27 de fevereiro de 2010

Vamos brincar à unificação

O uso do acento circunflexo ou agudo nas vogais passa a depender da forma como essas vogais são lidas em cada país. Visto que a pronúncia de palavras como tônico / tónico é diferente no Brasil e nos restantes países, na prática continua a escrever-se da mesma forma: em Portugal, nos PALOP e em Timor continua a escrever-se tónico, no Brasil mantém-se a forma tônico. No entanto, ambas as formas passam a ser legalmente corretas em todos os países, desde que usadas de forma sistemática, sendo a norma de cada país a determinar a forma que deve ser usada no seu espaço geográfico.
Fonte: http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=vop&page=crit1

Deixem-me ver se entendi. Agora temos uma só ortografia. Viva! Vamos conquistar o universo. Mas, no Brasil só pode escrever-se "tônico" e em Portugal "tónico". Tal como, na nova ortografia, no Brasil se escreve "excepcional", "espectador" e "percepção", ao passo que em Portugal se escreve "excecional", "espetador" e "perceção". Mas então onde está a unificação? Se estou a publicar um livro no Brasil tenho de escrever de uma maneira; mas em Portugal de outra. Onde está a unificação? O mais irónico é que antes da unificação as coisas já eram assim: havia muitas palavras que escrevíamos de maneira diferente, e outras não. Como agora. Com a diferença que antes toda a gente escrevia "espectador", mas agora os portugueses passam a escrever de maneira diferente.

Repare-se no texto acima como se faz a mentira política: em negrito a afirmação triunfante de que agora só temos uma ortografia. Viva! É assim muito mais fácil publicar livros iguais nos dois países. Mas... depois vem o sublinhado: não se pode usar no mesmo livro ora "excepcional" ora "excecional", como podemos usar ora "cousa" ora "coisa" (a razão disto não é esclarecida). Bom, afinal não há assim tanta integração das duas variantes ortográficas. Mas o pior é o que vem depois, em itálico: é a norma de cada país que determina se posso publicar um livro com "cousa" ou "coisa", perdão, com "espetador" ou "espectador".

Estou arrasado. Expliquem-me outra vez melhor como é que esta tolice da nova ortografia unifica o que quer que seja. Para unificar, na minha humilde opinião, seria necessário 1) não mudar ortografias que anteriormente eram iguais, como "percepção" e 2) encarar cada variante ortográfica como legal e sem fronteiras, como acontece com "oiro" e "ouro", podendo ocorrer em cada um dos países, e ambas no mesmo texto. Ou estou a ver mal?

Ainda alguém duvida que esta nova ortografia é uma mentira política? Ou isso ou as pessoas que o fizeram são infantilmente incompetentes.

26 de fevereiro de 2010

A pequena celebração

Li Bai (701-762), também conhecido como Li Po, foi um dos melhores poetas chineses, talvez até o melhor, só rivalizado pelo imenso Du Fu. Um dos seus poemas que me tem acompanhado na memória ao longo dos anos, na tradução inglesa de J. C. Cooper, é esta pequena celebração, que aqui traduzi para português --  partindo da versão inglesa, pois infelizmente não sei mandarim. Este poema em particular, um dos mais belos, foi objecto no séc. XX de inúmeras traduções inglesas. Escolhi a que mais gosto. Depois da minha tradução, está a tradução inglesa usada numa composição musical de Vangelis, que a acompanha na perfeição.

A pequena celebração, de Li Bai

Bebo entre as flores uma garrafa de vinho.
Somos três, se contarmos a minha sombra
E a Lua cintilante.
A Lua nada sabe felizmente sobre vinho,
E a minha sombra nunca tem sede.

Canto e a Lua ouve-me em silêncio.
Danço e também a minha sombra dança.
Em todas as celebrações há a tristeza da despedida,
Mas esta tristeza é-me desconhecida.
Quando vou para casa a Lua vai comigo
E a minha sombra acompanha-me.

25 de fevereiro de 2010

Proposta para uma nova ortografia

Eis uma sugestão a todos os que, algo sofisticamente, têm argumentando que devemos adoptar a nova ortografia, mas reconhecem que tem vários problemas que devem ser corrigidos. Vamos então corrigi-los. Só os mais graves.

