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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2011

Zen e a arte de manutenção da filosofia

"O raciocínio não é um instrumento mágico que possa ser usado unicamente para refutar aquelas ideias de que não gostamos. Quando se abre a caixa de Pandora do pensamento crítico, nada fica para lá do seu domínio de aplicação." Isto afirmo eu aqui, mas o leitor poderá não concordar.

Objecções às objeções à clonagem

Acabo de publicar o artigo "A Pobreza das Objecções à Clonagem Humana Reprodutiva", de John Harris.

Sobre os erros ortográficos

Relembro que os comentários com erros ortográficos sistemáticos serão apagados, mesmo que não sejam de apagar por outras razões. Isto significa que apago alguns comentários que poderiam figurar neste blog. A prática de não acentuar as palavras que o Word não acentua automaticamente é absurda, pois significa que sempre que um verbo e um substantivo se distinguem pela acentuação, perde-se a distinção. Ainda recentemente, no mural do meu departamento, os alunos colocaram um cartaz dizendo algo como "Para quando uma maquina de Xerox?" sem se darem conta de que para quem é quase analfabeto a ponto de não distinguir o verbo maquinar do substantivo máquina não seria despiciendo proibir o acesso a máquinas de Xerox, não vá ele maquinar de modo a encher o mundo com ainda mais lixo ortográfico.

Recordo também mais uma vez que apago os comentários anónimos, mesmo que não tenham erros ortográficos nem outras razões para serem apagados. Do mesmo modo que uma revista académica não aceita …

Suporte para livros

Acabei de ter conhecimento que já é possível comprar no Brasil suportes para livros, que são muitíssimo úteis. Veja aqui.

Conviver com as diferenças

Acabo de publicar aqui a crónica desta semana. O que pensa o leitor?

O Sentido da Nova Lógica

Já dispomos de uma "nova" edição de "O Sentido da Nova Lógica", de W. O. Quine, lançada em 1996 pela UFPR. Resultado de uma série de conferências ministradas na USP, em 1942, o livro expõe de maneira relativamente introdutória a lógica moderna (que alguns têm por hábito de denominar de clássica) e algumas de suas consequências filosóficas. O livro pode ser comprado aqui.

Curiosidade bibliográfica

Quine foi, sem dúvida, um dos mais influentes filósofos da segunda metade do séc. XX e as suas ideias continuam a suscitar discussão. O que talvez muitos não saibam é que um dos primeiros livros de Quine foi originalmente escrito e publicado em português pela velha Martins Editora, de São Paulo. Trata-se do livro O Sentido da Nova Lógica, publicado em 1944, a partir de um conjunto de conferências que Quine foi convidado a dar em 1942 na Escola Livre de Sociologia e Política da Universidade de São Paulo. Quine, que parece ter sido muito dotado para as línguas, decidiu aprender português, tendo apresentado as referidas conferências na nossa língua. A "nova lógica" referida no título do livro é a lógica desenvolvida por Frege, Russell e Whitehead, entre outros, a que entretanto deixou de fazer sentido chamar "nova".  É curioso referir que a tradução castelhana desta obra de Quine, feita em 1958 a partir do original português, é da responsabilidade de outro destacado f…

Contra a clonagem

Acabo de publicar o artigo "A Sabedoria da Repugnância", de Leon R. Kass, traduzido por Vítor João Oliveira.

História da filosofia moderna

Acabo de publicar um excerto do terceiro volume da imprescindível Nova História da Filosofia Ocidental, de Sir Anthony Kenny, com tradução de Célia Teixeira.

É preciso mais do que o juramento hipocrático

A ética biomédica é uma sub-área da ética prática que lida com questões associadas com as ciências médicas e a saúde pública: a ética da pesquisa médica em animais humanos e não humanos, a relação médico-paciente, a organização do transplante de órgãos, o racionamento de recursos escarsos da saúde pública, entre outras. "Princípios de Ética Biomédica" de Beauchamp e Childress é uma referência para os interessados nessa área e profissionais da saúde pública em geral. Os autores defendem que uma ética biomédica deve ser justificada com base em quatro princípios: respeito à autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça. Essa proposta enfrenta a objeção de que não são os princípios que orientam a conduta dos agentes morais, mas suas virtudes e caráter. A edição publicada em português é a quarta e precisa ser atualizada: a quinta edição em língua inglesa já contém um novo capítulo e novas respostas aos críticos.


Introdução à edição brasileira
Prefácio à quarta edição

Capítulo …

Bach, Mutter e Gubaidulina

João Rizek traz-nos aqui uma indicação musical preciosa.

