29 de julho de 2010

Willard Price

A densidade populacional é necessária para criar uma civilização. Tem de haver pessoas suficientes suficientemente próximas para que cada uma possa beneficiar do conhecimento dos outros, e para que todos possam cooperar. Só então pode um homem especializar-se num tipo de trabalho e tornar-se um especialista. É esta especialização que faz uma civilização.

28 de julho de 2010

Para ler melhor a Crítica

O novo navegador Safari oferece um instrumento espantoso, que melhora em muito a leitura de artigos na Internet. O mesmo tipo de instrumento está também disponível para quem usa o navegador Chrome, ou o Firefox, usando uma extensão chamada iReader. Infelizmente, o iReader não existe, tanto quanto sei, para o Internet Explorer, nem para o Opera.

Do que se trata? O navegador detecta quando estamos numa página que tem um artigo. Clicando no lugar apropriado, o navegador elimina menus, publicidade, etc., escurece o ecrã, e destaca o artigo, colocando-o em letras maiores, e permitindo a sua impressão ou envio por email. Veja como fica o último artigo que publiquei na Crítica (clique na imagem para ver melhor):


Depois de experimentar isto, nunca mais quererá ler artigos de outro modo. No meu caso, foi o que me fez abandonar o Internet Explorer a favor do Chrome. Para leitores menos à vontade com a informática, aconselho a instalação do Safari, que já oferece este instrumento, sem ser necessário instalar extensões do navegador. Boas leituras!

PS: Para o Internet Explorer e para o Opera existe isto, mas não se compara com o iReader.

Somos todos bestas

Há um dualismo persistente que nos faz falar de animais, como se isso não nos incluísse. Mary Midgley é uma das filósofas que se tem oposto a este erro. Acabo de publicar um excerto do seu popular livro Beast and Man, em tradução de Ana Beatriz de Katina Katinsky e Regina Andres Rebollo.

Disputatio 28

Está já disponível o número 28 da revista Disputatio

27 de julho de 2010

Paulo Varela Gomes

Aqui. Apesar de o autor não se dar conta, os misticismos linguísticos que denuncia são normais, em todas as línguas, porque a linguagem é usada não apenas para comunicar, mas também para impressionar socialmente. Do mesmo modo que no séc. XIX era fino usar expressões francesas, hoje é fino usar expressões inglesas. Claro que quem valoriza mais a clareza de expressão do que as territorialidades sociais acha ridícula essa maneira de usar a língua. E tem razão.

26 de julho de 2010

Aristóteles

A pessoa adequadamente formada procura em cada área apenas com aquele grau de precisão que a natureza do tema permite. Aceitar de um matemático asserções que sejam meras probabilidades é como exigir demonstrações lógicas de um retórico.

25 de julho de 2010

Homenagem a M. S. Lourenço

Coloquei ontem online a Disputatio 27, que é um número especial de homenagem a M. S. Lourenço.

Se P, então o quê?

Acabo de publicar a recensão de Matheus Silva do livro If P, then Q: Conditionals and the Foundations of Reasoning, de David H. Sanford.

A quem fazer o bem?

Acabo de publicar o artigo "A Quem Fazer o Bem?", de Faustino Vaz.

concurso filosofia da música

Uma vez que faltam 3 dias para terminar o concurso filosofia da música e ainda não houve textos concorrentes apresentados, decidi prolongar o prazo até Quinta-feira e em vez de escolher entre dois tópicos os leitores poderão escrever sobre qualquer tema relacionado com música, desde que lhes pareça que a discussão é filosoficamente interessante. Fica também a cargo dos leitores decidir o que é filosoficamente interessante aqui. Os textos podem ser postados na mensagem original ou nesta.

