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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2011

Meinong para lá da caricatura

Alexius Meinong (1853-1920) teve a infelicidade de fazer um tipo de filosofia que não era apreciada pelos seus colegas do continente europeu. Nas ilhas britânicas, contudo, Bertrand Russell deu-lhe alguma atenção. No entanto, Russell nunca apresentou cuidadosamente as suas ideias, pelo que a maior parte do que circula sobre Meinong são caricaturas desfavoráveis baseadas nas críticas de Russell. Richard Sylvan é a nossa salvação, apresentando aqui os elementos centrais do pensamento de Meinong, que se revelam mais sofisticados e interessantes do que a caricatura costumeira.

Crença envergonhada

"Linguagem Religiosa", originalmente publicado sem título por George Orwell em Março de 1944, põe em causa a tentação de interpretar alegoricamente linguagens religiosas que, na verdade, só fazem sentido quando são interpretadas literalmente. Interpretadas literalmente durante milénios, tornou-se entretanto patentemente óbvio que somos incapazes de continuar a acreditar no que tais linguagens afirmam -- e inventámos a mentira de que afinal continuamos a acreditar, mas essas linguagens são alegóricas. É Orwell no seu melhor.

O problema da identidade pessoal

Russell escreveu que um dos efeitos da filosofia -- e, podemos acrescentar, das ciências e das artes -- é fazer-nos ver coisas maravilhosas nas banalidades mais desinteressantes do quotidiano. O problema da identidade pessoal é um dos mais incisivos exemplos: que poderá haver de mais óbvio e desinteressante do que a ideia de que o leitor de hoje e de há um ano é o mesmo? Mas compreender a identidade das pessoas ao longo do tempo esconde dificuldades surpreendentes, explicadas aqui por Theodore Sider.

Um pedacinho de história

A filosofia de língua inglesa é quase desconhecida em Portugal e no Brasil. E o pouco que se conhece acaba aproximadamente por volta da segunda guerra mundial. É por isso leitura recomendada esta pequena história da filosofia de língua inglesa a partir de 1945. A minha apresentação deste pequeno livro está aqui.

O eu e a memória

O que seria de nós sem a memória do que fomos? A unidade do eu, ou a sua ilusão, se formos humianos, rapidamente se destrói quando perdemos a memória. O romancista português José Cardoso Pires passou por essa experiência e registou-a numa narrativa inesquecível de poucas mas superlativas páginas. A minha pequena apresentação desta narrativa está aqui.

De que trata a epistemologia?

Jonathan Dancy explica aqui, de modo sucinto mas informativo e rigoroso, quais são os problemas centrais da teoria do conhecimento ou epistemologia.

A Ascensão da Filosofia Moderna

Aí está o terceiro volume da suculenta Nova História da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny. Este terceiro volume, intitulado A Ascensão da Filosofia Moderna, começa com o pensamento humanista do século XVI e termina com Hegel. Como seria de esperar, Descartes, Locke, Hume e Kant têm lugar de destaque, mas são muito interessantes também as secções sobre filósofos menos centrais como Bacon, Montaigne, Pascal e Malebranche. A estrutura deste volume é igual à dos anteriores: uma parte mais histórica e outra temática, abordando as várias disciplinas filosóficas. A tradução é de Célia Teixeira.

Timothy Williamson

Na crónica desta semana, Williamson explica por que pensa que fazemos filosofia exactamente com as mesmas capacidades cognitivas que usamos para saber se há leite no frigorífico.

Simular, mas com estilo

Grande parte da vida académica, escolar e intelectual é feita de simulação: fingir que se domina o que realmente não se domina, repetir o que não se compreende muito bem, e mencionar autores de peso que nunca se leu. Mas se o quiser fazer com estilo, nada melhor do que "O Especialista Instantâneo em Filosofia", de Jim Hankinson.

OK, de onde veio o "OK"?

A palavra "OK", que se tornou comum em muitas línguas, deu origem ao livro OK: The Improbable Story of America's Greatest Word, de Allan Metcalf, que descreve hoje na BBC alguns pormenores picantes. De origem norte-americana, a palavra tornou-se comum em muitas outras línguas, a princípio apenas na linguagem informal, mas acabando por chegar gradualmente aos registos mais sofisticados das línguas.

O que é a metafísica?

De todas as áreas da filosofia, a metafísica é talvez a mais incompreendida, fruto de desconhecimento das bibliografias. E. J. Lowe caracteriza aqui com muita clareza e rigor a natureza da metafísica, em tradução de Vítor Guerreiro.

Um anjo num mundo de demónios

Poucos são os blogs que tenho na minha lista de feeds. Razão: a maioria são desinteressantes. Um Mundo Infestado de Demónios, de Miguel Galrinho, é uma das excepções: interessante e despretensioso, procurando apresentar propostas construtivas para melhorar as coisas. Hoje o Miguel publicou um bom naco sobre o ensino, aqui.

Filosofar com Agostinho

Os bons filósofos são interessantes mesmo quando erram; os maus, desinteressantes mesmo quando acertam. O que faz um filósofo interessante, do meu ponto de vista, é o cuidado posto na teorização e no raciocínio; o que me parece intensamente desinteressante é um filósofo que usa retórica no lugar de raciocínio e pretensas visões pessoais e indiscutíveis em vez de teorização.

