31 de outubro de 2010

A complicação da simplicidade


Na crónica desta semana, Matheus Silva mostra como a simplicidade, enquanto critério para escolher teorias, é muito mais complicada do que parece.

27 de outubro de 2010

Mautner já nas livrarias


O Dicionário de Filosofia, de Thomas Mautner, está já nas livrarias. Se acaso já o tinha procurado antes e não o tinha encontrado, isso deveu-se a algum atraso na sua impressão e distribuição, naturais numa obra desta natureza. Mas agora já pode deitar-lhe a mão -- e penso que não ficará desapontado.

25 de outubro de 2010

SPF

O Seminário Permanente de Filosofia da próxima sexta-feira, 29 de Outubro, será apresentado por Rodrigo Alexandre de Figueiredo (UFRJ), e tem por título "Propriedades Disposicionais e Categóricas." Resumo: A solubilidade (do sal na água), a fragilidade (da xícara de porcelana) e a humildade (de Sócrates), são casos paradigmáticos de propriedades disposicionais. Por outro lado, a esfericidade e a massa (de uma bola de futebol) são propriedades ditas "categóricas." Estas últimas ocorrem nos objetos, enquanto as disposicionais não: ao analisar uma porção de sal não encontramos a sua disposição de se dissolver na água, mas podemos encontrar a sua massa. Mas como distinguir estes dois tipos de propriedades? O meu objetivo é discutir a tese do "acarretamento," segundo a qual as propriedades disposicionais acarretam, enquanto as categóricas não, uma condicional subjuntiva (ou uma contrafactual).

24 de outubro de 2010

Duas ideias comuns postas em causa


Na crónica desta semana, "Realidade e Forma Lógica," ponho em causa uma ideia comum sobre a validade formal, depois de explicar brevemente como pôr em causa outra ideia comum relacionada sobre a analiticidade. E o que pensa o leitor?

21 de outubro de 2010

Faleceu Rui Daniel Cunha


O Rui foi professor e investigador de filosofia, um amigo e colaborador da Crítica. O memorial possível está aqui.

19 de outubro de 2010

O sentido da vida


No III Encontro Nacional de Filosofia de Pesquisa em Filosofia da UFOP apresentarei hoje, às 19:30, uma palestra sobre o sentido da vida. Baseando-se, na verdade, num breve capítulo do meu brevíssimo próximo livro, Filosofia em Directo, a publicar em 2011, é uma breve reflexão mais dirigida ao grande público do que a estudantes de filosofia que já conheçam o tema. Visa esclarecer confusões e ideias comuns que me parecem pelo menos discutíveis, e dar alguma orientação para reflectir sobre o tema. Não farei referências a autores nem a bibliografias, pois esse é o espírito do livro.

Para quem tem interesse no tema, organizei e traduzi o livro Viver Para Quê?, onde seis filósofos contemporâneos apresentam as suas ideias e argumentos, e publiquei o capítulo "Sísifo e o Sentido da Vida" no meu livro Pensar Outra Vez.

Os slides da palestra serão depois disponibilizados, como habitualmente, em dmurcho.com. Todas as críticas e sugestões são bem-vindas.

A Coca-Cola na escola

Há uns anos lancei esta pergunta em público: dado que o principal factor de sucesso escolar é a motivação dos alunos, e dado que o Ministério da Educação tem sido claramente incompetente nesta área, não deveríamos substituir este ministério por uma empresa de marketing? Afinal, vende-se Coca-Cola, uma bebida completamente absurda, com imenso sucesso, a milhões de pessoas, todos os dias. E isso porque a empresa sabe vender Coca-Cola, associando-a a estilos de vida apelativos.

Caso se conseguisse que as famílias culturalmente mais carenciadas associassem o estudo, os livros e o esforço escolar a estilos de vida que já valorizam, o sucesso escolar dos alunos mais carenciados aproximar-se-ia do dos outros, que já trazem de casa a motivação para estudar e para se esforçar.

