28 de dezembro de 2010

25 de dezembro de 2010

Definir o conceito de arte...

... não só é possível, como é muito fácil, defende Pedro Merlussi no artigo "Uma Reformulação da Pergunta "É Possível Definir o Conceito de Arte"?" E o que pensa o leitor?

21 de dezembro de 2010

Nietzsche e a lógica


Afinal, o que pensava Nietzsche sobre a lógica? É o que Steven D. Hales procura esclarecer neste artigo que acabo de publicar, com tradução minha.

18 de dezembro de 2010

Friedrich Nietzsche

Aprender a pensar: não há mais noção disso em nossas escolas. Mesmo nas universidades, mesmo entre os autênticos doutores da filosofia começa a desaparecer a lógica como teoria, como prática, como ofício. Leia-se os livros alemães: já não se tem a mais remota lembrança de que para pensar é necessária uma técnica, um plano de estudo, uma vontade de mestria -- de que o pensar deve ser aprendido, tal como a dança deve ser aprendida, como uma espécie de dança.

14 de dezembro de 2010

Perguntas sem respostas

Muitas pessoas com frequência perguntam sobre qual o sentido de discutir um problema se a discussão nunca vai ter um fim, se ninguém vai ganhar a disputa. Ter dificuldade em compreender a importância de perguntas sem respostas equivale a, na matemática, não saber fazer regras de três simples. Por acaso na matemática isto é mais ou menos escandaloso, mas na filosofia parece não gozar do mesmo estatuto. Arrisco a afirmar que tal se explica porque a ignorância em filosofia é ainda muito maior que a ignorância em matemática. Mas também existe outra razão curiosa: é que quando estudamos matemática raramente sabemos para que servem os exercícios que estamos a fazer. Se procurarmos dar um pouco de atenção ao mundo que nos rodeia, isto de haver uma sabedoria sem respostas como a filosofia não devia até ser assim tão estranho. Quase toda a sabedoria se faz de questões e não de respostas e as respostas são sempre provisórias para a dimensão do que se pergunta. Se eu sei que neste momento estou a escrever com um ecrã de computador à minha frente, isso são dados suficientes para eu saber alguma coisa, mas ainda assim poderia aqui colocar algumas questões que abalavam esta minha noção de que eu estou a  escrever num ecrã de computador. Eu posso estar a sonhar. Ou eu posso estar a ser comandado por um programa informático sem o saber. O meu cérebro pode estar a ser manipulado por um ser mais inteligente que eu que lhe introduz informações, como esta de que estou sentado a escrever em frente a um ecrã de computador. Aceito que este exercício não é fácil de fazer, mas quem é que disse que pensar é fácil?
Este é outro aspecto que quero referir. Como chegamos então a fazer este tipo de reflexões? Há inúmeras explicações que ultrapassam a filosofia. Há pessoas que são mais curiosas que outras e não sei sequer se isso pode ser geneticamente explicado. Mas há uma coisa que sei, que o método mais seguro para pensar alguma coisita é a leitura. A leitura em filosofia não é passiva, mas activa. E é assim que a maioria das pessoas aprende a fazer filosofia e compreende problemas como a importância de um saber sem respostas, ou de discutir um problema para o qual sabemos de que não existe uma solução última.
Um outro aspecto ainda a destacar é que a maioria dos problemas, mesmo os científicos – e ao contrário do que muitas vezes se pensa – não têm também uma solução única. Têm é soluções provisórias e em regra uma solução de cada vez. E por outro lado é também ilusório pensar que os problemas da filosofia não têm solução. O que eles não têm seguramente é solução testável empiricamente pela razão muito simples de que os problemas filosóficos não se resolvem com testes na experiência. Mas a experiência não é a prova dos nove dos problemas e da sua importância. Até pelo menos Galileu não existia esta concepção de ciência que hoje temos. E durante muitos séculos ciência significava antes de tudo discussão activa de ideias, daí que muitas vezes se chamasse ciência à filosofia e à metafísica.
Tudo o que há a fazer para quem não compreende esta noção elementar da filosofia e da vida dos seres humanos porque não teve formação adequada em filosofia, é ler os livros que vão aparecendo no mercado e que nos elucidam melhor que os meus posts sobre estes assuntos. Sem leitura continuamos na mesma.
Para começar fica AQUI uma sugestão.

