9 de janeiro de 2011

Destruir arte


Haverá algo de errado em destruir obras de arte? Aires Almeida argumenta aqui que nem sempre, mas o leitor concorda?

4 comentários:

  1. Aires

    qual seria o problema de uma solução consequencialista qualificada? Por exemplo, a defesa da tese de que é errado destrurir uma obra de arte sse ela é uma boa obra de arte e contribui muito para o nosso bem-estar. Isso não evitaria as acusções de falácia de divisão?

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  2. Gostei muito deste artigo. Acessível e coloca questões interessantes e difíceis que apesar de estarmos implicados por elas facilmente passam despercebidas, como é o caso de o proprietário de uma obra de arte com o chamado interesse público poder ou não destruí-la.

    Acerca desta questão eu acho pacífico que num estado democrático tal proprietário (pelo menos se for o autor da obra) pudesse destruir a sua obra de arte. Isto porque se quisermos colocar o direito de propriedade em segundo plano face ao bem-estar social e ao interesse público então teria de se aceitar muitas outras coisas que ferem o direito à propriedade para se salvar igualmente o interesse público. Alguns exemplos seria ter de se ceder terrenos e casas aos sem-abrigo e comida a quem não a tem. Que o Da Vinci não pudesse destruir a Mona Lisa, por exemplo, se esta obra fosse propriedade sua para além de ter sido ele o autor, só porque a obra era um grande bem para todos - seja lá o que isso for -, parece-me análogo a chegarem a nossa casa e dizer que temos de fornecer comida a não sei quem porque isso é do interesse público. E isto dificilmente muitas pessoas aceitam.

    Para além disto, estas últimas coisas de interesse público parecem ser de longe mais relevantes do que as obras de arte. Isto pode ser difícil de justificar, mas uma maneira de o fazer consiste em dizer que o interesse estético (e outros) depende de interesses de sobrevivência. Isto não significa contudo que alguém a morrer à fome, por exemplo, não preferisse ir dar uma volta a um museu em vez de ir comer uma refeição, se lhe fosse dada tal escolha. Podia preferir isto, mas se optasse pela refeição e não morresse podia depois visitar o museu na mesma, mas não podia comer a refeição depois de morrer à fome a apreciar obras de arte.

    Por outro lado, se se quiser saltar para fora da hipótese dos estados democráticos ao mesmo tempo que não se quer que as obras de arte com interesse público pudessem ser destruídas pelos seus autores e proprietários, então acho que faria mais sentido simplesmente retirar a propriedade de tais obras aos seus autores passando as mesmas a ser propriedade comum.

    Se, por exemplo, Dali não poderia utilizar a sua famosa obra "A persistência da memória" para fotografar a tela pintada a derreter na sua lareira (mesmo que estivesse assim a criar outra obra, ou seja, impedindo o próprio autor de ser artista a partir da sua própria criação), porquê continuar a insistir que era ele o proprietário?

    r.

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  3. Matheus,

    é verdade que uma solução consequencialista qualificada como a que sugeres evitaria a falácia da divisão, mas não seria suficiente para concluir que é sempre errado destruir obras de arte.

    r.

    refere alguns aspectos relevantes, que reforçam a posição por mim defendida. O meu texto é apenas uma síntese muito abreviada dos principais argumentos contra a ideia de que é sempre errado destruir obras de arte.

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  4. Este é o novo link do artigo: http://criticanarede.com/destruirarte.html

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