22 de julho de 2010

A ética da crença

Estou a rever provas do próximo livro da colecção Filosoficamente, da Bizâncio, intitulado A Ética da Crença. Se quiser ler já alguns excertos, aqui os tem:

A Ética da Crença

A crise e a discussão pública

Por vezes é um tanto penoso acompanhar a discussão pública portuguesa. Basta pensar no que vemos nos debates e comentários políticos na televisão e nos jornais acerca das medidas a tomar para enfrentar a actual crise e reduzir o défice das contas públicas. 
Todos ouvimos falar da inevitabilidade de cortes nos apoios sociais, nos salários da classe média e em outras medidas do género. Parece haver um coro de economistas e políticos a assegurar-nos que vamos ter de fazer alguns sacrifícios nos próximos anos. Diz-se que temos andado a viver acima do que produzimos e das nossas reais possibilidades, o que tem de acabar. Talvez tenham razão, não disputo isso. 
Mas quando se fala em cortar também em muitos dos gastos supérfluos e por vezes exorbitantes dos ministros, secretários de estado, deputados, directores de serviços, fundações, institutos e gestores públicos, as reacções são deveras surpreendentes, podendo dividir-se em dois grandes grupos: a dos que classificam tais propostas como populistas e dos que dizem que se justificam apenas porque os políticos e os que decidem têm de dar o exemplo. 
Ora, diria que estamos perante um falso dilema do tamanho do défice. Não digo que os políticos e opinadores públicos tenham de aprender filosofia, mas seria bom que a discussão fosse um pouco mais sofisticada. 
Os que consideram tais medidas populistas alegam que não são eficazes, dado contribuírem muito modestamente para a resolução do problema. Dizem que é apenas mais uma forma de amaciar o egoísmo das pessoas do que outra coisa. Por sua vez, os que consideram essas medidas justificadas aceitam que contribuem modestamente para combater a crise, mas alegam que se os que têm poder não derem o exemplo, as pessoas deixarão de ter qualquer motivação para aceitar fazer sacrifícios. 
A posição dos primeiros é simplesmente falaciosa, pois o mesmo tipo de raciocínio permite-me defender que as pessoas que leram o Ser e Tempo no original não devem contribuir com os seus esforços para a redução do défice público, dado que o seu peso seria muito pequeno. Se a questão fosse apenas de eficácia, eu próprio resolveria o problema do défice português num ápice e com uma só medida: retirar 6 meses de ordenado a todos os benfiquistas, que dizem ser alguns milhões. Não serve? Pois, tomar decisões políticas não é só uma questão de contas.
A posição da outra parte resume-se numa palavra: paternalismo. A ideia é que as pessoas precisam de bons exemplos para se portarem bem.
O curioso é que a nenhuma destas partes ocorre uma coisa tão simples: que a política é uma questão de tomar decisões justas. Não é simplesmente uma questão de resolver problemas. Isso é fácil. O que é mais difícil é resolvê-los de forma justa.
Ora, é uma questão de justiça elementar que ninguém fique de fora dos esforços para combater a crise, sobretudo que não fiquem de fora os que mais podem combatê-la sem sacrificar tanto como os que já vivem com dificuldades. Não se trata de exemplos nem de eficácia.
É assim a discussão pública portuguesa. Quantas vezes escutamos o que as diferentes partes têm a dizer e concluímos que nenhuma tem razão; pior, que nem sequer discutem o que realmente importa. 

20 de julho de 2010

concurso filosofia da música


Tenho vindo a digitalizar os meus livros de filosofia, dado que a e-ink já me fez desabituar do papel (embora ainda não possa ler os jpegs decentemente no ereader) para doar à biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade do Porto os exemplares em papel.
Sucede que a biblioteca da UP já tem algumas obras de filosofia da música que integram a minha estante, pelo que decidi dar-lhes outra finalidade.

Assim, declaro oficialmente aberto um concurso que termina às 24:00, na próxima Terça-feira dia 27. O leitor que apresentar o melhor texto curto sobre uma de duas questões: "O que uma obra musical é" e "Ouvir emoções na música?" receberá o meu exemplar de Introduction to a Philosophy of Music, de Peter Kivy. Os textos deverão ser publicados como comentários a este post. Boa sorte e bom trabalho aos interessados.


18 de julho de 2010

Bento de Espinosa

Aquilo em que um homem livre menos pensa é na morte; e a sua sabedoria é uma meditação não sobre a morte mas sobre a vida.

16 de julho de 2010

Filosofia Medieval nas livrarias


O volume 2 da imbatível Nova História da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny, já está disponível nas livrarias. O título deste segundo volume é Filosofia Medieval, que é do melhor que alguma vez li sobre a filosofia deste período. Quem quiser ter uma pequena ideia da qualidade deste volume, basta ler a curta introdução do autor. Qualidade que é visível até no aspecto gráfico desta edição de capa dura, com muitas e informativas ilustrações.

