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Mensagens

A mostrar mensagens de Abril, 2011

Submissões

No que respeita aos meses de Fevereiro a Abril, foram submetidos dezoito artigos, dos quais cinco foram aceites, estando cinco ainda por analisar, tendo sido rejeitados os restantes oito.

Thomas Adès

Acabo de publicar aqui uma recensão de João Rizek do CD Tevot & Violin Concerto, de Thomas Adès.

A liberdade é decepcionante?

Acabaram de passar 37 anos sobre a revolução do 25 de Abril em Portugal. Perante a actual crise e as dificuldades por que muitas pessoas estão a passar, há cada vez mais vozes a lamentar que a revolução ficou por cumprir e que tudo continua na mesma: as desigualdades sociais são enormes e não foram eliminadas as injustiças. Acho que tais lamentos assentam num enorme equívoco sobre o que a revolução nos trouxe de realmente valioso.
Independentemente das intenções dos militares que encabeçaram a revolução, o que ela nos trouxe de realmente valioso foi a liberdade política, que consistiu na substituição da ditadura por um regime democrático. Rawls defende que a liberdade é um dos princípios de qualquer sociedade justa, tendo mesmo prioridade sobre quaisquer outros (que, na opinião de Rawls, são o princípio da oportunidade justa e o princípio da diferença). A liberdade traduz-se no direito de voto, no direito de concorrer a cargos públicos, na liberdade de opinião, de expressão e de reuniã…

Consequencialismo, deontologia e animais não humanos

Gareth B. Matthews (1929-2011)

O filósofo Gareth B. Matthews faleceu no passado dia 17, segundo notícia o site da sua Universidade, de Massachussets. Fica conhecido entre nós sobretudo pela tradução de Santo Agostinho, em 2008, edições 70, um ensaio de introdução e exploração dos principais tópicos da filosofia do santo medieval, escrito de forma invulgarmente clara.

A justificação de Goldman

Acabo de publicar o clássico moderno de Alvin I. Goldman, "O Que é a Crença Justificada?", traduzido por Luiz Helvécio Marques Segundo, Sérgio R. N. Miranda e por mim.

É preciso sensibilizar?

Na crónica desta semana, Aires Almeida opõe-se à recente mania de Sensibilizar as pessoas, em vez de as esclarecer ou discutir ideias. E o que pensa o leitor?

Inteligência artificial

Acaba de sair o livro Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais, de Porfírio Silva (Âncora Edições). Trata-se do resultado do trabalho de um filósofo entre engenheiros, como refere o autor.

Não estamos, pois, a falar das formas correntes de usar máquinas como instrumentos. Que usemos o computador para processar texto ou para ajudar na contabilidade doméstica; que haja robôs em linhas de montagem automóvel – são situações representativas de um (hoje já) velho convívio com as máquinas. Reconhecemos que essa presença das máquinas entre nós há muito vem levantando questões sociais complexas. O que estamos a propor, contudo, é que podemos estar a passar para um patamar diferente, que se realizará quando passarmos a olhar seriamente para as máquinas como agentes. Não apenas como ferramentas, mas como sujeitos de acção, com os quais podemos cooperar ou competir, que possamos eventualmente encarar como se tivessem intenções próprias. E se chegarmos ao ponto de, em certas situações, já n…

Uma exceção à regra

Quando ouço alguém mencionar com gosto as profundezas filosóficas da literatura eu já espero pelo pior: romances que centram toda a relevância do mundo em mesquinharias subjetivas, contos acerca das angústias de pessoas mal resolvidas e poemas com expressões pomposas que só contêm banalidades ou falsidades evidentes. Uma exceção à regra é Simplicidades insolúveis - 39 histórias filosóficas de Roberto Casati e Achille Varzi. O livro é composto de pequenas histórias repletas de experimentos mentais, raciocínio intenso e sutilezas conceituais que demonstram a delicadeza da argumentação filosófica: suponha que façamos um livro que só contém desenhos para auxiliar os turistas. Se para compreender os desenhos precisamos interpretá-los qual é a utilidade de apenas utilizar desenhos em primeiro lugar? Este livro seria útil? E o que diria se alguém colocasse um cubo de granito diante de si e afirmasse que em seu interior há uma reprodução fiel do Davi de Michelangelo em escala reduzida. Seri…