Filosofia da ciência hoje

David Papineau explica neste artigo os rumos mais recentes da filosofia da ciência, com tradução de Luiz Helvécio Marques Segundo.

Michael J. Sandel

Para chegarmos a uma sociedade justa temos de raciocinar juntos sobre o que significa a vida boa, e de criar uma cultura pública que acolha os desacordos que inevitavelmente surgirão.

Há outros animais com direitos, além dos humanos?

Acabo de publicar a introdução de Pedro Galvão ao livro por ele organizado Os Animais têm Direitos? Perspectivas e Argumentos.

Valor em directo

Acabei de publicar o capítulo Valor, do livro Filosofia em Directo.

Filosofia sofisticada e acessível

Filósofos modernos é um livro que pretende demonstrar a relevância da filosofia para os que não estão familiarizados com o assunto. Encontramos aqui as contribuições de doze de alguns dos filósofos mais importantes da terça parte do século vinte: Quine, Rawls, Davidson, Williams, Rorty, Fodor, Nagel, Kripke, Nozick, Parfit, McDowell e Singer. Sim, a lista é controversa, como tudo em filosofia. Enquanto alguns podem reclamar da ausência de David Lewis, outros vão exigir a retirada de McDowell - eu, particularmente, posso viver sem os livros do Rorty. Os filósofos convidados para apresentar as idéias desses autores são os seguintes: A. W. Moore, Thomas Baldwin, Ernie Lepore, Kirk Ludwig, Catherine Wilson, Alan Malachowski, José Luis Bermúdez, Sonia Sedivy, Alexander Bird, A. R. Lacey, Jacob Ross, Marie McGinn e Lori Gruen. A apresentação desses filósofos é clara e direta: não é um livro só para iniciados.

Cambridge Companion to Locke, no Brasil

A editora brasileira Idéias & Letras acaba de anunciar a publicação do Cambridge Companion to Locke, organizado por Vere Chappell.

Justificando a liberdade política

Agora temos em português "A Moralidade da Liberdade", de Joseph Raz, livro que é considerado por alguns como um dos mais importantes de filosofia política desde o clássico "Uma Teoria da Justiça", de John Rawls. O livro é uma defesa sofisticada do liberalismo político e uma contribuição relevante para uma série de problemas de ética, filosofia política e filosofia do direito tais como a justificação da autoridade política, a neutralidade política, a natureza dos direitos, deveres, interesses, igualitarianismo, perfeccionismo, consequencialismo e incomensurabilidade de valores. Assim como Rawls pretendeu fundamentar as aspirações do liberalismo político em uma teoria da justiça, Joseph Raz pretende o mesmo a partir de uma teoria da autonomia. A autonomia, defende Raz, é um bem imprescindível para qualquer vida satisfatória e por isso não deve ser violada ou invadida sob qualquer pretexto. Pelo contrário, as autoridades têm o dever de assegurar que tenhamos vidas …

Antologia de filosofia da ciência

Acabo de publicar a recensão de Luiz Helvécio Marques Segundo da antologia The Philosophy of Science, organizada por David Papineau.

Como matar de maneira ética

Os filósofos que trabalham com ética prática no Brasil não podem reclamar: a área tem crescido vertiginosamente nos últimos anos e o reconhecimento da sua relevância junto ao público é de fazer inveja aos filósofos das outras áreas. Atenta a essa demanda crescente, a editora Artmed acaba de publicar "A ética no ato de matar - Problemas às margens da vida", de Jeff McMahan. O livro é a referência mais completa sobre a ética de matar e aborda a moralidade de matar indivíduos cuja condição moral é incerta: animais, fetos e embriões humanos, bebês anencefálicos, seres humanos que sofreram danos cerebrais graves, seres humanos com retardo mental congênito e grave, seres humanos em coma irreversível. O livro é dividido da seguinte maneira:


Unidade 1 - Identidade
Capítulo 1. Preliminares
Capítulo 2. A Alma
Capítulo 3. Somos Organismos Humanos?
Capítulo 4. A abordagem psicológica
Capítulo 5. A abordagem que advoga a mente incorporada

