12 de dezembro de 2010

Os mais relevantes de 2010

Convenciona-se daqui a alguns dias o final de mais um ano civil, o de 2010. Vou assinaler a data com as minhas escolhas dos livros que considero mais relevantes do ano, em língua portuguesa. Alguns dos títulos não ainda não os li integralmente, mas isso é o que muitas vezes acontece com os ensaios. Leio capítulos, pesquiso referências, vou buscar algo que me interessa no momento, etc. As minhas escolhas são sempre discutíveis, mas os critérios foram somente os de ter saído para o mercado no ano corrente, que eu lhes tenha pegado pelo menos algumas vezes e que todos eles tenham sido livros adquiridos por mim. Há uma excepção. Não tenho ainda o livro de Aires Almeida, mas conheço-o antecipadamente pela tese publicada na revista Crítica. E custar-me-ia muito deixar de fora o livro de um dos professores de filosofia do ensino secundário que mais admiro e com quem tenho o privilégio de partilhar espaço aqui na Crítica. Finalmente, temos hoje em dia disponíveis em língua portuguesa livros de filosofia importantes e actuais. Este esforço de publicar, traduzir, escrever, é sempre motivo de destaque, pois trabalhar sem as ferramentas adequadas é  muito mais complicado. Segue a lista com uma brevíssima nota de apresentação para cada obra.

Anthony Kenny, Nova história da filosofia Ocidental, Volume 1, Filosofia Antiga, Gradiva, Tradução: Maria Fátima Carmo e Pedro Galvão)
Desconheço em língua portuguesa outra obra que se lhe equipare. Temos algumas edições, mas que entretanto estão gastas pelo tempo de edição. Esta obra, em 4 volumes, é muito estimulante porque é uma obra de filosofia sobre a história da filosofia.


Anthony Kenny, Nova história da filosofia Ocidental, Volume 2, Filosofia Medieval, Gradiva, Tradução: António Infante


Earl Conne e Theodore Sider, Enigmas da existência, Uma visita guiada à metafísica, Bizâncio, Filosoficamente, Tradução: Vítor Guerreiro
Considero que este livro é muito provavelmente o primeiro livro que conheci e um dos poucos que ainda conheço que expõe a metafísica de forma muito divertida e, pasme-se, fácil. Antes de ter lido este livro nunca pensei que fosse possível a aliança entre metafísica e acessível. O livro percorre os principais problemas desta área da filosofia.

W. K. Clifford, W. James, A. Plantinga, (Org. Desidério Murcho), A ética da crença, Bizâncio, Filosoficamente, Tradução: Vítor Guerreiro
Um livro sobre epistemologia da fé que reúne alguns artigos que discutem o problema se podemos ou não conhecer deus sem provas.


Noel Carroll, Filosofia da Arte, Texto & Graphia, Synopsis, Tradução: Rita Canas Mendes
Inicialmente não pensei em comprar este livro. Já tenho algumas boas introduções à filosofia da arte que satisfazem as minhas modestas necessidades. Mas no dia em que me deparei com o livro numa livraria comprei-o passado uns 30 minutos. E isto aconteceu porque li as primeiras páginas e fiquei desde logo muito bem impressionado com a escrita. Um livro de filosofia escrito assim não podia ficar na prateleira.


Roger Scruton, Breve história da filosofia Moderna, Guerra & Paz, Saber e Educação, Tradução: Carlos Marques
Um pouco mais de história da filosofia, contada por um filósofo experiente, desde Descartes a Wittgenstein.


António Zilhão, Animal racional ou bípede implume?, Guerra & Paz, Saber e Educação
Não é de todo um livro acessível, pelo menos a um público que não deseje avançar muito num problema filosófico. É, com efeito, uma das poucas obras de filosofia redigida em português que, no ano de 2010 me conseguiu despertar o interesse.


Michael Martin (Dir), Um mundo sem Deus, Ensaios sobre o ateísmo, Ed. 70, O Saber da Filosofia, Tradução: Desidério Murcho
Este volume é a tradução do Cambridge Companion to Atheism. É uma obra poderosa com artigos muito competentes e que ampliam a visão do problema do ateísmo. São 18 artigos de autores diferentes em 3 partes. Muito bom.



Thomas Mautner, Dicionário de Filosofia,  Direcção da edição portuguesa de Desidério Murcho
Tradução de Vítor Guerreiro, Sérgio Miranda e Desidério Murcho
Lisboa: Edições 70
Este dicionário é a minha referência quando tenho de usar um mapa para me guiar na filosofia. E agora temo-lo traduzido numa edição volumosa, mas muito competente.


Aires Almeida, O valor cognitivo da arte, Centro de Filosofia da Univ. de Lisboa
Conheço razoavelmente bem a tese que originou este livro já que a mesma está disponível na Critica. Não conheço ainda o resultado final, mas teria de destaca-lo como uma das edições a tomar em atenção no ano de 2010 – e provavelmente a melhor do ano de um autor português. Trata essencialmente de um problema da filosofia da arte, que é saber qual o valor cognitivo da arte e se a arte tem tal valor. 

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