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O eu e a memória


O que seria de nós sem a memória do que fomos? A unidade do eu, ou a sua ilusão, se formos humianos, rapidamente se destrói quando perdemos a memória. O romancista português José Cardoso Pires passou por essa experiência e registou-a numa narrativa inesquecível de poucas mas superlativas páginas. A minha pequena apresentação desta narrativa está aqui.

Comentários

  1. Olá Desidério,

    Mesmo no fim da obra, J.C.P. escreveu qualquer coisa como: ao fim de dois anos acabei, as coisas foram surgindo desordenadamente mas em "corrente" (numa direcção).
    A propósito do fluxo da memória autobiográfica (tão importante para a unidade do "eu") há um texto do filósofo Francis Herbert Bradley (1846-1924)intitulado "Why do we remember forwards and not backwards?", publicado na revista Mind, 12, (1887) pp. 579-582.
    A ideia é: porque é que a recordação dos acontecimentos se orienta para a frente?
    Penso que não está traduzido em português e na internet apenas consegui ler a primeira página do original.
    Há um capítulo maravilhoso (onde recolhi a referência e a pergunta que fiz) dedicado a este problema no livro "Porque é que a vida acelera à medida que se envelhece? de Douwe Draaisma, Relógio D'Água, Colecção Ciência, Janeiro de 2009 (original de 2001).
    Vale a pena ler.

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  2. Obrigado pelas referências! Bradley foi um dos mais importantes filósofos britânicos do séc. XIX, um dos principais representantes do chamado "idealismo britânico", juntamente com McTagart.

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  3. O novo link para a apresentação do livro é este: http://criticanarede.com/lds_deprofundis.html

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