Haack apaixonada

Um leitor da Crítica, Joedson Marcos Silva, chamou-me a atenção para esta notícia feliz: A Loyola acaba de publicar Manifesto de Uma Moderada Apaixonada: Ensaios Contra a Moda Irracionalista, de Susan Haack. Originalmente publicado em 1998, trata-se de uma colectânea de ensaios que têm como tema unificador o género de ideias supostamente pragmatistas na altura tornadas muito populares por Richard Rorty e outros pensadores ligados aos departamentos de literatura norte-americanos. Inclui um diálogo ficcional entre Rorty e os pragmatistas norte-americanos clássicos, construído por Haack com pedaços dos seus textos, no qual estes se opõem àquele, que contudo se dizia seu seguidor. Na Crítica podemos ler dela o artigo "À Espera de uma Resposta: O Processo Desordenado de Tactear a Verdade."

Prémio SPF 2010 atribuído a Luís Estevinha Rodrigues

Photo by froodmat A edição de 2010 do Prémio SPF, promovido pela Sociedade Portuguesa de Filosofia com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, colocou a concurso uma questão no âmbito da epistemologia: Pode a percepção justificar as nossas crenças acerca da realidade?
O vencedor do prémio, no valor de 3500 €, foi Luís Estevinha Rodrigues (estudante de doutoramento em Filosofia da Universidade de Lisboa e professor do ensino secundário)autor de um ensaio que adoptou o enunciado da questão colocada como título.
No seu ensaio, Luís Estevinha Rodrigues defende que a percepção sensorial – e, em particular, a visão – origina crenças com conteúdo proposicional respeitante ao mundo exterior e, na maioria dos casos, embora não em todos, justifica da melhor maneira possível (com justificação epistémica ultima facie) essas crenças. A argumentação apresentada em defesa desta posição tem um pendor claramente pragmático, pois toma como premissa a existência de relações causais entre essas c…

Filosofia da religião nas livrarias

Está já à venda o livro Introdução à Filosofia da Religião, de William L. Rowe, com tradução de Vítor Guerreiro e revisão científica minha. É uma edição da Verbo. O primeiro capítulo pode ser lido aqui.

O que é a verdade?

Bertrand Russell oferece aqui algumas ideias importantes sobre o conceito de verdade.

Glossário de português-faz-de-conta

Disse Wittgenstein que os limites da nossa linguagem são os limites do nosso mundo. Talvez Wittgenstein esteja certo, até porque não temos razões para pensar que tudo o que ele disse é errado. Nesse caso, vale a pena tentar sondar os limites da nossa linguagem, olhando em particular para o uso que damos à língua portuguesa. Eis um exercício que pode ajudar a compreender os limites do nosso mundo: o esboço de um glossário de português-faz-de-conta. Aqui ficam alguns exemplos para começar.
PORTUGUÊS-FAZ-DE-CONTA - PORTUGUÊS O senhor diz que P, mas eu diria antes que Q = Não concordo que P O que o senhor acabou de dizer é uma inverdade = Isso é falso Um actor espantoso = Um actor muito bom Um actor absolutamente espantoso = Um actor muito bom É extremamente bom = É muito bom É o melhor a nível europeu = É o melhor da Europa A é melhor do que B em termos deresistência = A é mais resistente que B
Fazer amor = Ter relações sexuais Incontornável = Inevitável Numa lógica de poder = Na luta pelo poder (…

Fenómenos mentais

Acabo de publicar um excerto do novo volume da Filosofia Aberta, O Carácter da Mente, de Colin McGinn, com tradução de Fernanda O'Brian. Leia-se também a recensão de Leônidas Hegenberg a este livro.

Nicholas Fearn

Procuramos respostas filosóficas para problemas filosóficos, mas essas respostas podem não ser condizentes com o tom da questão se o objetivo for eliminar um mistério. O sentido de drama que acompanha a perplexidade geralmente se evapora com a resolução. Isso repele indivíduos atraídos pela filosofia como uma forma de escapismo mais adulta que histórias de fantasmas, duendes e óvnis. (Filosofia - novas respostas para antigas questões, p.15)

O estado da arte da discussão filosófica

Filosofia: Novas Respostas para Antigas Questões é uma exposição acessível das soluções mais recentes para alguns dos problemas mais antigos da filosofia. O elemento de divulgação do livro é admirável, modesto e não encerra nada de novo. O que há de novo, e não é nada modesto, é a proposta de fazer uma auditoria da filosofia: podemos dizer que a filosofia fez algum progresso passados mais de 2.000 anos de investigação? Para responder essa pergunta Fearn consulta mais de trinta de alguns dos mais destacados filósofos contemporâneos - nomes como John Searle, David Chalmers, Martha Nussbaum, Jerry Fodor, Colin McGinn, Peter Singer, Derek Parfit, David Wiggins, Bernard Williams, Donald Davidson, Richard Rorty, Daniel Dennett e Tyler Burge.