Hífenes. Esqueça-se aquela ambiguidade do texto oficial, e use-se antes o bom senso: aceite-se a norma anterior porque temos mais que fazer do que mexer em hífenes, e para os casos bicudos adopte-se a regra simples de usar hífen ou não consoante precisamos de marcar que se trata de uma só palavra, mas composta, como “cor-de-rosa” (até porque uma rosa pode não ter cor de rosa), ou consoante se trata de uma aposição como “anti-” (não vejo a vantagem fantástica de ter de escrever “antissocial”).

Consoantes mudas. Esqueça-se o absurdo critério fonético, que obrigaria portugueses a deixar de escrever “aspecto” passando a escrever “aspeto”, ao passo que os brasileiros continuariam a escrever “aspecto”, entre muitos outros casos. Elimine-se apenas as consoantes mudas que nenhum lusófono pronuncie; apesar de mesmo assim ficarmos com os disparates orto-fonéticos de “ação” (que em Portugal se lê intuitiva e correctamente como “assão”, sem o “a” aberto), sempre seria melhor do que a mentira actual, segundo a qual temos agora uma nova ortografia unificada… mas com duas variantes, que é exactamente o mesmo que tínhamos antes.

Viagem no tempo. Em vez de se ter permitido que duas pessoas sem grande sensatez humana e ainda menos competência linguística fizessem entre eles um texto absurdo, depois sancionado por políticos semi-analfabetos, contratava-se verdadeiros linguistas das novas gerações, gente com menos de 40 anos e cuja lista de leituras não termina toda mais ou menos nos anos 40 do século passado. E teríamos tido, de certeza, um resultado cientificamente sólido e humanamente equilibrado. E, quem sabe, uma verdadeira unificação ortográfica. Até nem era difícil: era começar por eliminar o cientismo axiomático que pretende mudar as ortografias com base em Grandes Princípios Gerais, e fazer uma coisa pragmática, olhando para todas as diferenças ortográficas e eliminando ora as de um lado ora as de outro, caso a caso. Que tal?

Introdução ao Pensamento Islâmico

Chega-me a notícia desta novidade da 70: Introdução ao Pensamento Islâmico, de Abdullah Saeed.

23 de fevereiro de 2010

Ned Block e Philip Kitcher

"Misunderstanding Darwin" é uma boa discussão do último livro de Jerry Fodor e Massimo Piatelli-Palmarini.

Um erro estrutural no pensamento de muitos filósofos é o que podemos chamar possibilismo: a ideia de que seja qual for a possibilidade em que se consegue pensar, terá de ser excluída por um qualquer argumento dedutivo formal ou então teremos de viver com ela. Este género de falácia está presente na ansiedade cartesiana para excluir a mera possibilidade vaga de estar a sonhar e nos argumentos cépticos contra a possibilidade do conhecimento. A resposta correcta é a dada por Russell em Os Problemas da Filosofia: não se pode excluir logicamente tais possibilidades, mas não há qualquer razão para as aceitar, e são menos plausíveis do que as outras.

Mas o possibilismo é persistente. Está presente no idealismo e no kantismo, tão prevalecente nas zonas mais anémicas da cultura filosófica: como não se consegue provar matematicamente que existe um mundo largamente independente de nós, então não existe tal mundo e tudo é pensamento, representações, ideias nossas, interpretações, narrativas; como há sempre várias maneiras de descrever a mesma realidade, incompatíveis entre si mas compatíveis com os mesmos dados, então a realidade é indeterminada, ainda que exista.

Precisamente por se apoiarem no possibilismo, Fodor e Piatelli-Palmarini cometem os erros apontados por Ned Block e Philip Kitcher. Para aqueles autores, teria de haver uma maneira lógica de excluir propriedades esquisitas, mas como não há tal coisa, acabou-se a teoria de Darwin, porque agora qualquer uma de uma infinitude de propriedades poderá ser responsável pela selecção. A resposta de Block e Kitcher é como a de Russell: não podem ser excluídas, mas são irrelevantes cientificamente.

Só faltava acrescentar que o raciocínio científico deve o seu sucesso, entre outras coisas, ao conservadorismo epistémico, que é o que se opõe ao possibilismo. Consiste em ser tão conservador quanto possível ao levantar hipóteses explicativas; avança-se apenas para entidades, energias, forças, seja o que for de afastado do senso comum, quando isso é mais económico e plausível do que continuar a usar as explicações e categorias que já usávamos antes. Quem me dera que mais filósofos compreendessem este aspecto fundamental do sucesso epistémico e parassem de explorar meras possibilidades lógicas a favor das quais não há qualquer motivação, esperando depois que os refutem. Como Moore viu, a hipótese de que tenho duas mãos é muito mais plausível do que a hipótese de que os cépticos têm razão; ambas podem estar erradas e ambas podem ser refutadas, mas qual delas é mais sensato aceitar?