Unidade 2 - A morte
Capítulo 1. Preliminares
Capítulo 2. O…

Filosofia e ensino em 1962

A escola onde lecciono tem uma história muito rica. Como seria de esperar um local a visitar é a sua biblioteca. Obviamente a minha biblioteca particular é muito mais rica em referências contemporâneas de filosofia. Mas vale a pena vasculhar o baú da biblioteca da escola. Hoje, por acaso, encontrei um manual de filosofia datado de 1962. Disponho de um prazo apertado para requisição desta obra dado tratar-se de um livro a preservar pela escola, pelo que ainda não li como devia partes deste livro, mas a primeira impressão que tenho é curiosa. Este livro datado de 1962 consegue, mesmo com alguma limitações notórias, ser melhor para ensinar filosofia que a esmagadora maioria dos manuais de que dispomos hoje em dia. Ao folhear o índice deste manual percebemos quase imediatamente que está organizado por problemas da filosofia e não por autores. A parte consagrada à lógica e ao que se chamava metodologia ocupa cerca de 250 páginas , mais de metade da totalidade do livro, o que não deixa de s…

Fazendo um check-up nas idéias

Ganhei o dia ao saber que a Zahar publicou mais uma deliciosa introdução de filosofia da dupla dinâmica Julian Baggini e Jeremy Stangroom. "Você pensa o que acha que pensa? Um check-up filosófico" é o típico livro que demonstra o grande potencial de divulgação da filosofia feita a sério: é possível explicar praticamente todo o bê-á-bá de maneira direta, dinâmica e acessível para alguém que nunca leu nada do assunto. O livro é dividido da seguinte forma:

Introdução
Como usar este livro

1. O check-up filosófico
2. Você acha que você é lógico, é?
3. O “Siloginásio”
4. Monte o seu Deus
5. O Deus do Campo de Batalha
6. Tabu
7. O Jogo da Moral
8. Shakespeare versus Britney Spears
9. Você é oficialmente ético?
10. Estar vivo
11. Quão livre você é?
12. O teste filosófico definitivo

Mary a preto-branco

Acabei de publicar a tradução portuguesa de Ricardo Miguel do artigo "O Que Mary Não Sabia", de Frank Jackson.

Putnam em destaque

O Prémio Schock de Filosofia é atribuído de três em três anos pela Academia Sueca e é considerado como uma espécie de prémio Nobel da filosofia. Este ano o laureado foi o filósofo americano Hilary Putnam. Este importante prémio já distinguiu em anos anteriores filósofos como Thomas Nagel, John Rawls, Saul Kripke e W. V. O. Quine. 
Putnam nasceu em 1926 em Chicago e foi professor em Princeton, no MIT e em Harvard. Destacou-se sobretudo nas áreas da filosofia da linguagem, filosofia da mente, metafísica, epistemologia e filosofia da matemática. Defendeu, em filosofia da linguagem, as muito discutidas e influentes teorias causal da referência e do externalismo semântico. A este propósito tornou-se famosa a sua experiência mental da Terra Gémea. Defende também uma forma de pragmatismo muito diferente da de outros filósofos americanos, nomeadamente da de Richard Rorty. 
Putnam e sua mulher, Anna Ruth Putnam, em Portugal, ladeando os filósofos Charles Travis e João Branquinho.


Tooley sobre a clonagem

Michael Tooley argumenta contra vários argumentos comuns contra a clonagem de seres humanos no artigo "O Estatuto Moral da Clonagem Humana", traduzido por Vítor João Oliveira.

Directo na Almedina e Bulhosa

Filosofia em Directo foi o quinto título mais vendido nas Livrarias Almedina e Bulhosa, na semana de 28 de Fevereiro a 6 de Março. A informação é dada aqui.

Agradeço muito a preferência dos leitores, e espero que o livro seja esclarecedor e estimulante. Todas as críticas e sugestões são bem-vindas.

Paradoxos

Acabo de publicar aqui a tradução de Aluízio Couto da breve introdução de R. M. Sainsbury ao seu delicioso livro Paradoxes.

Filosofia da música em Portimão

Na próxima sexta-feira, dia 18 de Março, Vítor Guerreiro irá falar de filosofia da música em Portimão. Não é bem uma tertúlia, mas vai dar para discutir serenamente e até inclui um breve aperitivo musical. A entrada é livre.

As duas culturas

Na minha vida profissional são muitas as vezes que ouço dizer “ah, isso é para os de letras que eu cá sou uma pessoa muito prática, já que sou de ciências”, ou então: “ah, isso é para os tipos de ciências que são muito bons nos cálculos, mas maus a pensar e reflectir”. Ou ainda outros, como “quem faz a acta é o de português que está melhor preparado”. Estas situações são comuns e são reveladoras que as pessoas, na generalidade, não se importam muito de passar atestados de ignorância a si mesmas quanto às bases mais elementares de uma formação universitária que é saber pensar pela própria cabeça, seja a formação nas chamadas ciências exactas ou ciências humanas. O facto é que estas expressões que ouço com frequência são tiques que se apanham nas universidades, onde essa separação entre ciências humanas e ciências exactas explica a divisão dos departamentos académicos. Mas por que razão especial alguém licenciado em filosofia tem de escrever bem, mas não é obrigado a fazer cálculos mat…

Clonar é manufacturar?

