14 de maio de 2011

Quatro ortografias, ou duas apenas?

A nova ortografia levanta um problema curioso a publicações como a Crítica, cujo arquivo completo está permanentemente disponível: caso a nova ortografia não seja adoptada nesta publicação, permanecerão, como até aqui, as duas ortografias oficiais, de Portugal e do Brasil; caso a nova ortografia seja adoptada, ficaremos com quatro em vez de duas, pois na nova ortografia continua a haver muitas variações entre os dois países (como "econômico" e "económico", ou "aspecto" e "aspeto"). Ficaremos com quatro ortografias porque ficaremos com artigos escritos na nova ortografia portuguesa, e outros escritos na nova ortografia brasileira, que é diferente; e continuaremos com os artigos antigos escritos na velha ortografia portuguesa, e na velha brasileira. A conversão de todos os artigos para a nova ortografia seria uma tarefa inglória e desgastante. Gostaria de saber a opinião dos leitores sobre este caso: será uma boa ideia passarmos a ter quatro ortografias em vez de duas, na Crítica? Ou pensam que é provável que a nova moda ortográfica passe depressa, sobretudo em Portugal, como muitas pessoas pensam?

9 comentários:

  1. Beleza de artigo, caro escritor! Embora defenda eu, sob uma postura linguistica, novos métodos de ensino, tenho medo que em um futuro não muito distante, perderemos a essência da lingua portuguesa, pois uma coisa é você deter o conhecimento da lingua em sua oralidade e outra é o próprio livro didático não assumir a postura de certo ou errado em relação ao ensino da lingua.

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  2. João Vicente Stefanelli14 de maio de 2011 às 12:27

    Bom não sei a respeito de portugal, mas no Brasil devido a um grave problema da burocracia governamental, governo este favorável a nova ortografia, impede ou pelo menos dificulta que se deixe esta norma como apenas uma moda passageira, querendo ou não o governo é quem financia as pesquisas, por enquanto é aceito a utilização da forma antiga, mas com o tempo isso pode não ser mais permitido.
    Mas se os artigos estão claros e bem explicados a influência que causada pelas quatro ortografias é pequena.

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  3. Por favor! Deixai ficar as coisas como estão!
    Os acordos comprovam que o que está errado hoje é acertado amanhã. Uma mera questão de tempo.

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  4. Eu vou continuar a vir aqui ler a CRÍTICA, independentemente do seu aspecto ortográfico. Mas escrever, vou escrever em desacordo e... rezar para que passe!

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  5. Eu, aqui no Brasil, como professor de língua portuguesa, não tenho adotado o novo acordo. Creio que nós professores poderíamos fazer uma resitência "branca" ao acordo, não adotá-lo. E veja, não estou sozinho nesta por aqui. Minha opinião é que vocês não deveriam adotá-lo, mas o adotando, mantenha as outras ortografias. Sei até que a resistência em Portugal foi maior do que aqui...

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  6. A variação de ortografia pode trazer alguns problemas ao leitor. Quem nunca ficou um pouco confuso lendo um texto com ortografia de outro país ou região? Por exemplo, aqui no Brasil ficamos confusos ao ler textos de Portugal. Se essa variação ortográfica não tivesse um aspecto psicológico nos leitores, as editoras de Portugal não mandariam seus livros para a adaptação quando querem publicá-los aqui no Brasil.

    Se aceitarmos que a variação ortográfica traz ao leitor algum tipo de confusão na hora da leitura, então a Crítica deverá tomar alguma posição para a submissão de novos artigos. Minha sugestão é montar um glossário que apresente o modo como devemos grafar palavras importantes, além de sugerir pequenas regras.

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  7. Caríssimos

    Minha opinião é que os autores "fixos" da Crítica mantenham as ortografias correntes e que os textos que porventura cheguem nas novas versões, de autores outros, sejam deixados nelas.

    E me explico:

    Adaptar o acervo é impraticável.

    Ter de revisar e adaptar cada novo texto que chegar respeitando as novas grafias não é impraticável, mas trabalhoso, e muito - trabalhoso para além, penso, da disponibilidade e mesmo do escopo da Crítica.

    Como os textos aqui publicados, mesmo os de opinião, seguem em geral as regras cultas da(s) língua(s), não me parece que levantem dificuldade de entendimento. Eu mesmo sou brasileiro e tenho dezenas de amigos, incluindo estudantes, que leem a Crítica sem mais dificuldades. (Agora, mesmo que com alguma dificuldade, isso não me parece obstáculo, ao contrário, como toda leitura e todo estudo, é enriquecedor. Do contrário, os brasileiros teríamos que adaptar toda a nossa literatura e padronizar todos os nossos regionalismos.)

    No mais, vai servir para ao menos uma coisa útil: mostrar que a(s) língua(s) não se resolve(m) com este tipo de canetada (de ministério), mas com outro: o de gastar tinta defendendo um estilo e o propagandeando com exemplos, que se seguem ou não.

    Enfim, acaba-se por ter quatro grafias na Crítica. Mas, na maior parte das vezes, duas, as quais já tínhamos. Eu não vejo dificuldades para os leitores maiores do que seria para os editores tentar contornar esse... causo, ainda mais tratando-se de uma revista mantida pela disposição e o investimento pessoais do diretor e dos editores.

    E, nunca demais: parabéns pelo trabalho!

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  8. Obrigado a todos pelas achegas! A qualidade da Crítica depende crucialmente da contribuição de todos.

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  9. Sou da opinião que duas ortografias já é demais. Isto simplesmente pelo facto de que, como já foi aqui referido, algumas vezes a diferença ortográfica causa-nos estranheza e incompreensão na leitura. Efeitos desnecessários decorrentes de ortografias diferentes, pois até com a mesma ortografia (em Portugal ou no Brasil, ou também noutras línguas que não o português) a estranheza e incompreensão não deixam de aparecer, mas por via semântica.

    Penso que a língua já é rica o suficiente para nos permitir desentendimentos mesmo falando todos português, quanto mais se estivermos a ler e escrever português antes e pós acordo.

    Por mim, até que alguma imposição legal drástica ocorra (e mesmo assim não sei...) irei escrever como aprendi, não porque foi assim que aprendi, mas porque não tive voz alguma a respeito da alteração que uma meia dúzia de intelectuais e políticos pretendem impor a países inteiros, como se língua não fosse de todos e fosse transformável só porque se assinou uma resma de papéis.

    Pode vir a ser transformável por causa daquilo, mas porque as pessoas o aceitaram e começaram a escrever como aqueles senhores quiseram. Porque se no geral a coisa não pegar não haverá nada a fazer senão voltar a trás ou ter-se mais umas quantas regras na língua que não são observadas. O que, em termos práticos, é o mesmo que não as ter.

    Concluindo: não vejo benefícios (pelo contrário) em adoptar-se aqui o acordo, a não ser que me pagassem (bem) para adaptar os textos (e eu o quisesse fazer, claro, mas não quero). Ter aqui ou em qualquer outro lado quatro ortografias pode ser uma bandalheira ortográfica, mas sobretudo é uma cedência a uma imposição autoritária sobre um património intercultural cujo direito de modificação legislativa (com esta extensão, pelo menos) é questionável.

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