22 de fevereiro de 2010

Novidades editoriais da Gradiva

Da Gradiva, chega-me a notícia de alguns livros prometedores: A Grande Separação: Religião, Política e o Ocidente Moderno, de Mark Lilla, discute as relações complexas entre o poder político e religioso no contexto europeu. Não sei o que defende o autor, mas ao contrário do que por vezes se pensa, não é preciso ter um estado laico para não haver guerras e conflitos religiosos; essa é apenas uma das maneiras de tentar resolver o conflito entre o poder secular e o religioso.

David S. Landes, A Revolução no Tempo, é um dos mais importantes livros publicados em 2009 em Portugal: divulgação científica e histórica de qualidade, mostrando o desenvolvimento da ciência e tecnologia da medição do tempo, coisa que hoje damos como garantida e simples, mas que está longe de o ser.

Morte por Buraco Negro, de Neil deGrasse Tyson, autor já equiparado a Carl Sagan pela sua capacidade para comunicar de modo entusiástico e acessível ideias científicas complexas, é também uma leitura prometedora. Erros Experimentais, Ajustamentos e Outras coisas Mais, da autoria de Isabel Maria Almeida Fonseca, despertou-me também a atenção porque o controlo de erros é um dos aspectos mais importantes do pensamento científico em particular e da nossa vida cognitiva em geral: só os tolos se pensam infalíveis, só os sábios sabem que erram.

Fiquei com uma curiosidade particular pelo livro O Mito das Nações, de Patrick J. Geary, em parte por ter uma aguda consciência histórica dos artificialismos que estão na base das fronteiras e culturas europeias, e não só, consciência que me faz olhar sempre com alguma ironia para quem se agarra a bandeiras e hinos e línguas como se fossem intemporalidades a nós inerentes e não fantasias inventadas no passado para melhor controlar as massas.

E por falar em mentiras políticas para controlar as massas, 5 de Outubro, de Ernesto Rodrigues, promete elucidar o processo de implantação da República em Portugal. Ordens e Congregações Religiosas, obra coordenada por Luís Machado de Abreu e José Eduardo Franco, promete lançar luz sobre os benefícios ou malefícios da expulsão das ordens religiosas na I República, nomeadamente no que respeita ao ensino.

20 de fevereiro de 2010

Filosoficamente

O próximo título da Filosoficamente, colecção de filosofia da Bizâncio, está prestes a sair: Enigmas da Existência: Uma Viagem Guiada pela Metafísica, de Earl Conee e Theodor Sider. É uma excelente introdução elementar à metafísica, para quem não tem medo de raciocinar intensamente. Não tendo referências históricas, o livro procura dar ao leitor a experiência do que é lidar directamente com alguns dos problemas centrais da metafísica; à semelhança de Que Quer Dizer Tudo Isto?, de Thomas Nagel, e Sabedoria Sem Respostas, de Daniel Kolak e Raymond Martin, é uma daquelas obras que eu adoraria ter lido quando tinha 15 anos, e espero que seja igualmente estimulante para os leitores portugueses, tenham 15 anos, 30, 60 ou 90 -- ou qualquer outra idade. Ainda não sei como será a capa portuguesa, por isso ilustro esta notícia com a capa original da Oxford University Press.

18 de fevereiro de 2010

Cepticismo na grécia antiga


Acabo de publicar aqui a apresentação de Jaimir Conte de Os Céticos Gregos, de Victor Brochard.

17 de fevereiro de 2010

podcast sobre música

O filósofo Jerrold Levinson fala de música e amor AQUI, no mais recente podcast de Nigel Warburton e David Edmonds, no site Philosophy Bites.

15 de fevereiro de 2010

Projecto musical divulga ciência e filosofia

“Projecto divulga ciência e filosofia através da música
Fonte: YouTube
O projecto "Symphony of Science" foi idealizado por John Boswell (músico) como veículo para fazer chegar o conhecimento a uma audiência habitualmente arredada da área científica. Há cerca de dois meses começou a colocar 'clips' no YouTube. Já ultrapassou o milhão de visitantes.”