Arte e lógica

Acabo de receber notícia da publicação dos livros O Valor Cognitivo da Arte, de Aires Almeida, e O Conhecimento da Lógica, de Célia Teixeira.

Popper e a lógica da mecânica quântica

Acabo de publicar um artigo de Maria Luisa Dalla Chiara e Roberto Giuntini, traduzido por Jonas Becker, sobre a posição de Popper quanto à mecânica quântica.

Imperdível

Bernard Williams sobre a filosofia linguística, via Alexadre Machado.

15 de julho de 2010

Espécie-centrismo

Acabo de publicar o artigo "Símios, Humanos, Alienígenas, Vampiros e Robotas", de Colin McGinn, traduzido por Ricardo Miguel. É um excerto do livro The Great Ape Project, que quer dar protecção legal aos grandes símios.

Mary Midgley

A filosofia, como a prosa falada, é algo que bem ou mal temos de fazer durante toda a nossa vida, cientes disso ou não.

14 de julho de 2010

Racionalidade distribuída, de outro ângulo

Em defesa das propriedades

Acabo de publicar o artigo "Propriedades: Uma Defesa e Alguns Enigmas", de Rodrigo Alexandre de Figueiredo.

Filosofar ou falar da filosofia dos outros?

Acaba de sair um novo livro de Júlio Cabrera (filósofo argentino radicado no Brasil, professor na Universidade de Brasília), intitulado Diário de um Filósofo no Brasil (Unijuí, 2010). O Júlio é dos poucos académicos de filosofia que ousa filosofar, e este bem-vindo livro tem como público-alvo os estudantes, começando por lhes perguntar se estão estudando filosofia por quererem passar o resto da vida comentando a filosofia dos outros, ou por quererem ser filósofos e fazer filosofia, ou seja, fazer o que fazem os tais autores que são comentados nas universidades.

Sou solidário com a atitude do Júlio. Na verdade, quase nada mais tenho feito desde há mais de dez anos do que disponibilizar em língua portuguesa, aos estudantes e não só, os instrumentos e as bibliografias que ensinam a filosofar, ao invés de ensinar apenas a comentar textos. Note-se, contudo, que esta não é uma posição contra a história da filosofia (na verdade, um dos trabalhos importantes que fiz foi a edição portuguesa da História Concisa da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny, na Temas & Debates, deixando depois a porta aberta para a publicação da sua Nova História da Filosofia Ocidental, em quatro volumes, na Gradiva). A diferença é entre fazer história filosófica da filosofia e história afilosófica da filosofia -- que consiste em leituras literárias, históricas, psicológicas, políticas, etc., dos textos filosóficos. Nada há de errado neste segundo tipo de leituras dos textos filosóficos, e as pessoas devem ter a liberdade de fazer filosofia como muito bem entenderem; mas é mentir aos estudantes dar-lhes sub-repticiamente a ideia falsa de que esta é a única maneira de fazer filosofia académica.

13 de julho de 2010

E se?

Acabo de publicar uma recensão de Matheus Silva do livro A Philosophical Guide to Conditionals, de Jonathan Bennett.

12 de julho de 2010

Utilitarismo

Acabo de publicar uma recensão de Fernanda Belo Gontijo de Utilitarismo, de John Stuart Mill.

11 de julho de 2010

Peter Singer, a razão e as emoções

Acabo de publicar um artigo de Faustino Vaz sobre Peter Singer e sua posição quanto à relação entre as intuições éticas e a racionalidade, com o título "Singer, o "cão racional" e a "cauda emocional"".

10 de julho de 2010

Antony Flew

 O progresso em filosofia é diferente do progresso na ciência, mas isto não significa que seja impossível. Em filosofia dirigimos a atenção para a natureza essencial da argumentação dedutiva; distinguimos entre questões acerca da validade e invalidade dos argumentos e entre questões acerca da verdade ou falsidade das premissas ou das conclusões daqueles; indicamos o uso estrito do termo falácia e identificamos e elucidamos falácias como, por exemplo, a da manobra do «mas há sempre alguém que nunca há-de concordar». Haverá progresso sempre que estas coisas forem alcançadas através de um raciocínio melhor e mais eficiente – mesmo que o consenso e a persuasão sejam apenas aparentes ou incompletos.

