1 de maio de 2011

As Vantagens do Pessimismo

Este é o título do mais recente livro do filósofo britânico, Roger Scruton, acabado de traduzir para português pela editora Quetzal (por estranho que pareça, nem na página da editora se consegue saber quem traduziu o livro).

Neste livro, Scruton argumenta que os problemas por que estamos a passar actualmente na Europa são, em grande parte, o resultado do optimismo irresponsável que há muito nos comanda. Este optimismo é, na opinião de Scruton, irresponsável porque fecha acriticamente os olhos ao facto de os seres humanos não serem perfeitos. Assim, a única maneira de inverter o caminho para o desastre é substituir as utopias e idealismos, de direita e de esquerda, por um pessimismo responsável.

Scruton tem uma vasta obra filosófica, sobretudo nas áreas da estética e filosofia da arte, da filosofia política, da história da filosofia e da filosofia da cultura. Escreveu também romances e é compositor (é autor de duas óperas). É uma das vozes conservadoras mais destacadas na discussão pública inglesa. As suas posições filosóficas são claramente influenciadas por Kant.  

6 comentários:

  1. É raríssimo encontrar referência ao tradutor em qualquer site. Uma excepção é a loja online da Livraria Leitura / Bulhosa.
    Quando estava a traduzir o Burke, precisei de uma boa tradução recente do Paraíso Perdido de Milton e tive uma dificuldade enorme, pela Internet, em saber, para as edições disponíveis, quem era o tradutor. Aparentemente acham que esta informação não é relevante para o consumidor fazer as suas escolhas, tendo a oportunidade de averiguar que género de trabalho o tradutor desenvolve e se tem uma relação relevante com a tradução em causa.

    Mas independentemente de isto ser útil ao consumidor, bolas, se isto não indicia falta de consideração pelo trabalho das pessoas. Não que seja uma maldade propositada, mas é uma indiferença que parece estar gravada na nossa cultura.

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  2. Ao contrário do que acontece noutros países mais sofisticados culturalmente, em Portugal e no Brasil o tradutor não é encarado pelos editores como autor. Daí o escândalo recente no Brasil quando se descobriu que alguns editores pegam em traduções antigas, fora do mercado, voltam a publicá-las e não mencionam o nome do tradutor original -- em vez disso, põem outro nome fictício ou real. O curioso é as pessoas não se aperceberem do que há de errado nisto, pensando que se trata apenas de não pagar ao tradutor original, caso em que se argumenta que o tradutor original, por vezes, já morreu. Esta incompreensão é que é grave, pois mostra que o trabalho intelectual do tradutor é completamente desprezado. As pessoas não se apercebem que não é de pagamentos ou de dinheiro que se trata, é de direito moral autoral. Fazer o que estes editores fazem é como pegar num conto desconhecido de Eça de Queirós, tirar-lhe o nome, inventar um autor fictício, e publicar.

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  3. caros

    sem querer vestir a camisola corporativa, o que aliás detesto, parece-me excessivo tomar a parte pelo todo. Não consta o nome do tradutor, como não consta o do revisor ou do editor, o que não significa menos consideração pelo trabalho das pessoas. O caso que o Desidério cita, e de que a 70 já foi vítima no Brasil, é um caso de polícia, de apropriação intelectual.
    um abraço

    Pedro Bernardo

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  4. http://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=526091&ID=339449

    Esse lançamento merece ser comentado pelo Blog.

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  5. Em muitos casos, não todos, estes sites têm espaço para todo o género de ruído visual e itens não informativos, portanto têm espaço para referir os autores do trabalho.
    Se, por exemplo, cortarem o génerico de um filme para inserir anúncios, cortam por igual os nomes de todos os participantes, mas não é essa igualdade que torna menos censurável o acto ou menos desejável que se mude alguns aspectos das nossas tradições. A diferença é que no caso dos filmes e das séries televisivas palermas as pessoas dão importância a isso, ao passo que no caso dos livros muitos leitores provavelmente mal dariam pela ausência da ficha técnica, se esta não fosse incluída no livro. Não fui fazer trabalho de campo, mas aposto que qualquer site que venda DVD's tem informação detalhada sobre o produto. Acaba por ser uma questão da mentalidade do público, do que este realmente valoriza, etc.
    Entretanto, que fazem os leitores que desejam saber quem traduziu o livro cuja compra ponderam? Vão pesquisar à Porbase? Não é que não o possam fazer, mas enfim.

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