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Inteligência artificial

Acaba de sair o livro Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais, de Porfírio Silva (Âncora Edições). Trata-se do resultado do trabalho de um filósofo entre engenheiros, como refere o autor.

Não estamos, pois, a falar das formas correntes de usar máquinas como instrumentos. Que usemos o computador para processar texto ou para ajudar na contabilidade doméstica; que haja robôs em linhas de montagem automóvel – são situações representativas de um (hoje já) velho convívio com as máquinas. Reconhecemos que essa presença das máquinas entre nós há muito vem levantando questões sociais complexas. O que estamos a propor, contudo, é que podemos estar a passar para um patamar diferente, que se realizará quando passarmos a olhar seriamente para as máquinas como agentes. Não apenas como ferramentas, mas como sujeitos de acção, com os quais podemos cooperar ou competir, que possamos eventualmente encarar como se tivessem intenções próprias. E se chegarmos ao ponto de, em certas situações, já não sermos sempre capazes de distinguir entre acções de genuína responsabilidade humana e acções de “responsabilidade” da máquina? Esse é o horizonte daquilo a que chamamos “sociedades artificiais”.

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