30 de julho de 2011

Filosofando?

Acabo de publicar aqui a recensão de Sérgio R. N. Miranda do livro didáctico Filosofando, de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins.

Erros comuns

Acabei de actualizar a secção Erros Comuns do DEF, respondendo a algumas sugestões e críticas dos leitores.

Descartes e a metafísica

Acabo de publicar o artigo "A Metafísica de Descartes", de John Cottingham, traduzido por Jaimir Comte.

29 de julho de 2011

27 de julho de 2011

Sentido na vida

Acabei de rever as provas da minha tradução de Sentido na Vida e Por Que é Importante, de Susan Wolf, que será em breve publicado na Filosoficamente da Bizâncio. O livro é composto por duas conferências proferidas pela autora na Universidade de Princeton. John Koethe, Robert M. Adams, Nomy Arpaly e Jonathan Haidt formulam então várias críticas, a que Wolf responde. Susan Wolf desenvolve e reformula a sua tese central sobre o sentido da vida, pela qual é conhecida desde a publicação do seu artigo "Felicidade e Sentido: Dois Aspectos da Vida Boa", que traduzi e inclui na colectânea Viver Para Quê? Ensaios sobre o Sentido da Vida. Na Crítica temos dois artigos de Susan Wolf sobre este tema: "Os Sentidos das Vidas" e "O Sentido da Vida".

25 de julho de 2011

Glock e a analítica

O Grupo A acaba de anunciar a edição brasileira do livro O Que É a Filosofia Analítica?, de Hans-Johann Glock, traduzido por Roberto Hofmeister Pich. Uma informativa recensão de Steven D. Hales está aqui. A introdução de Glock pode ser lida aqui.

24 de julho de 2011

John Stuart Mill


Depois do excelente Santo Agostinho, de Gareth Matthews, a velha colecção Biblioteca Básica de Filosofia, das Edições 70, parece estar mesmo a renovar-se. O mais recente número da colecção está aí a confirmá-lo. Trata-se de John Stuart Mill, da autoria de Wendy Donner e Richard Fumerton. Fazia falta uma boa introdução como esta à filosofia de Mill, que foi bastante mais influente e importante para a filosofia contemporânea do que frequentemente se pensa entre nós. O livro aborda, para além dos aspectos biográficos do filósofo, temas centrais do seu pensamento, como a ética e a filosofia política, a epistemologia, a lógica e a filosofia da linguagem. A tradução cuidada é de Teresa Castanheira e Francisco Gonçalves.   

23 de julho de 2011

R. M. Hare

O contributo principal de um filósofo para uma questão prática deveria ser mostrar-nos quais são os argumentos bons e quais são os maus; e para fazer isto ele tem de ter algum modo de os distinguir entre si. Logo, a filosofia moral carece de uma base em lógica filosófica — a lógica dos conceitos morais.

22 de julho de 2011

John Searle

‎Quando publiquei uma taxonomia dos cinco tipos básicos de actos de fala, uma antropóloga objectou que, na tribo que estudava, não faziam muitas promessas, e, em todo o caso, o que me faria pensar que podia safar-me fazendo uma afirmação tão geral com base em dados tão limitados? Mas a resposta, evidentemente, é que eu não estava a apresentar uma hipótese empírica geral mas uma análise conceptual. Estes são os tipos possíveis de actos de fala que nos são dados pela natureza da linguagem humana. O facto de uma tribo não ter promessas é tão relevante como o facto de não haver tigres no Pólo Sul é relevante para uma taxonomia dos tipos animais.

21 de julho de 2011

Husserl, Heidegger e Sartre

Acabo de publicar aqui um informativo excerto do volume IV da Nova História da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny, em tradução de Cristina Carvalho.

16 de julho de 2011

Compreender a arte

Acabo de publicar o esclarecedor artigo "Uma Definição Naturalista da Arte", de Denis Dutton, traduzido por Vítor Guerreiro.