12 de dezembro de 2010

Os mais relevantes de 2010

Convenciona-se daqui a alguns dias o final de mais um ano civil, o de 2010. Vou assinaler a data com as minhas escolhas dos livros que considero mais relevantes do ano, em língua portuguesa. Alguns dos títulos não ainda não os li integralmente, mas isso é o que muitas vezes acontece com os ensaios. Leio capítulos, pesquiso referências, vou buscar algo que me interessa no momento, etc. As minhas escolhas são sempre discutíveis, mas os critérios foram somente os de ter saído para o mercado no ano corrente, que eu lhes tenha pegado pelo menos algumas vezes e que todos eles tenham sido livros adquiridos por mim. Há uma excepção. Não tenho ainda o livro de Aires Almeida, mas conheço-o antecipadamente pela tese publicada na revista Crítica. E custar-me-ia muito deixar de fora o livro de um dos professores de filosofia do ensino secundário que mais admiro e com quem tenho o privilégio de partilhar espaço aqui na Crítica. Finalmente, temos hoje em dia disponíveis em língua portuguesa livros de filosofia importantes e actuais. Este esforço de publicar, traduzir, escrever, é sempre motivo de destaque, pois trabalhar sem as ferramentas adequadas é  muito mais complicado. Segue a lista com uma brevíssima nota de apresentação para cada obra.

Anthony Kenny, Nova história da filosofia Ocidental, Volume 1, Filosofia Antiga, Gradiva, Tradução: Maria Fátima Carmo e Pedro Galvão)
Desconheço em língua portuguesa outra obra que se lhe equipare. Temos algumas edições, mas que entretanto estão gastas pelo tempo de edição. Esta obra, em 4 volumes, é muito estimulante porque é uma obra de filosofia sobre a história da filosofia.


Anthony Kenny, Nova história da filosofia Ocidental, Volume 2, Filosofia Medieval, Gradiva, Tradução: António Infante


Earl Conne e Theodore Sider, Enigmas da existência, Uma visita guiada à metafísica, Bizâncio, Filosoficamente, Tradução: Vítor Guerreiro
Considero que este livro é muito provavelmente o primeiro livro que conheci e um dos poucos que ainda conheço que expõe a metafísica de forma muito divertida e, pasme-se, fácil. Antes de ter lido este livro nunca pensei que fosse possível a aliança entre metafísica e acessível. O livro percorre os principais problemas desta área da filosofia.

W. K. Clifford, W. James, A. Plantinga, (Org. Desidério Murcho), A ética da crença, Bizâncio, Filosoficamente, Tradução: Vítor Guerreiro
Um livro sobre epistemologia da fé que reúne alguns artigos que discutem o problema se podemos ou não conhecer deus sem provas.


Noel Carroll, Filosofia da Arte, Texto & Graphia, Synopsis, Tradução: Rita Canas Mendes
Inicialmente não pensei em comprar este livro. Já tenho algumas boas introduções à filosofia da arte que satisfazem as minhas modestas necessidades. Mas no dia em que me deparei com o livro numa livraria comprei-o passado uns 30 minutos. E isto aconteceu porque li as primeiras páginas e fiquei desde logo muito bem impressionado com a escrita. Um livro de filosofia escrito assim não podia ficar na prateleira.


Roger Scruton, Breve história da filosofia Moderna, Guerra & Paz, Saber e Educação, Tradução: Carlos Marques
Um pouco mais de história da filosofia, contada por um filósofo experiente, desde Descartes a Wittgenstein.


António Zilhão, Animal racional ou bípede implume?, Guerra & Paz, Saber e Educação
Não é de todo um livro acessível, pelo menos a um público que não deseje avançar muito num problema filosófico. É, com efeito, uma das poucas obras de filosofia redigida em português que, no ano de 2010 me conseguiu despertar o interesse.


Michael Martin (Dir), Um mundo sem Deus, Ensaios sobre o ateísmo, Ed. 70, O Saber da Filosofia, Tradução: Desidério Murcho
Este volume é a tradução do Cambridge Companion to Atheism. É uma obra poderosa com artigos muito competentes e que ampliam a visão do problema do ateísmo. São 18 artigos de autores diferentes em 3 partes. Muito bom.



Thomas Mautner, Dicionário de Filosofia,  Direcção da edição portuguesa de Desidério Murcho
Tradução de Vítor Guerreiro, Sérgio Miranda e Desidério Murcho
Lisboa: Edições 70
Este dicionário é a minha referência quando tenho de usar um mapa para me guiar na filosofia. E agora temo-lo traduzido numa edição volumosa, mas muito competente.