Foi por isso que vi com muito interesse o vídeo seguinte, em que a Melinda French Gates argumenta que as Organizações Não Governamentais de ajuda aos mais carenciados têm muito a aprender com a Coca-Cola.

17 de outubro de 2010

Cidadania? Ou lavagem ao cérebro?


Aires Almeida opõe-se no texto "Educação para a Cidadania?" à politicamente correcta ideia de que a escola tem por missão a educação para a cidadania, tal como esta expressão é hoje entendida. O que pensa o leitor?

11 de outubro de 2010

Concurso: Provas para quê?


Para assinalar a publicação em Portugal do mais recente livro da colecção Filosoficamente, o livro A Ética da Crença, org. por mim e com tradução de Vítor Guerreiro e introdução minha, a Bizâncio, em colaboração com a Crítica, promove um concurso. Diz-se por vezes que para crer em Deus não são necessárias provas; mas será esta posição defensável? Porquê? Os autores das duas melhores respostas (sintéticas, bem argumentadas, informadas) receberão como oferta um exemplar do livro; a oferta abrange apenas Portugal. O concurso termina no próximo Domingo, às 17:00 de Lisboa. As respostas são dadas na caixa de comentários.

Assim se prova a existência de Deus

10 de outubro de 2010

Para que serve a filosofia?


"A filosofia não serve para nada se não servir para transformar o mundo," ouve-se por vezes dizer. Mas o Vítor Guerreiro discorda aqui. E o leitor?

7 de outubro de 2010

Convite cordial


Escrever boas recensões é um excelente exercício para a nossa aprendizagem e um óptimo veículo para divulgar bons livros. O ritmo de boas publicações de filosofia, em Portugal e no Brasil, tem sido felizmente intenso, mas na Crítica pouco mais tem sido feito do que divulgar esses livros numa breve nota, quando seria muito melhor poder publicar também recensões desses mesmos livros. Estou assim a convidar todos os leitores a escrever recensões sobre os livros que temos divulgado neste blog, assim como outros livros de filosofia que considerem importantes.

Uma boa recensão descreve com rigor o conteúdo de cada um dos capítulos do livro, detendo-se ou não mais minuciosamente num deles ou num grupo deles. Além disso, uma recensão pode também incluir uma discussão pormenorizada de algumas das ideias do livro, mas não está obrigada a fazê-lo.

Eis dois bons modelos de recensões recentes: If P, Then Q e Philosophy of Law.

Repito então o convite a todos os leitores para que submetam recensões, não apenas de livros de filosofia, apesar de essa ser a nossa principal área, mas também de divulgação científica, que na Crítica sempre teve um lugar de destaque, ao contrário da imprensa tradicional.

6 de outubro de 2010

nota ao 2º concurso de filosofia da música

Infelizmente, parece que os serviços postais do Brasil não aceitam envios com portes à cobrança. Como o custo dos portes ainda é relativamente elevado, terei de restringir a participação no concurso a leitores que residam em Portugal.

4 de outubro de 2010

Morreu a filósofa Philippa Foot

Philippa Foot (1920-2010) morreu tranquilamente ontem, dia 3 de Outubro, com noventa anos de idade, na sequência de vários problemas de saúde. Foot é, sem dúvida, um dos mais destacados nomes da ética dos últimos 50 anos. A filósofa britânica popularizou-se sobretudo como autora da famosa experiência mental do problema do trólei e pelo seu ataque à ética consequencialista. Mas a sua obra filosófica vai muito além disso. Deixo aqui a entrada que escrevi sobre ela no Dicionário Escolar de Filosofia:

Filósofa inglesa, professora de filosofia moral em Oxford e na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, destacou-se como defensora contemporânea da ética das virtudes, de inspiração aristotélica. Assim, em alternativa às éticas baseadas no dever – as éticas deontologistas – e às éticas baseadas no resultado dos nossos actos – as éticas consequencialistas – Foot argumenta a favor de uma teoria ética normativa baseada nos traços de carácter. Começou, contudo, por publicar, nos anos 50 do séc. XX, importantes artigos sobre metaética e só posteriormente acabou por se virar para a ética normativa, sendo muito discutido o seu ataque ao consequencialismo. Os seus livros mais importantes são Virtudes e Vícios (1978), Bondade Natural (2001) e Dilemas Morais (2002).

