7 de março de 2011

O Carácter da Mente

A filosofia da mente é uma das disciplinas filosóficas que mais se tem desenvolvido nas últimas décadas e uma das áreas mais estimulantes da filosofia, dando origem a interessantes debates filosóficos que cruzam temas da metafísica, da epistemologia, da filosofia da linguagem e da acção, sem esquecer a psicologia cognitiva e a ciência cognitiva em geral. Pena é que os nossos estudantes de filosofia e o público interessado nestas questões não disponham de uma boa orientação em português que lhes permita acompanhar tão animada discussão filosófica. Felizmente, isso está em vias de ser resolvido com a publicação, já no final deste mês, de O Carácter da Mente, a excelente introdução à filosofia da mente, da autoria do prestigiado filósofo britânico, Colin McGinn

Trata-se da tradução da segunda edição inglesa (que acrescenta três novos capítulos à primeira edição) e que será o vigésimo título da colecção Filosofia Aberta, da Gradiva. O autor já dispensa apresentações e o leitor de O Carácter da Mente não irá encontrar notas de rodapé, citações de outros filósofos nem extensas bibliografias. Em contrapartida, terá pela frente uma prosa clara e rigorosa, própria de quem domina bem por dentro o assunto, além do convite permanente para avaliar criticamente as ideias que vão sendo expostas.

8 comentários:

  1. Excelente! Já faltava uma boa introdução nesta área da filosofia. Parabéns! Estou ansioso pela publicação e irei divulgar.

    Luís António

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  2. Aires,
    Temos duas interessantes. A do John Heil, Filosofia da mente, uma introdução contemporânea, Piaget e o Tipos de mentes do Dennett. É verdade que a primeira é algo sofisticada e a segunda algo direccionada, mas ainda assim qualquer um destes livros pode funcionar como uma boa rampa de lançamento na área. Existe ainda uma outra de um autor português mas é confusa e muito má, além de muito vaidosa já que o autor refere na introdução que vai resolver o problema duro da consciência.

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  3. Rolando,

    o livro do Heil está muito mal traduzido e o livro do Dennett não é uma introdução tão aconselhável, pois expõem idéias do autor que não são tão relelevantes para quem quer dar os primeiros passos na discussão (a noção de "postura intencional", por exemplo, que aparece logo no segundo capítulo) - pessoalmente, eu poderia viver sem os livros do Dennett.

    Eu já tinha mencionado aqui o excelente trabalho que o Fernandes Teixera tem feito na divulgação da filosofia da mente em língua portuguesa http://blog.criticanarede.com/2009/10/filosofia-da-mente-no-brasil.html. Mas a meu ver a melhor introdução à filosofia da mente não é um desses livros do Fernandes ou o livro do Mcginn e sim o livro do Paul Churchland "Matéria e Consciência - Uma Introdução Contemporânea à Filosofia da Mente".

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  4. O livro do Churchland foi publicado em português pela editora Unesp e até onde me lembro está com uma boa tradução: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8571395195&sid=91076424213218688906048274

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  5. Rolando, reforço as palavras do Matheus sobre os dois livros que referes: a tradução do livro do Heil é simplesmente inutilizável, pois aquilo está tudo aldrabado. Quanto ao livro do Dennett, não se trata bem de uma introdução à filosofia da mente, mas antes da perspectiva do próprio autor sobre alguns problemas da filosofia da mente. É interessante e merece ser lido, mas não encontras lá aquilo que encontras numa filosofia da mente. É verdade que o McGinn também apresenta a sua própria posição em relação a vários dos problemas abordados, mas só depois de expor cuidadosamente as diferentes teorias em confronto (as teorias não os autores, pois o livro quase não refere autores) e seus argumentos.

    Matheus, o que realmente interessa não é tanto se a introdução do McGinn é a melhor que há mas se é uma boa introdução. E quanto a isso não há qualquer dúvida. Claro que a do Churchland também é muito boa. Pessoalmente prefiro o estilo menos académico (à falta de melhor termo) do McGinn.

    Quanto aos livros do Teixeira, infelizmente eles não se encontram aqui em Portugal.

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  6. oops, queria dizer antes «... não encontras lá o que encontras numa introdução à filosofia da mente»

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  7. Aires,

    eu queria mencionar outras obras já traduzidas e entrei na questão de saber qual é o melhor livro introdutório sobre o assunto. Admito que essa é uma questão idiota nesse caso: o livro do McGinn é mais socrático que o livro do Churchland, mas é menos completo. Os dois são ótimos e podem interessar a leitores diferentes com objetivos diferentes ou ao mesmo leitor em circunstâncias diferentes.

    Quanto aos livros do Teixera: os livros que são vendidos na livraria Cultura não podem ser comprados por vocês de Portugal?

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  8. Aires e Matheus,
    Sim, estou completamente de acordo com o que dizem. Já agora, um reparo. Desconheço a edição original do Heil, mas comparando a obra em inglês e em Português começa logo pelo índice não fazer qualquer correspondência. Eh pá, eu estou felicissimo pela edição do McGinn.Na fil aberta falta a introdução à fil da religião, mas a edição da Verbo do Rowe colmata essa ausência.

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