15 de julho de 2011

Philosophy TV

Não é nada mal poder dar uma espiada em conversações filosóficas de alto nível e é exatamente isto que o site Philosophy TV nos oferece: uma espiada em conversas de filósofos como Alvin Goldman, Graham Priest, Roy Sorensen, Don Marquis, Michael Tooley, Roger Crisp, Peter Singer, Michael Slote, entre outros. O site já contém mais de trinta conversações sobre problemas como o relativismo moral, a desobediência civil, o terrorismo, o aborto, o problema do livre-arbítrio, o realismo científico, as lógicas desviantes, o papel das intuições na filosofia, a meta-metafísica e a causalidade. É um bom site para quem se interessa por boa filosofia.

9º Encontro Nacional de Professores de Filosofia


Aproxima-se o 9º Encontro Nacional de Professores de Filosofia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Filosofia, em colaboração com a Universidade do Minho. O encontro tem lugar nas instalações desta universidade, na cidade de Braga, nos próximos dias 9 e 10 de Setembro. 

Tentativa e erro

7 de julho de 2011

ENPEFFE 2011

Decorrerá de 9 a 11 de Novembro de 2011 o primeiro Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Filosofia e Filosofia da Educação, na Universidade Federal de Ouro Preto, Instituto de Filosofia, Artes e Cultura. As inscrições para comunicações estão abertas.

6 de julho de 2011

Susan Wolf

Algumas pessoas sentem-se atraídas por teorias intersubjectivistas, segundo as quais algo é de valor ou não dependendo de ser valorizado por uma comunidade de valorizadores. Se a valorização de um indivíduo não é suficiente para dar à coisa o seu valor real, contudo, é difícil ver por que razão o aval de um grupo terá mais peso. Se uma pessoa se pode enganar quanto ao valor, por que não podem cinco pessoas enganar-se, ou cinco mil? A história da arte, ou até a moral, parece um testemunho mais que suficiente da perspectiva de que uma sociedade inteira pode estar enganada.

5 de julho de 2011

T. S. Elliot

Para nós não há senão a tentativa. O resto não nos diz respeito.

4 de julho de 2011

Susan Wolf

Se queremos ter vidas com sentido, não podemos tentar tê-las demasiado arduamente ou concentrarmo-nos excessivamente nisso.

Direito ao suicídio

Na sequência da publicação do livro A Morte, de Maria Filomena Mónica, a Fundação Francisco Manuel dos Santos promove a partir de hoje e até ao próximo dia 8, um debate online sobre o tema, com intervenções da autora, da médica Isabel Galriça Neto e minhas. Todos estão convidados.

3 de julho de 2011

A origem das narrativas pela selecção natural

Acabo de publicar aqui a apresentação de José Costa Júnior do livro On the Origin of Stories: Evolution, Cognition, and Fiction, de Brian Boyd.

Saber mais sobre o deus único

Acabei de publicar aqui o prefácio de A Evolução de Deus, obra de Robert Right traduzida por David G. Santos e publicada na Guerra e Paz. A edição original é de 2009 e foi uma das finalistas do prestigiado Prémio Pulitzer de 2010. A edição portuguesa de uma obra desta dimensão é de aplaudir, sobretudo por contar com uma tradução que me pareceu cuidada pelos excertos que li (ainda que com alguns anglicismos: assumir como tradução de assume, um falso amigo, pois assumir é muito diferente de presumir).

Torcer o pescoço para ler lombadas


As lombadas dos livros portugueses são assim, umas para um lado e outras para o outro. É a isto que se refere o Desidério no comentário à minha postagem anterior. Talvez seja bom para torcer o pescoço.

Lógica estóica

Acabo de publicar o artigo "A Lógica Estóica segundo Suzanne Bobzien", de Aldo Dinucci.

Livros ou calhamaços?

