3 de julho de 2011

Saber mais sobre o deus único

Acabei de publicar aqui o prefácio de A Evolução de Deus, obra de Robert Right traduzida por David G. Santos e publicada na Guerra e Paz. A edição original é de 2009 e foi uma das finalistas do prestigiado Prémio Pulitzer de 2010. A edição portuguesa de uma obra desta dimensão é de aplaudir, sobretudo por contar com uma tradução que me pareceu cuidada pelos excertos que li (ainda que com alguns anglicismos: assumir como tradução de assume, um falso amigo, pois assumir é muito diferente de presumir).

2 comentários:

  1. Caríssimo Professor Desidério!,

    Quero em primeiro lugar congratular a Crítica na Rede pelo lugar relevante que ocupa presentemente na transmissão de notícias críticas na Lusofonia. Quero também saudar com apreço e agrado a nota à minha tradução da obra 'Evolução de Deus' - mas quero também anotar o seguinte sobre tradução do verbo 'to assume' do original inglês: a minha versão baseia-se no uso corrente contemporâneo em português do significado secundário do verbo 'assumir', como 'parta-se do princípio de que' ou 'aceite-se para fins de discussão'. Sei que é possível debater esta questão - referindo que este não é o significado primário do termo em português, etc. - mas devo dizer que pessoalmente, parece-me um preciosismo anacrónico querer negar a realidade do significado mais corrente e presente do termo na nossa língua ao assumir uma alegada diferença relevante entre um significado primário do verbo 'assumir' em português e o significado primário do verbo 'to assume' em inglês. A minha tradução está validada pela segunda entrada de qualquer dicionário português que se consulte! Está, por exemplo, especificamente referido na área da Filosofia, com a 7ª acepção do Houaiss: 'anglicismo semântico FIL o m.q. admitir' (FIL = Filosofia).

    Seja como for - penso que isto é mais um debate que só se agudiza perante o que poderíamos chamar de 'puritanos' da língua portuguesa, e, no meu caso, pessoas que aceitam activamente e sem melancolias as interpenetrações vivas das línguas e as suas constantes mutações!

    Mais uma vez: agradeço a nota à obra na Crítica e, claro, o elogio à tradução. Esta minha anotação não é um apontamento 'sentido' - muito longe disso! - pretende apenas ser um esclarecimento informal das razões para a minha opção enquanto tradutor!

    Cumprimentos,
    David G. Santos

    ResponderEliminar
  2. Olá, David

    Não tem de agradecer, são os leitores de língua portuguesa que lhe agradecem a tradução de um livro tão importante, e à Guerra e Paz a sua publicação. Eu também não tenho problemas com as misturas linguísticas na linguagem popular, mas já na linguagem especializada isso provoca problemas, sobretudo quando um aluno ou outra pessoa menos preparada lê o texto e fica perplexa porque espera evidentemente que "assumir" tenha o seu significado primário e não o sétimo do Houaiss. Sobretudo quando se pode perfeitamente grafar "admitir", como sugere o Houaiss. Mas isso é um aspecto menor, e espero que não tenha ficado ofendido ou melindrado. Se o ficou, peço publicamente desculpas. Evidentemente, e como tentei deixar patente na breve nota que escrevi, este anglicismo não é indício ("evidência", para usar outro anglicismo da moda) de uma tradução descuidada. Pelo contrário, e como indiquei, a tradução, assim como a sua introdução, impressionaram-me pela positiva, ainda que da primeira só tenha lido as páginas disponíveis no sítio da Guerra e Paz. Uma vez mais, se houve melindre, peço publicamente desculpa. E insto todos os leitores de língua portuguesa interessados nos fenómenos religiosos a comprar este livro precioso, quer assumam quer não a sua crença ou descrença religiosa.

    ResponderEliminar