23 de fevereiro de 2011

O eu e a memória


O que seria de nós sem a memória do que fomos? A unidade do eu, ou a sua ilusão, se formos humianos, rapidamente se destrói quando perdemos a memória. O romancista português José Cardoso Pires passou por essa experiência e registou-a numa narrativa inesquecível de poucas mas superlativas páginas. A minha pequena apresentação desta narrativa está aqui.

3 comentários:

  1. Olá Desidério,

    Mesmo no fim da obra, J.C.P. escreveu qualquer coisa como: ao fim de dois anos acabei, as coisas foram surgindo desordenadamente mas em "corrente" (numa direcção).
    A propósito do fluxo da memória autobiográfica (tão importante para a unidade do "eu") há um texto do filósofo Francis Herbert Bradley (1846-1924)intitulado "Why do we remember forwards and not backwards?", publicado na revista Mind, 12, (1887) pp. 579-582.
    A ideia é: porque é que a recordação dos acontecimentos se orienta para a frente?
    Penso que não está traduzido em português e na internet apenas consegui ler a primeira página do original.
    Há um capítulo maravilhoso (onde recolhi a referência e a pergunta que fiz) dedicado a este problema no livro "Porque é que a vida acelera à medida que se envelhece? de Douwe Draaisma, Relógio D'Água, Colecção Ciência, Janeiro de 2009 (original de 2001).
    Vale a pena ler.

    ResponderEliminar
  2. Obrigado pelas referências! Bradley foi um dos mais importantes filósofos britânicos do séc. XIX, um dos principais representantes do chamado "idealismo britânico", juntamente com McTagart.

    ResponderEliminar
  3. O novo link para a apresentação do livro é este: http://criticanarede.com/lds_deprofundis.html

    ResponderEliminar