Acabo de publicar o artigo "Clonagem: A Objecção da Manufactura", de David Elliott, em tradução de Vítor João Oliveira.

De se no Rio

Na próxima semana, entre 16 e 18 de Março, estarei na UFRJ, participando num workshop sobre atitudes de se, como debatedor, juntamente com Paulo Faria (UFRGS), Breno Hax Jr. (UFPR) e Ludovic Soutif (PUC-RJ). O workshop é co-organizado pelo Center for the Studies of Mind in Nature (Universidade de Oslo), pela Universidade de St. Andrews, e pelo PPGLM da UFRJ. O programa está aqui.

Contra a clonagem

Acabo de publicar aqui um artigo de Jeremy Rifkin contra a clonagem, traduzido por Vítor João Oliveira. E o que pensa o leitor?

Rousseau e a vontade geral

O problemático conceito de vontade geral, crucial na filosofia política de Jean-Jacques Rousseau, é aqui lucidamente explicado por Anthony Kenny, um excerto do terceiro volume da sua monumental Nova História da Filosofia Ocidental, em Portugal publicada pela Gradiva, com tradução de Célia Teixeira.

George Berkeley

Acabo de publicar aqui um informativo artigo de Michael Ayers sobre George Berkeley, com tradução de Jaimir Conte.

Avaliação de quem avalia

Acabo de publicar "Quem o Fez, Quem o Resolve e Quem o Corrige", artigo do professor Carlos Café que oferece algumas propostas para abrir a discussão sobre o recente teste intermédio de filosofia, ocorrido em Portugal no ensino secundário.

O Carácter da Mente

A filosofia da mente é uma das disciplinas filosóficas que mais se tem desenvolvido nas últimas décadas e uma das áreas mais estimulantes da filosofia, dando origem a interessantes debates filosóficos que cruzam temas da metafísica, da epistemologia, da filosofia da linguagem e da acção, sem esquecer a psicologia cognitiva e a ciência cognitiva em geral. Pena é que os nossos estudantes de filosofia e o público interessado nestas questões não disponham de uma boa orientação em português que lhes permita acompanhar tão animada discussão filosófica. Felizmente, isso está em vias de ser resolvido com a publicação, já no final deste mês, de O Carácter da Mente, a excelente introdução à filosofia da mente, da autoria do prestigiado filósofo britânico, Colin McGinn
Trata-se da tradução da segunda edição inglesa (que acrescenta três novos capítulos à primeira edição) e que será o vigésimo título da colecção Filosofia Aberta, da Gradiva. O autor já dispensa apresentações e o leitor de O Carác…

Convite da Sociedade Portuguesa de Filosofia

A Sociedade Portuguesa de Filosofia, em parceria com o Departamento de Filosofia da Universidade do Minho e com o apoio do Centro de Estudos Humanísticos da mesma universidade, organiza este ano a 9.ª Edição dos Encontros Nacionais de Professores de Filosofia. O encontro deste ano realizar-se-á nos dias 9 e 10 de Setembro, em Braga, e contará com o Prof. Simon Blackburn (Oxford) como orador internacional.

Estão abertas as candidaturas para a apresentação de comunicações em língua portuguesa sobre qualquer tópico de filosofia ou didáctica da filosofia, incluindo ainda propostas de sessões práticas ou workshops nesses âmbitos. As comunicações não devem exceder os 30 minutos, de modo a reservar pelo menos 20 minutos à discussão. As sessões práticas poderão ocupar 50 minutos, desde que seja garantida a oportunidade para a participação do público.

Os candidatos deverão enviar para o endereço spfil@spfil.pt, até 30 de Abril, o título da sua comunicação/sessão prática e um resumo da mesma qu…

Filosofia chinesa

A Hackett acaba de anunciar uma apetitosa introdução à filosofia clássica chinesa, da autoria de Bryan W. Van Norden.

Filosofia da Religião na Verbo

Acabei de rever as provas de Introdução à Filosofia da Religião, de William L. Rowe, obra traduzida por Vítor Guerreiro e revista por mim, a publicar em breve pela Verbo. Para abrir o apetite aqui temos um excerto de cada capítulo:

Introdução à filosofia da religião

Contas à vida

Durante o mês de Fevereiro passaram pela Crítica 73 mil leitores, um acréscimo significativo face ao mês anterior (44 mil), e também face ao mesmo mês do ano anterior (61 mil).