17 de janeiro de 2011

A religião de Darwin


Acabo de publicar aqui a habitual crónica semanal, desta vez sobre Grandes Questões: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

5 comentários:

  1. Realmente, pode-se responder de inúmeras maneiras às questões, até de modo contraditório e sem que nenhuma resposta seja suficientemente satisfatória considerando os diferentes âmbitos das questões. Dependendo do alcance e do sentido que lhes atribuirmos.

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  2. Para sabermos verdadeiramente quem somos, donde vimos e para onde vamos, precisamos de conhecer não só a nossa natureza, origem e destino individuais, mas a origem, natureza e destino de tudo o que existe, ou seja, do Universo inteiro. Vejamos porquê, analisando sinteticamente o problema da origem e tomando-o como exemplo válido igualmente extrapolável para os outros dois: saber de onde viemos, ou conhecer a nossa origem, implica, obviamente, num primeiro momento, saber quem foram os nossos pais; mas tão logo cheguemos aí, o problema persiste sob a forma de sabermos de onde vieram eles por sua vez, e assim sucessivamente, num movimento de recuo cada vez mais alargado, até percebermos que necessitamos de conhecer a totalidade da história humana se queremos realmente compreender a nossa origem, pois se ela não tivesse existido ou tivesse sido diferente, nós, pura e simplesmente, não estaríamos aqui; compreenderemos depois que a história cultural ou civilizacional do Homem também não é suficiente para explicar de onde viemos, porque se o Homem, enquanto espécie, não existisse, se tivesse extinguido, fosse diferente, ou tivesse evoluído de maneira diferente, nós também aqui não teríamos chegado, pelo que carecemos igualmente de saber como e porquê evoluiu o Homem como espécie para tornar possível a nossa própria existência; somos desse modo conduzidos ao problema da origem do Homem, enquanto espécie a que pertencemos e de onde derivamos, já que foi essa origem que nos trouxe até aqui, permitindo a nossa existência individual; mas como para conhecermos a origem da espécie humana e a sua evolução, isso implica conhecer as espécies que a antecederam e que nela se transformaram, logicamente o processo obriga-nos a expandir e a recuar à origem e evolução de toda a vida na Terra, a fim de percebermos como e porquê surgiu a espécie de que fazemos parte; no entanto, se formos suficientemente honestos, teremos de reconhecer que esse ainda não é o último nível da equação da nossa origem, pois antes de haver vida na Terra já havia a própria Terra onde ela foi gerada, e, antes desta, o Sol, à volta do qual orbita e em volta do qual se formou, o que nos leva ao problema da origem do sistema solar como um todo, daqui ao problema da origem da galáxia em que estamos integrados, e desta à origem do próprio Universo como um todo, caso queiramos ser lógicos e levar o processo compreensivo-explicativo até às suas últimas consequências, sem cedências nem concessões teóricas à preguiça ou à facilidade, sem qualquer receio de nos afundarmos cada vez mais no mistério das origens, nem tampouco tentando contorná-lo artificialmente através do seu bloqueio algures a meio do caminho. Ora, basta agora estender este raciocínio, aplicando-o às outras duas questões relacionadas, e teremos assim a justificação da tese inicial, posto que tanto a nossa natureza como o nosso destino dependem directamente da nossa origem, o que faz com que a resposta à primeira questão condicione a resposta às outras duas: o nosso destino resulta da nossa natureza, e esta, por sua vez, resulta da nossa origem. Visto que a nossa origem individual remonta à nossa história colectiva, esta à nossa origem antropológica, a qual nos conduz à origem e evolução biológica, e daí à origem e evolução do Universo como um todo, sendo e fazendo nós parte dele a todos esses níveis e em relação a todas essas dimensões, física, biológica e antropologicamente, dessa nossa relação de identidade e pertença em relação a tudo o que existe segue-se que só ficaremos a conhecer a nossa verdadeira natureza e o nosso provável destino, tanto individual, como colectivo e específico, quando conhecermos e percebermos a totalidade do que é e como se formou o Homem, do que é, como se formou e como evoluirá a Vida, e do que é, como se formou e evoluirá o Cosmos, em suma, quando soubermos tudo o que há para saber.

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  3. Temos o conhecimento científico do funcionamento genético, mas disso não segue que esse conhecimento no informe para onde vamos. A engenharia genética está ai para que os pais possam escolher o sexo dos seus filhos, para que possamos preferir alimentos modificados, mas estas escolhas são feitas não somente em critérios científicos. Resultados experimentais no dizem quais as características historicamente nos favoreceram em determinados ambientes, mas não diz quem são as pessoas que deveriam receber estas modificações resultantes do avanço tecnológico.
    Este aspecto descritivo é central, mas como o ambiente em que vivemos não é o mesmo, e nem os valores que seguimos estão sempre de acordo do que seria biologicamente considerado favorável, a escolha entre uma e outra opção deve ser feita em critérios criados por nós.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Este é o novo link do artigo: http://criticanarede.com/religiaodedarwin.html

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