20 de junho de 2011

Os exames também podem ser maus?

Sim, podem. Deixo aqui o exemplo do exame francês (do bac) de Filosofia, realizado na semana passada. O aluno tem de escolher uma de três questões, tendo 4 horas para responder à questão que escolheu. No vídeo, uma professora de Filosofia apresenta uma resposta possível para uma das perguntas: A arte é menos necessária que a ciência?

Isto só me traz à cabeça a pergunta: quem é mais importante, a mãe ou o pai?

4 comentários:

  1. Vale a pena esmiuçar o que pode ser visto como caricato na pergunta. Não se trata de qualquer má vontade contra a estética ou a arte — na Crítica temos uma boa secção sobre esta disciplina, e o Aires é autor de um livro sobre o tema — mas antes do que pode ser visto como uma pergunta tola, em termos escolares e académicos. É que a pergunta não versa sobre qualquer problema da estética ou da filosofia da arte; não pede para discutir as ideias de qualquer filósofo; não formula sequer um problema filosófico identificável na história da disciplina. A pergunta parece apenas uma tolice infantil que convida ao delírio verbal do elogio rasgado da arte, contrapondo-a à ciência, pressupondo um dualismo superficial, e que pode ser visto como o resultado de uma profunda ignorância bibliográfica, entre arte e ciência.

    Note-se que estou apenas a explicar o que pode ser visto como caricato e tolo na pergunta do exame francês; não estou a argumentar ainda que o é de facto.

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  2. O que é notável (digamos assim) é que esse exame de Filosofia, em França, criou o que poderia chamar-se com propriedade uma indústria livresca a propósito. En passant por là, comprei alguns dos livros e livrinhos que, parece-me que com renovação anual, são vendidos com respostas-tipo a problemas passíveis de CALHAR no exame e truques para o aluno se sair bem.

    Nesse conjunto, há criações com... imaginação (chamemos-lhe assim também). Dou um exemplo, entre vários outros possíveis: um dicionário (Larousse) das citações filosóficas [Du Bac à la Fac! ;-)], com 1500 (pequenas) citações organizadas em torno dos 25 temas dos bacs L, S, ES e "57 dossiers sur tous les philosophes du baccalauréat".

    Temos que convir que é difícil encontrar noutro lugar do Mundo tão digna promoção da filosofia...

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  3. Pois, Gomes, o exame de filosofia em França é um caso que merece ser estudado. Como sabes, é obrigatório para todos os alunos do bac (é sempre o primeiro exame da temporada a ser realizado), mas não é só por isso que é um caso nacional, pois os alunos e cada vez mais pais encaram aquilo como uma espécie de lotaria e um exercício de pose retórica. Os alunos raramente arriscam fazer prognósticos sobre o seu resultado, pois tudo pode acontecer. Digo isto porque conheço alunos que o fizeram e também pais que, de forma algo conformista, mo têm confessado. É com coisas destas que os franceses
    justificam a sua crença de que são o país da filosofia.

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  4. Ainda não tenho critérios para avaliar a situação do Vestibular de Filosofia aqui no Brasil, mas o que vi de algumas provas é que não são muito diferentes dessa questão francesa posta aí. É inegável que na França há tradição de estudo de filosofia, por aqui, só agora entrou nos vestibulares, e não sei se para o bem ou para o mal, já que vestibular se tornou um mercado, e bem promissor inclusive. Sempre me pergunto se Filosofia não é coisa para adulto. Ainda acredito que fariam bem mais pela formação dos menores se incentivassem melhor o estudo das Literaturas, porque sem base literária, qualquer um "samba" com a Filosofia.

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