6 de abril de 2011

O estado da arte da discussão filosófica


Filosofia: Novas Respostas para Antigas Questões é uma exposição acessível das soluções mais recentes para alguns dos problemas mais antigos da filosofia. O elemento de divulgação do livro é admirável, modesto e não encerra nada de novo. O que há de novo, e não é nada modesto, é a proposta de fazer uma auditoria da filosofia: podemos dizer que a filosofia fez algum progresso passados mais de 2.000 anos de investigação? Para responder essa pergunta Fearn consulta mais de trinta de alguns dos mais destacados filósofos contemporâneos - nomes como John Searle, David Chalmers, Martha Nussbaum, Jerry Fodor, Colin McGinn, Peter Singer, Derek Parfit, David Wiggins, Bernard Williams, Donald Davidson, Richard Rorty, Daniel Dennett e Tyler Burge.

A estratégia de Fearn consiste em apresentar alguns problemas de filosofia, indagar os filósofos entrevistados acerca das melhoras teorias que dispomos atualmente para responder a esses problemas, comparar suas soluções com as dos filósofos do passado, indicar o que mudou na maneira de abordar esses problemas e determinar se houve algum ganho cognitivo. São examinados problemas de metafísica e filosofia da mente (identidade pessoal, livre-arbítrio, inteligência artificial, mente-corpo), epistemologia e filosofia da linguagem (ceticismo, inatismo, externalismo semântico, pós-modernismo e pragmatismo) e ética (sorte moral, comunidade moral, direitos dos animais não humanos, vegetarianismo ético e sentido da vida). O livro é uma composição harmoniosa de filosofia com prosa de estilo jornalístico à la Collin McGinn e não seria exagero dizer que por vezes tem a mesma sofisticação de livros profundos como The Philosophy of Philosophy de Timothy Williamson: compare, por exemplo, a introdução de Fearn com o posfácio de Williamson. Até onde pude notar esse livro só peca pela ausência. Fearn deixa de abordar problemas importantes como a justificação da validade, o problema da indução ou a existência de deus. O que é perdoável e compreensível, dada a pequena dimensão do livro.

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