A estratégia de Fearn consiste em apresentar alguns problemas de filosofia, indagar os filósofos entrevistados acerca das melhoras teorias que dispomos atualmente para responder a esses problemas, comparar suas soluções com as dos filósofos do…

Nova ética prática

Acabo de ter conhecimento do lançamento da terceira edição de Practical Ethics, de Peter Singer. (A edição portuguesa baseia-se na segunda edição; a brasileira, não sei.) Na terceira edição, o autor reviu totalmente o texto, e inclui capítulos novos sobre a mudança climática, a agricultura industrial e o terrorismo. Destaque-se que Peter Singer é odiado por muitos académicos precisamente pelo que todo o académico com amor à profissão -- o que é muito diferente de ter amor a  um imaginado estatuto social -- deve almejar: extrema clareza e profundo didactismo. Quando fiz pressão para finalmente conseguir publicar o livro em Portugal, na Filosofia Aberta, a maior parte dos estudantes e professores de filosofia portugueses não fazia a mínima ideia do que era a ética aplicada, desconhecendo a imensa bibliografia da área, alguma da qual oriunda dos mais prestigiados departamentos de filosofia do mundo. Espero agora que a Gradiva faça uma edição actualizada desta obra, que recomendo a todos …

Raciocinar para nada

Raymond Smullyan, que escreve livros divertidos, plenos de quebra-cabeças lógicos, inventou o que George Boolos considera o mais difícil quebra-cabeças de sempre, explicando logo de seguida como resolvê-lo, usando recursos elementares da lógica clássica. O artigo onde o faz é este, e foi traduzido por Ricardo Miguel.

Seminário Permanente de Filosofia

O Seminário Permanente de Filosofia da UFOP deste semestre será às quintas-feiras. A primeira sessão, dia 7 de Abril, será dedicada ao problema de saber se os dilemas morais são possíveis; a segunda, dia 14, à discussão de dois argumentos influentes a favor da permissibilidade moral do aborto. Estão todos convidados.

Ética, filosofia e literatura

Acabo de publicar um excerto da introdução de Martha Nussbaum à sua colectânea de artigos intitulada Love's Knowledge: Essays on Philosophy and Literature, com tradução de Luís Filipe Bettencourt e minha.

Cepticismo na idade moderna

Acabo de publicar o artigo "Ceticismo Moderno", de Richard Popkin, traduzido por Jaimir Conte.

Será que temos a obrigação moral de invadir a ignorância de um povo?

Não sou um apreciador de todo da música dos brasileiros Sepultura, ainda que alguns álbuns me tenham cativado. Um deles é o “Chaos A D”(1993). Neste álbum existe uma música que aborda o problema dos Kaiowas. Os Kaiowas eram uma tribo indígena sul-americana que cometeram suicídio em massa assim que tiveram o menor sinal de invasão cultural por parte de outros povos, nomeadamente a chamada “cultura ocidental”. Este sinal de protesto incluiu a violação das suas terras por parte governamental. A questão que aqui coloco é se temos a obrigação moral de "invadir" outros povos com a nossa cultura, nomeadamente a cultura científica que acreditamos melhorar em muito a vida em geral, ou se, pelo contrário, esses povos têm direito à ignorância da nossa cultura. Que pensar?

Proposições ensimesmadas?

Acabo de publicar a tradução de Leandro de Oliveira Pereira do artigo "Proposições Aplicáveis a si Mesmas", de McTaggart, originalmente publicado na Mind em 1923.

Contas à vida

No passado mês de Março passaram pela Crítica cerca de 103 mil leitores únicos, um acréscimo significativo face ao mês de Fevereiro, com cerca de 74 mil leitores. Todas as críticas e sugestões são bem-vindas.