A história da filosofia é rica de filósofos intensamente interessantes, mas que muitas vezes são desvirtuados por histórias da carochinha que se fazem passar por histórias da filosofia, e comentários ignorantes que se fazem passar por erudição.

Vale a pena ler aqui a apresentação e discussão das ideias de Agostinho oferecidas por Gareth B. Matthews: um exemplo de rigor textual e ao mesmo tempo filosófico, mostrando assim a importância de Agostinho para o pensamento filosófico de hoje.

Kenny

Derrida foi considerado por muita gente como um filósofo sério, e deve, por isso, ser avaliado como tal. Porém, não surpreende que tenha granjeado menos fama nos departamentos de filosofia do que nos departamentos de literatura, cujos académicos são menos experientes a discernir filosofia genuína de filosofia de contrafacção.

Mas qual era o argumento?

Menciona-se por vezes que Platão era anti-democrático. Mas que razões tinha ele para rejeitar a democracia como um regime político desejável? É isso que nos explica Jonathan Wolf aqui.

Falar com os botões

Uma das curiosas ilusões cognitivas relacionadas com a linguagem é a ideia, aparentemente contestada por Wittgenstein, de que a linguagem é uma coisa muito pessoal: na verdade, há razões para pensar que, como outros aspectos epistémicos e cognitivos humanos, é uma coisa muito social. Não no sentido corrompido de ser uma “construção social” ou uma “narrativa” entre outras, como é comum ouvir-se nas zonas anémicas da cultura académica contemporânea, mas no sentido cognitivo de ser necessário que seres falíveis como nós calibrem continuamente as suas crenças e práticas com as dos seus semelhantes, não para eliminar os erros, o que é impossível, mas para os domesticar estatisticamente, de modo a não tornar impossível qualquer regularidade e consequentemente qualquer linguagem e qualquer cognição. P. M. S. Hacker apresenta aqui, em tradução de Filipe Lazzeri, o muito discutido argumento de Wittgenstein contra a linguagem privada, um dos mais famosos ataques à ideia de que podemos falar co…

Nós também somos animais

Está já à venda o livro organizado e traduzido por Pedro Galvão, Os Animais Têm Direitos? Perspectivas e Argumentos (Dinalivro). Reunindo textos de Peter Singer, Tom Regan, Carl Cohen, Jan Narveson, J. Baird Callicott, James Rachels e Jeff McMahan, trata-se de um livro que apresenta os argumentos a favor da ideia de que é imoral maltratar os animais não humanos (note-se o antropocentrismo que é usar "animais" excluindo-nos a nós), e respectivas objecções. Para quem quiser conhecer este debate, este é um bom livro para começar.

"É uma ideia muito válida!"

As pessoas comuns não imaginam a confusão que fazem com a palavra "validade" -- usam-na quase sistematicamente como sinónimo de "ter valor". Mas a validade não tem coisa alguma a ver com isso, quando a aplicamos a raciocínios ou argumentos. Graham Priest explica aqui o que é afinal a validade, com tradução de Célia Teixeira.

Filosofia da religião, em breve

Já tem capa a edição portuguesa que se avizinha do livro Introdução à Filosofia da Religião, de William L. Rowe, traduzido por Vítor Guerreiro e revisto por mim. A publicar pela Verbo, esta é a melhor introdução à filosofia da religião que me foi dado ler -- e li quase todas as que encontrei no mercado, antes de escolher esta. Na Crítica podemos ler uma recensão do livro e o primeiro capítulo.

Filosofia directamente no top

Acabei de saber pelo blog do Rolando que o livro Filosofia em Directoestá no top de vendas da Fnac, em terceiro lugar. Agradeço aos leitores que compraram o livro, e espero que a sua leitura seja informativa e estimulante.

Ciência, realismo e a sua negação

O debate entre o realismo e o anti-realismo, em filosofia da ciência, é aqui sucintamente apresentado com proficiência por Samir Okasha, em tradução de Luiz Helvécio Marques e Sérgio R. N. Miranda.

Conhecimento e cepticismo

Afinal, o que é isso do cepticismo filosófico? Janice Thomas responde aqui, em tradução de Faustino Vaz.

Crónica da semana

A crónica desta semana é vaidosamente assinada por mim e tem por título "A Incoerência da Vaidade".

O livro dos sons

Luís António Ribeiro apresenta aqui o livro dos sons de Hans Otte, interpretado por Ralph van Raat.

Como havemos de viver?

A resposta de Peter Singer é que o melhor é viver uma vida ética. Será?

Contas à vida

Durante os meses de Outubro a Janeiro foram submetidos 25 trabalhos, dos quais 23 foram rejeitados e 2 estão por analisar. Quanto ao número de leitores, em Janeiro passaram por aqui um pouco mais de 44 mil pessoas, um ligeiro acréscimo relativamente ao mesmo mês do ano anterior (41 mil) e um ligeiro decréscimo  relativamente a Dezembro (52 mil).

Bertrand Russell

Os males do mundo devem-se tanto a defeitos morais quanto à falta de inteligência. Mas a humanidade não descobriu até agora qualquer método para erradicar defeitos morais [...] A inteligência, pelo contrário, aperfeiçoa-se facilmente por meio de métodos que todos os educadores competentes conhecem. Logo, até se descubrir um método para ensinar a virtude, o progresso terá de ser alcançado por meio do aperfeiçoamento da inteligência e não da moral.