Bernard Suits


“Não digas,” adverte Wittgenstein, “ “tem de haver algo de comum, caso contrário não se chamariam “jogos” ” — mas olha e vê se há algo de comum a todos eles.” Este é um conselho irrepreensível. Infelizmente, Wittgenstein não o seguiu. Olhou, sem dúvida, mas porque já tinha antecipadamente decidido que os jogos são indefiníveis, o seu olhar foi fugaz e pouco viu. [...] Um jogo é uma tentativa voluntária de ultrapassar obstáculos desnecessários.”

Método de estudo

Ouço falar frequentemente que a melhor maneira de estudar a partir de livros é sublinhá-los. Recordo um colega do curso de licenciatura que tinha os livros completamente coloridos, já que os sublinhava por completo com marcadores florescentes. Cheguei a recomendar que se fizesse uma exposição com os livros dele. Em tempos eu próprio sublinhei muitos livros meus de estudo, usando para o efeito, um lápis de carpinteiro azul de um lado e vermelho do outro. Acreditava que assim orientava e organizava melhor o meu estudo. Muito provavelmente por defeito metodológico, a verdade é que nunca mais regressava às partes sublinhadas. Mas os sublinhados eram um método de estudo universalizado. Serviam, entre outras coisas, para recordar em pouco tempo as partes mais importantes de uma obra. Mas é curioso que esta prática estivesse instituída entre os estudantes mas, por exemplo, raramente um estudante estudava uma obra pelo índice remissivo que, além de ser muito mais fácil que sublinhar os livros evita de os estragar. Claro que podemos sempre dizer que não nos importamos de estragar os nossos livros mas o problema é quando temos de os usar nas bibliotecas. E, se pensarmos que as bibliotecas deviam ser os grandes centros académicos por excelência, a ideia de ir para lá sublinhar livros é idiota. A verdade é que muitos estudantes sublinhavam os livros das bibliotecas, um hábito verdadeiramente irritante. 

Gradiva de cara lavada


O site da Gradiva está de cara lavada e tem em promoção vários livros, incluindo da Filosofia Aberta, com descontos até 30%.

3 de outubro de 2010

Filosofia da Arte

As livrarias portuguesas, mesmo as melhores, têm destas coisas: quase conseguem esconder bem escondidos alguns livros dos seus potenciais interessados. Não seria a primeira nem a segunda vez que entro na Fnac para procurar um dado livro de filosofia, saindo de lá sem o ter comprado. Isto apesar de terem lá vários exemplares disponíveis, coisa que só venho a saber posteriormente. Poderia ter, mais uma vez, ocorrido comigo esta tarde. Felizmente, um mero acaso fez-me olhar para o sítio errado, descobrindo assim uma excelente novidade editorial no domínio da filosofia. Trata-se de Filosofia da Arte, do conhecido filósofo da arte americano Noël Carroll. O livro não se encontrava na secção de filosofia, apesar do título, mas nos livros de arte — depois não se admirem se ficarem meses nas estantes sem ninguém lhes pegar.

Conheço muito bem o livro e é, sem dúvida, o melhor que já li sobre a questão da definição da arte: apresenta sempre definições muito claras e precisas; recorre a abundantes exemplos esclarecedores de todos os tipos de arte, tanto de arte antiga como contemporânea, da pintura e da música — incluindo a música rock e pop — à arquitectura, passando pelo cinema, literatura e até televisão; procede regularmente à reconstituição de argumentos, de modo a facilitar a sua avaliação crítica; inclui pequenos resumos com as principais ideias no final de cada capítulo e, acima de tudo, é tudo tratado com grande rigor e actualidade, o que não é de espantar de um dos filósofos mais destacados na área.