7 de julho de 2010

Kenny


Há um erro comum subjacente ao ataque Descartes-Hobbes à objectividade das qualidades sensoriais: uma confusão entre relatividade e subjectividade. É verdade que as qualidades sensoriais são relativas; isto é, que são definidas pelas suas relações com aqueles que as percepcionam sensivelmente. Para uma substância ter um certo gosto tem de ter a capacidade para produzir um certo efeito num ser humano ou noutro animal; e o efeito particular que produz irá variar em função de várias condições. Mas o facto de o gosto ser uma propriedade relativa não significa que não seja uma propriedade objectiva. «Ser maior do que a Terra» é uma propriedade relativa; contudo é um facto objectivo que o Sol é maior do que a Terra.

5 de julho de 2010

Truth-maker

É um dos termos ingleses de tradução mais difícil: truth-maker. No Glossário, registamos três alternativas: "fazedor de verdade", "verofactor" e "veridador". O Vítor traduziu duas vezes o mesmo texto sobre o tema, usando as duas últimas versões, e a segunda parece-me funcionar melhor porque permite dizer coisas como "veridação". De modo que é esse o termo usado no texto "Veridador", de Trenton Merricks, que acabei de publicar.

4 de julho de 2010

Contra Kripke

"Intuições Cartesianas e Circularidade" é o título do artigo de Matheus Silva que acabo de publicar. Terá Kripke sido refutado? O que pensa o leitor?

William James

Em homenagem aos 100 anos da morte de William James (1842-1910), a Cognitio-Estudos: Revista Eletrônica de Filosofia vai publicar no segundo semestre deste ano um número especial dedicado ao filósofo. Para isso, convida os colegas a submeter um artigo inédito a respeito do pragmatismo jamesiano ou uma tradução inédita de um texto do filósofo, desde que relacionado ao pragmatismo e à filosofia, até 31 de agosto.

W. K. Clifford

A bondade e a grandeza de um homem não nos dão justificação para aceitar uma crença com base na sua autoridade, a menos que haja uma base razoável para supor que conhece a verdade daquilo que afirma. E não pode haver bases para supor que um homem sabe aquilo que não se pode supor que nós, sem deixarmos de ser homens, podemos verificar.

A ética da crença

Está já no prelo o próximo livro da colecção Filosoficamente, intitulado A Ética da Crença. Trata-se de um pequeno volume que reúne os textos clássicos sobre o tema de W. K. Clifford e William James, assim como um texto de Alvin Plantinga. Os textos são acompanhados de um longo ensaio meu que apresenta e discute preliminarmente o tema: será epistemicamente apropriado ter fé sem provas? Não sei ainda qual é a data prevista de lançamento, mas deverá ser Setembro. A tradução é de Vítor Guerreiro.

2 de julho de 2010

W. K. Cliford

Dificilmente faz parte da natureza humana que um homem avalie com bastante precisão os limites da sua própria sagacidade; mas é o dever daqueles que beneficiam com o seu trabalho considerar cuidadosamente onde poderá ele ter sido levado a ultrapassar esses limites.

1 de julho de 2010

As escolhas dos leitores

Durante o mês de Junho passaram cerca de 80 mil pessoas pela Crítica. As páginas mais visitadas, por ordem decrescente, foram as seguintes:
  1. O Que é a Arte? (Aires Almeida)
  2. Argumentos sobre o Aborto (Pedro Madeira)
  3. O Que é o Conhecimento? (Elliott Sober)
  4. Ética e Relativismo Cultural (Harry Gensler)
  5. Filosofia e Ciências da Natureza (Aires Almeida)
  6. A Teoria da Justiça de John Rawls (Faustino Vaz)
As secções mais visitadas foram a de Filosofia e a de Estética.

Filosofia moderna

Acabo de saber aqui da feliz edição portuguesa do livro Breve História da Filosofia Moderna, de Roger Scruton. Temos na Crítica este pequeno excerto. O livro começa com Descartes e termina com Wittgenstein, passando por Kant e Sartre. Imprescindível para estudantes e para o grande público. No Brasil, existe uma edição já há vários anos.