21 de outubro de 2011

Crianças e filosofia

Acabo de publicar o artigo "Ensinar Filosofia a Crianças", de Faustino Vaz, Ana Paula Cabeça e Carla Pereira.

4 comentários:

  1. «A discussão racional dos problemas mais comuns de filosofia da religião, à primeira vista uma boa escolha, poderiam gerar incompreensões, talvez não tanto nos alunos, mas sobretudo nos seus pais. Este receio levou a que não fossem incluídos no programa.»

    Alguém quer ter a bondade de me explicar o que significa isto?

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  2. Foi com muito agrado que li este artigo sobre a aplicação e desenvolvimento de um projecto de Filosofia com Crianças, dou os parabéns aos autores e partilho o seu desconsolo por o projecto não poder continuar.

    Partilho com o Faustino Vaz, a Ana Cabeça e a Carla Pereira o interesse nesta área pedagógica e, pelo que li, parece-me que a metodologia que aplicaram (o debate entre os alunos) é, de facto, a mais eficaz para ao mesmo tempo trabalhar a motivação dos alunos, a sua autonomia, atitudes cívicas e filosóficas de respeito pela opinião do outro, saber ouvir, querer ouvir, saber argumentar, criticar com pertinência, etc.

    Reconheci no relato que nos deram da sua experiência algumas das dificuldades que vou sentindo na minha própria prática de Filosofar com as Crianças (e adultos). No entanto não estou de acordo quando referem que seria vantajoso experimentrarem outras formas de cultivar essas atitudes e competências críticas, nomeadamente, como escrevem, através de "exercícios para testar as reacções dos alunos a argumentos simplificados, preencher premissas e conclusões de argumentos, avaliar diferentes relações de consequência, testar possibilidades conceptuais, avaliar graus de força de argumentos, definir conceitos e identificar condições necessárias e suficientes." Acho que estão no caminho certo e deviam centrar-se em desenvolver e aprofundar didácticas que trabalhem essas competências através do diálogo entre os alunos.

    Imagino que a sua proposta é trabalhar essas competências através de fichas e de exercícios escritos. Comecei por trabalhar estas competências de PC com os meus alunos desta forma, antes de ter começado a dominar dinâmicas de debate e diálogo em aula, e o que reparava é que estavamos a trabalhar essas competências "em seco". Com isso quero dizer que não estavamos a trabalhar as atitudes dialógicas fundamentais (e mais duradouras) para que esse trabalho crítico passe também para fora da sala de aula (o que se quer com a filosofia) - as tais atitudes de saber ouvir, querer ouvir, aceitar a crítica, etc.

    Essas competências que os autores falam (identificar pressupostos e conclusões, pensar condicionalmente, pensar em condições necessárias e suficientes, etc.) podem ser trabalhadas com muito êxito em diálogo ou debate entre os alunos. Apenas exige um professor mais interventivo ao nível da estrutura do diálogo/debate (não interventivo ao nível do conteúdo da discussão, sublinhe-se) e que pare um pouco o ritmo da discussão (uma grande dificuldade com os alunos, sobretudo os mais novos), recorrendo a técnicas didácticas específicas, que peça aos alunos para na altura certa dirigirem os seus esforços para determinado ponto (encontrar um pressuposto, tirar uma conclusão, analisar ou comparar proposições, etc.)

    O livro "The If machine" do Peter Worley, que os autores referem na bibliografia, apresenta-nos uma série de técnicas e medidas de moderação que nos podem ajudar aqui.

    Aconselho também os livros do Oscar Brenifier (em espanhol na colecção "Aprendendo a Filosofar") que nos apresentam uma série de obstáculos ao debate e estratégias para os superar.

    Outro livro muito interessante é o "Enquiring Minds: Socratic Dialogue in education", da Rene Saran e da Barbara Neisser. Entre artigos históricos e teóricos acerca desta técnica de moderação (O Diálogo Socrático) contém também alguns artigos mais práticos com medidas de moderação, atitudes a cultivar nos alunos, etc.

    Resumidamente,
    volto a dar os meus parabéns ao Faustino, à Ana e à Carla pelo trabalho realizado e a incentivá-los a continuar no mesmo caminho - do Diálogo!

    Um abraço,
    Tomás Magalhães Carneiro

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  3. Excelente e apetecível ideia! Sobretudo, para ser trabalhada em escolas designadas, ainda, secundárias, onde a disciplina de Filosofia se apagou, porque apagado, foi, também, o ensino regular. Restam algumas turmas de cursos profissionais! Pessoalmente, penso que deve ser mais profícuo o trabalho com as crianças.

    Obrigada.

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  4. CONTRA A FILOSOFIA COM CRIANÇAS

    Deparei-me com este argumento contra o ensino da filosofia a crianças e jovens.
    Por acaso é de um filósofo que admiro muito, o Roger Scruton.
    O que acham da sua posição?

    "Sou contra o ensino da filosofia nas escolas. Acho muito bem que as pessoas se questionem, mas antes temos de lhes dar algumas certezas (...) Devemos entrar no Palácio da Razão pela porta dos fundos do Hábito, o que significa aprender coisas sem as questionar, fazer coisas sem saber porque razão as fazemos por forma a adquirirmos o equipamento moral para utilizarmos essa razão mais tarde.
    (...)
    Parece-me preferível que (os jovens) aceitem certos preconceitos sem os questionar a perderem-se num emaranhado de confusão e incerteza.
    (...)
    É importante termos cuidado para não sermos corruptores da juventude. Pode ser muito mau introduzir ao pensamento critico pessoas que, em primeiro lugar, poderão ser incapazes de o fazer e, em segundo lugar, não o saberão usar com responsabilidade. Temos visto um crescente relativismo de valores em pessoas comuns que ficaram orfãs de uma certa liderança moral como aquela que outrora a Igreja lhes dava."

    Roger Scruton in "Key Philosophers in Conversation"

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