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Arthur Schopenhauer


Usar o anonimato para atacar pessoas que não escreveram anonimamente é evidentemente desonroso. Um crítico anônimo é um sujeito que não quer assumir o que diz ou o que deixa de dizer ao mundo acerca dos outros e de seus trabalhos, por isso não assina. (A Arte de Escrever, L&PM Editores, p.75)

Comentários

  1. Este livro reúne cinco ensaios retirados de "Parerga e Paralipómena. Escritos filosóficos menores".

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  2. no caso dos pseudónimos literários as pessoas sabem normalmente de quem se trata. mas neste caso não falamos da publicação de um romance sob pseudónimo, e sim de uma crítica que se dirige explicitamente a alguém. o problema não é a diferença prática que faz, para o criticado, entre ler um nome "genuíno" ou um pseudónimo. a diferença é moral: criticar anonimamente é ou cobardia ou infantilidade - afinal que raios temos a esconder para que isso se transforme num pomo de discórdia? não vejo razão plausível para esconder a identidade a não ser que a própria pessoa tenha motivos para não querer ser associada às afirmações que faz, ou seja, caso se trate de afirmações que não faria em circunstâncias normais, porque há algo nelas que deixa o próprio indivíduo desconfortável.

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  3. Estas são algumas dúvidas que podem ainda persistir nos leitores da Crítica sobre a questão (já anteriormente abordada) do anonimato:
    - E se o propósito do autor anónimo não for destrutivo, mas construtivo, deve ser mesmo assim desprezado?
    - Qual a relação entre o anonimato e a liberdade de expressão, ou seja, alguém que não se sabe quem é não terá direito a exprimir-se?

    Té,

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  4. Curiosamente, já tenho assinado anonimamente alguns comentários críticos. Nem sempre por cobardia e/ou imaturidade, mas para que a pessoa visada pensasse no assunto sem o associar a alguém em particular.
    Mais, o anónimo pode querer manter-se anónimo apenas para se proteger - para não ser julgado como alguém arrogante ou impertinente numa chamada de atenção - e não para atacar impunemente.
    Enfim, há que reconhecer matizes. :)

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  5. Olá, Rita

    Não há qualquer princípio sofisticado contra ou a favor de comentários anónimos. É uma coisa puramente estatística: na Internet, quando se permite o anonimato em comentários de blogs, rapidamente há mais ruído do que sinal, mais tolices do que informação. Se isso não acontecesse, os comentários anónimos seriam permitidos.

    Quanto à liberdade de expressão, Zé, as pessoas são livres de dizer anonimamente o que quiserem, mas não na casa dos outros. Entrar-me pela casa adentro encapuçado e ainda por cima obrigar-me a ouvir impropérios não é algo que decorra da liberdade de expressão, mas apenas da falta de cortesia.

    Lembro que apesar da informalidade, que é bem-vinda, este blog é de uma revista de filosofia e dirige-se a quem quer alimento filosófico sofisticado e não mais um sítio na Net com frivolidades e palpites à toa. É preciso não esquecer que a quase totalidade dos leitores do blog não comentam, excepto quando têm realmente algo importante a dizer, ou uma crítica a fazer. Se todo o tolo puder vir para aqui dizer o que lhe dá na gana, as pessoas que têm coisas interessantes a dizer calam-se. E eu não quero que isso aconteça. Na verdade, a suposta liberdade de expressão da tolice é uma forma escondida de impedir a liberdade de expressão dos outros.

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  6. Desidério,
    e se o encapuçado que nos entra pela casa adentro é cortês e ainda por cima nos presenteia com algo irrecusável?

    E se um autor anónimo publica na Crítica uma definição de Arte finalmente consensual?
    E se um autor anónimo publica na Crítica uma prova da (não) existência de Deus que seja irrefutável?
    E se um autor anónimo publica na Crítica o verdadeiro sentido da vida acabando com todo esse mistério?

    A sua mensagem é apagada?

    Té,

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  7. Quando os comentários anónimos são realmente interessantes, Zé, aqui na Crítica eu não os apago. Podes ver no blog que há vários comentários anónimos que não foram apagados. Mas se é mero ruído e ainda por cima anónimo, a probabilidade de ser apagado é muitíssimo elevada.

    Zé, repito: isto não é uma ciência exacta. Tudo o que eu estou a fazer -- e preferia não o fazer -- é a impedir que as caixas de comentários se tornem aqui uma selva de irrelevâncias, como ocorre noutros lugares. Há aqui até um aspecto ecológico: as pessoas deviam pensar um pouco antes de escrever frivolidades e tolices, poluindo o mundo com mais asneiras.

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  8. Desidério,
    agradeço a resposta, julgo que agora tudo ficou mais claro e que essa postura terá o assentimento da generalidade dos leitores da Crítica.
    Espero que este mero elogio ou reconhecimento do vosso trabalho para manter a qualidade desta publicação não seja considerado uma irrelevância ou uma frivolidade ;^)

    Té,

    PS – Desejo ainda que, todos que a isso se sintam obrigados, possam sair do anonimato, pois certamente encontrarão um meio de se exprimirem de forma construtiva e sem constrangimentos.

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  9. Neste livro Schopenhauer redige uma crítica muito corrosiva aos eruditos, a educação moderna, o risco da leitura em excesso que pode vir a atrapalhar os pensamentos próprios, etc.
    Schopenhauer é uma grande referência para Nietzsche, mesmo que a patética metafísica de Arthur encontrasse extrema aversão em Nietzsche.

    Edvan(www.edvanjesus.blogspot.com)

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