13 de fevereiro de 2010

O que é a consequência lógica?

Um dos problemas mais interessantes em filosofia da lógica é tentar compreender como uma conclusão é uma consequência lógica (válida) das premissas. Nós podemos dizer que as premissas implicam a conclusão ou que a conclusão se segue validamente das premissas, mas qual é a melhor maneira de explicar esse fenômeno? É este problema que Stephen Read aborda de maneira clara no segundo capítulo de seu livro Thinking About Logic. Uma tradução livre desse capítulo, da autoria de Guilherme de Oliveira, Cristiano Picasso e revisada por Abílio Rodrigues, está aqui. Como não é uma tradução profissional certamente contém erros, que devem ser apontados.

12 de fevereiro de 2010

Uma experiência deliciosa

Experimente ler A Vida Sexual de Immanuel Kant, de Jean-Baptiste Botul. Mesmo sem saber que se trata de mera fantasia, escrita não por um pretenso filósofo (Botul nunca existiu) mas antes por um jornalista francês brincalhão (Frederic Pagés), dificilmente poderá o leitor levar a sério tal livro. Mas não foi isso que fez Bernard Henry-Lévy. Elevando ao cúmulo do ridículo uma certa maneira de ser intelectual em Paris -- maneira que nada tem a ver com a melhor tradição do pensamento francês -- e que consiste em substituir o pensamento pelos jogos de palavras e pela autoridade da citação de tantas referências que o leitor fica com falta de ar, o que lhe provoca a necessária hipnose do intelecto para levar esses autores a sério, a grande estrela televisiva do (des)pensamento francês leu o livro falsamente assinado por Botul e refere-o no seu último trabalho como se fosse um livro a sério e não uma brincadeira. A minha recensão do Botul está aqui. E a notícia do i sobre a miséria de Henry-Lévy está aqui. É mais um escândalo de Sokal, mas agora sem o Sokal.

11 de fevereiro de 2010

É errado sentir culpa?


Frequentemente dizemos coisas como "Eu estou com a consciência pesada, não deveria ter feito aquilo" ou "Eu não me sinto culpado por ter feito isto". Essas afirmações indicam que a noção de culpa parece ter alguma relevância para a compreensão da natureza das prescrições morais. Mas no contexto da própria ação moral, sentir culpa é certo ou errado? Alexandre Machado, filósofo de distinções finas, nos oferece uma deliciosa reflexão sobre esse problema aqui.

asylum ignorantiae

Lat. refúgio da ignorância. Um conceito ou método obscuro, não aberto ao escrutínio crítico, ao qual se recorre de modo a disfarçar a própria ignorância ou ausência de reflexão crítica.

10 de fevereiro de 2010

Lógica, para que te quero?

O discurso anti-lógica é muito frequente e, por vezes, resulta até em discussões algo caricatas.

Há já alguns anos argumentei, a propósito de um despacho do ministério da educação, com um colega de filosofia a favor de uma dada interpretação que eu, ao contrário dele, considerava correcta. Recordo-me de, às tantas, referir que se tratava de um simples modus tollens.

- Lá vens tu com a treta do modus tollens e da lógica, atalhou ele. Quero lá saber da lógica! Se o modus tollens fosse preciso para as pessoas se entenderem, os Papalagui nunca se entenderiam uns aos outros. Ora, ninguém duvida que os Papalagui se entendem muito bem entre si.

- E daí?

- Daí que o modus tollens não é preciso para as pessoas se entenderem, concluiu.

Perante tal resposta, só me ocorreu perguntar:

- Mas olha lá, não me consegues convencer disso sem usares um modus tollens?

- Hã?

Ryle em Portugal...

...deixa de ser filósofo e passa a ser psicólogo, deixa de estudar a mente e passa a maravilhar-se com o espírito. Saiba tudo aqui.

8 de fevereiro de 2010

Partir de uma petição de princípio

Eis um argumento curioso. Uma pessoa diz algo banal; por exemplo: que todos os seres humanos erram. Daqui segue-se que uma atitude seguidista, iniciática, perante pretensos sábios é talvez desavisada. Agora entra a pessoa que precisamente gosta das atitudes iniciáticas e argumenta: você está a partir de uma petição de princípio (expressão maravilhosa, mais ou menos como “você está a navegar navegando”) porque pressupõe que todos os seres humanos erram.

