo, penso que podemos pular toda essa discussão e nos perguntar: se a biologia mudasse seus critérios para asserir dor a um indivíduo e nos dissesse que as amebas têm dores, seria imoral lhes causar dor "gratuitamente"? E para responder essa pergunta não adianta falar que as amebas não têm dores, pois ela se funda justamente na hipótese de que a biologia nos disse que elas têm. E isso não é se desviar do tema, mas questionar algo fundamental sobre a nossa atribuição de direitos morais. É a capacidade de sentir dor suficiente para um ser ter direitos morais? Ou é necessário algo mais?

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  28. Só temos o dever de fazer o que é possível fazer. Se as amebas sentissem dor e fosse possível nós não lhes provocarmos dor, teríamos o dever de não lhes provocar dor. Mas se fosse inevitável provocar-lhes dor, por alguma razão, então não teríamos o dever de lhes não provocar dor. Mas a discussão é algo ociosa; trata-se, neste livro, de pensar nos nossos deveres para com animais como vacas e cães e porcos, que claramente sentem dor.

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  29. Entendo. Mas será que frente à possibilidade (por mais que epistêmica) de as amebas -- entre outros seres -- sentirem dor, será que não deveríamos tentar obter outro critério que não a capacidade de sentir dor para atribuir direitos morais a um ser?

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  30. Há outros critérios, além da dor, como é o caso do critério da preferência manifesta linguisticamente. Ainda que não provoque qualquer dor alguém roubar outra pessoa, é imoral fazê-lo porque a pessoa roubada manifesta explícita e linguisticamente a sua preferência por não ser roubado. No que respeita à eliminação da dor, vale a pena ler este artigo.

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  31. Entao vamos agora para o assunto principal... Os animais que sabemos pelo biologia atual que sentem dores, como vacas e porcos.
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    Serão eles portadores de direitos morais? Essa é uma pergunta interessante, mas antes de tentarmos respondê-la, poderíamos nos perguntar se tais tipos de animais são portadores de deveres morais. O leão está em erro moral ao assassinar uma vaca friamente quando está sem fome? Estaríamos nós em erro moral ao assassinar friamente uma vaca mesmo estando sem fome?

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  32. Os leões não são agentes morais. O que fazem não é moral nem imoral, mas amoral.

    O facto de um animal ser digno de consideração moral não implica que esse animal tem deveres. Os bebés têm direitos, mas não têm deveres.

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  33. E por que o que fazemos com eles é moral/imoral?
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    Se é que os macacos têm uma moralidade entre eles, eles não compartilham os direitos morais que atribuem a eles próprios com membros de fora da sua espécie. Por que nós deveríamos fazer isso?

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  34. Se do facto de um leão não ser um agente moral se seguisse que nada do que lhes fizéssemos seria imoral, então também nada do que fizéssemos aos bebés seria imoral, dado que também os bebés não são agentes morais. Mas é falso que nada do que façamos aos bebés é imoral. Logo, é falso também que nada do que façamos aos leões é imoral.

    Rodrigo, é uma falta de respeito para com o meu tempo estares aqui a pedir explicações privadas de aspectos absolutamente elementares da ética, que qualquer estudante de filosofia bem informado já conhece.

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  35. Bebês são da mesma espécie que nós. Ainda persiste a pergunta sobre por que temos de dar direitos morais a leões, já que macacos não dão direitos morais a seres externos à sua espécie.

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  36. Se julgas uma falta de respeito, Desidério, então terminamos essa conversa por aqui. Mas adiciono que julgo mais inadequado ainda você responder as pessoas que conversam com vc as chamando de ignorantes. Pelo que eu bem me lembrava, o que vc dizia é que numa conversa primeiro eliminamos a diferença de conhecimento e depois debatemos. Agora, se você pensa que eu ignoro o básico de ética e se não tem vontade de eliminar a distinção de conhecimento, não sei por que veio me responder. Vim aqui tratar um problema que me parece muito sério, mas que vc se recusa a aceitá-lo como um problema.
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    Mas fica tranquilo que eu, ignorante como sou, que não sabe nem o básico de filosofia, não vou mais voltar a tomar o seu tempo.

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  37. Tu não tens qualquer interesse genuíno na área, caso contrário, terias lido a bibliografia elementar da área, na qual todas as tuas perplexidades são respondidas.

    Os macacos não dão direitos morais seja a quem for, porque não são agentes morais. Talvez alguns dos grandes símios tenham comportamentos algo semelhantes a comportamentos morais, mas isso será a excepção. Mas do facto de os macacos ou os leões não serem agentes morais, e portanto não darem protecção moral aos seres das suas espécies, não se segue que nós, que somos agentes morais, não devamos fazê-lo.

    É claro que há muitos argumentos contra a ideia de que é imoral maltratar os animais não humanos. O livro do Pedro Galvão apresenta precisamente três artigos seminais que se opõem à ideia de que os animais não humanos têm direitos.

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