O título do livro é algo enganador, pois não trata de outros problemas de filosofia da arte. É mesmo quase só sobre a questão da definição de arte. Mas é uma questão central.

Tenho o livro nas minhas mãos há pouco mais de uma hora, pelo que não posso dizer grande coisa sobre a qualidade da tradução portuguesa, feita por Rita Canas Mendes, para as Edições Texto & Grafia. Mas, do pouco que já vi, posso dizer que a impressão geral é boa: graficamente segue rigorosamente o original, tem o índice geral no princípio e o índice remissivo não falta no fim. Além disso, reparei que há notas de tradução oportunas e informativas. A única coisa que já confrontei com o original foram as citações sobre o livro, na contracapa, que registo aqui para o leitor tirar também as suas próprias conclusões:

This book will take its place as the very best introduction to the subject on the market. Because of his vast knowledge of the popular arts as well as the traditional high arts, both old and new, Carroll is able to provide an enormous variety of examples that will speak to a very wide audience.
Professor Peter Kivy, Rutgers University

«Este livro é a melhor introdução que existe sobre a matéria; Carroll, pelo seu vasto conhecimento da arte popular e erudita, dá uma enorme variedade de exemplificações que atingirão uma vasta audiência».
Peter Kivy, Rutgers University

Parece-me algo desleixado, mas também sei que estes textos por vezes não são da responsabilidade do tradutor do livro, pelo que pode não reflectir o que está lá dentro. Seja como for, esta tradução é uma excelente novidade.

Saul Kripke

É claro que alguns filósofos pensam que ter conteúdo intuitivo é um indício muito inconclusivo a favor do que quer que seja. Pessoalmente, penso que é um indício muito forte a favor de algo. Na verdade não sei, num certo sentido, que outro indício conclusivo se pode ter sobre algo, em última análise (Naming and Necessity, 1970, p.42)

Intuições filosóficas?


A crónica semanal deste Domingo tem por título "O Problema das Intuições" e é da autoria de Matheus Silva.

2 de outubro de 2010

concurso filosofia da música 2


Como anunciei quando do concurso para o livro do Peter Kivy, ganho pelo leitor Filício Mulinari, lanço um novo concurso, desta vez para um exemplar do livro "Works of Music, an Essay in Ontology" de Julian Dodd, OUP, 2007.
Nesta obra, já divulgada na Crítica, o autor defende o realismo platónico acerca de obras musicais, a perspectiva segundo a qual as obras são tipos abstractos incriáveis, normativos, cujos espécimes são os acontecimentos sonoros a que chamamos «interpretações» ou «performances». Publiquei há pouco a tradução de um artigo de Andrew Kania onde podemos encontrar uma breve crítica ao pensamento de Dodd. Na obra de Dodd encontramos críticas pormenorizadas às propostas de ontologia rivais, como as de Levinson, David Davies, Stephen Davies, Currie, Pearce, Cox, e outros, pelo que constitui também uma boa introdução à ontologia musical, que é um dos problemas estudados em filosofia da música.

Assim, até dia 15 de Outubro, o melhor texto breve (2 a 3 páginas de Word) sobre a questão «Serão as propriedades contextuais relevantes para a identidade de uma obra musical?» será premiado com um exemplar deste livro. Por «propriedades contextuais» entende-se as propriedades que dependem do contexto em que a obra é composta ou apreciada, da biografia do autor, da cultura musical em que se insere, ou que envolvem algum género de referência a realidades exteriores ao puro padrão sonoro que a partitura representa. Os textos deverão ser enviados para AQUI até às 24:00 do dia 15. Bom trabalho aos interessados.

1 de outubro de 2010

Mais leitores?

No mês de Setembro, passaram pela Crítica cerca de 95 mil leitores, um acréscimo significativo relativamente ao mês de Agosto (cerca de 78 mil), e também relativamente a Setembro de 2009 (cerca de 79 mil).

Bertrand Russell

Não tenha inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso. (The best answer to fanaticism: Liberalism, The New York Times Magazine, 1951)