Ora, o interessante nisto é que aparentemente não se parte de uma petição de princípio (não consigo libertar-me desta maravilha!) se partirmos da ideia oposta de que alguns seres humanos não erram. E porquê? Porque desse ponto de partida segue-se o que essa pessoa aprecia: a relação iniciática mestre/discípulo, a hipnose do intelecto, a aceitação de tudo o que alguém diz, por mais estranho que seja (aliás, quanto mais estranho mais valor iniciático tem!).

Ou seja: aceita-se partir do que leva ao que queremos, mas não do que leva ao que não queremos. O que é curioso nisto é a necessidade de justificar, raciocinar e argumentar, por parte de quem despreza a justificação, o raciocínio e a argumentação. Seria talvez mais avisado limitar-se a não tentar justificar, argumentar e raciocinar. Fazendo-o, parece que se concede que afinal estas coisas são importantes.

Há aqui um padrão curioso, comum em muitas áreas anémicas da cultura, como a astrologia ou a numerologia: é que, por mais que se denigra a justificação, o raciocínio e a argumentação, que se usa no nosso dia-a-dia e na ciência e filosofia propriamente ditas, quer-se sempre ao mesmo tempo ter uma qualquer justificação — uma justificação contra toda a justificação, um raciocínio contra todo o raciocínio, um argumento contra toda a argumentação.

Curioso, não é? Isto mostra a ilusão que é a ideia de subir pela escada de Wittgenstein para depois a deitarmos fora. (Ou até a posição mais radical e quiçá mais interessante de nem chegar a subir pela escada.) Como a escada não tem fim, não é possível deitá-la fora.

Uma das maiores ilusões da humanidade é a ideia de que podemos sair do nosso sistema de justificações, raciocínios e argumentos, para fazer, de lado nenhum e com base em nada, comentários finais sobre o nosso sistema de justificações, raciocínios e argumentos. Isto é uma ilusão porque acabamos invariavelmente a fazer mais do mesmo: apresentamos justificações, raciocínios e argumentos. E por isso mesmo não são finais: são apenas mais do mesmo, ideias que podem ser cuidadosamente avaliadas, criticadas, refutadas. E portanto nunca saímos afinal da escada que queríamos arrogantemente deixar para trás.

Galileu Galilei

Em questões de ciência a autoridade de mil não vale o raciocínio humilde de um só indivíduo.

7 de fevereiro de 2010

Definições

Justine Kingsbury e Jonathan McKeown-Green ajudam-nos aqui a compreender melhor as definições e o que corre mal com tantas definições filosóficas, como as definições de arte e de conhecimento.

5 de fevereiro de 2010

A estética de Heidegger

Eis a apetitosa introdução do novo artigo sobre a estética de Heidegger da SEP, da autoria de Iain Thomson:

Heidegger is against the modern tradition of philosophical “aesthetics” because he is for the true “work of art” which, he argues, the aesthetic approach to art eclipses. Heidegger's critique of aesthetics and his advocacy of art thus form a complimentary whole. Section 1 orients the reader by providing a brief overview of Heidegger's philosophical stand against aesthetics, for art. Section 2 explains Heidegger's philosophical critique of aesthetics, showing why he thinks aesthetics follows from modern “subjectivism” and leads to late-modern “enframing,” historical worldviews Heidegger seeks to transcend from within—in part by way of his phenomenological interpretations of art. Section 3 clarifies this attempt to transcend modern aesthetics from within, focusing on the way Heidegger seeks to build a phenomenological bridge from a particular (“ontic”) work of art by Vincent van Gogh to the ontological truth of art in general. In this way, as we will see, Heidegger seeks to show how art can help lead us into a genuinely meaningful postmodern age. Section 4 concludes by explaining how this understanding of Heidegger's project allows us to resolve the longstanding controversy surrounding his interpretation of Van Gogh.

3 de fevereiro de 2010

História da filosofia e história das ideias

Confunde-se muito a história da filosofia com a história das ideias. Roger Scruton esclarece aqui a diferença.

O que é uma explicação?

Acabei de publicar aqui a minha transcrição e tradução da palestra TED de David Deutsch sobre a natureza da explicação.

2 de fevereiro de 2010

Entrevista da Prometeu

Fui entrevistado pela revista Prometeus, e o resultado está aqui. Note-se que a entrevista tem infelizmente várias gralhas, que espero que sejam corrigidas. Todas as críticas são bem-vindas.