Aires Almeida, O valor cognitivo da arte, Centro de Filosofia da Univ. de Lisboa
Conheço razoavelmente bem a tese que originou este livro já que a mesma está disponível na Critica. Não conheço ainda o resultado final, mas teria de destaca-lo como uma das edições a tomar em atenção no ano de 2010 – e provavelmente a melhor do ano de um autor português. Trata essencialmente de um problema da filosofia da arte, que é saber qual o valor cognitivo da arte e se a arte tem tal valor. 

10 de dezembro de 2010

Dois novos de Stephen Law

Stephen Law, o filósofo inglês que recentemente esteve em Portimão nos Encontros de Professores de Filosofia,  vai lançar em breve dois novos livros dos quais reproduzo aqui as capas. Gosto especialmente do título de um deles que me atrevo a traduzir para: "Acreditar na Mentira: como não cair num buraco negro intelectual". Promete.

Mini-colóquio luso-brasileiro de lógica e metafísica na UFRJ

Nos próximos dias 14 e 15 de Dezembro terá lugar na UFRJ um mini-colóquio organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Lógica e Metafísica daquela universidade. O programa é o seguinte:

14 de Dezembro, 14:00 horas: João Branquinho (Universidade de Lisboa/Centro de Filosofia da
Universidade de Lisboa): "Existenciais Negativas Obstinadas".

14 de Dezembro, 16:00 horas: Breno Hax Jr. (UFPR/Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa): "O Princípio Fundamental da Metafísica".

15 de Dezembro, 11:00 horas: Desidério Murcho (UFOP/Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa): "O Número de Planetas é Um Número".

Debatedores:
Ludovic Soutif (PUC-RJ)
Guido Imaguire (UFRJ/Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa)
Marco Ruffino (UFRJ/Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa)

Versões e "versões"


Acabo de publicar a tradução de Vítor Guerreiro da resposta de Peter Kivy a Kirk Pillow: Versões e "Versões," Falsificações e "Falsificações."

8 de dezembro de 2010

As palavras e as coisas

- Podíamos ter decidido chamar gatos aos cães?
- Acho que sim!
- Nesse caso, os cães seriam felinos e miavam, ao passo que os gatos seriam canídeos e ladravam. Estou certo?
- Humm...?

Definição da "arte"

"Arte" é uma palavra portuguesa constituída por quatro letras, sendo "a" a primeira, "r" a segunda, "t" a terceira e "e" a quarta, e é usada para falar da arte.

7 de dezembro de 2010

Pôr Deus à prova


A afirmação de que Deus existe não é testável, pensavam os positivistas lógicos, mas Elliott Sober discorda no texto "É a Existência de Deus Testável?", traduzido por Luiz Helvécio Marques Segundo.

5 de dezembro de 2010

A música é uma construção social?


A crónica desta semana de Vítor Guerreiro tem por título "Música, Categorias Sociais e Objectividade" e põe em causa a ideia de que as categorias sociais são destituídas de objectividade. Mas o que pensa o leitor?

O valor de um Bach autêntico


A FCG acabou de publicar o livro O Valor de um Bach Autêntico, de António Lopes. O livro, baseado na tese de doutoramento do seu autor, trata de um problema de filosofia da música muito discutido nas últimas décadas, a saber, a questão da avaliação das execuções musicais, mais precisamente da autenticidade de tais execuções. António Lopes é investigador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e professor de Filosofia do ensino secundário.

Filosofia em ePub gratuita


Quem usa leitores electrónicos de livros tem agora à sua disposição mais um recurso importante: eBooks@Adelaide. Este trabalho de qualidade da Universidade de Adelaide recebeu recentemente um melhoramento crucial: disponibiliza agora os seus livros em ePub, cuidadosamente formatados. Podemos ler Aristóteles em traduções clássicas de David Ross, por exemplo, e Platão nas traduções de Benjamin Jowett. Mas o site não disponibiliza apenas livros gratuitos de filosofia; inclui também literatura e ensaísmo, destacando-se dos autores incluídos George Orwell e Marcel Proust, entre tantos outros. Um bem-vindo recurso para quem lê electronicamente, mas não no computador.

4 de dezembro de 2010

Justificar o castigo


O que justifica o castigo penal, se é que há justificação? Acabo de publicar uma breve introdução ao tema, da autoria de Wesley Cragg, com tradução de Lucas Miotto.

1 de dezembro de 2010

Mais leitores?

No mês de Novembro passaram pela Crítica cerca de 106 mil leitores, um crescimento ligeiro relativo aos cerca de 99 mil do mês de Outubro.