Já tenho aqui protestado contra a falta de qualidade que se encontra com demasiada frequência no panorama editorial português, seja pelo desleixo das traduções, pela ausência de verdadeiras revisões científicas ou até pela adopção de convenções editoriais e académicas ultrapassadas. Mas poderia também falar da própria qualidade física dos livros: encadernação, impressão, tipo de papel, etc. Também aqui as coisas deixam muito a desejar e também aqui temos de começar a ser um pouco mais exigentes.

A propósito dos meus anteriores protestos, um amigo e colega dizia-me há dias que concordava comigo, acrescentando que só se safavam mesmo as edições da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), as da Imprensa Nacional - Casa da Moeda (IN-CM) e pouco mais.

Ora aí está algo de que discordo. Imagino que a FCG e a IN-CM imponham muito respeitinho, mas também aqui temos de olhar para a realidade em vez de nos curvarmos acriticamente perante siglas tão veneráveis. A verdade é que muitas obras publicadas por essas editoras padecem dos mesmíssimos defeitos que aqui tenho apontado. E nem sequer a qualidade física dos livros destas duas editoras é melhor do que a das outras. Pelo contrário, creio mesmo que a qualidade física dos livros destas editoras está abaixo da média nacional. 

Basta pensar na encadernação dos livros da IN-CM, que talvez seja muito boa, desde que não se usem muito e se deixem intocáveis na estante. Mas se os abrirmos e folhearmos várias vezes (o que é normal, sobretudo com livros que estudamos e consultamos repetidamente), corremos o risco de ficar com um ou outro caderno na mão. Por sua vez, os da FCG nem sequer se conseguem manter abertos a não ser com a ajuda de pesos e contrapesos. 

Mas se falarmos da qualidade da impressão e do papel, as coisas não melhoram. A impressão é quase sempre suja, fazendo lembrar os jornais antigos, que eram feitos com as velhas chapas de impressão. O papel, sobretudo o das edições da FCG, é demasiado duro (cortante, por vezes) e chega a parecer papel almaço. O resultado é tornar livros normais em verdadeiros calhamaços, pesados e volumosos. Em ambos os casos os livros ficam rapidamente velhos e as folhas com manchas de fungos, como se pode ver nas fotos. É verdade que qualquer livro envelhece e isso tem de se notar, mas estes envelhecem demasiado depressa. 

Mas termino com algo que é simplesmente incompreensível em edições que se pretendem academicamente irrepreensíveis. O leitor que procure algumas das informações mais básicas sobre o livro, como por exemplo a data de publicação, não terá a sua vida facilitada. E isto verifica-se quase só nestas duas editoras. 

2 de julho de 2011

Um passeio pelas teorias do significado

A Paulus publicou recentemente "Filosofia da Linguagem" de Alexander Miller. Trata-se de uma apresentação introdutória das teorias do significado e associa uma abordagem histórica com uma abordagem temática do problema. O livro inicia com duas tentativas de explicar as propriedades semânticas relevantes do significado (Frege e a sua distinção entre sentido e referência, como essa distinção lida com os problemas da substituição em contextos de crença, da informatividade das afirmações de identidade e da referência de entidades ficcionais, Russell e sua teoria das descrições definidas, como essa teoria lida com os mesmos problemas). Nos capítulos seguintes vemos uma tentativa de restringir o significado (o verificacionismo dos positivistas lógicos e os seus problemas), o ceticismo acerca do significado (Quine e a indeterminação da tradução, Kripke e o paradoxo de seguir uma regra) e respostas ao ceticismo acerca do significado (Fodor, McGinn, Wright). O livro termina apresentando outras teorias do significado e a relevância dessas teorias para os problemas metafísicos em geral (as idéias de Grice, Tarski, Davidson, McGinn, Mcdowell, Fodor, Putnam, realismo-anti-realismo, problema Frege-Geach, externalismo semântico, o experimento mental da terra gêmea e o quietismo). Trata-se de um bom livro introdutório para alguns problemas da filosofia da linguagem.